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O Conto da Aia (Distopia desconcertante)

Humanos aprenderam a viver sob significados. Cada respiro reflete as conquistas e fracassos da vida, os planos do dia seguinte convictos de existir, apenas continuamos a traçar esta reta. Formamos laços afetivos e estendemos nossas utilidades às nossas companheiras ou companheiros, na verdade adotamos uma palavra diferente, usamos ninguém, apenas dividimos momentos. E se de repente perdemos tudo isso? Esquecermos de todos os outros significados por termos a emergência de um, e portanto dedicar apenas a ele e de determinada maneira? Perdemos as parceiras para o estado autoritário por serem férteis, obrigadas a cumprir uma utilidade: procriar, pois esta é a salvação, e o estado a fundamenta através da religião. O Conto da Aia é a distopia dessa realidade, publicado pela primeira vez em 1985 por Margaret Atwood, com edição em 2017 pela Rocco sob a tradução de Ana Deiró.

“O que você não souber não lhe trará sofrimento”

Offred tinha uma filha com o ex-marido Luke, e mantém esta memória em segredo consigo enquanto atua no papel de Aia. Ela é propriedade do governo sob o dever de procriar a partir da semente do Comandante destinado a ela, independente da Esposa estar descontente por essa imposição, na verdade a procriação proporciona prazer nenhum. Uma Aia cobre todo o corpo de macacão largo e touca com abas laterais a esconder nuca e os detalhes do rosto. Deve viver conforme o estado ordena, e há Olhos por toda a parte a denunciar quem transgredir.

“[…] mesmo que sejam falsas notícias, devem significar alguma coisa”

A personagem narra a própria história por meio do fluxo de consciência, cada frase reflete a insegurança dela no ambiente onde vive e das pessoas próximas, todas desconfiáveis. Limitada a sua função, Offred perde o direito de se informar, é proibida de ler e por isso os poucos lugares livres de transitar possuem figuras no lugar de texto. As raras oportunidades de comunicação são nebuladas pela suspeita de o outro testar Offred e dedurar caso ela dê a entender alguma violação ao estado, tal pressão influencia no jeito de narrar, por mais que ela conte a própria história, por vezes passa a desacreditar de si, então pede licença e retoma a cena.

Desconcertante é a palavra-chave do romance. A vida limitada da mulher privilegiada de ainda conceber vida desconcerta todas as outras, intriga ciúmes e julgamentos irreais, afasta-as de si quando dizem promover a união. Na emergência de procriar, o estado torna o sexo uma obrigação, tira todo o estímulo natural e impõe a única maneira de efetuar, resume a uma tarefa doméstica. A narrativa mostra o desconforto consequente na vida de Offred, o fluxo de consciência é válvula de escape a ela mesma, a falar da vida normal antes dessa crise e assim reforçar o propósito de preservar a vida, de ainda poder saber o que aconteceu à família.

A partir dela, também vemos a situação do homem naquela sociedade. Privilegiado em vários aspectos a ponto de nem precisar comparar, e mesmo eles foram afetados, têm os próprios desconfortos. O Comandante deve procriar, afinal o estado define todos os homens como férteis, portanto eles tentam fecundar mesmo enquanto nunca conseguem.

“Eu gostaria que esta história fosse diferente”

O Conto da Aia mostra a vida da mulher ameaçada a todo momento quanto a cumprir o seu papel. As imposições específicas nesta ambientação fictícia remetem a reflexões de situações reais de o homem ser isento de culpa na relação seja qual for os argumentos, mostra de as próprias mulheres denunciarem as outras devido a imposição da sociedade fundamentalista, ou de representar uma mulher bem informada como o perigo do estado. É o tipo de leitura necessária, difícil de entreter, de engolir, pois denuncia situações desconcertantes de nossa sociedade.

“Isso é o que somos agora”

Capa de O Conto da AiaAutora: Margaret Atwood
Tradutora: Ana Deiró
Ano de Publicação Original: 1985
Edição: 2017
Editora: Rocco
Gênero: distopia
Quantidade de Páginas: 368

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A Sociedade Cansada da Covid-19

Byung-Chul Han publicou Sociedade do Cansaço, uma coleção de ensaios a analisar a sociedade do século XXI e na predominância de mal-estar psicológico graças a ânsia pela produtividade e, digamos, obsessão pelo bem-estar. O curioso do livro é logo no começo citar a possibilidade de uma pandemia gripal como o medo eminente. Já no caso atual, uma década após a publicação original deste livro, estamos no meio da pandemia causada pelo novo coronavírus. Segundo o autor, deixamos de viver na era viral, por outro lado uma infecção mundial poderia comprometer toda a sociedade, dado a mudança de comportamento a ponto de inviabilizar a organização de uma defesa imunológica. E não poderia ser mais verdadeiro.

Enfrentamos a crise do coronavírus por mais de um ano e vemos o quanto falhamos em impedir o avanço da doença. Sem o plano de gerenciamento federal e o improviso defasado de cada governo estadual, perdemos mais de duzentas mil vidas enquanto os políticos perdem tempo em culpar o outro e promover a si, enquanto brigamos entre familiares e amigos sobre a importância de usar a máscara. Isso falando apenas do Brasil, muitos outros países falharam em lidar à sua maneira. E é possível analisar porque a sociedade permitiu esses fracassos na prevenção da covid-19 por meio do próprio livro Sociedade do Cansaço, por meio das críticas pontuais presentes nos ensaios a relacionar as situações vividas ao longo deste último ano.

A falta da necessidade do outro

O que faz o representante de toda a população declarar a imprensa que pouco importa ― “e daí?” ― o número de mortes em crescimento, e isso desde o começo da pandemia? O sujeito atingiu a conquista de poucos, foi eleito o presidente da república, por isso já se sente realizado. Ao cumprir o objetivo pessoal, falta estímulos para olhar a necessidade do outro, de cada família a perder um ente durante a pandemia.

Desde antes da crise sanitária, já repudiava parcelas minoritárias da sociedade, essas irrelevantes a ele, pelo contrário, o ato de as rejeitar o favorecia em manter a posição privilegiada. Fica exausto sob o foco de manter o privilégio, e com isso se isola até do partido que o elegeu. Todos os ataques e indiretas a adversários políticos é o sinal de cansaço, mas não cansado deles; ele é o pivô do desgaste. Byung-Chul comenta sobre o excesso de positividade, há tanto em si que o deixa saturado, esquece do problema alheio ― apesar deste “alheio” ser a população, portanto seria o dever dele de atender ― por estar ocupado demais consigo.

Partindo do presidente, há toda a cadeia eleitoral dele e até a de outros segmentos partidários agirem por conta própria em detrimento do bem comum. Em suma, a sociedade deixou de ser disciplinar. No lugar de obedecer ao responsável, seja o patrão ou o estado, os indivíduos desta sociedade seguem os objetivos impostos por si, em busca de alcançar o que acredita ser ideal na sua vida. Assim estimula o contraste da necessidade da saúde pública em conter a infecção do novo coronavírus, o que de fato a pessoa acredita saber da doença e no quanto subestima as medidas de controle no intuito de manter os objetivos pessoais em prioridade.

Isolado em seu desempenho

Agora é a vez de falar de as pessoas insistentes em trabalhar nas áreas não essenciais mesmo durante a quarentena. Um assunto delicado, impossível julgar a todos a trabalharem de qualquer jeito, mesmo burlando a fiscalização por haver muitos brasileiros carentes de renda. Precisam garantir o sustento da família quando nem têm condições de implantar meios seguros de trabalhar, como vender apenas por delivery ou trabalhar de home office. Por isso as críticas a seguir servem a quem tinha condições de trabalhar de forma segura ou garantir isso aos seus funcionários, já esses tiveram de adaptar conforme a demanda.

Na verdade, nem é preciso de o superior cobrar do funcionário, ele já o faz por questão de desempenho, do esforço em atingir as próprias ambições. O funcionário quer garantir a melhoria de vida a si e sua família, tem motivos pessoais o suficiente a entregar o melhor no trabalho em troca de ascender na carreira, às vezes a insegurança de perder o emprego no mercado de trabalho concorrido já é motivo o suficiente. Portanto tem de trabalhar independente da condição, assim ele arrisca no meio da pandemia, sem necessidade de ouvir uma reprimenda do patrão. Já quanto as recomendações dos profissionais de saúde, cientistas ou mídia especializada, na prática afastam os objetivos do indivíduo já insubordinado, portanto nem quando o governo impõe restrições a conter a disseminação do vírus motiva participar dessas medidas de controle, pois ele está centrado no desempenho pessoal a garantir o sustento da família.

Esta insubordinação do funcionário oferece a compensação de entregar resultados melhores e ágeis no trabalho, por isso os superiores até incentivam tal prática, tira a responsabilidade deles de cobrar o funcionário, pois ele mesmo se encarrega da pressão. A consequência é um fator já presente antes da pandemia, a ponto de Sociedade do Cansaço já citar, e agora os noticiários mostram cada vez mais trabalhadores afetados: as crises de burnout, o sobrecarregamento capaz de esgotar todo indivíduo. É questão de tempo de tornar os indivíduos de desempenho em fracassados, e a pandemia diminui esse tempo.

Virtualização = descaracterização

O modelo de negócio das redes sociais garantiu a alta de lucros na pandemia, afinal os usuários acessaram por mais vezes durante o isolamento social. No ano passado também teve o lançamento do documentário O Dilema das Redes Sociais ― comentado neste outro post ―, que escancara a manipulação dos usuários por meio dos dados e as consequências geradas pelo conteúdo extremista fácil de disseminar pelo sistema.

A questão do desempenho pessoal penetra até o mundo virtual, ainda mais pelo sentido quantitativo. O número de amigos/seguidores alimenta o ego individual, além de proporcionar a demanda de atender a esses usuários conectados, obrigando ao indivíduo abrir mão do próprio caráter. Adapta o comportamento no objetivo de manter tal número em crescimento, flexibiliza a si em prol da eficiência comunicativa. Jaron Lanier comentou uma experiência dele ao tentar atender a demanda do público ― isso já bem antes de todo o alvoroço das redes sociais ―, começou a elaborar textos que ele discordava ou proporcionava discórdia entre os leitores, assim atraía comentários e visitas ao site, índices quantitativos de bom desempenho, sob o custo de o prejudicar como pessoa.

Além dos problemas decorridos da interação virtual, há o do sistema de processamento computacional. A atividade humana está moldada em desempenho, já os computadores são criados sob esse pretexto exclusivo. O sistema engole dados incessantemente, então processa essas informações massivas em tarefas difíceis de um humano acompanhar. Sob certo aspecto, o computador chega a ser burro, incapaz de hesitar e refletir sobre as consequências desse processamento.

O modo de vida humano é incompatível com a rotina de processamento do computador, mesmo assim acompanhamos nossas tarefas a partir do desempenho dele. Domina as pessoas pelo excesso de informações estimuladas pelo acesso instantâneo ― gera recompensa em tão pouco esforço ― que impulsionam reações, seja de admiração ou repúdio, este último mais presente. As informações geradas através da virtualização criam uma camada entre o indivíduo e a realidade, molda noções individualizadas do mesmo fato, pois sistema da rede social personaliza a transmissão de conteúdo de cada usuário. As pessoas comunicam a partir dessas experiências personalizadas e muitas vezes se desentendem sem perceber, por isso muitos ambientes virtuais estão infectados pela polarização a refletir ações intolerantes no mundo real.

Desempenho molda a vida

Byung-Chul criticou a falta de transcendência na Sociedade do Cansaço, pois o estimulo do desempenho reduz a vivência pela vida em si, prolongada a qualquer custo, sem necessariamente proporcionar equilíbrio a ela. Ele diz de a sociedade endeusar a saúde, e por consequência, tornar esta necessidade a uma entidade de crença na verdade nos distancia. Em vez de tornar as pessoas condizentes à situação da população nesta crise de saúde pública, elas buscam maneiras de se provar saudáveis diante de todos para assim conquistar novas oportunidades.

Na prática virtualizada, parte da sociedade empenha a maneira de viver em conforto no meio da pandemia ao invés de sobreviver a ela. Já a realidade está comprometida com o número de infecções e mortes em constante crescimento e pelo negacionismo perante a vacina dada pela insubordinação a órgãos repletos de profissionais competentes, pois entregam resultados incompatíveis ao empenho esperado por esta parcela da população. A Sociedade do Cansaço não apresenta soluções, nem eu tenho a qualificação de a fornecer, só posso colaborar através de um palpite passível de discussão. A sociedade é composta por indivíduos, portanto cada um precisa fazer sua parte, buscar discernimento alheio ao desempenho e colaborar pela vida ao próximo indivíduo, pois de um em um, chega a todos.

Livros comentados

Capa do livro Sociedade do CansaçoAutor: Byung-Chul Han
Tradutor: Enio Paulo Giachini
Publicação original em: 2010
Edição: 2019
Editora: Vozes
Gêneros: ensaio / não ficção
Quantidade de Páginas: 128

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Capa de Dez Argumentos para Você Deletar Agora suas Redes SociaisAutor: Jaron Lanier
Ano de Publicação: 2018
Editora: Intrínseca
Edição: 2018
Gênero: Não-ficção
Quantidade de Páginas: 190

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O Trabalho Não Precisa Ser uma Loucura

Se não acompanha por si, pelo menos conhece alguém a estampar frases motivacionais de supostos vencedores na carreira profissional por meio de esforço integral. Trabalhe enquanto eles sonham, brincam, reclamam ou algo do tipo. Na prática trabalhe também mesmo quando a família precisa de você, ignore as recomendações médicas, somam as dores musculares e de cabeça sendo parte do empenho, fracasse pela exaustão minar toda a criatividade e foco, ou porque “deixou de se esforçar o suficiente”. Buscar outro ponto de vista é diferente de fugir do trabalho ou seguir pelo caminho mais fácil e sem resultado, pelo contrário, é aliar a eficiência com o bem-estar familiar e empresarial de modo a manter a rotina produtiva.

O Trabalho Não Precisa ser uma Loucura elenca exemplos do quanto a cultura empreendedora de trabalho árduo prejudica o ambiente corporativo e quais medidas funcionam na empresa administrada pelos autores Jason Fried e David Heinemeier Hansson. Livro foi publicado em 2020 e trazido ao Brasil no mesmo ano pela editora Harper Collins sob a tradução de Daniel Austie.

“Para muitos, a loucura do trabalho acabou se tornando algo normal”

Sempre direto ao assunto tratado no capítulo correspondente, o livro proporciona leitura rápida e fácil de compreender. Segue a dinâmica de criticar a postura empreendedora contrariada pelos autores, em seguida contrastam por meio de exemplos tirados na experiência da própria empresa. Também lavam a roupa suja e cita os erros do passado, de atingir objetivos sem receber o resultado esperado, ou perceberam da necessidade ser na verdade outra, assim sobreviveram no mercado há mais de quinze anos, mesmo seguindo paradigma próprios e divergentes dos aceitáveis por outras empresas.

O conteúdo é limitado a experiências dos autores na empresa deles, salvo citações de outros profissionais de diferentes ramos com exemplos de rotina equilibrada no fim de certos capítulos e a menção de experiências pontuais de outras pessoas ― de fontes listadas na seção Bibliografia. Isso prejudica por deixar de abranger as discussões por meio de outras fontes, sejam essas favoráveis ou contrárias aos ideais dos autores, enquanto contribuiriam numa discussão justa. Na prática pode servir para reafirmar a quem já reflete da rotina de trabalho estar desgastante. Esta sugestão comprometeria a fluidez da assimilação em troca de estimular o leitor a refletir mais quanto as considerações elencadas. As dicas funcionam para os autores, e eles mesmos afirmam em determinado momento quanto a soluções de certa empresa nem sempre corresponderem a de outras, caberia o leitor a buscar a maneira por si, e nisso o livro pouco contribui.

Tratando de os autores citarem soluções e depois contradizerem de essas falharem em corresponder à realidade do leitor, há descuidos em outras menções. Não chega a contradizer, mas certas escolhas de palavras provocam desentendimentos. Um exemplo é a afirmação do quanto as metas sobrecarregam os funcionários e a direção da empresa sem necessidade, já nos capítulos posteriores continuam a falar de metas, embora com outro significado, atrapalha a compreensão por usar a mesma palavra.

“Não dá para fixar um prazo e depois adicionar mais trabalho. Isso não é justo”

O Trabalho Não Precisa Ser uma Loucura atrairá os leitores pelo título entregar a esperança de a sobrecarga na rotina profissional não corresponder ao resultado de crescimento. Os exemplos favorecem até mesmo a produtividade e a rentabilidade da empresa junto ao bem-estar dos funcionários, longe de serem desculpas ditas por preguiçosos, interessados em conseguir mais ao fazer menos. Por outro lado, as dicas são específicas das experiências dos autores, podendo ser inviáveis a demais empresas. Colaboraria mais se baseasse o conteúdo através de discussões de argumentos defendidos pela cultura do empreendedorismo através de exemplos além dos aplicados pelos autores.

“A única maneira de trabalhar mais é ter menos trabalho”

Capa de O Trabalho Não Precisa Ser uma LoucuraAutores: David Heinemeier Hansson e Jason Fried
Tradutor: Daniel Austie
Ano de Publicação: 2020
Editora: Harper Collins
Gênero: Não Ficção / desenvolvimento pessoal / empreendedorismo
Quantidade de Páginas: 240

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Como Sobreviver ao Dilema das Redes Sociais (e da Google)

Netflix lançou O Dilema das Redes Sociais em setembro, no mês anterior ao desta postagem, e desde então várias matérias e, é claro, postagens nas próprias redes enaltecem os argumentos apresentados pelos entrevistados, afinal muitas das situações já eram conhecidas, visíveis a quem estuda ou interage neste meio de maneira profissional. O documentário é eficiente por dar voz aos profissionais responsáveis pelas ferramentas viciantes, arrependidos de participar delas, além de demonstrar uma família prejudicada do dilema por meio de encenações dramáticas.
Eu já conhecia boa parte das características mostradas no documentário, confesso de ter falhado em reconhecer algumas delas serem parte do problema a gerar polarização e distração, de entender o quanto eu também fui afetado. Depois de assistir, comprei o livro Dez Argumentos Para Você Deletar Agora suas Redes Sociais, cujo autor Jaron Lanier também aparece no documentário, e ao ler aprofundei mais do quanto somos manipuláveis e baratos ao fornecer nossos dados e com eles as nossas competências às plataformas digitais. Contribuímos a tornar pessoas obsoletas, mesmo as de formação acadêmica.
Capa de Dez Argumentos para Você Deletar Agora suas Redes Sociais

Deletar ou não deletar, eis a questão!

Somos testemunhas do quanto a polarização incentivada nas redes sociais por meio do mecanismo de engajamento favoreceu inúmeros incompetentes a assumir cargos no governo público e até mesmo no meio privado, enquanto a população fica mais acomodada, sem iniciativa de buscar informação. Depois de tudo isso, a vontade imediata foi de largar as redes sociais, criar uma nova conta de e-mail e abandonar o Gmail. Percebi a ansiedade, então permiti tempo para refletir quanto a alternativas depois de lidar com tudo isso. Apesar de ainda não ter todas as respostas, apresento neste texto os primeiros passos a tornar o uso da rede mais saudável na minha concepção, tanto na perspectiva do usuário, quanto na produção de conteúdo.

O mal do Engajamento

Conforme vimos no documentário e Jaron faz questão de mostrar em seu livro, os programadores das plataformas digitais são gente feito nós, há nenhum vilão cartunesco por trás dos servidores do Facebook ou Google planejando manipular pessoas a brigarem entre si, por vezes levando a discussão virtual a agressões reais. Mesmo sem esta má intenção, na prática ocorre graças ao modelo de negócio que sustenta financeiramente essas empresas.
O Suposto hacker - O Dilema das Redes Sociais

A máscara está caindo, e por trás há só mais outro rosto humano

Vamos chamar toda campanha publicitária ou partidária existente nas redes sociais e páginas indexadas na SEO ― Search Engine Optimization, o mecanismo de classificação dos resultados mais atraentes em sites como da Google ― de produto. Este produto torna rentável ao proprietário quando atrai muitos usuários ativos nele, e serem ativos significam ir além de seguir e curtir a publicação deste produto. É comentar, compartilhar na própria timeline e dali gerar mais interações. Respostas de comentários também são ótimos índices de sucesso neste meio, isso segundo as métricas da postagem, pois ao conferir o que de fato escrevem, é bem provável encontrarmos discussões ofensivas.
Um lançamento de game exclusivo de certa plataforma gera críticas dos fãs da plataforma concorrente. A estreia de filme ou série ter protagonista homossexual ― às vezes basta ser feminina e hétero ― atrai críticas de gente alheia ao público-alvo. Nem preciso comentar quando a postagem é sobre política. Todos os participantes das discussões favorecem essas publicações, e ainda puxam consigo alguns extremistas que se destacam, atraem seguidores e viram outro “produtor de conteúdo”, abusam desta estratégia ao promover nessa interação online enquanto as empresas tentam promover o produto real.
Entre o dono do produto e os produtores de conteúdo competentes ou desses citados no parágrafo anterior a conseguirem atenção apenas por xingamentos, há inúmeros usuários sustentando o engajamento deles sem terem consciência disso por acreditarem contribuir com a sua opinião ou militar pela causa. Eles desesperam e caem na armadilha de tumultuar a rede, alguns tornam mais desses produtores de conteúdo vazio, outros apenas repetem informações prováveis de serem equivocadas. Ninguém tem de provar nada a ninguém, no entanto todos deveriam se informar melhor. Promova qualidade a si em vez de contribuir no engajamento alheio sem ganhar por isso.
Polarização - O Dilema das Redes Sociais

Polarização boa, é polarização inexistente

Aos produtores de conteúdo, é bom considerar remover a seção de comentários do seu site e dar menos atenção a opiniões desperdiçadas na timeline do perfil social. Vocês podem argumentar que assim perderão feedbacks construtivos. Têm razão, ainda há pessoas online dotadas da melhor das intenções, e por elas seria bom informar um endereço de e-mail para o qual podem te comunicar sobre o conteúdo. Dará mais trabalho transmitir o feedback, e isto favorece os interessados a fazerem o esforço de conversar em vez de tocar na barra de comentário, escrever palavras feias e enviar. Ainda haverá usuários a mandarem e-mail ofensivo, assim basta classificar como spam e focar nos interessados em contribuir. Aliás, caso tenha gostado deste texto ou queira contribuir com complementos ou críticas, mande mensagem no e-mail araujo.die93@gmail.com — caso eu saia do Gmail, mudarei o endereço aqui.

Esqueça a quantidade

Algoritmos das plataformas digitais agem conforme os dados recebidos, e antes de classificar esses dados e formular informações, os dados são números. Precisou averiguar diversos usuários com publicações de fotos em tons azuis, escuros ou escalas de cinza, para o sistema supor desses serem suscetíveis a depressão. Antes de identificar os jovens capazes de agredir a si mesmos, foi preciso analisar o padrão de comportamento online dos muitos que já o fizeram, assim experimentaram adequações de, segundo os desenvolvedores, prevenirem novos casos. É uma afirmação enganosa, deixa de ser prevenção quando o estrago está evidente, a iniciativa é na verdade a tentativa de solução a parar novos incidentes.
Os algoritmos de SEO também consideram os números, a quantidade de visitas de determinada página classifica a eficiência dela, depois cruza outros índices, os que classificam usuários nos diferentes tipos de perfis, por fim indica as páginas bem sucedidas a quem é interessado no conteúdo delas. Personaliza o uso online onde o usuário navega, mergulha e afunda em uma bolha sem saber. Depois de conhecermos inúmeros adeptos a teoria da Terra Plana graças a essa personalização de pesquisa online, pouco adianta responder que deixará os conteúdos do tipo sejam menos visíveis, o estrago já foi feito, os perfis transmitem as teorias defasadas entre si.
SEO - O Dilema das Redes Sociais

Há tantas características de SEO, que perde espaço das características de bom conteúdo

O mesmo pode acontecer no seu projeto ao considerar os objetivos na quantidade de acessos ou de público. Jaron desabafou de quando trabalhou como redator no site HuffPost e tentou atingir o público cada vez maior. Acabou por publicar conteúdo em que nem acreditava, só porque os visitantes online gostariam de ler e assim o aproximava da meta. Também começou a escrever sobre assuntos revoltantes, pois provocava os leitores a alimentarem o engajamento.
Outra estratégia bem comum, inclusive visível a muitos portais conhecidos da internet, é de exagerar na quantidade de matérias diárias, assim o usuário pode navegar entre elas e prolongar o tempo de interação no site. Isto prejudica o bem-estar das pessoas por sobrecarregar o tempo gasto online, e afeta também a qualidade do conteúdo, pois deixou de focar nisso em prol da quantidade tanto de produtividade quanto de acessos. Uma hora o público perceberá a superficialidade da matéria, e no fim você perderá os números inconsciente do motivo.
Muitos canais da plataforma YouTube tentaram seguir as diretrizes do site em publicar vídeos com frequência semanal, muitos desses sobrecarregaram e desanimaram de trabalhar por lá, ficaram em hiato, migrou a outras plataformas ou desistiram da periodicidade de vídeos. Certos canais conseguiram manter essa rotina de publicação, já eu parei de os seguir, deixaram de ser atraentes, e hoje perdi o costume de frequentar o YouTube, só vejo o que de fato me interessa ou atenda uma curiosidade particular.
YouTube

Rosto todo desfigurado, mas desde que atenda aos algoritmos de recomendação…

Atingir a quantidade corresponde ao sucesso momentâneo, sob prazo de validade. Caso produza trabalho online, foque a longo prazo e na progressão pessoal. Esqueça a meta do milhão de seguidores, talvez no futuro você consiga mil capazes de sustentar a sua produção porque acreditam valer a pena dedicar o tempo contigo em vez de desperdiçar inúmeras matérias lidas equiparáveis a metade de uma útil.
Atualizo este blog toda segunda-feira, às vezes consigo dois conteúdos na semana e publico na quinta também, então você precisa visitar o meu site somente uma vez por semana ao acessar conteúdo novo. Acabei de sugerir para sabotar o ranking do meu site, abrir mão das minhas visualizações, mas a minha utilidade na internet é garantir no máximo dois conteúdos novos toda semana. Só acessaria o XP Literário além disso para pesquisar algum conteúdo antigo. Recuso a encher o blog com postagens ínfimas até capazes de tomar o tempo de navegação e favorecer os meus índices no Google Analytics. Eu uso este espaço virtual a compartilhar o pouco que aprendo, longe de conquistar um sucesso superficial.

A timeline é infinita, nosso tempo não

Continuando no raciocínio dos sites prenderem a atenção, lembremos dos feeds das redes sociais. Deslizamos a tela dos smartphones e sempre encontramos postagens novas, com propagandas no meio. O nosso esforço é pequeno, em troca recebemos atualizações sobre a situação de nossos amigos online, as novidades dos noticiários, as conquistas daquele influenciador contente em compartilhar contigo um produto da marca obtido de graça ― ou foi pago para promover ― graças a você, seguidor fiel. Tanta gente tendo sucesso virtual, e você apenas deslizando o dedo no celular ou girando a roda do mouse. Começa a sentir apreensão, lembra apenas os fracassos na própria vida. O pior é a probabilidade dos supostos vencedores que você vê na tela também fazerem o mesmo é grande. As postagens infinitas consomem o tempo e diminuem a autoestima, a única vantagem dela é tornar viciante, e isso beneficia apenas a plataforma.
Tristeza na timeline - O Dilema das Redes Sociais

Tristeza na timeline

A solução é dada por Jaron no título do próprio livro: saia das redes agora. Já eu proponho uma alternativa, evite o feed infinito e assuma o controle. Escolha quais canais e pessoas acompanhar naquele momento e vá direto no perfil deles, assim olhará publicações antigas, já vistas da respectiva timeline, e pode se dar por satisfeito. Evite os perfis viciados na quantidade de postagens e lhe tomam tempo. Enquanto trafegar assim, lembre de evitar as seções de comentários, algumas podem estar contaminadas de polarização; em vez de contribuir no engajamento, favoreça o contato com a pessoa ou produtor e mande uma mensagem privada.

Seja mais ativo, e dê mais valor aos seus dados

Já reparou em quanto há novas funcionalidades que entregam resultados em vez de garantir a você ir atrás? A barra de pesquisa do Google é a mesma, apesar de ter um quadro no lado direito com as informações mais prováveis de os usuários quererem, portanto podem parar ali mesmo. O Google Tradutor converte a expressão no outro idioma conforme você digita, mas isso te ajuda a entender mais sobre esse idioma? No máximo tem a sugestão de outras palavras correspondentes a um resultado melhor as quais você irá selecionar e ensinar o sistema qual é a melhor opção de tradução, e você ainda nem entende o porquê.

Google

Nem todo estudo precisa começar dali

Os donos das plataformas digitais querem influenciar o consumo. Às vezes acertam e contribuem em entregar algo marcante, seja o curso ideal a desenvolver novas habilidades, seja música ou livro novo capaz de te distrair. Só evite de dar toda a confiança a esses algoritmos e descubra outras possibilidades por si ou pelas indicações dos amigos, então vá atrás você mesmo, depois nem precisa publicar a respeito. Faça caminhada, tomando cuidado a evitar infecção por coronavírus, ou caso faça parte do grupo de risco, planeje esta atividade quando a pandemia acabar. Veja a paisagem sem ter de postar foto no Instagram. Anote ideias valiosas para a vida, não um tweet. Quer empreender, então veja como pode ser feito no mundo real antes de promover no virtual.
Jaron fala em largar a rede social para forçar as empresas mudarem o plano de negócio. Minha sugestão ― talvez ineficiente pela minha inocência ou falta de referências, qualquer coisa manda um e-mail ― é tornar cada usuário mais valioso. Depende de cada um de nós. Precisamos ser mais exigentes e oferecer menos do nosso tempo online, valorizar o conteúdo em vez do sucesso da pessoa revertido em angústia a nós por não atingirmos o mesmo patamar. Parando de encarar os números, podemos obter mais resultados com menos seguidores, sendo esses os exigentes a valorizarem o nosso trabalho.

Referências

Dez Argumentos para Você Deletar Agora suas Redes Sociais
Autor: Jaron Lanier
Ano de Publicação: 2018
Editora: Intrínseca
Edição: 2018
Gênero: Não-ficção
Quantidade de Páginas: 190
O Dilema das Redes Sociais
Diretor: Jeff Orlowski
Estreia: 2020
Plataforma: Netflix
Gênero: Documentário
Duração: 89 minutos
Como o Facebook manipula os seus sentimentos
Como o YouTube impulsiona teorias conspiratórias sobre Terra plana
Does quitting social media make you happier?  Yes,  say young people doing it (reportagem em inglês)
Center for Humane Techonology — organização mantida por Tristan Harris, o principal entrevistado no documentário da Netflix, o site está cheio de conteúdo (também em inglês)

Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais

O título diz “agora”, mas pelo menos leia o livro antes de tirar as conclusões. Será melhor assim, a seguir as recomendações do autor, ou pelo menos recusar parte delas ― talvez até todas ― conscientes dos argumentos e da realidade apreendida após conferir a perspectiva de alguém atuante na área, além de embasar o raciocínio em reportagens citadas nos rodapés ao longo do livro. Jaron Lanier é o responsável por elaborar Dez Argumentos para Você Deletar Agora suas Redes Sociais e publicar num livro em 2018, trazido no mesmo ano pela editora Intrínseca, que curiosamente divulgou o livro através das redes sociais.

“Se você não fizer parte da solução, não haverá solução”

Os dez argumentos correspondem a capítulos sobre os tópicos elencados de forma progressiva, pois os capítulos anteriores servem de base aos próximos. Atuante na área de computação, Jaron Lanier aponta muitos exemplos pessoais no decorrer do livro, inclusive assume vender uma das próprias Startups a empresas as quais critica. O problema de Jaron está na metodologia de negócio implantada por essas empresas, pois sustentam a si ao custo de reduzir ou desvalorizar as qualidades dos usuários que a acessam de forma gratuita. Sem limitar apenas ao ponto de vista formado ao longo da carreira dele, o autor cita mais de uma centena de fontes, reportagens exemplares de mostrar os problemas vistos nos últimos anos por meio das redes sociais, não só elas na verdade, e sim por toda empresa capaz de assimilar a interação dos usuários nos seus serviços gratuitos e a partir disso personalizar novos conteúdos a ponto de manipular o comportamento deles.

“Não existe nenhum gênio maligno sentado em um cubículo de uma empresa de mídia social”

Conforme dito no parágrafo anterior, a melhor maneira de compreender o conteúdo do livro é o aproveitando de forma linear, evite pular a determinado argumento por achar o título dele interessante. Falando no título dos argumentos, a primeira vista eles soam sensacionalistas, e permanecem assim mesmo depois de conferir o conteúdo, afinal este discorre ao construir informações, mostrar as realidades provocadas pelo problema em foco e então desenvolve o argumento. Portanto se difere do apelo emocional enunciado no título, para um apelo racional direcionado ao leitor.

Ciente da perspectiva pertencente a ele, Jaron conhece o próprio limite de conhecimento e assume quando toca assuntos diferentes à experiência de vida dele, portanto o leitor deveria coletar outros materiais caso deseja entender melhor certos assuntos, enquanto Jaron foca nos problemas constatados pelas empresas manipuladoras. Tem a humildade de admitir desses serem os argumentos os quais domina, por fim incentiva os leitores pesquisarem os demais assuntos.

“A mídia social é tendenciosa, não para a esquerda nem para a direita, mas para baixo”

Ao elaborar motivos contrários às redes sociais, por vezes o autor cutuca tópicos passíveis de desencadear armadilhas de negar seu conteúdo a certas pessoas. Ao citar determinada figura pública, criticando diversas nuances de caráter mesmo quando consegue amarrar as características consequentes da rede social, tem o risco de revoltar leitores que admiram essa pessoa, invalidando os argumentos levantados só pela menção dela, independente da qualidade ou da realidade escancarada nas fontes ― conforme o próprio livro critica acontecer dentro das redes sociais. Na verdade isso pode acontecer por leitores influenciados pelo perfil virtual desta pessoa, então o livro não teria culpa, só poderia elencar argumentos sem citar o nome, estimular a todos tirarem as próprias conclusões, e assim poderia convencer até parte desses admiradores reconhecerem o problema causado.

Dez Argumentos para Você Deletar Agora suas Redes Sociais tem muito a oferecer e renderá uma matéria sobre como interagir no meio virtual sem ficar a mercê ― ou pelo menos diminuir ― da influência inconsciente proporcionada por empresas nada malignas, apenas dotadas de estratégias inconsequentes. Ao conferir todo o livro, poderá se dar a oportunidade de largar a interação passiva da rede social em troca de ir atrás do conteúdo útil.

“De início pode não parecer, mas sou uma pessoa otimista”

Capa de Dez Argumentos para Você Deletar Agora suas Redes SociaisAutor: Jaron Lanier
Ano de Publicação: 2018
Editora: Intrínseca
Edição: 2018
Gênero: Não-ficção
Quantidade de Páginas: 190

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O Suicídio e Sua Prevenção (Setembro Amarelo)

Desinformação traz o perigo de piorar a situação da qual deseja prevenir, mesmo sob boa intenção. Desvirtuar logo do assunto relacionado a manter vidas pode, infelizmente, acontecer o contrário. Sem atribuir culpa total ao desinformado, pois parte do problema corresponde ao assunto ser tabu, portanto menos acessível, ainda assim há quem estude, segue rigores científicos e assim impede dos sentimentos incitarem julgamentos equivocados. Assim funciona o estudo sobre O Suicídio e Sua Prevenção, escrito por José Manoel Bertolote e publicado pela editora Unesp em 2012, o texto aborda desde a definição do suicídio até as maneiras eficazes de o evitar, comprovadas no momento da publicação.

“Deveríamos começar pela criação de condições para vidas mais significativas e sociedades melhoradas”

Partindo das definições, o autor desenvolve os argumentos ricos em explicação didática. Todo leitor terá facilidade de compreender o conteúdo sem precisar de conhecimento prévio, pois tudo está explicado no próprio texto. Tabelas e gráficos ajudam a mostrar informações condensadas sobre o tópico correspondente, acompanhados de parágrafos elucidativos sobre os dados organizados ali, ou seja, nada dificulta o entendimento do leitor. Talvez seja aconselhável apenas conhecer a importância da metodologia científica para assimilar o porquê das iniciativas de objetivos mais rigorosos serem as mais confiantes quanto a prevenir o suicídio ― breve explicação: tendo metas definidas, é possível avaliar a eficácia da iniciativa, bem como replicá-la caso outro grupo julgue algum erro na metodologia, este têm a possibilidade de testar e assim discutir a melhor abordagem. Por outro lado, explicar a metodologia científica implicaria em desviar do assunto, cuja extensão é sucinta, mas ideal de abordar a quem deseja aprender sobre a prevenção do suicídio, podendo aprofundar depois em materiais complementares.

“Deuses e religiões não eliminam o absurdo, apenas o ocultam”

Embora a abordagem na escrita impede de surgir dúvidas ao leitor, tem uma afirmação contraditória por deixar de informar por completo. O autor reconhece a possibilidade dos registros das tentativas de suicídio serem subestimados, e quando trata sobre as tentativas, afirma das mulheres realizarem com mais frequência por causa do método empregado entre as pessoas deste sexo ocasionar em menos mortes. Apesar da observação resultar dos dados disponíveis, o autor poderia levantar a questão da subnotificação como contraponto capaz de tornar esta afirmação falseável, ou talvez ter explorado melhor esta situação que comprove de as mulheres tentarem mais vezes por esse motivo.

O Suicídio e Sua Prevenção tem conteúdo fiel ao título, começa a abordar da definição e fatos sobre o suicídio, em seguida discute sobre os meios de prevenção. O livro é excelente a qualquer pessoa ler sem dificuldade de assimilar, incentiva a consciência ao abordar este assunto, podendo assim impedir das pessoas limitadas a terem apenas boas intenções acabarem prejudicando a prevenção.

“E o futuro não existe, vivemos aqui e agora”

Capa de O Suicídio e Sua PrevençãoAutor: José Manoel Bertolote
Editora: Unesp
Ano de Publicação: 2012
Gênero: acadêmico / técnico / não ficção / suicídio
Quantidade de Páginas: 138
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A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói (Antofágica)

A morte é inevitável, esta frase de significado comum e óbvio a qualquer pessoa, exceto quando aproxima a hora dela. Ao experimentar a vida durante toda a existência, de qual maneira poderia acostumar com a morte? Alguns escolhem rememorar os feitos passados, avaliando o quanto valeu a pena viver neles, afinal o momento a seguir é o fim, sem muito a presumir dele senão as consequências da partida. A Morte de Ivan Ilitch explora toda a questão da morte na perspectiva da família de um burocrata russo, escrito por Liev Tolstói em 1886 e traduzido por Lucas Simone na edição da Antofágica, lançada em 2020.

“A história pretérita […] era a mais simples e comum e também a mais terrível”

A história começa com a notícia da morte do protagonista entre os colegas de trabalho. Mal desenvolve a tensão pesarosa da partida do exemplar burocrata, e os colegas já traçam planos quanto a ocupar os possíveis cargos rearranjados a partir da vacância a de Ivan Ilitch. O funeral demonstra a vida das pessoas próximas de Ivan seguindo adiante, já os capítulos seguintes focam na vida do protagonista, desde a educação, formação profissional e familiar, até retomar o acontecimento culminante das cenas do primeiro capítulo.

“Tudo se fazia com mãos limpas, camisas limpas, palavras francesas e, sobretudo, na mais alta sociedade”

O autor conta toda a vida do personagem nesta história sob o gênero de novela, ou seja, de poucas palavras a desenvolver a trama a percorrer todos os anos de Ivan. Assim o narrador recorre a narrativas pontuais, contar passagens de tempo em poucos parágrafos, para então chegar no momento de estender as frases a situações constantes as quais pretende explorar, a consciência do personagem quanto a morte. Durante a descrição pontual da vida do protagonista, o narrador permanece distante, relata sobre os feitos dele e contextualiza os pensamentos diante das etapas da vida. Comentar a passagem desta forma deixa até a entender que esta parte da história é entediante, graças à escrita do autor ocorre o contrário. Ao compilar a história de Ivan, o narrador não conta, e sim mostra os aspectos sociais envoltos ao personagem responsáveis por influenciar determinadas escolhas.

Depois o narrador aproxima do personagem, pois chega o momento de compartilhar a dor dele por meio das palavras. Assim a escrita toma outro rumo, apesar de aproveitar o que trouxe do começo da vida de Ivan nesta novela. As cenas trazem as consequências quanto ao modo de vida do protagonista, agora enfrentadas pelo Ivan moribundo, consciente de sua partida, reagindo da condição a tornar a situação cada vez pior. O narrador segue Ivan até o fim, é incansável enquanto transcreve as palavras sentidas pelo protagonista, assim consegue mostrar ao leitor o sofrimento até chegar ao fim.

A Morte de Ivan Ilitch é um livro bem escrito a ponto de provocar sensações ruins na leitura, de tão realistas ao retratar os últimos momentos de Ivan. Aborda ainda várias questões pontuais da vida burocrata na Rússia na época descrita pelo Tolstói, demonstrando os aspectos sociais de quem trabalhava no serviço público naquela ocasião e as maneiras possíveis de seguir adiante neste tipo de vida tão bem questionada pelo próprio protagonista em determinado momento.

“[…] fez aquilo que seria considerado correto pelas pessoas que ocupavam os mais altos postos”

Capa de A Morte de Ivan Ilitch, na edição da editora AntofágicaAutor: Liev Tolstói
Tradutor: Lucas Simone
Ano da Publicação Original: 1886
Edição: 2020
Editora: Antofágica
Gênero: novela / literatura russa / literatura clássica
Quantidade de Páginas: 312

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1499: O Brasil Antes de Cabral (Reinaldo J. Lopes)

Este blog já realizou várias abordagens sobre aspectos nacionais ocultos ou negligenciados por nós mesmos, ou ainda graças da carência de informação. Fora da abordagem literária, desta vez temos uma obra técnica a comunicar sobre os empenhos acumulados a entender mais sobre o chão onde pisamos, focando no tempo antes da colonização. 1499: O Brasil Antes de Cabral conta sobre a diversidade dos povos indígenas conhecidos através de trabalhos arqueológicos. Publicado em 2017 por Reinaldo José Lopes através da editora Harper Collins.

“Dizem por aí que o passado é outro país, não é?”

Quem esperar um livro dedicado sobre a vida dos tupi-guarani, xingu ou mundurucu, pode acabar surpreso do livro abordar muito além disso. Na verdade o foco está na vida indígena por aqui, retratada em ordem cronológica desde as possibilidades desses povos conseguirem imigrar no continente americano, da vida cotidiana de grupo caçadores-coletores, da formação de várias sociedades distintas e da maneira em estender o domínio pelo continente, até os motivos de sucumbirem após a chegada do povo europeu.

Conforme pontua os eventos cronológicos, Reinaldo fala da vida da tribo correspondente àquele período, deixando claro de onde retira esta informação e confessa quando há divergências entre os acadêmicos, ou mesmo dúvidas. Os acadêmicos encontram várias limitações quanto ao conhecimento dos povos antigos, ainda precisam encontrar muitas respostas pontuais para enfim montar um cenário completo da vida antepassada, por enquanto há discussões especulativas até as futuras evidências as confirmarem ou negarem. Talvez torne o livro menos atraente aos leitores por abordar esses furos e divergências ao longo dos capítulos, porém o autor fez bem em tornar esta situação das pesquisas transparente, pois assim mantém o aviso das informações contidas neste livro estarem sujeitas a mudanças em pesquisas futuras. Outro motivo positivo é o de demonstrar a partir desta abordagem de como a pesquisa acadêmica está suscetível a mudanças nos conceitos e contextualizações conforme ela avança, mostra o quanto a discussão entre pesquisas divergentes só favorecem ao melhor entendimento do todo.

A abordagem do conteúdo é excelente, por outro lado o livro deixa a desejar no desenvolvimento da escrita. O autor tenta amenizar a parte técnica usando de tons informais ou mesmo faz brincadeiras com os termos, e isso foi insuficiente. Faltou concentrar a narrativa nos pontos interessantes das pesquisas, por vezes concentrou mais em mostrar os contrapontos do tópico abordado ― algo importante de fazer, conforme dito no parágrafo anterior ― sem ao menos atiçar o leitor a este tema, deixando assim o interesse subjetivo, ou seja, depende mais do interesse particular de quem lê por causa da falta de motivação. A sinopse promete a abordagem de metrópoles “perdidas”, redes de comércio, grandes monumentos e tradições artísticas espetaculares; porém tudo isso demora a aparecer. O próprio autor confessa de quase toda a metade do livro ser o prólogo sobre a vida dos indígenas, e então narra a maioria dos pontos interessantes adiante. Poderia focar a escrita nos tópicos em vez da ordem cronológica, esta deixando em segundo plano ao desenvolver a evolução da construção dessas metrópoles e comércio; desta forma teria êxito em instigar a curiosidade do leitor, e então presenteá-lo às discussões técnicas.

“Os Tapajós teriam o costume de ‘temperar’ a comida de indesejáveis […] eliminá-las no melhor estilo ‘Game of Thrones’”

1499: O Brasil Antes de Cabral é excelente quanto ao conteúdo e a transparência sobre as abordagens divergentes das pesquisas e das limitações do conhecimento ainda em desenvolvimento sobre os povos habitantes desde antes dos europeus. Poderia ser ainda melhor caso dedicasse esforço em montar os tópicos de modo mais interessante, tarefa nada fácil que pelo menos tornaria este livro excepcional a todos os curiosos pelo conteúdo. Já na edição vigente, ainda pode ser excepcional a leitores já acostumados com abordagens arqueológicas ou a quem esforçar mais em compreender as discussões elencadas pelo Reinaldo.

“O maior rio do mundo não ganhou seu nome atual por acaso”

1499 - capaAutor: Reinaldo José Lopes
Editora: Harper Collins
Ano de Publicação: 2017
Gênero: texto acadêmico / arqueologia / história
Quantidade de Páginas: 248

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O Seminarista (Regionalismo e Religião)

Quando a obrigação é imposta acima do bem-estar e de todos os aspectos da vida, a infelicidade vem à tona. Somos educados a superar nossos desejos contraditórios ao bem maior, subestimando-os a ínfimos por compará-los aos grandes frutos do futuro, esses inalcançáveis por abrirmos mão do presente. O Seminarista é sobre o sacrifício do amor ao celibato sagrado de um jovem destinado a virar padre sob o desejo alheio. Publicado pela primeira vez em 1872 por Bernardo Guimarães, um achado na estante publicado em 1995 pela Editora Ática preserva essa narrativa avaliada nesta resenha.

“Uma dor de alguns dias já é para assombrar em um coração de oito anos”

Eugênio Antunes ainda é garoto quando os pais enxergaram a vocação do menino em tornar padre. Acompanhava os ensinamentos católicos em casa, portanto seria fácil encaminhar o filho ao seminário de Congonhas do Campo por alguns anos e cumprimentá-lo de volta imbuído nas vestes de sacerdote. Fora o bom comportamento dentro de casa, Eugênio alternava a vida compartilhando brincadeiras com Margarida, filha de Umbelina, agregada da família Antunes. Viviam feito irmãos, e quando Eugênio começa os preparativos a sair de casa e estudar para ser padre, a saudade acomete nas duas crianças, ainda mais com a ação do tempo revelar sentimentos do casal nada admissíveis ao celibato católico.

“― Esquece-me se puderes, não peças auxílios ao céu para caíres ao inferno!”

De narrador onisciente, o mesmo de certo modo também participa da história, pois é ciente da própria existência enquanto conta a história, remetendo ao leitor e o lembrando da narrativa em capítulos passados ao prosseguir no vigente. Participa da história inclusive ao opinar na condição de Eugênio quando este começa o seminário, anuncia a tragédia antes de contar os dilemas enfrentados pelo protagonista, e assim interfere no enredo ao antecipar a dramatização pretendida. Nada adequado caso fosse uma narrativa moderna, passível de crítica mesmo quando o narrador tece argumento panfletário corresponda ao do leitor. Por outro lado, ao anunciar sua existência de forma indireta e tematizar a problematização pretendida, o narrador segue na função normal de contar a história até o fim.

O romance dedica maior parte dos parágrafos na consciência do protagonista. Revela as emoções do garoto ordenado a padre e narra o fluxo de pensamentos provocados aos problemas impostos a ele, prisioneiro dos desejos alheios, manipulados através dos caminhos cristãos, conforme exaltado pelo narrador. Exigirá mais do leitor acostumado a acompanhar cenas visuais, no sentido de contar o personagem interagir com a ambientação e demais personagens, pois isso ocorre pouco nesta prosa. Por outro lado ainda é um ponto positivo, graças a capacidade do autor em conduzir os pensamentos do protagonista de várias maneiras criativas: discussões internas, mudanças de ritmo, abordagens metafóricas e outras.

Em passagens visuais, o autor demonstra aspectos regionalistas ao interior mineiro. Transcreve as falas na forma coloquial condizente aos personagens, as características da vila onde mora Eugênio fazem parte dos conflitos, até o folclore é lembrado através de Margarida e o temor sobrenatural de amar padre.

O Seminarista teve a importância na época, publicado na década anterior à Proclamação da República o qual diminuiu a interferência da religião no governo. O narrador interfere na história opinando das práticas católicas a atormentar o protagonista, cuja consciência íntima é revelada ao longo dos parágrafos.

“― […] puniremos mais severamente a hipocrisia do que o escândalo”

O Seminarista - capaAutor: Bernardo Guimarães
Publicado pela primeira vez em: 1872
Edição: 1995
Editora: Ática
Gênero: ficção
Quantidade de Páginas: 104

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Final Fantasy VII Remake (A nova versão do clássico)

Após tanto tempo de promessas, a espera acabou! Um dos jogos mais bem reconhecidos da franquia foi refeito, atualizado à tecnologia e jogabilidade, sem esquecer da reelaboração da narrativa, esta responsável por multiplicar as primeiras dez horas do jogo original em três ou até cinco vezes. A dedicação aos detalhes vai além da fisiologia dos personagens e da arquitetura da cidade, a história ganha mais espaço ao explorar as nuances de Midgard por mais tempo. Está na hora de conferir a nova versão de Final Fantasy VII, Remake feito pela Square Enix com a primeira parte lançada agora em 2020.

“O planeta sangra verde, como você e eu sangramos vermelho”

Midgard é a metrópole de recursos tecnológicos avançados graças às reservas de energia chamadas de mako. Construída em forma de círculo, possui dois pavimentos: o superior construído por plataformas conectadas e estendidas por toda a cidade, onde abriga os recursos avançados e as pessoas com melhores poder aquisitivo; já o nível inferior fica no solo da cidade, moradia de pessoas carentes cujo sol bloqueado pela plataforma superior é substituído por geradores de energia mako. Ambos os pavimentos são divididos em oito setores, cada um contendo usina de mako.

O grupo Avalanche repudia o uso de mako por razões ambientais, afinal a fonte desta energia é a própria vitalidade do planeta. A equipe deste grupo liderada por Barret decide invadir e destruir a usina do Setor 1, contando com a ajuda do mercenário Cloud Strife, ex-membro da SOLDIER, equipe de soldados aprimorados com mako treinados e desenvolvidos pela Shinra, a empresa que produz a energia, controla a cidade de Midgard, e possui ambições ameaçadoras a ponto de sacrificar a própria cidade ao satisfazê-las, e ainda assim perde a disputa do antagonismo principal — sim, aquele mesmo.

Grupo Avalanche - Final Fantasy VII Remake

Avalanche deixando sua marca em Midgard

“Eles querem fazer disso um espetáculo? Então bora dar um pra eles!”

Sem estender esta resenha nas repaginações visuais ― estas nostálgicas a recriar mesmo detalhes dos principais lugares do jogo original ―, vamos ao foco do blog e prosseguir na análise de enredo. A apresentação dos personagens de Avalanche e Cloud é feita em cenas consecutivas de ação, todas as falas são espontâneas e revelam comportamentos dos personagens. Batalhas travadas em posições e em turnos acabaram, o ambiente faz parte da jogabilidade, servindo de proteção contra ataques, levado em consideração na estratégia. Pode explorar pontos fracos ao mirar em determinadas partes dos adversários, algo nada sofisticado igual Horizon Zero Dawn, é apenas outro recurso a planejar ao longo da luta.

A comunidade do piso inferior

A comunidade do piso inferior

Após a apresentação, o Remake começa a mostrar a proposta de fazer o jogo inteiro focado em Midgard. De fato elaborar este lugar tão complexo em detalhes apenas a passar poucas horas na versão original foi um desperdício necessário ao suprir todo o conteúdo com a tecnologia vigente. Hoje há a possibilidade de os jogos estenderem o conteúdo por meio de expansões, dedicando maiores esforços na mesma ambientação, trabalho abusado pelos desenvolvedores desta primeira parte do jogo, para a alegria dos fãs. Entre os diálogos agora de fato falados, há muitas características acrescentadas em Midgard, novos personagens e conflitos a resolver. Wedge, Biggs e Jessie agora possuem os próprios arcos dentro da narrativa principal, tornando-os mais memoráveis por ter motivos ao jogador importar com eles.

“Pode crer. A gente já podia ter morrido umas mil vezes”

Ainda estamos falando em adaptar um trabalho antigo aos moldes atuais, e isso gera dilemas no tanto os produtores podem modificar e ainda manter a essência de Final Fantasy VII. Por exemplo: as caricaturas dos personagens foram o recurso usado a princípio a resumir comportamentos dos personagens em pequenos gestos, o que gerou a identidade deles, e portanto manteve na nova versão. Apesar de ser extravagante ver em projetos atuais, tem o apelo nostálgico capaz de prejudicar caso estivesse ausente. As cenas de ação beiram ao exagero, Cloud realiza acrobacias impossíveis enquanto empunha a espada do tamanho dele, e seus rivais fazem o mesmo e sequer suam. Esses exageros tornam as situações do jogo contraditórias, pois ao precisar disparar centenas de balas de Barret até enfim exterminar mesmo os adversários fracos, o mesmo não deveria temer quando alguém apenas aponta o revólver contra ele; isso sendo somente um exemplo dentre muitos.

Midgard - Final Fantasy VII Remake

Midgard: a cidade que nunca dorme

O jogo aproveitou a exploração de Midgard ao máximo durante a campanha principal, já as tarefas secundárias deixam a desejar pelo excesso de simplicidade. Nada além de ir a certo lugar e derrotar monstros, procurar determinada pessoa ou objeto, tem ainda alguns minigames capazes de variar um pouco. Já o que frustra mesmo na jogabilidade é o problema comum nas produções da Square Enix, bastante criticado na resenha de Kingdom Hearts 3, e apesar de ocorrer em situações pontuais nesta versão de Final Fantasy VII, deixa muito a desejar. Com lutas voltadas à ação, nem sempre deixa claro os movimentos dos inimigos, seja pela câmera mal enquadrada incapaz de mostrar o golpe sendo executado, ou pelo tempo de execução tornar inviável do personagem controlado pelo jogador conseguir reagir, por vezes mesmo tomando distância pelo comando de esquivar, ainda é atingido. Os golpes dos inimigos são capazes de interromper a ação dos personagens e prejudica, pune o jogador por algo sequer visto. É mais frequente na luta contra chefes, por elaborar combates mais criativos, porém prejudicados nesses problemas frustrantes nem sempre sob a culpa do jogador.

Final Fantasy VII Remake não substitui a versão original, e sim elabora uma nova criação a partir da ambientação já existida  — deixa tal proposta nítida em determinada etapa do jogo. Com elementos em comum, a jogabilidade é inovada, bem como o aprofundamento dos personagens melhor explorado por dedicar muitas horas em mostrar os respectivos dilemas de cada membro da Avalanche e dos protagonistas. Sem informar quantas partes serão lançadas, a Square Enix pode avaliar o retorno desta introdução da história, então moldar e aperfeiçoar a continuação, portanto seria bom melhorar o combate enquanto cria animações de brilhar os olhos.

“Todos conhecem a verdadeira natureza do mako, mas o povo ignora voluntariamente esse preço”

Final Fantasy VII Remake - capaProdutora: Square Enix
Lançamento: 2020
Série: Final Fantasy #7
Gêneros: aventura / fantasia / cyberpunk / RPG
Plataforma: PlayStation 4
Idioma: legenda em português

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