Sete brasileiros desenharam novas histórias de fantasia sombria sobre samurais. Soma a guerra constante no período histórico japonês com o líder de clã desesperado em superar os adversários, e o resultado são acordos infames responsáveis por transtornar a vida de todos, de camponeses a samurais. Shogum dos Mortos: As Sete Faces do Horror reúne sete histórias ilustradas em determinado arquipélago do Japão cujo clã local amaldiçoa os próprios moradores a renascerem zumbis após a morte. A editora Draco publicou em 2020 graças ao sucesso de financiamento coletivo.

“O Poder deixa os homens cegos”

Em meio ao desespero de sucumbir o próprio clã entre os demais existentes no arquipélago Yamato, Hideki Tachikawa visitou o Reino Sombrio dos Mortos e fez um acordo com a deusa Izanami. Desde então cada membro morto do clã volta à vida no próximo amanhecer. Tal evento encadeia transtornos distintos ao clã Tachikawa. Alguns samurais mortos-vivos se rebelam contra o clã, até os camponeses voltam à vida, inclusive Saori, esposa do herdeiro Seiji Tachikawa, ressuscita após ser assassinada sob conspiração de Hideki e devora o cérebro de Garo, filho do casal.

“Renascer para sofrer mais um dia!”

O enredo apresentado no parágrafo anterior contextualiza as setes histórias em quadrinhos desta coleção, presente em texto no livro. A obra é do tipo fix-up, ou seja, as histórias são paralelas, relacionadas a consequências da tragédia do clã Tachikawa. Assim possibilitou explorar a diversidade presente na cultura japonesa nas diversas situações a enfrentar os samurai zumbis, seja entre os guerreiros, através de ninjas, envolve até monjas e camponeses. Explora o conflito de cada parcela da população submissa ao clã. Cada ilustrador trabalhou em uma história, tudo sob o roteiro de Daniel Wernëck e edição de Raphael Fernandes, um trabalho conjunto capaz de deixar o livro único, sem nenhuma das histórias dissociar das demais.

Diálogos enfraquecem a qualidade das histórias em determinados momentos por trazer frases clichês de quadrinhos e mangás. Adjetivos dispensáveis deixam as frases redundantes sem colaborar no significado do texto, por exemplo: em “Reino Sombrio dos Mortos”, a menção dos Mortos já denota do local ser Sombrio. Alguns balões soam deslocados da história e apenas contam uma informação ao leitor a contextualizar o passado dos personagens, por outro lado a diversidade da obra compensa em possibilitar diferentes pontos de vista em número de páginas limitado.

“Destruir um castelo inteiro, guardado por soldados imortais? Mas isso é uma missão suicida!”

Shogum dos Mortos: As Sete Faces do Horror aproveita a cultura japonesa focada nos guerreiros samurai e explora diversos aspectos locais enquanto parte do fenômeno sobrenatural a traçar histórias de personagens afetados pela infestação de zumbis. A qualidade gráfica e o empenho na contextualização compensam a escrita clichê presente nas histórias.

“Como são fúteis os sonhos dos homens”

Capa de Shogum dos Mortos: As Sete Faces do HorrorRoteirista: Daneil Wernëck
Ilustradores: Breno Fonseca, Dattan M. Porto, H’D Rodrigues, Danilo Dias, Heitor Amatsu, Kazuo Miyahara e Hilton P. Rocha
Editor: Raphale Fernandes
Editora: Draco
Edição: 2020
Gêneros: quadrinhos / fantasia sombria
Quantidade de Páginas: 168

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