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A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói (Antofágica)

A morte é inevitável, esta frase de significado comum e óbvio a qualquer pessoa, exceto quando aproxima a hora dela. Ao experimentar a vida durante toda a existência, de qual maneira poderia acostumar com a morte? Alguns escolhem rememorar os feitos passados, avaliando o quanto valeu a pena viver neles, afinal o momento a seguir é o fim, sem muito a presumir dele senão as consequências da partida. A Morte de Ivan Ilitch explora toda a questão da morte na perspectiva da família de um burocrata russo, escrito por Liev Tolstói em 1886 e traduzido por Lucas Simone na edição da Antofágica, lançada em 2020.

“A história pretérita […] era a mais simples e comum e também a mais terrível”

A história começa com a notícia da morte do protagonista entre os colegas de trabalho. Mal desenvolve a tensão pesarosa da partida do exemplar burocrata, e os colegas já traçam planos quanto a ocupar os possíveis cargos rearranjados a partir da vacância a de Ivan Ilitch. O funeral demonstra a vida das pessoas próximas de Ivan seguindo adiante, já os capítulos seguintes focam na vida do protagonista, desde a educação, formação profissional e familiar, até retomar o acontecimento culminante das cenas do primeiro capítulo.

“Tudo se fazia com mãos limpas, camisas limpas, palavras francesas e, sobretudo, na mais alta sociedade”

O autor conta toda a vida do personagem nesta história sob o gênero de novela, ou seja, de poucas palavras a desenvolver a trama a percorrer todos os anos de Ivan. Assim o narrador recorre a narrativas pontuais, contar passagens de tempo em poucos parágrafos, para então chegar no momento de estender as frases a situações constantes as quais pretende explorar, a consciência do personagem quanto a morte. Durante a descrição pontual da vida do protagonista, o narrador permanece distante, relata sobre os feitos dele e contextualiza os pensamentos diante das etapas da vida. Comentar a passagem desta forma deixa até a entender que esta parte da história é entediante, graças à escrita do autor ocorre o contrário. Ao compilar a história de Ivan, o narrador não conta, e sim mostra os aspectos sociais envoltos ao personagem responsáveis por influenciar determinadas escolhas.

Depois o narrador aproxima do personagem, pois chega o momento de compartilhar a dor dele por meio das palavras. Assim a escrita toma outro rumo, apesar de aproveitar o que trouxe do começo da vida de Ivan nesta novela. As cenas trazem as consequências quanto ao modo de vida do protagonista, agora enfrentadas pelo Ivan moribundo, consciente de sua partida, reagindo da condição a tornar a situação cada vez pior. O narrador segue Ivan até o fim, é incansável enquanto transcreve as palavras sentidas pelo protagonista, assim consegue mostrar ao leitor o sofrimento até chegar ao fim.

A Morte de Ivan Ilitch é um livro bem escrito a ponto de provocar sensações ruins na leitura, de tão realistas ao retratar os últimos momentos de Ivan. Aborda ainda várias questões pontuais da vida burocrata na Rússia na época descrita pelo Tolstói, demonstrando os aspectos sociais de quem trabalhava no serviço público naquela ocasião e as maneiras possíveis de seguir adiante neste tipo de vida tão bem questionada pelo próprio protagonista em determinado momento.

“[…] fez aquilo que seria considerado correto pelas pessoas que ocupavam os mais altos postos”

Capa de A Morte de Ivan Ilitch, na edição da editora AntofágicaAutor: Liev Tolstói
Tradutor: Lucas Simone
Ano da Publicação Original: 1886
Edição: 2020
Editora: Antofágica
Gênero: novela / literatura russa / literatura clássica
Quantidade de Páginas: 312

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A Menina que Não Gostava de COR-DE-ROSA

Sempre há oportunidades em conhecer conceitos inusitados em sua vivência. Alguns negam essa oportunidade por ser contraditório às suas crenças, julgam o diferente como impróprio.

Eu me considero agnóstico, e estou aberto a conhecer novos tópicos independentes de tomar como verdades. Deve-se lembrar que a obra relacionada neste post é de ficção, acessível a qualquer um, mas sobretudo a leitores de mente aberta.

A Menina que Não Gostava de Cor-de-Rosa é uma história do gênero paranormal. Publicada pela Luna Editora em 2017, conta sobre o encontro da jovem brasileira Jéssica Kramer e o russo Dimitri Zirkov, ambos de capacidades sobrenaturais e alvos de uma sociedade secreta para instalar a maldade a partir de seus sacrifícios.

COR-DE-ROSA - capa

Boriska Petrovna é o pseudônimo de Carlos Pompeu, redator publicitário, colunista e escritor de artigos de blogs além dos livros. Este trabalho foi feito em parceria com Cesar Luis, editor e proprietário da Luna Editora.

Não era culto, mas sabia bastante sobre o oculto

Jéssica Kramer tem dons paranormais, resultado da relação de seus pais sob orientações ocultas. Ela foi destinada desde o seu nascimento a participar de um ritual de uma sociedade secreta, esta escondida após virar alvo de conspiração entre as religiões católica do vaticano e ortodoxa. Está destinada a ser sacrificada junto ao Dimitri Zirkov, o garoto adotado pela matriarca da sociedade secreta.

Jéssica encontra pessoas interessadas em ajudá-la. O livro dedica capítulos a contar as histórias dessas pessoas enquanto compartilha o conhecimento do ocultismo; há repetições de algumas informações na história desses, sendo por vezes desnecessárias. Nem toda ajuda é recebida de braços abertos ao saber do passado de certos personagens, cujo mistério é desvendado no melhor momento.

Uma das histórias desses personagens precisa ser revista. Numa descrição rápida da cena de suicídio, a história aponta qual o motivo de cometer o ato. Atribuir uma única razão é uma abordagem simplista para um tópico tão complexo, que pode trazer conceitos equivocados ao público.

Entendimentos errôneos são até desejáveis no mundo em que vivemos

As explicações sobre as crenças mesclam elementos mais populares como exemplos de demonstração, citando Caverna do Dragão e Harry Potter, entre outros.

O livro não acompanha a história de Jéssica, mas sim aborda a sua relação com o culto até o desfecho após a união com o jovem russo. Ressalto esta diferença pela narrativa não focar na protagonista. Preocupa-se mais em contar a história no todo do que na aventura desta moça. Longe de ser uma crítica, foi uma abordagem inesperada quando comecei a ler, e me levou pela história da forma diferente como imaginava.

A manifestação paranormal ocorre de forma espontânea e imediata, rápida até demais.

Com apenas 150 páginas, A Menina que Não Gostava de Cor-de-Rosa faz uma abordagem breve ao ocultismo e fácil de compreender enquanto se explica a trama principal, e por fim traz um desfecho rápido da história da seita maligna.

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