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Mimimi Sobre Mimimi

Hoje é tudo mimimi. Pessoas reclamam tanto da “geração mimizenta”, que fazem mimimi delas também. Talvez soe como se eu desencadeasse outra corrente pelo título, o mimimi de pessoas que fazem mimimi com quem fica de mimimi. Negativo! Já chega disso. 

Chega de Mimimi

Reclamar de algo virou moda, está recorrente e criará bolas de neve cada vez maiores. Um dos meus primeiros textos no blog é sobre lamentar, explico sobre os problemas permanecerem enquanto só reclama. Por outro lado, críticas ajudam a todos, caso bem ditas.  

Percebo haver certa dificuldade de ver as vantagens entre conflitos de ideias. Certas soluções atendem um nicho de pessoas e prejudicam todas as outras, e devem ser refutadas. As outras ideias estão longe da perfeição, satisfazem certos grupos em certos momentos, e por isso precisam de debate sobre qual a melhor alternativa, a capaz de atingir o maior número de pessoas necessitadas. Pena eu ver pouca discussão entre as propostas e mais apelos, xingamentos e estímulos através da repulsa ou medo, mesmo utilizando mentiras

Vamos simplificar o exemplo com dois lados, o vencedor e a oposição. Quem perde repudia os erros, cada ideia do vencedor está errada, obra do malvado favorito da oposição. Muitas das ideias são horríveis mesmo, com pontos de vista limitados e diminuem a importância da outra causa. Mas a refutação dessas é atribuída ao malvado favorito do vencedor.

A oposição deveria se valorizar, parar de responder com emoção e, sabe, usar argumentos na discussão. Emoções não correspondem, e por isso são minimizadas, mimimizam o “mimimi” do contra. Entende onde quero chegar? 

Quem diminui a reclamação alheia também se prejudica. Ignora as críticas ao invés de filtrá-las, desconhece as falhas do plano e até fica surpreso pelo fracasso, então aponta os erros da oposição para ocultar os próprios. Só esquecem do principal: resolver o problema. “Problema? É só o outro problematizando minhas ideias. Impedem de eu trabalhar, esses mimimi.”

Mais Mimimi
Mais Mimimi

Então a oposição enfurece, esclarece os motivos da crítica ser válida, e o outro lado só ouve mais mimimi. É a culpa do vencedor? Convém a oposição que seja, pois vira brecha para apontar o quanto o outro é ignorante. Porém quero pegar nos braços da oposição neste momento e dizer: a culpa é sua. Deixe de esmurrar a ponta da faca, precisa de outro método, selecionar melhores argumentos e afiar ferramenta de defesa. Com isso o outro lado deve trabalhar nas réplicas, faltará oportunidades de diminuir a oposição e demonstrar a verdadeira capacidade, caso a tenha.  

Imagino alguns dizerem o quanto sou inocente. Ideias são o de menos dentro do jogo, há o mecanismo capaz de manipular e favorecer determinado lado. Só que o mecanismo funciona porque ninguém o vê. Se houvesse discussão de verdade, o mecanismo seria mais transparente, portanto os argumentos poderiam atacá-lo, mostrar motivos de removê-lo e tirar esta ferramenta ultrapassada. Em outras palavras, o mimimi está ocultando o mecanismo. 

Mind blow - Mimimi

Está além de ficar exausto com brigas irrelevantes. Eu vejo irmos ladeira abaixo, de todos os lados. Precisa eliminar este egoísmo caso queira mesmo ir em frente, senão é o mundo que seguirá adiante e nós ficaremos atrás. 

Estamos perto de outro final de ano, e caso seja desses a fazer promessas ao ano seguinte, recomendo esta: procure entender o outro lado. Ouvir a opinião alheia não lhe converterá, e esta nem é a questão. Toda informação é valiosa, mesmo as horríveis. Mantê-las demonstrará seus defeitos e evitará de elas retornarem sob novos aspectos. 

Cumpra essa promessa e já resolverá a outra: parar de mimimi e levar assuntos sérios com a devida importância! 

Sapiens: Uma breve história da humanidade

Somos considerados homens racionais, porém até que ponto usamos a nossa racionalidade? Desenvolvemos a tecnologia como jamais fizeram as gerações passadas, o nosso convívio em sociedade é fonte inesgotável de pesquisa, discussão e conhecimento; e ainda não somos tão felizes. Deveríamos ser felizes? Qual é de fato o objetivo da nossa existência? 

Estudamos muitos só para admitir o quanto ainda precisamos aprender, levar outras questões da humanidade nas pesquisas de nossos ancestrais, chegar mais perto a compreender como chegamos aqui e sermos mais conscientes a aonde desejamos alcançar. 

Sapiens: Uma breve história da humanidade traz esta reflexão enquanto apresenta compilados de estudos científicos sobre a única espécie humana sobrevivente. Publicado em 2015, analisa desde a nossa origem como espécie até o momento da publicação, além de trazer provocações quanto ao futuro. 

Sapiens - capa

Yuval Noah Harari é doutor em história formado na universidade de Oxford. Uma de suas linhas de pesquisa analisa a relação entre a história da humanidade e a biologia, esta abordada neste livro.

Não existe um único estilo de vida natural aos sapiens  

Difícil dizer em poucas palavras quais pontos Harari discute sobre a humanidade em Sapiens, pois abrange vários aspectos do desenvolvimento da espécie. Das nossas estratégias de sobrevivência a formação da sociedade e o funcionamento de nossas crenças (nem sempre relacionadas a religião), usa as  fontes bibliográficas de conceitos já formados e das informações ainda inexatas, sejam pelas limitações da pesquisa vigente ou ausência de determinados pontos de vistas sobre o mesmo estudo. 

O livro começa a contar do surgimento do Homo sapiens e as possíveis interações com as outras espécies humanas, como os neandertais. Os próximos capítulos saem da ordem cronológica, pois pegam conceitos atuais e seleciona momentos históricos para analisar como chegamos a este contexto. 

Sapiens tem muitas provocações quanto a se realmente nos aprimoramos como espécie, apesar das melhorias na sociedade e tecnologia. Questões de crenças e rotinas entram em contraste com as necessidades do nosso organismo para se manter saudável. Prosperamos em situações abstratas, baseamos nossa sobrevivência em contextos ficcionais impregnados, como a concepção de empresas e estados. Diminuímos o número de mortes, reduzimos doenças, podemos até impedir a morte pela velhice e nos tornar amortais no futuro. E as perguntas persistem: o que a humanidade deseja? Somos felizes graças a esses avanços?

É vital fazer perguntas às quais não há respostas  

A linguagem do livro é bastante acessível, ainda mais se tratando da abordagem científica em todo o texto. Toda a bibliografia utilizada é citada, e o autor é honesto ao dizer das limitações dos estudos vigentes e na possibilidade de não conseguir responder tal pergunta. 

Divide-se em capítulos fragmentados com subtítulos. Há ainda divisões sutis no decorrer do texto, uma frase chamativa no começo do parágrafo incita a leitura sobre o assunto a discutir nas próximas linhas. Apesar de estimular o interesse, a repetição desta técnica deixa ela explícita, com risco de soar banal ao leitor atento e diminuir a intensidade do efeito desejado. 

Harari finaliza Sapiens com um questionamento que extrapola o contexto do livro e soa mais como propaganda sobre o próximo livro do que uma discussão científica. Apesar da seriedade das informações e o resumo destas no final como justificativa, houve apelo ao livro como marca a ser vendida da próxima obra já disponível, o Homo Deus. Pelo menos atingiu seu objetivo, pois estou interessado nesta continuação e até já comprei o livro. 

O Pequeno Príncipe

Vivemos em tempos polarizados, tudo se leva a sério e é importante, exceto a opinião do outro. Ninguém é o dono da razão, e só conheceremos algo novo quando dermos atenção a alguém diferente. 

Ao lermos livros, temos acessos às pessoas estranhas a nós, sejam pelos desejos, origens ou aparência. Também vemos personagens aprenderem a lidar com outra visão, esta mostrada por alguém desconhecido, bastante peculiar, como por exemplo uma criança.  Criança feito O Pequeno Príncipe.

Publicado em 1943, o livro infantil é sobre um aviador perdido no deserto do Saara que conhece um menino fora do comum, apesar de ainda perguntar de tudo e responder nada. 

O Pequeno Príncipe - capa

Antoine de Saint-Exupéry é aviador francês que também publicou diversos romances com elementos relacionados à sua carreira. O Pequeno Príncipe é o livro mais conhecido do autor pelos motivos apresentados na resenha a seguir.

Quando o mistério é impressionante demais, não ousamos desobedecer  

O aviador se dedica a arrumar seu avião quebrado logo no Saara. Teme pela pouca água restante consigo, da possibilidade de não conseguir escapar do deserto, do pequeno príncipe lhe tomar muito tempo com perguntas enquanto ele faz a tarefa séria. 

Já o pequeno príncipe discute com ele. Tudo é sério às pessoas grandes, ocupadas demais, com visões restritas sobre o mundo quando outros também têm suas preocupações, até as crianças, por exemplo. 

Conhece-se o passado do pequeno príncipe através das conversas com o aviador. Seu lar é um planeta minúsculo a ponto de poder vislumbrar o pôr do sol várias vezes ao dia, basta dar alguns passos e alcançar o outro ponto no astro onde a estrela está se pondo. Fala também dos planetas visitados antes de chegar à Terra, mundos pequenos como o do príncipe, onde vivia um adulto isolado com as próprias obrigações. 

As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas  

O livro possui linguagem bastante simples e repetições propositais. Capítulos sucintos sempre levam a algum lugar, provoca a visão do menino com alguém que ele encontra. Tudo passa muito rápido, tal como o olhar de criança. Vê algo novo, busca entender aquilo, segue em frente e logo para diante de outra coisa nova. 

Apesar da história ser do pequeno príncipe, tudo é contado pelo aviador. Decide contar essa história apenas seis anos depois de conhecer o garoto, ainda encantado com o que aprendeu através do príncipe. 

Quando nos tornarmos pessoas grandes — adultos — precisamos nos ocupar com tarefas específicas, viver em prol do que acreditamos ser importante, persistir sem questionar. Dizemos ter experiência de vida, conhecemos o bastante para seguir nosso caminho, sem tempo de analisar novos pontos de vista.

Então surge o pequeno príncipe diante do aviador e lhe prova o contrário. Não podemos ignorar algo desinteressante só porque o definimos desta forma, nada impede da mesma questão ser relevante quando visto por outros olhos. O livro é famoso, e por isso me impressiono notar a falta dele diante de pessoas com visões tão estreitas e extremas, incapazes de assimilar uma ideia contrária à sua.

O Perigo do Herói

Herói é um ser idolatrado pelas suas conquistas, superam problemas impossíveis. Os heróis gregos têm origem divina e capacidades super-humanas, embora ainda tenha alguma característica reconhecível a pessoas comuns.

Em aventuras posteriores, os protagonistas das histórias possuem diversas origens, até pessoas normais, independente de classe social ou profissão. Esses seres de fortes princípios encaram jornadas no mundo desconhecido, se adapta e conhece novos aliados e inimigos, enfrentam uma provação com risco de perder suas vidas, mas no fim vencem e trazem ao mundo comum o prêmio e a mudança de vida.

Herói na jornada ao Santo Graal

Nem sempre enfrenta essas fases literalmente. O mundo desconhecido pode ser um bairro da cidade onde o herói nunca pôs os pés, ou nem é um lugar, como fazer parte de um novo grupo do trabalho. O prêmio não precisa de forma física, e sim algum aprendizado do herói ou sentimento capaz de refletir sobre a transformação do mundo depois da jornada.

Vale o mesmo ao inimigo. A imagem do adversário traz um conceito divergente do protagonista, bem como explora as fraquezas que o herói precisa superar. Às vezes o inimigo é o próprio temor do herói ou obstáculo, personificado em uma pessoa no papel de vilão.

Neste ponto entra o perigo de criar um herói no mundo real. O protagonista idealizado por pessoas de interesses em comum define um problema e atribui alguém como o culpado por toda a miséria. Tudo relacionado a este “ser maléfico” deve desaparecer, inclusive quem o apoia, pois também são malvados. Já o protagonista é o único capaz de derrotar esse mal, só que em vez da definição comum dos heróis desde a Grécia Antiga, este é livre de defeitos.

Muitas pessoas não gostam dos filmes da Marvel. E uma parcela desta mesma gente reproduz a plateia dos heróis da telona nas telinhas das redes sociais, interagindo com exaltações ao seu ídolo e condenação do suposto inimigo, tudo por uma falsa impressão de retornar ao seu mundo comum com a conquista de uma vida diferente.

Herói - WarMachine2018

#warmachine2018

É muito mais fácil, portanto verossímil, definir alguém ou uma ideologia como o responsável quando esta também quer resolver o mesmo problema, só defende uma alternativa diferente.

A mania de implantar o maniqueísmo jamais resolverá. Passa o sentimento de lutarmos pelo bem, por selecionarmos o herói correto para nos salvar e livrar a consciência de imaginar que nós não precisaríamos repensar nossas atitudes.

Este comportamento é capaz de desconsiderar a própria Jornada do Herói. Ignora a passagem pelo mundo desconhecido ao dizer que tudo não presta por lá, o ídolo deles já possui o elixir capaz de salvar a pátria desde o começo, sem passar por provações que definiriam a sua proeza.

Tudo é inimigo para eles, as pobres vítimas. Fazem tudo correto; exceto furar fila, sonegar imposto, comprar produto pirata, matar pessoas por não conseguir identificar seu gênero sexual, tomar benefícios do governo por meios contraditórios… Quem poderá defendê-los?

Criança e pai bêbado - Herói

Professores deixaram meu filho beber. São monstros!

Quando não há mais aquele inimigo, o problema permanece. O Brainiac perde, então os roteiristas dos quadrinhos trazem Darkseid para o Superman salvar o mundo de novo, ao invés de fazer o herói acabar com a fome com distribuição imediata de alimentos, ou abastecer um gerador de eletricidade sem abusar de recursos naturais graças a sua força e velocidade.

Existe a necessidade insaciável de ser um herói. Alguns bombeiros já provocaram os incêndios que combateram. Já foi analisado que não é um caso comum de um indivíduo com doença comportamental, inclusive é feito muitas vezes em grupos de profissionais. O objetivo passa longe de conquistar a identidade de herói, mas o causam para justificar sua utilidade, como gerar uma falsa demanda e justificar a aquisição de recursos ao seu batalhão.

Percebe o perigo de empenhar uma solução imediata, mas no fim salvar ninguém? O combate é muito mais difícil, bem chato inclusive, e não deve ser feito por uma pessoa. Todos precisamos ser os heróis das nossas histórias. Se até as jornadas fictícias, onde os outros personagens são apenas degraus para elevar o protagonista, não fazem sucesso comercial, a realidade é ainda mais cruel.

Então empunham suas espadas, protejam-se com armaduras, e aprendem a andar com as próprias pernas.


Saiba mais

Estudo sobre os bombeiro estadunidenses que provocam incêndios

Definição de Herói

Quatro exemplos de concepções de herói

Tirinha sobre como Superman poderia salvar o mundo de verdade

Vídeo do Canal do Slow sobre o bem e o mal

Problematização do Erro

Quem nunca errou durante a sua vida, atire uma pedra. Somos indivíduos capazes de aprimorar nossas habilidades e mudar nossos conceitos constantemente; qualquer um pode fazer algo melhor amanhã, bem como esta mesma pessoa fazer algo aquém do esperado ontem.

Nós conhecemos, estudamos, treinamos, praticamos aquilo em que trabalhamos; esforçamos tanto para garantir a eficiência e eficácia da execução das tarefas, sem dar chance às falhas. No fundo nós sabemos, uma hora vamos errar.

Ninguém deseja o erro. Traz tantas coisas negativas quando ocorre, consequências de diversas intensidades sob um contexto a ponto de desejar negar a verdade. Alguns negam sem pudor, e gostaria de falar sobre eles.

Somam-se provas e mais provas, apontam brechas em seus argumentos e os defeitos de seus atos. Humildade faz companhia à bota perdida de Judas, pois eles jamais erraram, nunca! São exemplos a seguir, competentes a serem admirados.

Talvez pense em pular o meu texto, ir na parte de comentários e tecer xingamentos por eu falar mal de seu ídolo, elaborar argumentos do quanto o outro é errado, dizer que sou bajulador daquele incompetente. Não estou apontando a esquerda ou a direita, nem falo dele ou dela, leia o parágrafo anterior. Refiro-me à ELES.

Sim, eles. Sem uma pessoa em específico, pois muitos possuem um comportamento semelhante quando cometem erros, eles deixam de assumir. A falha é um ponto gravitacional que atrai todas as adversidades à tona, e ninguém quer ser reconhecido como o responsável por esse ponto.

Mesmo sem se responsabilizar, os problemas persistem. Ao invés de solucionar, eles apontam a falha dos outros, pouco importa quais sejam ou a sua gravidade, destacam os defeitos alheios para ocultar o próprio.

Os seguidores compram a ideia, exaltam o erro do adversário em comum e faz pouco caso com os do próprio ou apontam como calúnia, ou que está certo mesmo.

Esta atitude impede algo muito importante a ser feito frente ao erro. Dar a devida punição pelos prejuízos do erro é um exemplo, mas ainda há outro fator mais essencial, e deixa de realizar porque prefere se manter na posição de infalível: o de se aprimorar.

O erro é a melhor fonte de aprendizado. Quando aceitamos a sua existência e refletimos, damos a chance de compreender como nos levou à falha e evita-la. É uma pena abrir mão de uma das melhores oportunidades de se aprimorar só porque não quer assumir a falha.

Permite-se errar, e faça o mesmo com quem admira. Se o erro for grave a ponto de punir seu herói, deixe de alimentar o problema mascarando seus defeitos. Fico triste quando percebo mais consequências dos atos nas histórias de ficção do que nas reais. Livros de terror não me dão medo, mas sim o motorista que me ultrapassa pela direita, quase causa acidente na rodovia, e sai impune até o dia quando prejudicar a si e aos próximos com esta atitude.

Por isso aconselho: seja honesto com o seu desejo. Se quer um mundo melhor assim como eu, avalie em quem confiar, aceite suas falhas e verifique se aprendeu com as mesmas. Caso decida atribuir responsabilidade a quem só coloca a culpa nos outros, eu só lamento.

Como Funciona a Ficção

Os aspirantes a escritores possuem dificuldade em ter uma orientação sobre a carreira no Brasil. Não existe formação nesta atividade, limitando-se a cursos de oficina literária ou com abordagens objetivas e por vezes restritas, quando comparados aos cursos de graduação. 

Fica ainda pior quando indivíduos não buscam informações sobre técnicas e teorias de escrita, sequer leem outros livros que contribuiriam o vocabulário e repertório de ideias ou que demonstra o quanto a “ideia original” do aspirante não é tão exclusiva ou quem sabe não aceita pelos leitores que pretendem alcançar. 

Felizmente os materiais didáticos e informativos sobre a escrita estão cada vez mais acessíveis em diversos formatos e plataformas. Seja podcasts, canais de YouTube ou blogs, muitos com conteúdo gratuito que podem mostrar o caminho das pedras aos aspirantes, além de dar dicas com tópicos específicos. Mas neste post eu destaco um livro de abordagem ampla sobre a escrita e a literatura. 

Como Funciona a Ficção foi publicado em 2006, cujo conteúdo é exposto em linguagem acessível àqueles que desejam conhecer os aspectos da escrita sob um olhar profissional literário. 

Como Funciona a Ficção - capa

James Wood é crítico literário com carreira ampla na área. Resenhista de jornais internacionais de destaque como The New Yorker e professor na Universidade de Harvard. 

É instrutivo ver bons escritores cometendo erros

Depois de uma breve introdução, o livro já começa a discorrer o assunto sem devaneios. A abordagem fica mais direta através das divisões ao longo do tema, a maioria de poucas linhas ou parágrafos.  

Essas divisões, por outro lado, não fragmentam o conteúdo do livro. O próprio autor deixa claro que ao abordar um tópico já atrai os demais, e de fato se analisa todo o contexto literário por mais que o capítulo seja sobre um aspecto em específico. 

As análises e informações expostas no livro são discutidas a partir de diversos trabalhos de escritores, seja do inglês Shakespeare, do russo Tolstói, do francês Flaubert e até do português Saramago. A ampla bibliografia é citada no fim do livro, e acredito que ao ler alguma das obras citadas, se fará uma análise tal como Wood fez depois de aproveitar o material de Como Funciona a Ficção. 

Não são “irrelevantes”; são significativamente insignificantes

Não irá encontrar dicas práticas sobre a metodologia da escrita, pois a discussão se foca no quê a literatura se formou conforme os trabalhos literários.  

Ninguém conseguirá se tornar escritor consultando apenas uma fonte, mas Como Funciona a Ficção é uma dessas fontes excelentes para conhecer o que o profissional se propõe a criar através da escrita dentre outros trabalhos complementares ou complementado por esta.

Desonra

Errar é humano, persistir no erro também. Não há protagonismo na vida real, no sentido de pessoas mudarem seus modos para favorecer tal indivíduo, mas os atos podem transformar a vida de alguém pelas suas consequências impossíveis de controlar. 

O exercício da empatia é difícil a quem não demonstra interesse em aceitar opinião ou condição controversa. E com a falta dessa, a desgraça pode pregar peças de muitas maneiras. 

Desonra explora as adversidades da empatia e sob o contexto vigente (no ano de publicação) da África do Sul após o apartheid. 

Desonra - capa

Publicada em 1999 pelo J. M. Coetzee, escritor e professor de literatura. Digno de alguns prêmios literários, como o Booker Prize com a obra deste post e o próprio Nobel de Literatura. 

Uma cicatriz em volta da lembrança daquele dia 

David Lurie é professor de universidade e está insatisfeito com o seu trabalho. Sonha em fazer uma peça em homenagem ao poeta George Bordon Byron, mas sem este emprego não consegue pagar suas contas. 

Divorciou duas vezes e teve filha com a primeira esposa, suas interações sem compromisso com as demais mulheres aliviava suas frustrações, mas com o tempo causa grandes problemas. Incapaz de aceitar recusas pelas suas acompanhantes, é antipático à intimidade delas e insiste em seus desejos. 

O caso com uma de suas alunas gerou polêmica e o forçou a ele se despedir. Lurie visita a sua filha a princípio de forma breve, e Lucy adora a companhia de seu pai, embora ele sinta dificuldade com o ambiente rural onde ela decidiu viver. Mas uma tragédia em que Lucy foi vítima de estupro por assaltantes transformou a interação entre pai e filha, e as atitudes adversas de ambos coloca o relacionamento entre pai e filha em risco. 

Há lágrimas para tudo, e as coisas humanas tocam o coração 

As relações pessoais de Lurie são postas à prova com as consequências de seus atos. Não importa a intenção do professor/pai, as consequências muitas vezes são as piores sem serem forçadas na narrativa. 

Mesmo com algumas citações literárias com base na formação do protagonista, a linguagem do romance é fácil de compreender e apresenta as discussões sobre as consequências das tramas de forma verossímil, fácil de visualizar enquanto se lê. 

O abuso sexual se torna o pivô dos problemas de relacionamento com a filha Lucy. Lurie tenta ajudar, mas força o seu ponto de vista ao impor a solução, e assim gera outros problemas. 

Seu protagonismo serve para enxergar os outros personagens sob o seu ponto de vista, mas favorece em nada na sua história. Mesmo acompanhando na ótica de Lurie, podemos compreender a visão divergente dos outros personagens. 

Coetzee conseguiu de forma esplêndida retratar assuntos sensíveis com visões diferentes e tramar desfechos trágicos e realistas aos personagens. A história me convidou a analisar os argumentos contrários ao protagonista, um exercício que vejo em falta neste ano cheio de problemas. 

Guerra Infinita (reflexão)

Escrevo este texto um dia depois da estreia do novo filme dos Vingadores. Assisti o quanto antes com medo de receber spoilers. Encarei a gigante fila para comprar o ingresso na hora porque o caixa de autoatendimento estava inacessível, a fila não andava e o caixa foi liberado. Tropecei no caminho, mas pude retirar meu ingresso sem outros problemas.

Eu adorei o filme. Não vou fazer uma resenha, pois meu nível de entendimento de cinema se resume a eu ter gostado de Esquadrão Suicida. Sem brincadeiras: eu me permito usar o cinema apenas como entretenimento, e acredito ser melhor em compartilhar opinião de livros.

Então por que estou escrevendo sobre Guerra Infinita?

Porque este nome é muito interessante, e deu a ideia de comentar sobre outras guerras sem fim: as guerras orais.

Essas discussões entre os fanáticos regressam a argumentos fúteis, mas repetidos para defender o seu lado. Os demais se cansam rápido, tentam ignorar a conversa, mas a discussão sempre vai até eles de alguma forma.

E na internet fica pior ainda, essas postagens geram engajamento, e por isso ficam mais presentes com as reações e comentários. Como por exemplo este meme feito por mim na sexta-feira, cujo objetivo é tirar sarro desses debates inúteis, mas se alcançar as pessoas certas, aconteceria igual a minha crítica.


Está tudo bem, não é? São apenas brigas inocentes entre fãs, há coisas mais importantes a se preocupar… Creio o contrário.

Estamos em 2018, ano de eleição. Muitas pautas surgem entre noticiários e programas de TV relacionados a vida de pessoas reais, e a discussão acontece da mesma maneira: um sujeito fala mais alto para demonstrar sua razão; nas redes sociais o engajamento faz o algoritmo trazer a discussão a mais usuários, e acrescentam reações e discursos infundados.

É um campo minado repleto de frases de efeitos, gurus como única fonte de informação, e abstrações que simplificam o ponto de vista, mas não abrange todo o problema.

Por um lado vejo brigas entre fãs como se fosse assuntos fundamentais em suas vidas. Por outro vejo brigas com assuntos sérios com níveis de argumentos tão medíocres como o primeiro exemplo.

Discussões precisam ser feitas

Através de conversas podemos avaliar o ponto de vista de quem discorda e avaliar qual a melhor alternativa. É triste eu não presenciar tal resultado nessas brigas orais, apenas consequências medíocres ou graves.

O pior é a alternativa que muitos como eu assumem perante os debates: o de ficar quieto. São raras as oportunidades para expor minha opinião. Eu quero ser refutado em algumas conversas porque eu não tenho conhecimento, e assim poderia aprender com alguém entendido do assunto, alguém com referências e deixe eu tirar as minhas próprias conclusões. Mas quando eu não recebo um meme ou frase de efeito como resposta ao meu argumento, já estou no lucro.

Estamos numa guerra cujos opositores usam das mesmas estratégias (com nomes diferentes) sem trazer resultado algum. Temo pela sua continuidade, e também pelos modos possíveis de se acabar. Não buscarei ajuda de um profeta ou um guru, apenas me manterei firme na minha posição: de aproveitar as oportunidades, aprender um pouco e compartilhar no blog o que eu achar válido.

A Maldita Expressão “Ter Que”

Dentre as frases mais marcantes do personagem Seu Madruga do seriado Chaves, destaco esta para abrir uma discussão neste artigo: “Não existe trabalho ruim. O ruim é ter que trabalhar.” [grifo meu]

Seu madruga - Ter que trabalhar

Há quem ri desta fala mesmo ao ouvir pela milésima vez, tirando sarro do caráter preguiçoso do pai da Chiquinha. Todavia tenho uma opinião diferente. O ruim não é trabalhar, e sim a expressão ter que.

Meu pai fez cateterismo há menos de duas semanas. A principal recomendação médica após a operação foi ele ter que descansar por uma semana. Ele dizia várias vezes nos últimos dias o quanto estava cansado por ser obrigado a ficar em repouso.

Quando fazemos algo de nosso prazer sob condições favoráveis, temos a sensação agradável de realizar nossas tarefas. Do contrário, até o que mais adoramos torna algo desgastante.

A profissão de nossos sonhos fica chata se permanecemos no emprego que não nos agrada ou o ambiente de trabalho for sobrecarregado, só tendo que trabalhar para pagar as contas. Quem não arranja motivos para estudar além do que a escola/faculdade ensina, uma hora vai ficar decepcionado com algum professor e fará apenas o suficiente, tira uma nota satisfatória, passa de ano inconformado por ter que estudar assim até se formar.

Sempre senti repulsa ao ouvir esta expressão. Ficava puto quando alguém falava para eu ter que ficar calmo por estar nervoso. Desligava minha audição quando meus parentes gordos diziam que eu tinha de maneirar na comida.

Nervosinho - ter que ser assim

Não vejo sentido na obrigação de todos serem felizes. Felicidade é um acontecimento espontâneo e passageiro. “Ter que ser feliz” soa como uma imposição desconfortável em encontrar um caminho confortável na vida. Focamos nas metas que não acabam, sentimos pressionados em perseguir a felicidade quando poderíamos comemorar com o quanto já alcançado.

Consequência que temos de aturar

Sem falar da noção de fracasso ao não cumprir uma tarefa. Ser incapaz de fazer algo é visto como uma derrota em vez da oportunidade em refletir onde erramos e melhorarmos. Mas por que refletir e mudar nossas atitudes? Afinal é só termos que fazer tudo certinho e não teremos problemas.

Na obsessão de realizar as tarefas, pecamos em aprimorar nossas qualidades. Não temos tempo para estudar ou sequer relaxar porque temos de fazer o quanto antes. Se não consegue ou acha ruim, tem outros milhares querendo sua vaga.

É uma expressão venenosa. Ao seguirmos à risca, atenderemos as demandas imediatas. Porém perdemos o foco em desenvolver novas habilidades, a ponto de sermos incapazes de atender novas demandas ou ser substituído por algo automatizado.

Impus a mim uma rotina com o blog XP Literário. Publico um artigo toda segunda e análise toda quinta, além das postagens diárias. Mas eu não tenho que fazer nada disso! Faço por reconhecer como um exercício de escrita, faço para os leitores entenderem a frequência e visitar o blog nesses dias cientes de um conteúdo novo. Faço por motivação, e não obrigação.

Caso seja escritor, não terá que escrever todos os dias. Mas irá escrever para desenvolver o hábito e criar sua obra sem perder o ritmo de escrita.

Ou seja, ficamos desmotivados em realizar algo só por termos que fazer. Quando compreendemos a situação, traçamos metas e observamos a nossa progressão, buscamos formas de melhorar. Não lamentamos pela nossa incapacidade, e sim aprendemos com os erros.

Não sejamos amaldiçoados por esta expressão. Ninguém tem que fazer nada, quando temos motivos para alcançar tudo que sonhamos.

Estação das Almas (conto)

Compartilho com vocês um breve conto inspirado na música homônima (que está disponível ao final do post) e na convivência do meu sobrinho, este apresentado um pouco mais velho na história a seguir:

Estação das Almas

“Eu quero sentar!”

Mantenho-me firme de pé. A terceira lombada seguida quase me levou ao chão imundo deste maravilhoso transporte municipal — de merda.

“Eu quero sentar!”

Minhas mãos estão encardidas, e mais partículas de sujeira se reúnem para uma assembleia em meus dedos, não importa onde eu me apoie. Seguro a respiração para que meu nariz coçando não contribua com a imundice. Tampar minhas narinas com o meu braço só traria mais pó em minha cara.

“Eu quero sentar!”

A sinfonia do motor roncando, o balanço do ônibus e dos grandes sofistas de busão que opinam sobre tudo e sabem nada, atrapalharia até os solos de guitarra do Korzus no volume máximo em meu fone de ouvido.

Mas jamais abafaria o choro do pirralho à minha frente.

“Eu quero sentar!”

Tenho ele apoiado na perna esquerda, forçando para que esta parte do meu corpo não pule junto com o ônibus e arremesse o meu sobrinho para longe.

Somos os únicos de pé neste momento. Um dos sofistas ao fundo já berrou sobre a geração mimada que chora por tudo. O restante apenas olhava a janela ou compartilhava memes em seus celulares.

Pergunto-me se aquele sofista levou pancadas na cabeça só por sua mãe não gostar de sua própria cria após inúmeras aventuras na cama. Ou se ficou meses sem família no orfanato para depois ser adotado por pessoas totalmente estranhas a ele.

“Eu quero sentar!”

Cinco anos hoje, mas já sofreu demais no primeiro mês de vida.

“Eu quero sentar!”

“Não vai sentar, Fábio. Hoje não.” Afago sua cabeça da maneira que posso. Pena não poder berrar contra os folgados para ceder o lugar a uma criança.

Sinto algo molhado no meio das pernas, mas são apenas suas lágrimas. Seu choro nunca funcionou comigo, por mais que este fosse verdadeiro.

“Eu quero SENTAR!” O agudo cortou meus ouvidos feito faca, outro sofista ordenou-me calar o garoto. Se dependesse dos outros, cada um de nós teria o nome “Viado” ou “Vagabundo”.

“Não está gostando da brincadeira?” Sorrio para o Fábio, e seus olhos encharcados encaram a minha indagação.

“Isso ne-tem graça.” O garoto fala melhor do que eu quando era criança.

“Mas ainda assim é uma brincadeira, e vamos comer um baita bolo se ganharmos!” Tomara que tenha bolo mesmo.

“Não quero bolo, quero sentar.” Criança é um ser muito complicado em sua simplicidade.

“Nem sempre podemos ter tudo o que queremos, ninguém aqui tem.”

“Fale por você, Vagabundo Viado! É só trabalhar que cê consegue tudo na vida.”

Ignoro.

“Essas pessoas estão cansadas, Fábio. Trabalharam muito para comprar o pão do café da manhã. Muitos vão estudar, outros ainda têm serviços domésticos, e o resto está exausto demais para ouvir o problema dos outros.”

Sem respostas alheias. O bom senso agradece.

Ele vira seu rosto para cada uma das pessoas sentadas. Não recebe o olhar de volta.

Seus braços escapam de minha perna. Agacho de imediato para pegá-lo antes de cair. Se eu encontrar um concurso de quedas de crianças, farei questão de inscrever este meu sobrinho.

A senhora do banco à minha frente oferece o seu assento. Seu cabelo branco, pele esticada e as rugas fizeram-me negar a ajuda.

“Isso naé justo”, resmunga mais uma vez.

“A vida é injusta, rapaz. Nossas vidas são cheias de problemas. Mesmo trabalhando duro, somos incapazes de resolver nossas vidas.”

Ergo meu dedo do meio sobre a nuca dele para não ver a minha resposta a mais um discurso do sofista julgador de vagabundos.

Ainda com o meu joelho dobrado, seguro firme seus ombros e aguardo sua atenção.

“A vida é injusta, e ficará ainda pior se você deixar de sorrir.

“Nunca corresponderemos às expectativas de todos.

“Cometeremos o erro de tornar o semelhante ao lado um inimigo por pensar diferente.

“Falharemos em deixar o coração na palma da pessoa errada.”

O menino me olha confuso. Acho que exagerei.

Era para ser um dia divertido, e eu acabo de jogar na cara dele a dura realidade do que ele terá de enfrentar.

Mas não temos controle sobre o que acontece ao nosso redor. Filhotes fofos de cachorros podem sangrar, sua mãe pode jamais retornar para casa num acidente fatal, ou seu melhor amigo pode se tornar uma peste após a separação dos pais.

Fico triste só de pensar pelo o que ele vai sofrer no futuro por causa de seu tom de pele, e desejo que ele não possua outras caraterísticas capazes de gerar mais ódio contra ele.

Eu quero do fundo do coração a melhor infância para o Fábio, mas sua linda inocência se perderá mais cedo do que nossa família espera.

“Então não é uma bincadera.” Olha para o chão.

“Claro que é!” Chacoalho seus bracinhos para erguer seu rosto. “É uma brincadeira ótima para fortalecer esta armadura que protege nossos corações.”

Uma brincadeira que nos abrigará da tempestade da vida, digo para mim mesmo. Nos deixará firmes em frente a enxurrada de lama que insistem em derrubar qualquer um. Uma brincadeira que nos ensina a viver, c@ralho! 

Amadura? Somos guerreiros?”

“Com certeza! Alguns são para tornarem-se livres, outros querem ser fortes. Só que todos devemos lutar.

“Você não é exceção, Fabinho. Então levante seu rosto, mostre seu melhor sorriso, e aprende a andar diante dos problemas da vida.”

Solto o garotinho e ele se apoia firme no banco.

Levanto para acionar o sinal de parada, e ele corre alegre na saída do ônibus ao parar no ponto.

Os demais passageiros seguirão seu destino. Compartilhamos essa breve viagem, e poderemos estar no mesmo lugar nos próximos dias, sem conhecer um ao outro ou sequer reconhecer que já partilhamos do mesmo transporte municipal de merda.

Os sofistas ainda irão reclamar, as maiores ideias continuarão sendo contestadas por memes, e as correntes de notícias falsas que eles compartilharam ainda vão chegar à minha timeline de poucos contatos.

Mas no fim todos embarcaremos no mesmo destino. Não importa o veículo nem quando. Todos iremos nos reencontrar ao chegarmos na Estação das Almas, e quem sabe lá seja possível perdoarmos uns aos outros.

Enquanto este momento não chega — e espero demorar muito —, eu comemoro por ver novamente o sorriso deste pequeno moleque que ri a cada tropeço seu.

Assim que a porta do apartamento se abre, Fábio salta ao abraço de sua mãe.

Eu não me atrevo a dizer o quanto seus cabelos perderam a cor desde que ela o adotou, principalmente quando ela recebeu em troca uma grande alegria graças ao menino.

“Brincou bastante com o tio?”

“Sim! Tio me ensinou como deixar a minha amadura mais forte!”

“Armadura?” Ela olha para mim. Apenas dou de ombros. “O seu tio está te enchendo com bobagens de video games de novo, é?”

“Isso aí, irmãzinha.” O que mais eu poderia dizer? “Bobagens de video games.”


A música inspirada é a última faixa do álbum Rock Brasil, da banda Motorocker. Com certeza é uma música que garante boas inspirações:

 

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