Entre saques, mutilações, bebidas e mulheres, uma maldição não é o bastante para o pirata deixar de fazer o seu melhor. Ser amaldiçoado duas vezes também não o impede. 

Sem saber a própria história, ele não passa de um humano entre o conflito de deuses e diabo. Mas este humano foi agraciado com presentes de seu pai. Tais presentes fizeram o próprio deus dos oceanos o temer e agir a favor de seu domínio e proteger os de seus irmãos. 

Darkson* conta a história deste pirata amaldiçoado, homônimo ao título do livro. Publicado em 2016, com narrativa em terceira pessoa e treze capítulos breves. 

Darkson - capa

Marcos Perillo é formado em administração e relembrou sua vida na década de 80 ao escrever Darkson. Deixou-se levar pela juventude rebelde e roqueira influenciada pela leitura de quadrinhos e criou a história de seu anti-herói. 

O sexto filho do sexto neto! 

O ser sinistro recebe a visita de um marinheiro com o filho nos braços. O pai não tem condições de sobreviver, e viu no sonho com este ser uma oportunidade de ter a boa vida de riquezas e prazeres. Entregou o filho à maldição e permitiu sua adoção ao sujeito misterioso. Este devolveu o filho para o pai e cumpriu a sua parte do tratado, mas somente o combinado. 

Darkson foi criado por prostitutas até descobrir sua vocação. Sem saber da maldição, se tornou o pirata mais temível dos mares. Adquiriu as heranças do ser misterioso, comandou uma tropa leal através da demonstração de poder e rigor, e tratou as prostitutas com respeito como se fossem figuras maternas. 

Seus feitos extraordinários causaram preocupação ao próprio deus dos oceanos. Ciente de toda a história do pirata, não aguardou o desfecho de suas consequências e intercedeu, amaldiçoando Darkson pela segunda vez. 

O mais fantástico de todos os navios piratas até então construídos 

A descrição física dos personagens, navios e criatura é incrível. As palavras desenham as figuras dos personagens enquanto detalham sua aparência, mostrando rapidamente o resultado da pintura desses em um simples parágrafo. 

A linguagem empregada é simples e favorece uma leitura fluída e até rápida, capaz de deixar o leitor concluir as cem páginas em um par de horas. Não há descrições exageradas, mas algumas frases se repetem de modo dramático. 

O livro conta a história de Darkson, mas peca por se limitar a isso. Não há uma narrativa elaborada da aventura do pirata, e mesmo sendo bem escritos (raros erros de escrita) soam como resumo de sua vida. 

Um personagem já feito desde o início, ele pouco se desenvolve e alcança suas conquistas de forma espontânea. Darkson consegue o que quer sem dificuldade, até fácil demais. 

Houve uma adaptação na concepção dos deuses ao incluir o ser demoníaco dentro da mitologia. Tal adaptação mesclou muito bem com a história do livro, embora eu estranhe a mistura do nome dos deuses, por ter nomeado o deus dos mares com o nome romano de Netuno, mas os demais com nomes gregos (Afrodite, Zeus e Hades). 

Darkson é uma obra simples e objetiva. Capaz de trazer uma experiência rápida, porém pouco exploradora do mundo e protagonista desenvolvidos na trama.

 

* Um exemplar do livro foi cedido pelo autor para realizar a análise

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