Humanos possuem tempo de vida bastante limitado. Os afortunados (e saudáveis) superam um século de existência, quando a nossa espécie cria novas gerações desde milhões de anos atrás. Passamos por etapas da vida onde desenvolvemos o corpo e as fases de transição social. Tempo é curto, e por isso precisamos fazer algo a ser lembrado pela nova geração. Conflitos são breves, senão seremos desprovidos de prazer ou digno de entrar para a  história. Grãos de areia escorregam da ampulheta e a pele fica plácida, ossos rangem e músculos amolecem, restando apenas o legado.

Há criaturas sobrenaturais livres da restrição do tempo de vida, ou o tem prolongado. Vagam por séculos, testemunhas vivas capazes de nos comprovar o quanto dos registros nos livros de história são verídicos. Não fosse o bastante, carregam consigo habilidades extraordinárias, até mágicas! Possuem muitas maravilhas, mas a longevidade traz consequências. Conflitos podem durar o quanto quiser, pois os autores das crises também prevalecerão até a morte chegar por meios externos. Tantas capacidades, e ainda incapazes de viverem os séculos de existência, pois enfrentam uma guerra eterna.

Eternidade é o primeiro volume da saga A Adaga de Edwan, história fantástica que envolve a guerra contra o Vampiro das Sombras. Publicado em 2018 pela editora Coerência, os vampiros se dividem entre brancos e negros, além de conviverem com outras criaturas fantásticas.

Eternidade - capa

Letícia P. S. é farmacêutica e escritora. Participou de organizações de antologias e tem vários projetos a publicar no futuro, esses de dramas e a continuação da A Adaga de Edwan.

Taylor é como eu, sacrifica-se por aqueles que ama

Taylor Harper é a protagonista da história, predestinada a vencer o Vampiro das Sombras segundo profecia sobre a arma especial conhecida como adaga de Edwan. Realiza a busca pela adaga com a ajuda da Resistência, grupo de vampiros brancos liderados pela irmã de criação chamada Claire.

Todo vampiro possui tatuagem com o desenho de espada longa com uma serpente enrolada nela. A cor da tatuagem designa a espécie do vampiro. Se a cor é negra, o vampiro permanece com o corpo pela eternidade; possui força, velocidade e sentidos aprimorados, alimentam-se de sangue humano, mas as fêmea são inférteis. Quando a tatuagem é branca como a de Taylor, os vampiros conseguem procriar entre si e podem comer alimentos iguais os de qualquer animal; corpo envelhece a cada dez anos, quando precisam tomar de sangue humano apenas para atingir a nova idade e sobreviver por mais uma década; e as capacidades sobrenaturais são mágicas, cada vampiro nasce com um dom, como controlar elementos, ser inteligente ou habilidades extraordinárias com armas como arco e flecha.

A mãe de Taylor é prisioneira do Vampiro das Sombras, que fez o pacto de sangue com a filha de libertar a mãe caso Taylor aceite ir ao Inferno. Quebrar este pacto provocará a ira do Vampiro das Sombras, e o pior pode ocorrer durante a busca da adaga com muitas criaturas fantásticas distintas na jornada.

Somos filhos da Lua e sob ela devemos ficar

Cada capítulo é narrado por um personagem diferente, a maioria contada pela protagonista. Além de prosseguir com a história, mostra o ponto de vista do personagem/narrador na situação daquele momento, e também demonstra opiniões diversas entre as pessoas ao redor e sobre a jornada.

A autora mistura elementos conhecidos das criaturas fantásticas da trama com conceitos originais, como a diferença entre as espécies de vampiros. O decorrer do livro conta histórias de origens deles, criações mitológicas elaboradas pela autora que enriquece seu mundo ficcional. Com tanta mitologia envolvida, eu fiquei curioso por Taylor e outras personagens clamarem por Deus (o cristão) várias vezes. Gostaria de entender melhor a cristandade dos vampiros brancos, por mais que eles aproximem dos humanos, as histórias passadas desta espécie não demonstram onde esta fé origina.

Ir direto ao ponto é a melhor opção, não é mesmo?

Há diversas falhas da edição do livro em relação à escrita. Erros de ortografia, de digitação e vírgulas mal posicionadas desestimulam a leitura. Presentes em todo capítulo, difícil passar despercebido ou até de se desculpar, pois é tolerável encontrar poucas e pequenas falhas, infelizmente este não foi o caso.

Eternidade possui muitas personagens, e com descrições detalhadas deles. Peca pelo excesso e dificulta a imaginação do leitor, já que exige em lembrar as características de cada uma, ou ignora tudo e cria a própria imagem delas na cabeça sem respeitar o descrito no livro. As cenas de ação são resumidas em adjetivos (ex: ela esquivou com estilo) e perdem o brilho dos movimentos que poderiam narrar e imergir o leitor na batalha.

A editora falhou em caprichar na finalização deste romance, livro de potencial com a criação do universo próprio e personagens diversificados (tanto em espécies como indivíduos). Caso garantisse uma leitura agradável com este ambiente rico e trama curiosa, poderia aproveitar melhor deste romance.

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