Continuo a falar sobre morte, afinal a amostra anterior foi pequena.

A história progride por meio das tragédias. Reis caem, reinos entram em perigo, o mundo pode colapsar e dar espaço a outro. O destino é incerto, Deuses manifestam suas apostas sem garantir o vencedor. A guerra traz perda a todos, os vencedores apenas ganham a oportunidade de testemunhar mais tragédias que os perdedores. Quando acabará? Nunca! No máximo conquista momentos de paz, até a história decidir a progredir outra vez…

A Dança dos Mortos continua a história dos três países de Dünya apresentada em A Face dos Deuses. Publicado em 2018, demonstra as tentativas dos líderes de cada país a favorecer o seu lar e a ambição nem sempre transparente. 

A Dança dos Mortos - capa

Gleyzer Wendrew traz a continuação desta saga sombria com elementos fantásticos. Violência, política e podridão lapidam a imagem de seus textos. Trabalha na Hydra Produções Editoriais e atua como co-host no podcast LeituraCast de Autores para Autores.

Traiu nosso povo, nossa cultura, nossa história… Traiu nosso Deus!  

Personagens têm poucas oportunidades de lamentar da Grande Guerra acontecida no passado entre os três países de Dünya, pois o conflito a seguir promete ser ainda maior. Os reinos sofrerão mudanças das conspirações iniciadas no primeiro volume de As Crônicas da Aurora: uma seita demonstrará certo potencial contra Vatria, guerra interna promete colocar Maäen nos eixos, e Venn enfrentará ameaças externas.

O menor dos três países enfrentará outro povo, os tribais estrangeiros reunidos sob comando de Azrael, um vatriano renegado e convicto em ser capaz de subjugar Venn e coletar os recursos do país. Mais que isso, os tribais contribuem na revelação do passado de Dünya, esse desconhecido pelos registros disponíveis nos três países. 

Limpou o rosto com a mão suja de alívio  

A Dança dos Mortos compensa o vazio sentido ao acabar de ler A Face dos Deuses. Com quinhentas páginas, tem espaço o suficiente em conhecer as diversas faces dos locais e dos vários personagens, alguns inéditos neste segundo volume. Facilita inclusive a entender os diversos aspectos deste mundo, pois já tem informações prévias do livro anterior, além da mão sutil do escritor levando o leitor aos diversos pontos com mais calma, as centenas de páginas dão tempo o suficiente para apresentar as características de Dünya enquanto a história progride com as mortes.

Nada deixa a desejar. Os capítulos continuam com a mudança de foco entre personagens, todos com oportunidades de apresentar seu ponto de vista e ambição. Difícil torcer para alguém, as revelações de caráter são constantes e ainda escondem surpresas posteriores, algumas levantadas lá n’A Face dos Deuses.

Toda esta complexidade beneficia outra característica incrível do livro: é imprevisível. Difícil prever quem a morte alcançará nos vários conflitos ou nas péssimas condições oferecidas por este mundo. O leitor pode fazer apostas, bem como os Deuses; mas o resultado real só é visto na hora. 

Os desfechos em A Dança dos Mortos são aceitáveis e prometem mais surpresas no terceiro volume. Guerras, violências e reviravoltas estão garantidas caso mantenha a mesma qualidade desta obra.

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Resenha do primeiro volume d’As Crônicas da Aurora (A Face dos Deuses)

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