Um reino está instável, repleto de conspirações entre pessoas que mesclam sua servidão aos interesses próprios, além de disputas externas para tomar o trono real. A população sofre, indiferente aos fidalgos com interesses nada altruístas. Cada ação, pensamento ou erro traz as suas consequências, mas mesmo quem joga as regras do jogo — sem regras, na prática — paga a derrota com a própria vida. 

Surge uma oportunidade de se tornar o novo rei, ou governar apenas a região pertencente à sua família. Além da competência, a conquista dependerá de muitos fatores históricos e políticos. Exigem mais do que uma pessoa consegue assimilar. 

A Fúria do Reis é o segundo volume d’As Crônicas de Gelo e Fogo, saga de livros famosa também pelo seriado Game of Thrones. Publicado pela primeira vez em 1998, este volume prossegue a saga iniciada na Guerra dos Tronos, quando os lordes de vários reinos se proclamam reis e disputam uma guerra a Westeros, cada um com suas ambições. 

A Fúria dos Reis - capa

George R. R. Martin é o escritor famoso reconhecido graças a esta mesma saga. Jornalista, fã de quadrinhos e responsável por criar um mundo imenso com muita história para contar. 

Nos dias que correm todo tipo de gente se intitula rei 

A história começa com o cometa vermelho atravessando o céu sobre os reinos de Westeros até as cidades livres. Cada reino faz sua interpretação do evento, assumindo como um presságio favorável às suas ambições. Esta presunção alimenta o desejo já incitado com o domínio de Westeros instável, graças aos acontecimentos do volume anterior e pelas conspirações constantes de quem deseja tomar o poder ou se beneficiar. 

Entre tentativas impossíveis e resultados improváveis, a situação foge da concepção, e os diversos personagens precisam se adaptar rápido, cientes da falta de garantia de sobrevivência frente às mortes súbitas. 

Aço das espadas não matam ninguém, e sim as pessoas que empunham, essas embriagadas pelas obsessões nem sempre correspondentes à sua realidade. Longe de ser um mundo justo, as ações de cada personagem ainda trazem consequências. 

Eis uma história boa para fazer os homens chorar 

Acompanhamos a história através dos pontos de vistas de alguns personagens, cada capítulo focando em um. Nem sempre tal personagem é o protagonista do episódio, ele apenas colabora com o andamento da história como testemunha dos acontecimentos dos demais. 

Mesmo se reagir aos problemas, a situação nunca estará sob seu controle.  Leva a medidas desesperadas, e pouco importam seus motivos, não há recompensa aos bons atos, mas reveses que prejudicam quem menos espera. 

Sem personagens bons ou maus, todos retratam a busca de suas ambições reforçadas pelo ego. Beira ao inacreditável a quantidade de personagens, e mesmo assim todos eles parecerem reais. Ninguém é coadjuvante, todos têm a própria história dentro da saga de Westeros e nas Cidades Livres, é evidente mesmo quando lemos apenas no ponto de vista de alguém em específico. 

As descrições mostram o mundo de Westeros conforme contam a história e dita seu ritmo, porém há parágrafos que poderiam ser polidos. Algumas breves explicações e definições poderiam ser descartadas e colaborar com uma leitura mais dinâmica, pois já estavam implícitas. Refiro só a essas frases breves, e ao considerar o calhamaço deste volume, já seria o suficiente para suavizar a longa leitura. 

Aprecie centenas de páginas com uma fantasia repleta de conflitos políticos e individuais, cujo protagonismo inexiste e favorece a ninguém. Descubra uma das batalhas mais memoráveis entre exércitos ou reveja em palavras as cenas mais marcantes da série de TV, sem falar das outras exclusivas do livro livre de limites de orçamento ou elenco. A Fúria dos Reis alinhou diversas histórias à trama complexa, esta que continua em A Tormenta de Espadas. 

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