Já opinei quanto a qualidade literária nos livros brasileiros recentes com o argumento de haver qualidades em níveis diversos nos livros daqui e no mundo, com a diferença de existir um filtro nas histórias importadas. Certo filósofo de séculos atrás teve posicionamento bem mais severo quanto a qualidade literária de seu país (Alemanha). Deixo a discussão sobre as críticas de Arthur Schopenhauer remeterem aos livros escritos hoje em aberto, porém certos pontos deste livro com certeza ajudam aos interessados em conhecer mais sobre a escrita.

A Arte de Escrever reúne ensaios do filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Os textos disponíveis no livro foram escritos ao longo de sua vida no século XIX, e são indicados a quem interessar pela arte da escrita, seja crítico ou escritor.

A Arte de Escrever - capa

Usar muitas palavras para comunicar poucos pensamentos

O livro é breve, sumarizado entre a qualidade do aprendizado através da linguagem original, críticas sobre a depreciação da qualidade literária e a crise quanto ao interesse dos leitores nos livros de péssima qualidade. Schopenhauer dá opiniões rudes, encara os valores defendidos por ele em risco por causa dos livros publicados de sua época.

Defende a preservação dos textos no idioma original, o indivíduo deve aprender linguagens estrangeiras como meio de enriquecer o vocabulário e compreender a expressão do jeito que ela é concebida. Critica a falta de originalidade dos escritores, a obsessão pelas vendas de livros e a raridade de determinada obra sobreviver a posteridade devido a qualidade. Os leitores não são poupados, culpados por alimentar o ego desses escritores comprando os livros feitos para vender, deixam de comprar as obras originais e elogiam as “inovações” dos escritores vigentes quando na verdade denigrem a escrita.

Prefere ler o novo a ler o que é bom

O preciosismo pelos trabalhos consagrados no passado por Arthur é evidente, bem como a arrogância. Tal comportamento é capaz de causar desconforto na leitura, se o leitor não focar nas utilidades das críticas feitas. Pego como exemplo a opinião dele quanto aos desejos de escritores em serem relembrados após a morte através das obras, Arthur demonstra o quanto é difícil de acontecer e de como os autores falham neste objetivo com metas mais imediatas, como a venda de seus livros e o pouco apreço pelas obras consagradas, pois insiste em consumir publicações recentes sem garantia de ficarem relevantes na posteridade.

Sobre a ideia de conferir o livro no idioma original, é porque cada língua possui etimologia própria que atribuem valores distintos nas palavras tendo as correspondentes na tradução, e como a literatura é a forma de expressar a linguagem, tais valores devem se preservar. Aproveito este ponto e recomendo os aspirantes da escrita a lerem livros escritos no próprio país, pois terão referências de como aproveitar da própria linguagem nos seus textos. O livro traduzido na verdade traz uma interpretação do texto estrangeiro pelo tradutor profissional, trazendo pouco da linguagem original.

A Arte de Escrever é um balde de água fria na ambição de escritores mal preparados a exercer os trabalhos de escrita, com críticas relevantes que provocam reflexões em como produzir literatura mesmo séculos depois da concepção desses ensaios.

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