Sherlock Holmes é o personagem literário humano com o maior número de adaptações em cinemas e TV. 

Difícil encontrar alguém que desconheça este detetive. Famoso por resolver problemas praticamente impossíveis através da dedução dos pequenos detalhes subestimados pelos demais. 

Odiado pelo próprio autor, o detetive conseguiu conquistar o público com seus romances policiais, cujo gênero era depreciado até então.

Suas adaptações trouxeram aspectos modernos aos personagens, às vezes até trazido ao contexto atual, como a série da BBC. Mas como são as histórias originais, escritas há mais de cem anos? Este post apresenta uma dessas obras. 

As Aventuras de Sherlock Holmes foi publicado em 1892. É uma coletânea de doze contos narrados pelo amigo Dr. Watson, este após ter se mudado e morar junto de sua esposa. 

Arthur Conan Doyle foi um médico britânico, além de escritor. Embora odiasse desenvolver romances policiais, as histórias de Sherlock Holmes são seu maior destaque literário. 

Autor de Sherlock Holmes

Nada é tão importante quanto as coisas insignificantes

Os mistérios mais incomuns são solucionados pelas deduções de detalhes despercebidos por todos os personagens exceto Holmes, com alguns aspectos em certas histórias capaz de surpreender o leitor em meio a narração estruturada. 

Os contos não estão dispostos em ordem cronológica, alguns desses passavam ainda quando o médico vivia no mesmo teto de Sherlock. Mas isso não prejudica o acompanhamento das aventuras do detetive, nem mesmo se o leitor decidir ler os livros desta série em ordem diferente da publicação, podendo começar a conhecer o universo da obra a partir deste livro. 

Com exceção de poucos acontecimentos dos livros anteriores citados brevemente, ainda é possível apreciar esses contos sem se perder. Ao contrário de outras séries de livros em que é preciso acompanhar o desenvolvimento do personagem principal desde a primeira obra para entender melhor sua história.

Sendo o detetive um personagem já aprimorado em seu papel, a ideia de colocar a narrativa nas mãos de Dr. Watson neste e nos outros livros foi brilhante. O mistério fica melhor acentuado quando acompanhamos o caso no ponto de vista de alguém tão perdido na solução do problema quanto o leitor. Perderia o brilho se acompanhássemos o conto com alguém capaz de descobrir o grande mistério antes de todos. 

Senta que lá vem a história 

Praticamente todo conto começa com Dr. Watson se encontrando com o detetive prestes a receber a visita de um cliente. Este cliente cumprimenta os dois senhores e começa a falar de sua história. Páginas são preenchidas com os relatos minuciosos do cliente com algumas interrupções de Holmes. Só então a história se desenvolve para a solução do caso. 

O começo de muitos dos contos neste livro

Esta narração repetitiva pode cansar a leitura a quem ler todos os contos de forma contínua. Os diálogos são longos e realçam muitos detalhes na conversa entre os envolvidos, quando alguns são destacados nas deduções do protagonista. Até a conclusão é prolixa, pois apresenta as evidências determinantes do acusado e a discussão dos personagens sobre elas. Mesmo o antagonista do conto por vezes acrescenta suas justificativas ao caso. 

Por fim esses empecilhos são apenas um custo para os leitores atuais vislumbrarem o raciocínio elementar de Sherlock Holmes. Outro motivo que compensa a leitura é acompanhar a dinâmica entre o detetive e o amigo médico, além de saber dos hábitos e manias deste protagonista singular. 

Caso identifique esses problemas quando pegar esta ou outras coletâneas do personagem de Conan Doyle, recomendo a leitura intercalada com outro livro. Diminui o cansaço de testemunhar a estrutura repetida doze vezes, e assim aproveita melhor da história.

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