A longa jornada à Torre Negra sofre uma breve interrupção. Pessoas de costumes simples pedem socorro ao ka-tet do Pistoleiro, e ele deve seguir as regras desde Arthur Eld. Longe de sair de fato da jornada, o conflito encontrado em Calla Bryn Sturgis traz novos mistérios e respostas aos antigos, bem como a progressão dramática de cada membro da equipe de Roland, tudo traçado pelo ka. Os Lobos estão chegando, e todos devem tomar cuidado dentre as consequências das decisões feitas pelos envolvidos.

Lobos de Calla trata do quinto episódio da saga A Torre Negra. Publicado em 2003 e lançado em 2012 no Brasil pela editora Suma com tradução de Alda Porto, Stephen King leva o grupo de Roland a outra civilização peculiar com perigos inéditos e algumas respostas ao mistério em torno da Torre Negra.

“Crianças são uma safra como outra qualquer. Deus sempre manda mais”

Calla Bryn Sturgis é uma das regiões de Calla. Quase toda gravidez gera filhos gêmeos que crescem, se desenvolvem e realizam os trabalhos a garantir sustento pela família a permanecer na mesma cidade, por serem remotas demais de outras civilizações. Entre os moradores de Calla há Andy, o robô construído pelo Povo Antigo cujas poucas funções permitem ajudar os moradores em certas tarefas, além de insistir em contar a previsão do horóscopo a quem encontrar no caminho e avisar da notícia temida pela população. Andy anuncia aos moradores de Calla sobre a chegada dos Lobos no próximo ciclo da lua, também comenta da aproximação de Pistoleiros a caminho, capazes de confrontar os seres tão temidos.

Os Lobos vão até as regiões de Calla a cada vinte e poucos anos. O objetivo deles é selecionar um de alguns pares de gêmeos com pouca idade para levarem consigo, realizar o ritual neles e devolvê-los às famílias transformados em roonts, com mentalidade degenerada, crescimento abrupto a partir de determinada idade, e expectativa de vida precoce.

As opiniões divergem entre os moradores quanto ao grupo de Roland e geram discussões se aceitarão a ajuda deles ou não. Por serem Pistoleiros, eles cumprirão a tarefa sem exigir recompensas, apenas pedirão recursos conforme a necessidade da missão; aliás só o farão caso os moradores aceitem a ajuda e conforme for determinado pelo ka. Por fim Roland e seu ka-tet têm motivos para intervir contra os Lobos, pois também encontram pistas de como prosseguir à Torre Negra e testemunham prenúncios de eventos a enfrentar nos dois últimos volumes da saga.

“Primeiro chegam os sorrisos, depois, as mentiras. Por último, o tiroteio”

O quinto volume é marcado como o início da segunda parte da saga elaborada pelo Stephen King, esta rumo a conclusão. Vemos a apresentação e desenvolvimento da nova civilização encontrada neste volume com metodologia similar a de Mago e Vidro, embora tenha menos foco no arco dos moradores. Apenas o padre Callahan recebe destaque dentre os novos personagens por desempenhar o papel crucial nesta trama, e já ter vivido outras aventuras sob as palavras de King no livro Salem. Parte da história voltada a Callahan mescla com acontecimentos do outro livro, o que prejudica a quem não o leu, pois ficará carente do contexto da outra obra.

A partir do pedido de ajuda feito pelos moradores de Calla, o romance consiste no preparo do grupo de Roland até o momento de enfrentar os Lobos. Desenvolve o arco de suspense com entrevistas entre os moradores e busca de pistas sobre o tipo de ameaça a enfrentar. Os relatos remetem a perigos enfrentados em Terras Devastadas e são interligados com o conhecimento amadurecido de todo o ka-tet. Também há interlúdios sobre o principal destino de Roland e das tramas de cada companheiro, revisita situações encontradas na Escolha dos Três e interliga tudo ao arco central da saga. Em outras palavras, demonstra a força do ka sobre o enredo.

Pretendo abordar o final deste livro na resenha, então caso julgue esta parte da análise como #spoiler é melhor pular ao próximo parágrafo. A crítica é pertinente a batalha dos protagonistas contra os Lobos. Seres de ameaça tão aterrorizante, todo o livro focado no preparo contra o grande perigo à Calla, e a conclusão acontece depressa, com baixas apenas ao povo de Calla que talvez pouco impactará na jornada adiante do ka-tet. Em suma os antagonistas têm menos importância frente aos outros conflitos apresentados ao longo dessas centenas de páginas são mais importantes ao seguimento da saga.

Lobos de Calla traz outra demonstração de qualidade a King em desenvolver ótimos diálogos e construir novos personagens mesmo em direção à reta final da saga. A mistura desta história com a de Salem traz certa dificuldade na compreensão de determinada parte da história, embora o leitor assimile o bastante a compreender o papel de Callahan neste romance. O ka cumpriu seu trabalho soltando algumas pontas do enredo, estas a prosseguir na Canção de Susannah.

“Os deuses deixam sinais. Os homens deixam máquinas”

Lobos de Calla - capaAutor: Stephen King
Tradutora: Alda Porto
Ano de Publicação Original: 2003
Edição: 2012
Editora: Suma
Saga: A Torre Negra, Vol. 5
Quantidade de Páginas: 744

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