Todos tiveram sonhos pelo menos uma vez na vida, inalcançáveis a quem desiste nas primeiras tentativas ou nas últimas depois de milhares, então embrulha o desejo pessoal e o deixa de lado. Isso é errado! Sonhos não merecem desprezo por causa das dificuldades.

Então chega alguém e diz ensinamentos simples ao sonhador. Vou além, chega o best seller de nível mundial e conta a história sobre persistir nos sonhos, pois eles tornarão realidade. Acontecerão dificuldades, mas tudo ficará bem, a Mão o guiará na jornada onde a grande prova atestará o aprendizado pelo caminho. Está tudo bem, sim? Eu respondo não. 

O Alquimista é o livro brasileiro mais traduzido no mundo. Publicado originalmente em 1988, conta a história do pastor Santiago em busca do sonho com a ajuda ou reveses de pessoas diferentes nesta jornada, incluindo O Alquimista.

O Alquimista - capa

Paulo Coelho é a inspiração de muitos escritores brasileiros com o sonho de tornar suas histórias conhecidas pelo mundo. Muitos outros autores e aspirantes, porém, desanimam com os livros do Paulo Coelho. Qual desses dois grupos eu me encaixo após ler O Alquimista? Saberá em breve.

Temos que estar sempre preparados para as surpresas do tempo 

Santiago é espanhol e trabalha como pastor. Guia as ovelhas pelas terras e vende a lã aos comerciantes. Incomoda-se com certo sonho repetido duas vezes, em ambas acorda antes do final. Busca conselhos com a cigana, ela não dá a resposta esperada, apesar de convencê-lo a buscar o tesouro, objetivo da grande jornada onde ele avançará.

Precisa ir até as pirâmides do Egito onde descobrirá o tesouro. Cruza o mar e visita as terras árabes onde encontrará pessoas dispostas a lhe ajudar a cumprir sua Lenda Pessoal, dizem sobre o mundo conspirar a favor quando alguém segue seu sonho. Outras pessoas aconselham retornar à vida de pastor ou buscar alternativas garantidas de sustento. E há O Alquimista, personagem de sabedoria curiosa que orienta e incentiva a jornada do rapaz Santiago.

Livros contam histórias incríveis sempre nas horas que queremos ouvir  

O livro é constituído em várias partes sucintas, sempre levam o protagonista adiante na trama e oferece novas informações sobre a jornada. Ensinam sobre a benção de seguir o sonho; alertam sobre as dificuldades encontradas, aquelas responsáveis pela rendição de muitos quando estão tão perto de conquistar o tesouro; e no fim tudo faz parte do plano escrito pela Mão, é a prova do aprendizado obtido na jornada antes de receber o tesouro.

Pois bem. A “Mão” citada no livro me desanimou um pouco. Refere a Mão daquele idolatrado tanto pelos europeus quanto pelos árabes, Deus ou Allah. Sou ateu, longe disso ser motivo a perder inspiração quando livros falam Dele. Porém eu não vi a Mão narrada no livro, apenas a do próprio autor que tracejava o destino de Santiago.

Os acontecimentos pouco convencem como recompensas ao pobre Santiago. Via apenas Paulo Coelho determinar como o rapaz ia se comportar e por isso se favorecer na história dele. Claro, todos os escritores escrevem histórias da mesma maneira; definem as ações dos personagens e geram as consequências ao longo do enredo. O problema deste livro é tornar esse aspecto visível na história. Enquanto lia, refletia que o Paulo Coelho escreveu isso para acontecer algo na página seguinteo Paulo quer que eu veja isso para dar tal mensagem; e nada de enxergar a aventura do Santiago em si.

Essa mensagens do autor aparecem a cada página. Motivo de eu perder a visão da aventura e d’A Mão, pois o escritor explica o aprendizado constante de Santiago. A literatura exercita a reflexão de maneira sutil, sem expor a ideia do autor no próprio texto.

O Alquimista serviria para incentivar leitores a seguirem seus sonhos, conscientes sobre os problemas no caminho, ou ao menos demonstrar o quanto a experiência de tentar seja válida. Talvez até sirva caso consiga ignorar a Mão do autor no decorrer do texto, então terá uma experiência de leitura melhor que a minha.

Link Externo

Confira o livro

Comentários