Tempos de crise exigem iniciativa daqueles dispostos a melhorar a vida de seus semelhantes, oferece motivação suficiente a reconhecer os problemas atuais causados pelo responsável e traçar a alternativa salvadora. Os de iniciativa ganham reconhecimento ao criar oportunidade e mudança no modo de vida, olhos brilham com o trabalho contínuo rumo a realidade justa e garantida de direitos iguais. Mantém confiança aos responsáveis pela Revolução, carentes de lembrança e atitudes, o povo acredita nas novas inverdades e volta a ficar submisso à classe dominante, aquela com direitos mais iguais que o resto.

A Revolução dos Bichos traz sátiras ao regime totalitário de Stálin por meio dos animais na Granja do Solar. Publicado em 1945, é o livro mais importante de George Orwell com críticas a medidas do governo soviético, junto com 1984.

A Revolução dos Bichos - capa

Humano bom é humano morto

Major é o nome do porco mais velho da Granja do Solar. Reúne os animais depois de sonhar com a oportunidade de libertar todos os bichos da tirania do humano Jones e seus comparsas de duas pernas. Porcos, cachorros, ovelhas, cavalos e galinhas ouvem a ideia e se entusiasmam, cantam em conjunto a canção Bichos da Inglaterra, louvam o início da Revolução.

O velho porco morre dias depois, ainda assim os bichos sonham com a liberdade. Certo dia acontece a rebelião, atos desesperados levam os bichos ao limite contra Jones e os funcionários da granja, conseguem expulsar os humanos de lá. Os bichos tomam o ocorrido como inacreditável, acordam no dia seguinte ainda estupefatos, sozinhos na fazenda, enfim estão livres e podem trabalhar na garantia dos recursos ao sustento próprio.

Bola-de-Neve e Napoleão assumem os trabalhos de administrar a agora nomeada Granja dos Bichos, ambos são porcos e demonstram inteligência na estratégia e liderança nos afazeres para manterem a vida de todos confortável. Os dois líderes possuem opiniões divergentes a como coordenar a Granja e no princípio resolvem através de debates, até o porco Napoleão expulsar Bola-de-Neve à força e ser o único líder restante. Sem contrapontos, a nova postura de Napoleão traz medidas estranhas aos demais bichos, mesmo assim aceitam após a explicação eloquente do porco Garganta, demonstrando o quanto eles estavam enganados a determinado assunto jamais ocorrido. Assim prossegue, onde Napoleão ordena atitudes severas e depois justifica por meio de Garganta, além de proporcionar mais benefícios aos porcos comparado ao resto dos animais.

Napoleão sempre tem razão

Com pouco mais de cem páginas, Orwell retrata o desejo da população animal sob abuso dos humanos, existindo apenas em função de sustentar as necessidades do dono. Após o inacreditável tornar-se verdade, os bichos são coordenados sob nova direção sem observar os detalhes nem questionar as novas decisões, ficam a mercê da liderança cada vez mais autoritária, inconscientes de perderem recursos aos poucos.

Basta fazer bom discurso e aproveitar da memória escassa dos bichos e os manterá no controle, caso alguém contrarie algum posicionamento, tira-o da jogada e explica depois, reescreve as regras e os acontecimentos. Há quem questione, mas mudam de ideia após ouvir os argumentos do porquinho sob a narrativa sarcástica que entrega a história vista de fora. Sem mais liberdade e alterando fatos conforme os interesses do líder tal como mostra bem no livro 1984.

Os acontecimentos ocorridos na Revolução dos Bichos parodiam ações reais do regime totalitário na União Soviética. Mesmo quem desconheça a história do regime tratado, o leitor consegue visualizar alguns pontos através do livro, basta acompanhar a ironia quanto às ações dos porcos e o desconhecimento dos outros animais. Indo além das críticas ao socialismo de Stálin, certas atitudes não são exclusivas da ideologia e precisam ser desencorajadas independentes do lado político, por isso a leitura deste trabalho de Orwell é imprescindível aos interessados em política.

Link Externo

Compre o livro

Comentários