Na busca de títulos relacionados ao suicídio no intuito de publicar ao longo do Setembro Amarelo, este último achado também é um dos primeiros livros policiais já escritos. Vindo do autor exemplar capaz de entregar história de pirata a inspirar tropos e clichês em novas narrativas até hoje, além do caso obsessivo pela dualidade a ponto de inspirar monstruosidades feito o Hulk; este outro trabalho de Robert Louis Stevenson demonstra maneiras de impor tensão na narrativa, conduzir mistérios revelados nos melhores momentos, e ainda serve de exemplo de abordagem de suicídio na ficção. O Clube dos Suicidas foi publicado pela primeira vez em 1878, com edição digital em 2012 feita pela editora Rocco sob a tradução de Eliana Sabino.

“Fale com franqueza com quem pode ajudá-lo”

O Príncipe da Boêmia de nome Florizel gosta de andar disfarçado pelas ruas de Londres junto ao general Geraldine, quando em certa noite os dois encontram alguém inusitado: um rapaz distribuía tortas de creme pelo bar, de graça, e caso alguém recusasse a oferta, ele mesmo comia. O Príncipe acompanhou este rapaz ao longo desta tarefa peculiar até conseguir satisfazer a curiosidade do porquê ele fazer isso. A resposta é a de o rapaz perder a razão de viver, a intenção era fazer este último gesto antes de participar d’O Clube dos Suicidas. A existência de tal clube intriga Florizel. Ele resolve participar, conhecer e desmantelar esta organização.

“A existência de um homem é fácil de destruir e tão poderosa de ser vivida!”

Composto por três histórias curtas, cada uma alterna o ponto de vista sobre outro personagem, apesar de Florizel estar presente em todas e protagonizar este episódio contra O Clube. A princípio as histórias soam distintas, pois começam a narrar a vida comum do personagem, só parágrafos mais tarde entrelaça à trama principal através do ponto de virada surpreendente. Enquanto as duas últimas prezam pela surpresa ao leitor de trabalhar no mistério enquanto as dicas existem diante do texto, a primeira história trabalha muito bem a tensão depois de apresentar O Clube dos Suicidas, revela as regras do jogo aos poucos, permite assimilar tudo com a leitura antes de vir o jogo em si. Por ter os elementos esclarecidos, a narrativa fica pronta a favorecer o suspense, e cada linha a estender o resultado daquela cena contribui na tensão cada vez mais elevada. O perigo aos personagens envolvidos fica claro ao longo da descrição, provoca receio quanto a se eles serão espertos o bastante a sobreviverem, e o enredo explora a inteligência dos envolvidos ao determinar o vitorioso.

Conforme dito no começo da resenha, sob o foco de analisar o suicídio representado nas ficções durante o mês de Setembro Amarelo, é impressionante de ver a condução do assunto neste livro. Apenas a primeira história aborda personagens sob tendências suicidas, em que os mesmos desabafam motivos de arriscar participar desta proposta do clube, porém muitos dos motivos são vagos, correspondentes à complexidade de problemas multicausais a proporcionarem tamanha infelicidade nos personagens. Embora as regras do jogo existentes no Clube sejam explicadas, o método de encerrar a vida de alguém é oculto entre os envolvidos, assim deixa de influenciar leitores sensíveis a repetir o ato. Também demonstra o medo dos personagens escolhidos a exterminar a vida, mostrando motivos a repensar na ideia. Por fim a existência do Clube dos Suicidas é repugnante diante do protagonista, algo a ser impedido.

“Um tolo, porém coerente em sua tolice”

O Clube dos Suicidas reúne ótimos exemplos ao contar a história de elementos comuns a inúmeros livros policiais publicados nos anos posteriores, até mesmo os atuais. Descrição de bom ritmo mesmo publicado em época quando a caracterização era cheia de detalhes, manipulação das pistas de modo a sempre estarem presentes e mesmo assim descobertos apenas quando o enredo revela os segredos da trama no momento certo, a capacidade de prender a atenção do leitor em parágrafos tensos, e ainda passa mensagens positivas quanto à conscientização do suicídio mesmo quando a proposta principal da história é outra.

“Leve em consideração a importância de sua vida, não apenas para seus amigos, mas para a causa pública”

Capa de O Clube dos SuicidasAutor: Robert Louis Stevenson
Tradutora: Eliana Sabino
Publicado pela primeira vez em: 1878
Editora: Rocco
Edição: 2012
Gêneros: mistério / suspense / policial
Quantidade de Páginas: 128

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