Vamos encarar outra história de guerreiros? Que tal mais um conflito entre os ingleses e nórdicos nos tempos de Rei Alfredo? Desta vez não será um volume da saga As Crônicas Saxônicas, de Bernard Conrwell, e sim o livro de autoria brasileira.

É mais difícil encontrar casais formados por etnias diferentes nos tempos medievais, comparando com a situação atual. No livro deste post, o filho de um nobre nórdico tem também influências da mãe cristã, e caberá a ele escolher a fé e por quem lutar nesta guerra entre cristãos e nórdicos.

Angus: O Primeiro Guerreiro, é o protagonista herdeiro de duas culturas diferentes com papel importante nos conflitos encarados pelo Rei Alfredo. Com nova edição publicada em 2017, é o primeiro volume da trilogia sobre as histórias deste Angus e da sua linhagem.

Angus: O Primeiro Guerreiro - capa

Orlando de Paes Filho é o autor desta trilogia reconhecida em vários territórios internacionais. Foca em produzir histórias ficcionais a partir de fatos históricos da idade média.

Criatura limitada e ingrata, pai da mentira!  

Angus é filho de Seawulf, O Sangue de Gelo, e cresceu junto aos escotos com a mãe Briggid, temente ao Deus cristão. Seawulf leva Angus na primeira campanha do filho, ambos servem ao grande exército nórdico liderado pelos irmãos Ivar e Halfdan, os dois filhos do lendário viking Ragnar Lodbrok.

Influenciado pela esposa, Seawulf rejeita certas posturas dos líderes nórdicos, seja nas estratégias, no tratamento perante aos adversários derrotados e por proteger homens indignos, segundo ele. Angus segue os passos do pai enquanto testemunha sua indignação do velho em relação aos filhos de Ragnar.

Os conflitos em torno de seu pai levará Angus a abandonar o exército nórdico e conhecer pessoas da ilha Bretanha, onde há crença no Deus monoteísta igual a da mãe. Aprende lições religiosas capazes de convencer o jovem guerreiro a confrontar os nórdicos. 

Dura pouco a alegria do guerreiro  

O livro de Angus aborda a ficção histórica cujos elementos fantásticos estão na crença dos personagens. Apresenta uma lenda original do autor como base da trilogia enquanto mescla conflitos e personagens reais na história medieval. Retrata a vida dos nobres católicos e aspectos da cultura nórdica, bem como a relação de cada crença com as batalhas e as formas de manejar armas.

As centenas de páginas carregam conflitos atrás de conflitos. Batalhas de exércitos, duelos e missões de reconhecimento trazem ótimas descrições das cenas de ação onde nem sempre o resultado é previsível. Porém
peca em apresentar alguns dos adversários no meio de tantas batalhas. Enquanto é possível testemunhar o rancor de Angus contra alguns nórdicos, os outros inimigos trazem pouco impacto na trama e são apenas obstáculos que o protagonista ultrapassa sem dificuldade, encanto ou importância. 

Possui narrativa em primeira pessoa com momentos de info dumping. Angus descreve os vários detalhes dos exércitos aliados e o seu conhecimento dos adversários. A narrativa sobrecarrega informações em certo capítulo, até fica estranho quando Angus enfim toma alguma atitude, lembrando depois de muita descrição que ele também é personagem além de narrador. A sensação de Angus ser apenas  o contador da história diminui após a metade do livro, quando ele avança de combate a combate no ritmo apressado e destoante comparado ao começo da história.

Angus: O Primeiro Guerreiro oferece tudo ao leitor interessado numa aventura histórica e cheia de ação, mas com aquele sabor amargo de monólogos descritivos onde despeja informações, além da quebra de ritmo ao longo do livro.

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