A aventura pela mitologia egípcia continua. Afinal enfrentar o Deus que derrotou o próprio Osíris não é o bastante quando também existe a temível serpente faminta pelo sol e ambiciosa a instaurar o caos. Entre os humanos sempre há conspiração distorcendo fatos quanto aos verdadeiros acontecimentos da família Kane. Pelo menos os jovens irmãos souberam levar a apresentação dos fatos na íntegra a outro nível, e fizeram uma nova gravação.

O Trono de Fogo é a transcrição da segunda gravação feita pelos irmãos Kane com a nova parte da aventura. Escrito por Rick Riordan, publicado em 2011 com edição em 2012 pela editora Intrínseca com tradução de Débora Isidoro, Carter e Sadie tem muita ação a compartilhar sobre as intrigas mitológicas em âmbito internacional.

“Preciso contar esta história, ou vamos todos morrer”

A história começa três meses depois dos acontecimentos de A Pirâmide Vermelha. Os irmãos Kane têm uma missão simples, incendiar o museu de Brooklyn é mera consequência no plano deles de evitar algo muito pior. Precisam coletar três papiros que constituem o Livro de Rá, invocar o Deus homônimo — o rei entre as divindades egípcias — e assim conseguirem enfrentar a serpente Apófis, o ser com ambição de engolir o sol desde os tempos do Antigo Egito.

Muitos jovens escutaram as gravações de Carter e Sadie e atenderam a convocação, vieram de todo o mundo — inclusive Brasil — e receberam treinamentos dos Kane nesses meses antes de acontecer o incêndio no museu. Nem todos os magos concordam com a atitude dos garotos, e o russo Vladimir Menshikov pretende colocar toda a Casa da Vida — a instituição internacional dos praticantes da magia egípcia — contra os protagonistas com argumentos questionáveis a quem ouviu ou leu o relato direto da fonte. Pois bem, Apófis retornará e deve ser confrontado, seja pela invocação de Rá ou outros quais sejam os meios levantados nesta nova aventura da mitologia egípcia.

“Tawaret corou, e foi a primeira vez que constrangi um hipopótamo”

Grandes responsabilidades caem sobre os ombros dos irmãos, mas os três meses de amadurecimento não tiraram o bom humor na hora de enfrentar as maiores ameaças. Seja na nomeação dos capítulos, apresentação de novos personagens ou a ameaça fatal diante deles, sempre aproveitam oportunidades de comentar frases hilárias. Quem preferir a representação mais fiel a intensidade das ameaças, pode se decepcionar pela quantidade recorrente com que o sarcasmo de Sadie e Carter descreve os problemas a confrontar. Mantendo a narração de dois capítulos por personagem, Riordan consegue transmitir a personalidade de cada narrador, a diferença em como eles enxergam os detalhes e quais prioridades, tudo é repassado conforme o personagem correspondente conta a história.

A ação toma mais espaço neste livro em relação ao anterior, pois já passou da introdução de toda a trama dos irmãos Kane e já apresentou a mitologia aos leitores no primeiro volume. Ainda assim as abordagens sobre a cultura e mitologia retratada fazem falta, embora elas ainda aconteçam ao longo do livro, ocorre muito menos em relação ao primeiro. Os conflitos constantes substituem a representação didática da mitologia e torna o livro menos interessante caso objetivo da leitura for conhecer mais da mitologia e cultura homenageada.

Todos os personagens humanos continuam seus arcos enquanto envolve os conflitos de novos personagens. Dos jovens aprendizes dos Kane, Walt recebe mais destaque oferecendo um dilema amoroso a Sadie enquanto enfrenta o conflito de sua linhagem. Novos — apesar de poucos — Deuses aparecem na história e têm papéis importantes na aventura; aliados ou adversários, são úteis a revelar personalidades dos protagonistas, desenvolvendo-as em meio a situação caótica que é a fase da adolescência sob o conflito a evitar a ruína de todo o mundo.

O Trono de Fogo falha em manter a qualidade de A Pirâmide Vermelha no quesito informativo e oferece mais cenas de ação e reviravolta com grandes pitadas de humor na trama encarregada de responsabilidade sobre os irmão Kane. Ainda há o último volume da saga do panteão egípcio, e torço para o autor ter equilibrado cenas empolgantes deste livro com as interessantes informações da cultura tão pouca representada — pelo menos dentre as obras publicadas no Brasil — como fez na estreia desta aventura.

“Somos os Kane. Não fugimos de escolhas difíceis”

O Trono de Fogo - capaAutor: Rick Riordan
Ano da Publicação Original: 2011
Edição: 2012
Tradução: Débora Isidoro
Editora: Intrínseca
Quantidade de Páginas: 398

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