A saga de The Witcher atingiu um público gigantesco graças a popularidade do último jogo lançado pela CD Projekt Red em 2015, com elogios exaltados desde então. Com a riqueza da história no RPG protagonizado por Geralt, muitos procuraram a origem da saga através dos livros. Formatos diferentes, mas trazem diversão com os personagens icônicos já conhecidos, embora tenham diferenças significantes. 

Ao contrário das outras análises, esta abordará todos os sete livros que correspondem a história de Geralt de Rívia e Cirilla. Li os cinco primeiros livros muito antes de pensar em criar este blog, o sexto tem uma análise simples no meu perfil do Skoob, e concluí os dois volumes correspondentes ao último livro para entregar um material completo. 

Os nomes dos sete livros são: 

  • O Último Desejo; 
  • A Espada do Destino; 
  • O Sangue dos Elfos; 
  • Tempo do Desprezo; 
  • Batismo de Fogo; 
  • A Torre da Andorinha; e 
  • A Senhora do Lago.

Autoria de Andrzej Sapkowski, polonês formado em economia. Começou no mercado literário com traduções e teve grande reconhecimento pelos livros de The Witcher. Vendeu os direitos para a empresa desenvolver os jogos com base na saga sem muita pretensão, e se arrepende da escolha ao ver o sucesso da franquia de games.

O Universo The Witcher 

Se desejar conhecer o universo por si só através da leitura, sugiro seguir pular até a análise clicando aqui. 

Para quem não conhece a franquia, o Bruxo neste universo não conjura feitiçarias complexas. É a tradução do termo original Wiedźmin (em polonês), ou Witcher (em inglês). 

Os Bruxos são guerreiros aprimorados com mutações através da alquimia. Os poucos dos sobreviventes deste processo têm sentidos apurados, melhorias físicas, reforça o sistema imunológico, e são estéreis. Sabem fazer pequenos encantos chamados de sinais, e usam poções para aprimorar ainda mais suas habilidades de forma temporária. 

Atuam como caçadores de monstros profissionais. Não interferem em assuntos políticos ou conflitos entre humanos. Recebem pagamento pela caçada, embora não tenham o respeito com pessoas comuns, os enxergam como uma criatura inumana. 

Os humanos são a raça dominante nos reinos abrangentes na história. A história se passa entre os reinos do norte com cidades como Vergen, Redânia, Novigrad, Cintra, Kaedwen e outros; além do império de Nilfgaard, onde as criaturas inumanas deixaram de existir. 

Os outros seres humanoides são marginalizados. Os anões convivem com os humanos, muitas vezes em situações inferiores. Já os elfos são arrogantes e agressivos, eram predominantes antes da dominação dos humanos e não aceitaram a derrota. 

Mesmo sendo humanos, os feiticeiros (esses com capacidades mágicas) não são vistos com bons olhos. Ainda assim possuem um poder tremendo aproveitados pelos líderes do reino ou influenciam esses. 

Criaturas de muitas mitologias também existem no universo: metadílios (hobbit), gnomos, vampiros, lobisomens, dúplices, silvanos, e gênios são apenas alguns exemplos.

A paz faz crescer, a discórdia arruína 

Os dois primeiros livros são coletâneas de contos. Histórias curtas em que envolvem os serviços de Bruxo do Geralt. 

Através desses serviços serão mostrados a relação humana com o Bruxo, de como ele atua e quais são seus limites ao aceitar uma caçada. Alguns dos personagens apresentados se manterão até o fim da saga, envolvido diretamente pela aventura de Geralt ou não. 

Enquanto acompanha o protagonista já desenvolvido em seu modo de agir, aos poucos apresenta outra personagem desde a sua gestação na barriga da mãe: a Cirilla. O desenvolvimento desta menina será o centro da história por causa de sua origem e capacidades. A trama dela modificará o modo de vida e a perspectiva do Geralt, e ele a protegerá a todo custo, mesmo agindo contra os princípios de Bruxo. 

A partir do terceiro livro o estilo muda para romance. Conta a história de forma contínua com capítulos tão extensos como os contos dos livros anteriores. O término de cada livro não tem um desfecho, o próximo livro retoma a história de onde parou até finalizar em A Senhora do Lago. 

Outra mudança significativa nos romances é a abrangência de pontos de vistas. Os capítulos não possuem foco exclusivo no Bruxo e destacará muitas situações políticas dos reinos do norte em conflito com o império gigantesco de Nilfgaard, bem como as conspirações realizadas pelos feiticeiros. 

Sapkowski abusa de seu conhecimento em economia na abordagem política desses reinos. Infelizmente essa abrangência se torna extensa no decorrer das páginas. Envolvem personagens nada marcantes comparados aos que se envolvem diretamente com Geralt, e são inundados de discussões com pouca ação.

Quem nunca se atrever a enfrentar a covardia, vai morrer de medo até o fim dos dias 

A história é concluída no último volume de A Senhora do Lago. O autor utilizou de recursos não lineares e concluiu o arco de muitos personagens, além de abranger não apenas o indivíduo, mas toda a região com os fins dos conflitos. 

O ciclo se fecha com esta saga, embora o universo de The Witcher tenha se expandido com HQs, um seriado produzido na polônia e um em produção pela Netflix, outro livro de Sapkowski com acontecimentos anteriores à saga, e o ciclo da trilogia de games produzido pela CD Projekt Red que trouxe desfechos na história de Geralt e Ciri conforme as escolhas do jogador.

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