Não tem como negar a diferença na vida de cada indivíduo quando são de épocas diferentes. A pessoa se desenvolve de forma distinta, entra em contato com tecnologias inexistentes no passado ou ultrapassadas no futuro. O próprio conceito das mesmas pode se alterar com o avanço do tempo, quando o mundo segue adiante. 

O contraste entre gerações ao se encontrarem de repente é perceptível, traz momentos estranhos e também descontraídos, mas o principal é a dúvida: será possível compreender o outro? 

A Escolha dos Três aborda esta questão. O segundo volume de A Torre Negra foi publicado em 1987 e dá sequência no ponto que encerrou no primeiro volume, quando Roland segue o conselho do Homem de Preto a encontrar três pessoas. 

A Escolha dos três - capa

Faz parte da ambição de Stephen King em criar uma história épica. É acima de tudo um desejo pessoal do autor conhecido pelos livros de terror em criar sua grande história. 

Mais fácil beber a água do oceano com uma colher 

A história mal começa e já ocorre uma tragédia a Roland pela sua falta de atenção. O Pistoleiro está acabado, enfraquecido pelo envelhecimento, isolado e sem saber se suas pistolas ainda disparam alguma das balas disponíveis. 

A angústia é repassada durante todo o livro, inclusive aos novos personagens com quem Roland se encontra. Ele atravessa o litoral do deserto à procura de três portas, cada uma com alguém destinado a conhecer, conforme a previsão do Homem de Preto. 

Ao entrar na porta, começa o conflito de realidade no novo mundo em que se encontra. Roland assimila os objetos ao redor a partir da sua perspectiva, traz uma interpretação singular das tecnologias conhecidas pelo leitor. Os processos de interação e comunicação também entram em conflito e aumenta a dificuldade de Roland seguir seu ka. 

…do que discutir com alguém apaixonado 

Este volume está cheio de palavrões e frases nojentas, ameaças violentas e ações obscenas. A atmosfera mais radical e crua reflete na linguagem empregada junto com as cenas chocantes. 

O humor negro está presente, quebra o ritmo e traz descontração mesmo quando o perigo testa os limites dos personagens. 

O destino prega peças e traz oportunidades a Roland. Ele as aproveita, faz apostas arriscadas e tenta melhorar as condições tenebrosas em prosseguir ao seu caminho até a Torre Negra. O livro encerra com este arco relacionado à escolha dos três, mas responde poucas perguntas sobre o objetivo do Pistoleiro. Nessas, há muitas páginas e livros pela frente, os quais até o momento são dignos de serem acompanhados.

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