Mais do que livro, este foi um desafio de leitura. Duas histórias diferentes em tempos distintos entrecruzam e harmonizam dentro de uma só obra. Sem aventura épica e poucos pontos de virada surpreendentes, destaca-se a escrita e técnicas do autor na sua forma de contar as histórias. 

Palmeiras Selvagens foi publicado em 1939. Composto por duas histórias com capítulos intercalados ao longo do livro: a homônima à obra trata do casal Charlotte e Henry e suas tentativas frustradas de manter a vida amorosa; e O Velho, sobre os prisioneiros encarregados de resgatar pessoas vítimas da grande enchente no rio do Mississippi (conhecido como Rio Velho). 

Palmeiras Selvagens - capa

William Faulkner foi um dos romancistas mais aclamados no século XX. Vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 1949, traz narrativas com quebras abruptas do tempo narrativo e utiliza-se do fluxo de consciência. 

São uma gente estranha; não compreendem a desonestidade 

Em Palmeiras Selvagens conhecemos o médico em formação Henry Willbourne e sua relação com Charlotte Rittenmeyer, uma mulher casada que decide sair de casa e abandonar a própria família para viver com Henry. Os dois tentam viver uma história de amor sem se importarem com o dinheiro, e sofrem dificuldades de se sustentarem. 

O Velho conta a história de um condenado alto (não cita o nome do sujeito no livro) encarregado de resgatar uma mulher, mas acaba se distanciando dos outros prisioneiros e policiais. É tido como morto e poderia fugir, garantir sua liberdade, porém ele escolhe retornar à prisão. 

A vida consiste em se levantar mais cedo ou mais tarde 

O livro começa a narrativa na parte avançada da trama e depois conta do começo. O Velho ainda alterna os acontecimentos do passado com as conversas entre os condenados sem sequer mudar de parágrafo. De uma linha a outra passam-se dias e semanas e meses; a pontuação das frases é adaptada para definir um ritmo particular na narrativa através da representação do ponto de vista do personagem. 

A trama em si é banal se desconsiderar o assunto polêmico da primeira história, e a segunda é só sobre um resgaste cujo protagonista, um condenado qualquer, volta ao ponto de origem.  

Palmeira Selvagens (o livro) não é uma leitura objetiva. É preciso rever os extensos parágrafos e formar visões distintas de suas frases, mas aqui está sua grandiosidade que reconheceu Faulkner com o Prêmio Nobel, na sua forma de escrever e oferecer ao leitor a experiência singular em seus textos. 

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