Governantes são inalcançáveis a determinadas pessoas. Sujeitos simples com experiências e sentimentos, apesar de poucos se darem o trabalho de conhecerem. Medidas políticas ficam irrelevantes por não atingir gente comum. 

Até essas pessoas possuem história, inclusive em uma das sagas mais conhecidas no ramo fantástico tanto na televisão como na literatura. O cavaleiro andante conhece vários reinos e é reconhecido por poucos, quando não desprezado. 

O Cavaleiro dos Sete Reinos reúne três histórias de Sor Duncan, o Alto. Publicado em 2014, conta eventos protagonizados pelo cavaleiro andante e seu escudeiro Egg noventa anos antes dos conflitos políticos da Guerra dos Tronos em Westeros. 

O Cavaleiro dos Sete Reinos - capa

George R. R. Martin ficou reconhecido graças à saga a qual este livro faz parte. Sua publicação mais recente é Fogo e Sangue, o primeiro volume de outra saga referente ao mundo das Crônicas de Gelo e Fogo, apesar de enfurecer os fãs por ainda não publicar o sexto livro da série original. 

Todos os homens são bobos, e todos os homens são cavaleiros 

Dunk era escudeiro de Sor Arlan de Centabor. Sempre foi grato pela oportunidade de ter uma vida melhor de quando morava na Baixada das Pulgas em Porto Real. Seu cavaleiro era velho, vítima fatal de resfriado, e Dunk tomou posse dos equipamentos de Sor Arlan e se tornou cavaleiro, embora ninguém tenha sido testemunha. 

Ele precisa demonstrar feitos valorosos como cavaleiro andante. Vai a Vaufreixo e pretende participar da competição entre cavaleiros. Passa a se nomear como Sor Duncan, o Alto, e busca senhores que Sor Arlan tenha servido para reconhece-lo e poder entrar nas listas da competição. É o início da aventura capaz de transformar a sua jornada, a princípio com riscos de perder no máximo o cavalo e equipamentos, mas na verdade corre perigo de perder a integridade do corpo ou até a vida. 

Um garoto encontrado na estrada teima em se tornar escudeiro. O menino é agitado, teimoso e de cabeça raspada, razão de ser chamado Egg ― ovo em inglês. Dunk o aceita sem grandes pretensões, e se surpreende com a história desse garoto. 

Dunk, o pateta, cabeça-dura como uma muralha de castelo  

O livro tem as vendas garantidas por se passar no universo de uma das séries mais famosas, mesmo assim há o desafio de criar esta história sem os personagens já reconhecidos. Aumenta a responsabilidade em manter a coerência do mundo já existente e atribuir mais informações adequadas à realidade contida neste livro. E O Cavaleiro dos Sete Reinos supera esses desafios. 

Sor Duncan trás histórias dos sete reinos sem protagonismos dos líderes das grandes casas dos sete reinos, e demonstram a realidade da casta inferior dos guerreiros oficiais de Westeros: os cavaleiros sem senhor fixo, vítimas de preconceitos e rotina incerta. Sem acontecimentos de por o Trono de Ferro em cheque, as três histórias narradas ameaçam crises locais onde Dunk pode fazer a diferença. 

Sem a profundidade política e várias narrativas de perspectivas diferentes, este livro traz histórias sucintas e divertidas. O escudeiro Egg deixa o clima menos tenso durante as discussões com Dunk, tem a sorte de ainda possuir o ponto de vista infantil tão raro nas Crônicas de Gelo e Fogo. O garoto sabe se comunicar melhor, e Dunk reage com ameaças físicas ao escudeiro, com tantas repetições que cansam a leitura, igual a lembrança constante de sua posição e do quanto é cabeça-dura. 

O Cavaleiro dos Sete Reinos serve de boa leitura enquanto a saga principal ainda está em desenvolvimento. Além disso, essas histórias aprimoram o mundo já construído com mais informações sobre os sete reinos e ainda traz acontecimentos inéditos na visão de um guerreiro simples com seu escudeiro peculiar. 

Comentários