Já tive a oportunidade de conferir a Revista de estreia do blog A Taverna com cinco contos muito bem escolhidos, caprichados e aperfeiçoados pelo trabalho de edição. Toda iniciativa a trazer maior visibilidade aos trabalhos nacionais é bem-vinda, e esta Revista serve como exemplo por trazer oportunidade a autores reconhecidos ou iniciantes a conseguirem publicar seu texto entre os demais em destaque.

Muitos aproveitaram a chance de ter o conto publicado na segunda edição da Revista A Taverna, poucos passaram pelos critérios rigorosos — e justos — dos editores do blog, e dentre eles houveram cinco escolhidos a terem seus contos conhecidos nesta pequena antologia digital. O mais surpreendente é, entre esses cinco, eu sou um deles. Isso mesmo! Eu, Diego Araujo, criador e editor deste site, venci o concurso e pude compartilhar meu conto junto com os demais quatro autores de contos extraordinários.

Reconheci a qualidade dos contistas premiados na primeira edição, e está difícil expressar tamanha gratidão por eu estar entre os cinco selecionados do novo trabalho da equipe A Taverna. Mas este post não é apenas uma comemoração, apresento a seguir cada conto disponível na Revista. Recuso a chamar de resenha, pois fico pouco à vontade de avaliar meu próprio texto. A intenção aqui é divulgar esta edição, mostrar os melhores pontos de cada conto e torcer para que a iniciativa do blog A Taverna persista e cresça cada vez mais.

Enfim, vamos aos contos!

“O que o Vento Sul Sussurra”, de H. Pueyo

Conhecemos Elías Bazuá em seu serviço solitário, o de manter o escudo da região Ushuaia contra colisões de cometas. O planeta Terra sofre impactos astronômicos há tempos, apenas os escudos protegem os locais da colisão. Elías conta com a ajuda de Heloise, um sistema de inteligência artificial, e enfim recebe uma colega de trabalho humana de acordo com as características pedidas por ele, a Lola. Tanto Elías como Lola são autistas, apesar de o rapaz ter maiores dificuldades com esta situação.

O conto de ficção científica situa o planeta no ambiente posterior a calamidade, que para variar é desconhecida da maioria das pessoas, essas alheias aos estudos científicos. Apresenta dois casos de autismo e torna nítida a diferença no desenvolvimento da pessoa em tais condições, de como a ausência de tratamento adequado pode prejudicar alguém, como privá-lo da interação com outras pessoas. Além do tratamento, os recursos desta ficção científica auxiliam os autistas, quando esses têm condições de obtê-los. O que o Vento Sul Sussurra representa esta minoria de necessidades específicas ao demonstrar de perto como tais pessoas convivem, ou no caso a dificuldade de elas conviverem.

“O Touro Vermelho”, de Ana Lúcia Merege

Antonio está na excursão com os amigos sobre a civilização minoica. Presunçoso quanto as informações dadas, o garoto demonstra a falta de coragem em outros aspectos, aquela insegurança comum de adolescente. Se distrai na excursão ao desenhar as peças em exposição, e de repente fica surpreso com a aventura disponível a frente.

O conto acompanha a intimidade do rapaz protagonista quanto aos dilemas típicos da idade. No plano de fundo há menções sobre a civilização apresentada nesta excursão, a contextualiza antes de levar os personagens rumo à conclusão inesperada, apesar da prova de superação por parte do Antonio.

“Limiar”, de Jaime de Andruart

Aqui encontramos um gaúcho a serviço de encontrar o touro sequestrado do patrão, exceto de nada do desenrolar desta história ser simples. O gaúcho ouve a profecia tanto pelo representante guarani quanto de cristão, e as mensagens demonstram pouca clareza quanto ao destino da caçada como também da humanidade.

O conto mescla conceitos de velho oeste adaptados na realidade da região sul brasileira. Além da ambientação bem representada, a narrativa em primeira pessoa carrega a linguagem distinta do gaúcho por todo o texto, enfeita as descrições com termos característicos e sempre mantém o ritmo da história no enredo reservado a esta aventura.

“Alameda dos Ratos”, de Guilherme Alaor

El Ratón puxa conversa com Ruan, um dos “Reportadores” do Conde a serviço de flagrar delitos na Alameda dos Gatos. El Ratón o convida a conhecer a outra parte deste bairro, a Alameda dos Ratos, e mostra de boa vontade a realidade negada pelos cidadãos de “Sangre”.

O conto constrói a sociedade elaborada pelo autor com terminologias próprias enquanto mostra ações ordinárias das pessoas desprovidas de benefícios. El Ratón coordena toda a história, desde a narrativa, as descrições e a interação de Ruan com o cenário a ser descoberto pelo Reportador junto com o leitor. Os argumentos sobre as diferenças de classes conclui pela justiça poética, ainda tendo espaço a mostrar outras particularidades da sociedade.

“Lembre-se, Setembro”, de Diego Araujo

Antônizo procura pelo colega de trabalho Elísio, o menino prodígio da empresa. Enquanto interage nessa realidade futurista, o amigo insiste em falar com o garoto após ele insinuar a desistir da própria vida.

Nesta ficção científica, a tecnologia funciona a favor do conforto de cada pessoa, atende as necessidades individuais enquanto prezam pelo respeito alheio. A sociedade previne o ócio através das competições constantes, motiva as pessoas a serem ativas ao entrar nas mais diversas disputas, sejam no trabalho ou na vida particular. Mas tal sistema não acomoda a todas as pessoas, e Antônizo busca a solução a Elísio por conta própria. Além das especulações científicas, este conto transmite a mensagem de conscientização e prevenção ao suicídio, acima de tudo: sobre a valorização da vida.


A Taverna Vol2. - capaAutores: Ana Lúcia Merege, Diego Araujo, Guilherme Alaor, H. Pueyo e Jaime de Andruart
Editora: A Taverna
Edição: 2
Ano de Publicação: 2019
Quantidade de Páginas: 103

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