Independente da ideologia política, todo governo totalitário capaz de por em risco o bem-estar da população e negar o direito do indivíduo em tomar decisões é ruim. George Orwell chocou com a história distópica de vigilância constante, distorção de fatos e manipulação através da linguagem; só que há outras formas de apavorar o leitor com uma realidade imposta através da tecnologia. 

Inteligência Artificial é um conto breve sobre uma sociedade com chip implantado em cada indivíduo e manipulado pela tecnologia citada no nome da obra. Disponível nas plataformas digitais desde 2017, foi finalista no concurso Sweek Stars na categoria Ficção Científica. 

Inteligência Artificial - capa

Débora de Mello já apareceu no blog com suas obras da saga Hale & Hastings, além de realizar serviços de design no meio editorial. 

Repetíamos as mesmas atividades, como robôs 

[Por ser uma obra curta, a apresentação do enredo a seguir conterá alguns spoilers. Caso prefira, acesse apenas a análise final clicando aqui]

O conto é sobre a indignação de um homem idoso com as transformações da tecnologia a ponto de interferir na vida de cada cidadão. A sociedade permitiu o implante de artefatos complexos no corpo em busca de aprimoramento pessoal, entretanto a mesma tecnologia condicionou as pessoas à manipulação em massa, atuando como robôs. 

Esse senhor foi um dos primeiros a ter o implante do chip em seu corpo, e por isso a inteligência artificial tem limitações na manipulação sobre ele, o que possibilita a revolta contra o regime totalitário. 

Nossas armas são mais fortes que o que nos torna inúteis 

O narrador é pouco desenvolvido. Serve apenas de sustento entre os parágrafos de diálogo em que os personagens contam a trama com pouca ação, esta o suficiente de explorar a premissa. 

Vejo o conceito deste conto como uma metáfora ao comportamento atual de cedermos à tecnologia em busca de vantagens sem importarmos com as condições. Com o uso inconsciente das ferramentas, nos condenaremos a situações comprometedoras difíceis de lidar quanto mais demorarmos a perceber. O governo totalitário da Metrópole personifica o perigo de quem não sabe como suas ferramentas funcionam.

É uma história curta, mas provoca reflexões a ponto do leitor divagar por muito mais tempo além da breve leitura.

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