Voltamos ao tema sobrenatural sobre criaturas irrestritas ao tempo, os vampiros. Quando o humano adquire poder político, tudo feito nessa breve vida ficará na história, esta contada por documentos oficiais e outros nem tanto de fonte íntima ou caluniosa. Então esta pessoa ganha novos poderes pela maldição do vampiro, como se os escândalos pessoais e crise nacional fossem problemas pequenos.

Já mostrei no blog como os brasileiros são criativos com os sugadores de sangue, dando-lhes capacidades mágicas ou poderes tremendos. A resenha da vez traz outro exemplo curioso em nossa literatura vampiresca, pois o protagonista é ninguém menos que o primeiro Imperador do Brasil.

Dom Pedro I Vampiro conta a transformação do Imperador brasileiro em uma criatura noturna, além de coloca-lo em problemas em dias atuais. Publicado em 2015, explora o íntimo já conhecido de Dom Pedro na história real com as conspirações de toque sobrenatural. 

Dom Pedro I Vampiro - capa

Nazarethe Fonseca é autora de várias histórias sobrenaturais, muitas voltadas a vampiros. Escreveu as séries Alma e Sangue, além de Pandora, Controle Sobrenatural.

Era cuidadoso, gentil, mas a mordida era sempre a mordida 

Capítulos alternam entre dois períodos. O tempo atual conta o Dom Pedro I Vampiro na aventura em companhia da mulher chamada Eva, quem divide o protagonismo com o ex-imperador. A moça também possui características extraordinárias, é encontrada por Pedro no meio da perseguição de um objeto em que ela possui e recebe a ajuda do vampiro enquanto ele ainda enfrenta os adversários do passado.

Outro período é de quando Brasil era colônia de Portugal. Conta desde a imigração da família real até o reinado de Dom Pedro I após a independência, demonstra como ele se torna vampiro e as dificuldades de conviver no aspecto sobrenatural em meio ao governo do país e escândalos familiares.

O amor, a guerra e o sangue eram suas prioridades  

A autora soube aproveitar as características da ficção urbana e histórica nesta fantasia que já chama a atenção pelo título. Ação, magia e ameaças recheiam os capítulos do tempo presente enquanto as revelações e intimidades ficam no passado. A história costura fatos registrados com a realidade do livro onde Dom Pedro tenta governar e manter a vida social mesmo após entrar em processo de transformação em vampiro. Aproveita os vários casos de amantes do personagem histórico reconhecido por pular a cerca e os amarra inclusive no enredo.

A alternância de capítulos monta um quebra-cabeça e espalha os acontecimentos como peças do jogo, mas muito bem posicionadas. Geram curiosidade e depois entregam a peça restante nos capítulos posteriores e recompensam o leitor pelo avanço na leitura. 

Leitura esta com momentos de confusão. Às vezes falha em deixar claro quem faz determinada ação no livro. Há alguns travessões mal posicionados, colocados onde não há interrupção do narrador. E é curioso ver a falta de acentos na letra “i” quando precisava. Pequenos erros, porém recorrentes.

Fiquei curioso quando olhei a capa do livro de Dom Pedro I Vampiro. Comprado na Bienal sem saber o que esperar, arrisquei a compra apenas pela premissa. Depois de lido, sinto-me satisfeito com esta história de fantasia criativa que soube trazer o personagem real à ficção como vampiro.

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