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O João Valério em Escritores Atuais

Ao ler livros fora da minha área de conforto (ficção fantástica), por vezes encontro descobertas ricas em reflexão. Assim o desafio de encarar algo diferente a mim recompensa com ideias as quais seria difícil de eu ter seguindo nos mesmos gêneros de história de sempre. O livro Caetés trouxe uma surpresa digna de reflexão a nível de compartilhar por aqui, pois o protagonista é alguém aspirante a escritor, submetido a dificuldades frustrantes e dilemas autoimpostos. Reconheceu-se? Pois essa é a proposta desta postagem, falar das semelhanças deste protagonista da obra publicada na década de 1930 e nós, aspirantes a autores do século seguinte.

Escrita X Rotina X “Trabalho de Verdade”

A atividade da escrita é solitária, seja nas teclas do computador ou na pena de João Valério. É preciso organizar a rotina, alocar determinada parte do dia a dedicar na elaboração da história, abrir mão da companhia de amigos e demais compromissos enquanto dedica a esta tarefa. O problema, tanto ao João quanto a nós, é conseguir empregar este tempo exclusivo.

Sobrecarregado - Escritores Atuais

Depois de um dia longo de trabalho: trabalhando na escrita

Ao sonhar em exercer a literatura, também é preciso exercer outra profissão capaz de sustentar nossa vida e pagar as dívidas. Havia menos variedade de despesas na época de João Valério, mas ele próprio guardava as cobranças pendentes de clientes do armazém onde trabalha, assim como ele possuía as próprias. Tem compromisso com a revista gerenciada pelo pároco de Palmeira dos Índios. Troca prosa com amigos próximos, assim descobria dos acontecimentos importantes da cidade no meio das fofocas, sem falar de estar presente em alguns deles; não bastasse o contato próximo na rua ou durante o trabalho, ainda nos relacionamos pela internet, o que facilita muito a interação de pessoas distantes, pena ocupar muito do nosso tempo quando falhamos em controlá-lo.

Falando em internet, temos dificuldades inatingíveis a João Valério. Na época dele só podia publicar histórias por meio de instituição, seja editora ou algum tipo de periódico. Caso alguém da época dele conseguisse os recursos escassos de imprimir a própria obra, ainda atingiria pouco público, repercutindo apenas onde pudesse alcançar fisicamente com os seus livros. O século XXI nos brindou com as publicações independentes, podemos alcançar leitores em lugares onde jamais pisamos ou pisaremos, sequer precisamos conhecer! Basta o lugar ter acesso a internet, e o leitor de lá consegue acessar nosso livro digital ou mesmo a versão impressa à venda em sites.

Comprando livros - escritores atuais

Uma leitora comprando meu livro – uhul!!!

A publicação de livros está mais democrática comparada ao tempo de João Valério, quando poucos poderiam publicar. Hoje somos muitos, de milhares a milhões! Com níveis de qualidades variados, todos nós temos o direito de arriscar, e nesta quantidade vem a dificuldade dos leitores encontrarem nossos livros entre tantos outros. Alguns de nós optamos atrair público por meio de outras atividades, seja com perfil de rede social engajado, produção de conteúdo via podcast, canal de vídeo, ou mesmo blog… E acumulamos tarefas ao manter esses canais, mais tempo reservado além da escrita, ou até dividi-lo entre escrever e produzir conteúdo.

São problemas exclusivos nossos, e isso pouco significam serem piores que na época de João Valério. Afinal no tempo dele tudo ocorria mais devagar, ou em outras palavras, a nossa rotina é acelerada. Mesmo dispondo de veículos mais rápidos que carros de boi, interação pessoal sem precisar deslocar até o sujeito, e jamais pisar na biblioteca ao estudar. Cada vantagem tem consequência: local de trabalho costuma ser mais distante, acabamos extrapolando o tempo online e demoramos mais em filtrar boas fontes bibliográficas antes de estudá-las ou deixamos de conferir e assumimos o risco de prejudicar o estudo. Nossas rotinas são diferentes a de João, ainda assim fazem parte do nosso tempo, o qual é preciso administrar.

Pouco adianta culpar os compromissos quando fracassamos em escrever, por falharmos em reservar o tempo de escrita. A literatura não vai nos livrar dos compromissos com o emprego e devemos persistir nessas dificuldades, algumas maiores para uns quanto a outros. As oportunidades estão mais democráticas, só falha ainda em ser democraticamente ideal.

O desânimo

Eu preciso citar #spoilers de Caetés neste tópico, então leia o seguinte caso queira evitá-los ― só lembre de voltar aqui depois de ler o livro. No início de Caetés, João Valério possui apenas dois capítulos do livro feito, e no fim ficou igual o começo com uma diferença: ele desistiu da literatura. Já estava há cinco anos com este trabalho engavetado quando tenta prosseguir ao longo do romance, e é interessante observar de ele só continuar a escrita quando algo o desanima na vida pessoal. Ele usa a produção da literatura no intuito de obter prestígio, possuir qualidade distinta das pessoas próximas a ele, esconde a inveja do sucesso alheio por se reafirmar de estar no caminho certo ao escrever o romance. Já no final do livro, quando ele consegue subir na posição de sócio do armazém, perde o interesse pela literatura.

Burguês safado - escritores atuais

Parou de escrever porque virou burguês, safado!?

Podemos criticar a postura de João quanto a literatura, mas estaríamos fadados a sofrer a mesma consequência? Como já dito, literatura ainda rende pouco dinheiro aos brasileiros, mesmo assim alguns de nós buscam prestígio a partir da escrita, de ser reconhecido entre os leitores, apesar das outras profissões terem melhor remuneração. Há quem nem considere profissão pelo fraco retorno financeiro, igual as outras atividades artísticas.

Prosseguir no desejo de produzir literatura requer resiliência, esta recompensada por valores os quais devemos estar dispostos a receber, digo valor no sentido de reconhecimento. Então é comum haver desistências, já testemunhei amigos que perderam as esperanças de produzir histórias. Uma situação triste, real e obrigatória a conformar.

Pesquisa

Por último tem a situação mais hilária mostrada por João Valério, e mesmo assim importante e recorrente entre escritores atuais. Antes de comentar, segue a transcrição do trecho disponível na contracapa:

“[…] Também aventurar-me a fabricar um romance histórico sem conhecer história! Os meus caetés realmente não tem verossimilhança, porque deles apenas sei que existiram, andavam nus e comiam gente.”

Sim, João Valério é desleixado. Já bastou escrever apenas quando queria alimentar o ego, ainda faz pouco esforço em tornar a prosa verossímil! Às vezes tenta compreender mais da civilização tratada no romance, elabora perguntas absurdas aos conhecidos, pois evita de contar a eles sobre a tentativa de escrever romance; ao falhar em obter resposta, fica por isso mesmo.

Hoje podemos entrar em contato com conhecedores do assunto pendente em nossas histórias, sem falar do Dr. Google e inúmeros artigos online acessíveis. E mesmo assim há escritores desleixados quanto a pesquisa, ou mesmo de boa intenção acaba falhando na contextualização. Pode acontecer do escritor receber tal informação de algum site de credibilidade duvidosa e acreditá-la sem a devida averiguação, ou também por tomar inspiração em outra obra que tenha adaptado algo no mundo criado pelo autor com a devida licença poética, e acaba repetindo esta adaptação como verossímil. Tal problema surge em maior frequência quando retratam períodos ou regiões diferentes a do autor, embora ainda aconteça ao representar determinado tipo de trabalho. Por exemplo: personificar alguém da minha área ― informática ― sendo um hacker capaz de invadir o sistema de segurança militar… composto do algoritmo real que calcula fórmulas de astronomia. A série Arrow cometeu essa gafe, mesmo sendo produção de grande orçamento:

"Criptografia avançada" em Arrow

Flagra feito pelo blog Vida de Programador (link do post original na imagem)

Enfim, erros acontecem. Mesmo com os recursos atuais é difícil acertar na verossimilhança através de pesquisa, sob o risco de provocar a ira do leitor ambientado no contexto mal adaptado em seu romance. O melhor a fazer é esforçar a cometer menos erros. Procure ler obras de autores sob o contexto disposto a representar, igual optei a ler livros de Graciliano Ramos para aprender mais sobre os alagoanos numa época próxima a qual retrato na minha nova tentativa de romance ― e ainda tive a coincidência de ler este livro dele que inspirou toda esta postagem! ― E até isso pode ser difícil dependendo de qual região queira abordar, tendo o azar de encontrar pouca ou nenhuma obra de autor local; ou mesmo existindo, é inviável adquirir ou falha em repercutir no resto do país, mesmo através da internet. Ainda pode ir além da literatura e consumir o que tiver disponível sobre aquele povo. Seja música, notícia, vlog. Ou encontre alguém disposto a conversar sobre a cultura local. Caso tenha condições financeiras, lembre de contratar a análise crítica do profissional mais próximo de conviver ou entender do contexto de sua história.

Neste tópico eu posso afirmar sim a facilidade de trabalhar em relação à realidade de João Valério. No entanto aumenta também a exigência dos leitores quanto a representatividade, pois incluir diversidade apenas para “cumprir cota” deixou de ser suficiente. O autor tem o direito de ignorar tamanha exigência, pois considera uma “problematização desnecessária” ― vulgo mimimi ― e assim ele deixa de atrair grande parcela do seu público, o qual tem a possibilidade de crescer nos próximos anos e passará a te ignorar por isso.


Gostou das reflexões? Caetés traz questões contemporâneas mesmo em tempos posteriores da primeira publicação ao possibilitar esta discussão sobre os costumes de autor fictício semelhantes aos escritores atuais e reais. Também demonstra como ler obras diferentes da área de conforto exercita novas ideias.

Post do blog Vida de Programador que reconheceu a gafe em Arrow

Código-fonte de onde o seriado retirou o “sistema de segurança militar”

Esse Ano de 2019… (Retrospectiva pessoal e literária)

Esse ano de 2019 foi um período dividido em doze meses igual a todos os outros. A diferença a mim foi a divisão também em vários acontecimentos, altos e baixos oscilados com tamanha agressividade, feito montanha-russa. Toda surpresa agradável sucumbiu à tragédia vinda em seguida. Apesar de soar negativo, nenhuma tragédia impediu de eu sorrir no dia seguinte, e por isso atravessei a virada do ano feliz, lembrando dos acontecimentos positivos e com a certeza de que esses fizeram toda dificuldade valer a pena. E esta postagem tem o objetivo de listar esses altos e baixos em relação aos assuntos focados neste blog, o da escrita e literatura.

Começo pelas resenhas. Bati o recorde de leituras pelo terceiro ano consecutivo graças ao incentivo autoimposto ao manter o compromisso com este blog e persistir na ideia da leitura ser o combustível da escrita. Ainda tive a surpresa de fazer parte do blog Ficções Humanas, assim fui cobrado com ainda mais leituras, e aceitei todas de bom grado, descobri ótimas histórias e aprendi com os defeitos dos livros analisado por lá ― inclusive de títulos vencedores de prêmios, pois nenhuma obra é perfeita. Continuarei mantendo o trabalho nos dois sites, então ainda terá muitas resenhas a conferir!

Bati o recorde de leituras esse ano, porém tenho dúvida de superá-lo em 2020. Li oitenta histórias, sejam quadrinhos, novelas, romances curtos ou calhamaços de seiscentas a novecentas páginas . Infelizmente atingi o limite, teve vezes que eu lia por obrigação, quando antes só via prazer neste esforço todo. Comecei o ano lendo como nunca, acomodei novos horários de leitura e aproveitei brechas de tempo livre a abrir o livro ou ligar o Kindle. No começo fiquei contente, com a certeza de alcançar cem leituras ao fim de dezembro, depois desleixei com livros de qualidades desanimadoras e também porque me sobrecarreguei. Leio devagar, e jamais esforçarei a ler mais rápido no intuito de atingir metas, pois prejudica meu entendimento e por consequência afeta a qualidade da resenha ― já cometi erros (qualquer humano está sujeito) só de ler no ritmo normal, imagina se acelerasse… ―; e deixarei de impor mais horas de leituras quando estiver indisposto. Alguém pode contestar de, por eu fazer da leitura um trabalho ― embora nada remunerado ―, é meu dever esforçar mais. Creio ter a obrigação de entregar o melhor conteúdo que eu puder, e forçar à exaustão prejudica esta qualidade.

Na mesma questão de sobrecarregar, eu quebrei o compromisso de entregar textos no blog toda segunda-feira. Seja crônica, miniconto, as matérias do XP de Escrita ou as de pesquisa sobre assuntos diversos; ao menos uma dessas categorias era lançada toda semana, então tinha boa quantidade de posts ao longo do ano. Porém a quantidade não acompanhou a qualidade, publiquei alguns textos mesmo consciente de poderem ser melhores, só cumpria a meta de postagem. Libertei-me disso, ainda posto conteúdo na segunda-feira, quando este for bom, assim consigo dedicar até por mais de uma semana no mesmo texto e entregá-lo na melhor forma vigente.

Foquei em melhorar a qualidade, e isso ajudou em nada no outro fator: a visibilidade. Pouco importa o esforço dedicado nos textos, muitos passam despercebidos. Até os assuntos capazes de atrair atenção por serem de fato polêmicos, atraem sequer um bot no site. Tenho culpa nisso, só falta entender qual parte erro: a qualidade dos textos talvez ainda precisa melhorar, falho em alcançar o público-alvo, o formato do conteúdo é incompatível ou desagradável… Também tem as redes sociais, o meio por onde atrairia o público neste meio de publicação online, onde entrei há pouco tempo e perco o interesse cada vez mais. Só quem provoca mais tumulto é lido, os donos das redes prometem mudar os algoritmos para filtrar este tipo de comportamento, mas na prática limita os canais menores de materiais interessantes. E os produtores irrelevantes têm a proeza de driblar esses algoritmos e continuar transmitindo besteiras, ou os novos algoritmos dão destaque a novos baderneiros virtuais. Pelo menos alguns bons canais sobrevivem nessas regras das plataformas, o que pode alertar a minha falta de eficiência em trabalhar nas mídias sociais.

Deixei por último o motivo de maior alegria em 2019: o de ser selecionado em publicação de antologia! Venci dois concursos de contos, um da segunda edição da revista A Taverna e outro na segunda edição da antologia Creepypastas da editora Lendari, a lançar no começo de 2020. São duas conquistas obtidas a partir do reconhecimento da qualidade dos meus contos, pois nenhum dos dois concursos foram feitos com pagamento dos autores selecionados, e assim só entrou na antologia quem de fato demonstrou qualidade aos olhos dos respectivos editores, de gente capacitada no meio. Ainda vou publicar um romance pela primeira vez, talvez em 2020, embora acontecerá no momento certo. Prefiro ser na forma de publicação tradicional, obtida a partir do romance reconhecido por profissional experiente e confiável. Pena este tipo de profissionalismo seja escasso no Brasil e incapaz de atender muitos escritores competentes, então na falta desta oportunidade, arrisco a publicação independente. O importante é: consegui reconhecimento por meio de dois contos, então estou no caminho certo!

Espero que a minha retrospectiva pessoal da escrita tenha ajudado a refletir sobre as possibilidades de erros e acertos os quais qualquer escritor e/ou blogueiro está sujeito a experimentar. Evito fazer promessas de ano novo, nem acredito dos acontecimentos serem melhores apenas por este novo período de doze meses o qual todos vamos passar, por isso desejo um bom dia a você, leitor que chegou até aqui, e que tenha muitos dias bons neste futuro a vir!

A Utilidade das Críticas Negativas

O objetivo das resenhas é de me motivar a compreender mais sobre os livros lidos. Entender porque eu gosto de determinadas passagens, as razões de eu achar determinada leitura maçante, aprender lições com os acertos e erros dos demais escritores e assim usar o conhecimento adquirido na minha escrita.

Ao longo das resenhas eu também fiquei mais exigente, relatando problemas encontrados até nos livros que gostei — a ponto de eu dar três estrelas na avaliação do Skoob e Amazon —, apesar de ter o cuidado de evitar esta crítica comprometer quando as qualidades do livro compensam o deslize. Então por que eu insisto em apontar essas pequenas falhas? Ou também: qual o sentido de dedicar tempo com leitura desagradável e ainda fazer questão de escrever as críticas negativas a ela? Respondo essas duas perguntas neste post, porém já adianto o motivo: incentivar a melhora da escrita.

Apenas elogios só atrapalham

Conheço canais de resenhas literárias dedicados a esbanjar elogios nos livros lidos. De qualidades diferentes, todos recebem a nota máxima e são idolatrados pela capacidade extraordinária do ficcionista. Respeito o espaço deles, possuem o direito de elogiar quem eles quiserem, e até ajuda a atrair leitores preconceituosos com livros brasileiros a conferirem esses trabalhos tão bem avaliados, por certo tempo. O problema desta abordagem acontece quando o leitor percebe que determinado canal só sabe falar bem e se decepciona com algum dos livros indicados, a reputação daquele trabalho entra em cheque junto com o de todo livro resenhado por ele depois da desilusão, prejudicando mesmo os bons autores.

Só tenho duas ressalvas: já encontrei resenhas positivas sobre livros que detestei, e nesses casos só houveram divergências entre a minha impressão e a do outro resenhista, algo comum de acontecer na análise de trabalho artístico; também há canais que deixam de postar quando a leitura for ruim, pois preferem apontar as falhas ao escritor em privado e poupá-lo de denegrir sua imagem evitando de publicar a crítica. Também discordo deste último caso, sou defensor de manter a transparência em muitos sentidos, entre eles o de demonstrar a verdadeira qualidade dos livros escritos pelos brasileiros. Ter a ciência de estar sujeito a apontamentos públicos quanto a qualidade da escrita exerce aquela “pressão saudável”, aumenta a disposição de melhorar o texto com intenção de garantir a melhor impressão dos leitores.

Ao discordar das atitudes desses colegas resenhistas, estou longe de afirmar ser contra eles. A opinião divergente faz eu agir de modo distinto, e como ainda vivemos num ambiente democrático, é possível coexistir essas diferenças de trabalho, atraindo perfis de público correspondentes à proposta do canal.

Críticas negativas feitas só por criticar também atrapalham

No outro extremo temos gente disposta a apenas falar mal. Não trabalham com resenhas, apenas são espontâneos quando detestam determinado livro e ignoram qualquer qualidade ainda disponível, insistem tanto a ponto de acusar quem gosta ter péssimo gosto. E a pessoa consegue se favorecer com este tipo de atitude? Infelizmente sim! Tal comportamento atrai a atenção de várias pessoas, podendo gerar discussão desnecessária, o que ainda assim corresponde ao bom engajamento nas redes sociais, por isso promove quem fala mal. Quando ganha atenção, esta pessoa transborda postagens e memes apenas com intuito de tirar sarro, gerar mais engajamento; é uma estratégia desonesta e fácil de executar, basta focar na quantidade e ignorar a qualidade da critica elaborada, depois é só promover o seu próprio material, pois conseguiu formar público.

Mesmo quando detesto alguma leitura, faço questão de procurar pelas qualidades do livro e mostrar os pontos fortes e fracos. Quando o livro é de brasileiro independente ou editora pequena, tem maior probabilidade do próprio autor conferir minha resenha, por isso aponto as falhas sem comprometê-lo, ou seja, as críticas negativas estão lá, só que dispostas como conselhos a melhorar, bem ao contrário de desprezar determinado trabalho só por eu encontrar falhas.

Avaliar os pontos fracos faz parte do resenhista. Reforço o dito no começo deste artigo, faço resenhas para aprender mais da escrita a partir do esforço alheio, e aprendo muito quando identifico erro nos grandes escritores, conforme até James Wood disse. A perfeição é um estado inalcançável, então todo livro está sujeito a ter pontos a melhorar. Caso o resenhista não encontre tais pontos, é porque este falha na análise, por outro lado o autor foi bom o bastante em superar a visão crítica do leitor, e levando em consideração ser mais fácil criticar do que escrever livros, esse autor possui um mérito e tanto. Confesso já cometer essa falha, nem é tão difícil encontrar resenhas minhas onde só existem elogios, basta ver os livros eleitos na lista dos melhores XPs Literários — minha meta é isso acontecer cada vez menos.

Quando a resenha é honesta, o leitor compreende as críticas negativas apontadas e as pondera com as qualidades citadas nesta e nas outras análises. Quando conhece o crítico, os livros elogiados por ele terão maior credibilidade ao leitor, pois foi mérito do autor dedicar tanto a ponto de superar os demais trabalhos analisados por aquele canal. Defendo esta abordagem sendo a mais justa aos leitores e escritores, além do cuidado de respeitar o esforço mesmo daqueles carentes de aprimorar a escrita, com intenção que de fato melhore!

LoveStar (Sci-Fi de Andri Snar Magnason)

Já discuti sobre o livro com foco em analisar a tecnologia vigente e discutir as prováveis consequências da humanidade com a evolução tecnológica. A história a seguir faz o mesmo a partir das próprias especulações, elabora discussões a partir de acontecimentos chocantes advindos do novo meio de produzir tecnologia, a possibilidade de criar novas funcionalidades alteram o modo de viver da população, atiça os obsessivos a ignorar os problemas decorrentes das novidades e proporciona o absurdo na realidade. Inacreditável mesmo é ler toda esta alucinação do autor transcrita em palavras, e mesmo assim traçar paralelos com a nossa realidade.

LoveStar extrapola a ficção científica a fim de fazer críticas ácidas sobre o desenvolvimento tecnológico e o comportamento da humanidade causado pela existência dessas funcionalidades imaginadas. Publicado em 2002 por Andri Snar Magnason com edição da Morro Branco em 2018 e traduzido por Fábio Fernandes, o livro traz duas histórias paralelas e apresenta nelas as nuances do ponto principal da obra.

“Em seus olhos brilhava a própria felicidade, reluzentes como a palavra LOVESTAR”

Tudo começa a partir de comportamentos estranhos de certos animais, como os pássaros que sempre iriam ao sul na véspera do inverno no hemisfério norte, e de repente elas seguem ainda mais ao norte. As pesquisas apontam a alguma interferência nas frequências emitidas e recebidas pelos animais como a causa, e isso leva a pessoas comuns atribuírem qualquer problema posterior como decorrente desta anomalia. Tais suposições absurdas levam a crer apenas a elementos sobrenaturais, aspectos ignorados pela ciência pelo simples motivos de serem inconcebíveis… Até o momento de determinados cientistas averiguarem essas especulações e comprovarem do sobrenatural na verdade ser real, é possível utilizar a frequência dos pássaros e revolucionar os meios de comunicação. A nova descoberta substitui todos os fios e cabos e possibilita a invenção de novas tecnologias com incríveis funcionalidades e absurdas transformações na vida de todas as pessoas.

O homem por trás de toda essa evolução assume o nome de LoveStar, cuja empresa é homônima e a mais potente do mundo graças às invenções bem como das estratégias de marketing da filial iStar. As invenções possibilitaram novas formas de trabalho, transformou a forma de lidar com a morte e possibilitou o cálculo certeiro do amor. Depois de tanto fazer pelo mundo, LoveStar faz a última viagem com uma semente em mãos, ciente de possuir menos de quatro horas de vida, tempo usado a refletir os acontecimentos importantes de sua vida.

Capítulos de LoveStar alternam com os da história de Indridi, um homem com a vida transtornada por conta das tecnologias produzidas pela empresa LoveStar. Vive a rotina apaixonada e louca com a namorada Sigrid até o momento de descobrirem que o cálculo do amor definiu Sigrid como a cara metade de outra pessoa. O cálculo infalível contradiz cada momento feliz do casal ainda crente de eles serem feitos um para o outro, porém a empresa encarregada pelo cálculo do amor — a LoveIN — insiste na Sigrid conhecer o verdadeiro amor da vida dela em prol do objetivo maior, o de estabelecer a paz na Terra através do amor.

“Pelo amor de Deus, comporte-se cientificamente!”

Os personagens e o enredo do livro são elementos secundários, responsáveis por sustentar o objetivo da história: o de mostrar as consequências na rotina e vida da humanidade a partir das invenções tecnológicas. O meio de desenvolvimento criado dessas tecnologias pouco tem a ver com a realidade, funcionam dentro das regras lógicas elaboradas pelo autor, essas quebradas na intenção de demonstrar um novo argumento da crítica ao progresso tecnológico. Toda especulação remete a reflexões propostas ao leitor, pois nos meios dos absurdos há a crítica quanto como grupos de pessoas desinformadas podem ser manipuladas, da obsessão de progredir na carreira comprometer a vida de gente próxima como a família, em como a apresentação de algo revolucionário pode mascarar o quanto este algo é na verdade perigoso.

Mesmo a intenção do enredo ter o foco menor, este perde a linha no meio do livro. Capítulos levam os personagens a nenhum ponto relevante, apenas oferece mais oportunidades de mostrar novas tecnologias criadas na mente criativa do autor, mas repete as críticas já ditas e assimiladas capítulos atrás. Pelo menos o enredo alinha à proposta original do livro ao final, oferece climas tensos acompanhadas ao ápice da criatividade maluca do autor nas extrapolações tecnológicas. O desfecho é bizarro de tão espetacular.

LoveStar consegue prender a atenção ao leitor às críticas sinceras por meio dos argumentos extraordinários a partir do mundo maluco criado ao longo dos capítulos. Exagera nas extrapolações e deixa o enredo de lado em prol da escrita  agradavelmente perturbadora.

“Não pensamos pelas pessoas. Só fazemos o que elas querem.”

LoveStar - capaAutor: Andri Snar Magnason
Ano de Publicação Original: 2002
Edição: 2018
Editora: Morro Branco
Tradutor: Fábio Fernandes
Quantidade de Páginas: 336

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Já Leu Um Artigo Acadêmico Hoje?

Já leu um artigo acadêmico hoje? Caso ache esta pergunta estranha por ser escritor e não cientista, é preciso me acompanhar neste post, pois falta compreensão da importância de tais textos, e estendo essa importância a qualquer cidadão ao conferir um artigo ou outro de vez em quando, de preferência sempre. O motivo é simples, e eu já expliquei ano passado como sendo o grande problema de 2018. Com tanta informação disponível, a sociedade falham em obter mais conhecimento e ficam sujeitas a notícias falsas, a mercê de narrativas medíocres no sentido literário e na comunicação em geral. Este Aprendizado faz abordagem genérica, útil tanto a escritores como pessoas interessadas em aprender, ou pelo menos deveriam.

Meu relacionamento com os artigos

Começarei a falar da importância dos textos acadêmicos a partir da minha experiência, demonstrando como eu também dava pouca importava a princípio. Deixo a modéstia de lado e digo que já fiz quatro monografias — concluí a última aos vinte e três anos —, quantidade pequena numa carreira acadêmica, mas maior de muitos que estudaram até o ensino superior como eu. Na minha bolha de estudantes, monografia significava apenas o passo final a concluir o curso. Procurar referências bibliográficas e catalogá-las no fim do Trabalho de Conclusão de Curso traumatiza o aluno ansioso por concluir aquele trabalho, defendê-lo e comemorar a vinda do certificado. Em outras palavras, os artigos eram apenas obstáculos quando já estávamos exaustos de estudar.

Obstáculo - artigo

Eu levando meu TCC para a banca avaliadora

Também foi assim comigo. Pesquisava pelos artigos, selecionava trechos relacionados ao tópico que eu precisava, o resumia, colocava na monografia e registrava a devida referência; e nesse meio tempo também checava as normas da ABNT, cheia de detalhes. Minha metodologia foi sistemática, voltada ao objetivo sem aproveitar as oportunidades proporcionadas por aqueles tantos textos lidos.

Só comecei a ver importância nos artigos científicos fora da acadêmia, numa plataforma incomum a buscar este tipo de conteúdo: o YouTube. Larguei canais de games e os vlogs ao descobrir influenciadores com argumentos embasados em pesquisa prévia. Comecei pelo Nerdologia e Pirula, depois conheci Ponto em Comum, Peixe Babel, Primata Falante, Canal do Slow, Blablalogia, Ciência Todo Dia… A maioria faz vídeos em formatos de vlogs, ligam a câmera e falam do assunto indicado no título do vídeo, elenca argumentos e faz a discussão do que é verídico ou pelo menos atestados pelos artigos, esses disponíveis na descrição do vídeo, bem como notícias e outras mídias embasadas.

A importância do artigo

O ideal seria ver cada artigo desses vídeos e entender mais do assunto, confesso minha culpa por fazê-lo apenas ao assistir o vídeo na segunda vez, com intenção de destrinchar o assunto e colher as referências para fazer minhas pesquisas, essas disponíveis neste blog na categoria Aprendizado. E por que é importante conferir as fontes desses vídeos? Porque a maioria são de artigos acadêmicos, cuja autoria vêm de pessoas formadas ou em formação na área de conhecimento relacionada. A dedicação deste trabalho deve ser comprovada pela bancada avaliadora com profissionais de nível acadêmicos superior, e só então torna público; toda a burocracia desta publicação garante o texto vir com a menor probabilidade de equívocos, e se eles existirem, terão outros artigos que contestarão aquele trabalho, como aconteceu na influência de jogos violentos nos atos reais, onde argumentam contra esta relação. Depois de saber a importância das referências, ainda confiará naquelas matérias sensacionalistas em que dizem “os estudos apontam” e no fim nunca explicam quais estudos são esses?

Outra crítica nada fundamentada aos ignorantes da importância das referência é sobre a Wikipédia. Tiram sarro só de ouvir alguma informação tirada de lá como tivesse nenhuma credibilidade, logo esta plataforma que disponibiliza toda referência usada! O site é excelente ponto de partida a pesquisa de fontes, e quando há falta delas, a própria página comunica ao visitante quando determinado artigo pode conter informações erradas.

Wikipedia - artigo

Wikipédia: leia as fontes!

Como aproveitar os artigos

Evitarei me estender em como buscar os artigos acadêmicos. Eu já dei a dica de começar na Wikipédia ou pelo vídeo dos canais citados. Outro ponto de partida é conferir portais de instituições renomadas pela comunidade científica, como a NASA e a revista Science. E eu preciso dizer sobre o Google? Existe a ferramenta Google Acadêmico, onde todos os resultados da pesquisa são artigos acadêmicos.

Então você acessa um daqueles textos lindos feitos por profissionais, e se espanta pelas 60, 80, 240 páginas de puro estudo! Precisa ler tudo isso? Não! Começa lendo o resumo e a introdução, caso trate do assunto desejado, pode pular direto ao tópico que responde as indagações, como a discussão e a própria conclusão. Conforme a necessidade, leia os outros tópicos e aproveite apenas as informações úteis. Caso o estudo for diferente da sua área de conhecimento, pouco adianta acompanhar cada passo da pesquisa, deixe esta parte a outros acadêmicos capazes de contestar e até provar algum engano naquele trabalho; caso provem, você não terá culpa, só recomendo acompanhar as novidades na acadêmia e encontrar o equívoco o quanto antes.

Estudar - artigo

Hum, já entendi que a terra não é plana na página 30

Além da injustiça quanto a relevância desses artigos, existem outros obstáculos ao acessar os artigos acadêmicos. Um deles é o custo, só pode consultar certos artigos ao pagar por ele, chega a desanimar a pesquisa só de olhar o preço. Alguns desses artigos ainda são acessíveis em sites piratas, feito por ativistas que discordam da distribuição desse material somente a quem tem condições de pagar. Todo profissional relacionado à publicação merece ter a remuneração garantida pelo trabalho feito, e concordo com os ativistas sobre a fonte pagadora deixar de ser os leitores, existe a possibilidade de tornar os trabalhos viáveis através de financiamento público ou privado nas pesquisas, então torne o acesso aos estudantes e curiosos o mais fácil possível! É um investimento à sociedade que ficará cada vez mais crítica e menos manipulável por narrativas fajutas.

Outro problema é o idioma. O inglês é a língua universal dos trabalhos científicos, é bom por tornar a discussão entre as pesquisas internacionais mais acessível por focar em um idioma, mas restringe a leitura de quem o desconhece. Quanto a isso eu recomendo o esforço de entender o inglês, pelo menos o necessário a interpretar as informações; eu não sou fluente, minha escrita é regular, tenho dificuldade em ouvir em inglês e sou pior ainda na hora de falar, e ainda assim leio os textos e consigo apreender as informações disponíveis. Mesmo enquanto souber apenas o português, ainda poderá consultar a partir de quem leu, como os artigos de Aprendizado deste blog, os canais do YouTube e outros sites comprometido em acompanhar pesquisas.

Conferir as novidades científicas deveriam ser exercício de cidadania. Valorizando a informação acima do locutor oferece a oportunidade de conhecer mais, reavaliar os próprios equívocos e criticar quando o outro tenta menosprezar a informação verídica. Escritores podem usá-lo como ferramenta até nos elementos fantásticos, uma fonte para especular sobre o conhecimento de hoje e refletir na construção original da ficção. Agora encerro o post com a pergunta: você lerá um artigo acadêmico hoje?

Referências

Vídeo do Canal do Slow sobre como fazer uma boa pesquisa

Vídeo do Nerdologia sobre a Wikipédia

Nostalgia — dos Equívocos ao Benefícios

Nostalgia: eu demorei a entender o significado desta palavra, achava-a esquisita mesmo depois de compreendê-la e meu subconsciente ansiava por conhecer mais. Termo singular como este deve ser visto de forma distinta, procurar e descobrir o motivo de suas qualidades, de abusarem deste sentimento no marketing ou de produções remetentes ao passado, como a adaptação dos heróis de gibi no cinema, o reboot dos filmes infantis clássicos do século que terminou há menos de vinte anos ou qualquer narrativa sobre lembranças dos tempos mais simples. Nostalgia é um sentimento, bem como uma ferramenta ardilosa. Teve a origem conturbada por equívocos, então vê apenas benefícios com ela — além de convencer pessoas a ver novas adaptações do velho. Enfim eu atendi meu desejo inconsciente e estudei esse fenômeno, cujo aprendizado resumo a seguir.

No princípio, Nostalgia era o Caos

O termo nostalgia foi criado para definir algo ruim, um sintoma patológico de inadequação ao presente, pois o indivíduo suspirava pelos bons tempos do passado. A origem corresponde aos mercenários suíços do século XVII, eles enfrentavam conflitos cada vez mais distantes dos lares e por isso ansiavam pelo retorno, sentiam saudade de casa e com isso rememorava os bons tempos de lá; consideravam esse comportamento ruim por acharem a ostentação do passado o sinal de estar descontente com o presente, e portanto desmotivados a cumprir suas tarefas.

Lar - nostalgia

Nada melhor — e humilde — do que o lar

Nostalgia vem das palavras gregas nostos (retorno) e algos (dor), ou seja, o sofrimento pelo desejo de retorno. A inspiração original também veio de uma história grega, sobre as aventuras de Odysseus. Por mais longe ele alcançasse as conquistas, ele sempre ansiava por voltar ao lar e aos braços da amada Penélope; algo romântico traduzido como trágico na situação dos mercenários suíços.

A perspectiva só começa a mudar ao longo do século XX, com propostas da nostalgia trazer consigo outros sentimentos prazerosos. Houve muita discussão quanto a isso, estudiosos elencaram sentimentos ruins e positivos atrelados ao sentir nostalgia, e notaram a maior incidência dos positivos. Desde então observa benefícios através da nostalgia, assim como eu percebi nos materiais consultados — lembre de ver as referência no final!

Nostalgia como elixir

O sentimento traz uma cadeia de benefícios: elevar a autoestima como se a recuperasse do passado, melhorar o otimismo quanto ao futuro e viver bem em sociedade; todo benefício é interligado a outro! Pessoas do mesmo grupo podem corresponder à boa lembrança, seja a mesma ou semelhante, como a brincadeira de tazos de quem teve infância nos anos 1990, reouvir a música de sucesso de determinada época ou lembrar de alguma situação em comum; até mesmo os feriados festivos alimentam a nostalgia ao reunir pessoas distantes depois de tanto tempo sem ver. Em outras palavras, nostalgia serve de gatilho a boas relações sociais, sejam de pessoas próximas ou aquelas com gostos parecidos. E esta boa convivência estimula os outros benefícios citados, pessoas sentirão melhor com a autoestima dos bons tempos e ficarão mais empolgados com os planos do futuro.

Infância - nostalgia

A nostalgia une quem teve infância semelhante

Quem vive rotinas mais solitárias também consegue esse benefício, pois a nostalgia é capaz de ampliar a intensidade do pouco convívio social desta pessoa. Apenas fica mais complicado quando há pessoas com dificuldade em reaver o passado, nesse caso elas têm problemas ao imaginar novas experiências, pois perdem a visão otimista atribuída com a nostalgia. Por outro lado,  mesmo ao ter o passado conturbado consegue bom proveito, pois pode projetar planos futuros de modo a evitar situações semelhantes do passado ruim.

E por que as narrativas nostálgicas causam impacto ímpar contra as boas histórias sem esse apelo? Simples, os elementos do primeiro entregam algo abstrato, e ainda assim correspondente a autenticidade de quem reconhece o aspecto memorável. É útil inclusive quando há transtornos pessoais quanto ao significado da vida ao recordar das crenças fundamentais e particulares da pessoa, reavidas por meio dos bons sentimentos do passado.

Alegações sob a ótica do copo meio vazio atestam apenas de a reapresentação de obras nostálgicas ser campanha com garantia de ganhar dinheiro fácil pela geração que viu o original. Já os argumentos trazidos neste artigo trazem, na maioria, visões otimistas — até fico impressionado pelo tanto de benefícios! — que merecem mais visibilidade. Eu, como muitos, pensa na rotina vivida por nós hoje como complicada, para não dizer sofrível ou adjetivos piores. Descobrir mais sobre a nostalgia estimula minha esperança e incentiva a aprender mais, pela possibilidade de conhecer outras coisas legais através dessas pesquisas.

Referências

Back to the Future: Nostalgia Increases Optimism

Nostalgia: Past, Present and Future

Why Nostalgia Makes Us Happy… And Healthy

A História do Pescador (Conto sobre mudanças e vida)

Faço companhia às margens do rio. Três horas de caminhada iniciadas ao final da madrugada, tenho que chegar ao trabalho no começo da manhã, sem horário de voltar, tampouco hora extra. Ando até minha carreira, pretendo alcançar os sonhos, procriar e oferecer vida melhor aos meus filhos, assim como papai fez enquanto esteve vivo. Filhos… Nem namorada tenho, sequer sobra tempo de arranjar uma, dormir antes da meia-noite é questão de sorte, e as horas a mais de trabalho, bem, esquece.

Passo por um senhor sentado rente ao rio, boné de pano puído e vara de bambu na mão. Linha na água parada, barrosa. Meus avôs diziam daquele rio já ter sido limpo, no tempo dos bisavôs deles. A situação faz o pobre senhor pescar aqui, em água sem vida. Tenho as moedas da coxinha do horário de almoço, ele precisa mais delas. Pego todo o dinheiro e levo a ele, de sorriso aberto antes de eu chegar, balança a cabeça de um lado a outro quando deixo sobre a sacola.

— Agradeço a caridade, garoto, mas tome o dinheiro de volta.

— Fique com o senhor. Estou a caminho do trabalho, onde arranjo mais dinheiro.

— Você é pago apenas no fim do mês, e este mal começou. Passará fome sem a coxinha do almoço.

— Como o senhor sabe que iria comprar coxinha?

— Só consegue comprar coxinha com este valor. Ainda consegue. Além do mais, você precisa movimentar a economia, garoto. Eu contribuo nada nessa idade.

Ele apanha as moedas e segura na minha frente, chacoalha e aponta o olhar nas minhas mãos fechadas. Eu fecho os olhos e estendo a palma, as peças redondas de metal batem entre si e caem de volta a mim.

— Como a pesca está indo?

— Indo a lugar algum. — O senhor ri. — Tudo parado, a linha só move com o vento. Tenho a impressão de chegar aqui cedo demais.

— Com todo o respeito, se chegasse tarde demais teria o mesmo resultado. Nenhum peixe vive aqui desde antes de eu nascer.

— Ah, eu já fisguei algo muito bom.

Minhas sobrancelhas crescem, formo mais rugas que o velho pescador possui. Tenho meu horário a cumprir, e terei de acelerar o passo por perder tempo com ele.

— Não preocupe tanto com o horário — ele lê meus pensamentos? —, ainda mais hoje. Você estará demitido.

— Como? Por que eu estaria?

— Você terá mudanças na vida. Essas que você tanto teme, prolonga e nega; precisará tomar outro rumo, seja melhor ou pior.

— Eu me dediquei tanto a este trabalho! Perdi oportunidades, desisti de outras. Este emprego é a minha melhor chance. É injusto perdê-lo!

Os lábios dele ficam fechados, assim me responde tudo. Eu já respondi. Fiz as escolhas, agora tenho as consequências. Pouco adianta lamentar pelos imprevistos — previsíveis ao pescador, ao que parece —, a vida continua e eu pretendo acompanhá-la.

— Compreendeu agora, garoto?

— Entendi. O senhor não está aqui pela pescaria.

— Claro que eu estou! — Ri de novo. — Vá. Não deixe eu tomar mais do seu tempo.

A aurora risca os primeiros traços do sol, um peixe morde o anzol do pescador e parte a linha ao meio, bate a cauda fora d’água e vai embora.

— Hoje o dia será difícil, garoto. Arranje coragem e insista nos sonhos. Viva a vida, pois ela fica muito boa quando muda de perspectiva.

***

E o garoto foi. Lábios fechados e bolhas nas mãos, nos pés dentro dos sapatos também. É muito divertido, sabe. Vê-lo aqui de cabeça abaixada, antes de todas as conquistas a partir deste dia. As mudanças são de dar medo, com certeza, as variáveis trazem valores bons e ruins, pode colocar o parâmetro que for, o resultado sairá imprevisível nesta época do tempo dele.

Está na hora de eu voltar ao meu tempo. Adoro a nostalgia de encarar o eu do passado e sorrir para ele, relembrar de tudo o que eu passei, cada dificuldade e tragédia. Tudo valeu a pena.

Eu Fracassei no Wattpad

O Wattpad é uma plataforma com publicação de livros digitais e gratuitos. Qualquer usuário pode publicar sua história e ter a oportunidade de ganhar reconhecimento pela escrita. Com funções semelhantes a de redes sociais, as pessoas interagem entre si votando nas publicações do colega e comentando no livro dele.

Alguns autores começaram a compartilhar suas histórias através do site. Trocaram experiências de escrita, aprenderam e melhoraram a ponto de realizar a publicação profissional, seja independente ou até com editora. Wattpad é o ponto de partida a muitos nesta trilha com inúmeros desdobramentos, alguns autores ainda aproveitam a plataforma, outros a abandonam. Eu larguei o site antes de publicar qualquer livro como escritor profissional, e reconheço meu fracasso na plataforma, cujos motivos apresento agora.

A benção e a maldição da interação

Com as funções semelhantes a redes sociais, a interação entre escritores e leitores é a maior vantagem do Wattpad. Opinar sobre parágrafos específicos com opção de responder ao comentário possibilita boas conversas a partir de determinado ponto da história. Quem souber aproveitar a ferramenta consegue também proporcionar uma experiência diferente de quando publicado impresso ou em eBook. Fica ainda melhor com a quantidade massiva de leitores e escritores na plataforma, pois conhece todo tipo de pessoa e troca novas ideias com ela.

Um aspirante a escritor pode encontrar outro colega com objetivos e gostos em comum e acompanharem o trabalho um do outro. A troca de leituras favorece conversas sobre como melhorar determinado trecho do capítulo ou apontar determinados furos no enredo, tudo para ajudar o amigo. Possibilidade interessante, pena o problema começar daqui. Dependendo da companhia arranjada na plataforma, você obterá apenas elogios e críticas vazias, longe de a outra pessoa ser falsa, apenas tem pouca experiência, e o mesmo acontece contigo; ambos terão a falsa impressão de crescerem juntos.

Aconteceu isso comigo, entrei numa bolha onde parecia me levar ao ótimo caminho junto a meus amigos, e aos poucos nós quebramos a cara, um a um desistia da plataforma, até mesmo da escrita. Testei publicar alguns de meus textos tão elogiados no Wattpad em editais de outros sites, e eles foram recusados — com razão. Hoje eu sinto repulsa pelos textos escritos no passado, reconheci meus problemas de escrita depois de ficar fora da bolha, e isso é ótimo por saber o quanto preciso melhorar. É bom aos leitores também, pois pouparei de darem o azar de ler Crônicas de Cafeína, foi meu primeiro livro do Wattpad e tenho orgulho de começar por alguma história, daquele tempo quando confundia a conjugação dos verbos entre passado e presente, do meu pedantismo, sem apresentar conflitos na maior parte do enredo… Pelo menos as piadas eram legais.

Dedicação

Como a interação é o ponto principal da plataforma, o próximo motivo ainda será em torno dela. É muito difícil alguém postar no Wattpad e do nada conseguir inúmeros leitores, na maioria dos casos é preciso interagir no site. Quanto mais participa, mais é visto pelos outros usuários. Há quem tome atalhos e combina troca de seguidores e leituras apenas para conquistar números maiores, mas o sucesso no Wattpad exige além disso, é preciso demonstrar a dedicação com a sua história, atender os seus leitores e ajudar os colegas escritores — com aquelas ressalvas já citadas —, senão você ainda terá boa quantidade de leitura, só não atrairá as pessoas capazes de te ajudar a crescer tanto na escrita como na publicação profissional.

Tal dedicação necessita de muito tempo numa frequência constante, o que optei por aproveitá-lo em outra situação. Percebi a necessidade de melhorar a minha escrita antes de atrair novos leitores, usar o tempo que gastaria na plataforma para aprender, praticar e conhecer trabalhos de autores já publicados. Por esses motivos optei me dedicar a este blog no lugar do Wattpad. Aproveito o espaço livre no meu site a compartilhar o pouco do que aprendo como este e outros textos do XP de Escrita.

Fazer resenhas também me ajuda muito. Ao me dedicar com leitura mais crítica, esforcei a encontrar problemas nas escritas de escritores já experientes. Posso identificar tais erros e evitar de cometê-los nos meus próximos textos; mesmo em casos corretos, posso discordar da abordagem em certo livro e aproveitá-la de outra forma nos meus textos. Outra vantagem de usar o blog é de acompanhar o mercado editorial mais de perto através dos lançamentos resenhados e de conhecer os autores nacionais mais acessíveis, podendo trocar ideias com eles, de maior bagagem literária e olhar mais crítico.

O meu fracasso no Wattpad não é de fato um fracasso na vida de escritor. Encarei minha realidade e optei trilhar outro caminho, este muito útil a mim por enquanto. O site tem sua importância, possibilidades de favorecer boas carreiras e seduzir novos autores a compartilharem os primeiros rascunhos. Agora que soube da minha experiência, reflita se no seu caso ainda valerá a pena, talvez também precise tentar outras alternativas até reconhecer a melhor. Caso tenha o sonho de seguir na carreira de escritor, siga adiante e jamais desista nesta trilha árdua!

Ficção Violenta Gera Violência?

Tragédias são inevitáveis, independentes da boa vontade em prevê-las. Fatores complexos incitam desastres ambientais, outros de questão social e individual fazem certas pessoas levantar armas e atirar. O resultado é transmitido pela internet segundos depois ou ao vivo. Terminada a tragédia, vem a discussão dos fatos. Figuras públicas ensaiam gestos eloquentes e apontam o dedo sobre as causas, essas em fatores mal compreendidos por elas.

A violência na ficção sempre foi culpada na influência de alguém a ponto de torná-lo infrator antes mesmo de verificar o quanto impacta. O tempo avança e as críticas insistem em mídias contemporâneas, foi assim com livros, quadrinhos, filmes… Hoje os jogos eletrônicos levam a culpa dos atentados recentes. Este artigo traz a discussão sobre a violência da ficção de fato influenciar no público que a consome. Sem dar o ponto final na questão como em qualquer outro artigo da categoria Aprendizado deste blog, o intuito aqui é oferecer diálogo a partir das pesquisas feitas sobre o assunto.

Literatura Violenta

Começo a abordagem pela violência na literatura. O periódico de Tânia Pellegrini traz pontos de a agressividade na literatura brasileira estar atrelada a cultura e histórico de nosso país, submisso a momentos conturbados na colonização, escravidão, lutas de independência, ditaduras e a urbanização.

Violência

Pallegrini ainda analisa e compara dois livros com violência marcante: a ficção de A Cidade de Deus e a obra Estação Carandiru de Dráuzio Varella. Chama atenção do primeiro na forma de apresentar a violência na história, todo o ambiente é marcado por agressão, representada por diversas formas a ponto de levantar uma espetacularização da violência, cujo excesso é o atrativo do público. Ao contrário do livro de Dráuzio narrado pelo próprio, uma pessoa alheia à realidade dos prisioneiros de Carandiru que mostra os acontecimentos vistos, dá voz aos personagens reais daquela situação ao invés de expô-las ao leitor através da violência.

A crítica de histórias como A Cidade de Deus é feita pela ambiguidade na interpretação de quem lê, pois pode assimilar a crueza de todos os delitos representados na ficção; ou imaginar que, naquele meio, a violência é viável à humanidade. Eu enxergo esta divergência de interpretação como oportunidade de debate entre os consumidores da história, mas como já critiquei na abertura deste artigo, pessoas de grande representatividade apelam apenas na segunda versão sem sequer conferir os fatores.

Violência Real X Fictícia

Sobre os fãs de histórias violentas, boa parte é atraída pelo ambiente fechado da ficção onde tal recurso se justifica, longe de eles acreditarem como algo viável na realidade. Foi o que a States United to Prevent Gun Violence (SUPGV) mostrou na campanha em vídeo, onde convidou fãs dos filmes de ação para assistir a estreia no cinema de algo como eles queriam: cenas cheias de ação e armas.

Cinema violento - violência

O cinema entregou o prometido, mas apenas com gravações reais de homicídios, acidentes com arma e suicídio. As câmeras escondidas filmavam a reação dos espectadores, e ninguém se empolgou com as cenas, muito pelo contrário. Saíram apavorados, chocados com as tragédias causadas pelas armas de fogo, conscientes da violência jamais ser o melhor recurso na resolução de conflitos.

Lá vem os jogos

Games são as mídias mais recentes onde conteúdos violentos se multiplicam mais rápidos do que coelhos. O blog tem resenhas de alguns desses jogos, onde analiso o enredo e mundo de determinado jogo, demonstrando a situação daquele mundo com a violência como reflexo — ou desculpa para o jogador bater em quem estiver no caminho. O quanto isso influencia as pessoas? Felizmente já existem vários estudos para esta discussão.

Gamer Zone - violência

O mais recente feito pela Oxford neste ano traz críticas a outros estudos que alegaram relação de jogos violentos com os delinquentes reais. Segundo o periódico, algumas metodologias coordenavam as pessoas analisadas a responderem de acordo com o viés do pesquisador, pois nem todos os parâmetros levantados eram imparciais. Quando os pesquisadores de Oxford fizeram o próprio levantamento, contestaram a influência dos jogos violentos a quem comete atentado.

Longe de os games serem isentos de culpa. A American Psychological Association’s (APA) fez uma análise bibliográfica com trinta e um artigos sobre jogos e violência. O resultado das análises reforça a baixa probabilidade de jogos violentos incentivarem pessoas a cometer delitos, entretanto podem influenciar no comportamento, como demonstrar sentimentos mais agressivos e/ou perder a sensibilidade ao ver algo brutal; o último ponto conflita com a campanha em vídeo do cinema citado acima, que apesar de não ser matéria acadêmica, levo a questão pela representação extrema capaz de chocar até quem possua pouca sensibilidade.

Menos julgamento, mais discussão

Atos violentos têm origens em diversos fatores, difícil de apontar causas específicas num comportamento tão complexo. Vimos como os ambientes violentos na ficção possuem a sua parcela de culpa, apenas com impactos emocionais. Apontar o dedo onde tem menos influência demonstra pouco conhecimento da causa, além da falta de interesse ou ocultação do que de fato provoca consequências maiores. Toda conclusão deveria vir após estudar o caso, sem apelo a sentimentos e comportamento honesto frente a prevenção de novas tragédias.

Referências

No fio da navalha: literatura e violência no Brasil de hoje

Gun Crazy: Moviegoers See Gun Violence Like They’ve Never Seen Before (YouTube)

Violent video game engagement is not associated with adolescents’ aggressive behaviour: evidence from a registered report

Homens Imprudentemente Poéticos

A cultura de uma região exótica à nossa atrai olhares curiosos. Fatos e objetos trazem especulações distintas às sociedades, inspirações de reflexão ou até mesmo regras sociais. É a ficção de um povo virando realidade a partir das crenças.

A junção de palavras dá significados nos modos de expressar, e o trabalho poético nelas provoca sentimentos, tira o leitor do lugar comum e dá a oportunidade de olhar a mesma coisa na perspectiva singular aos relatos. É mais do que olhar a cultura japonesa com olhos estrangeiros, este livro traz o fluxo de interpretações aos leitores a partir da visão do autor.

Homens Imprudentemente Poéticos é o vislumbre do Japão aos olhos ocidentais com liberdade expressiva e poética. Publicado em 2016, conta a intimidade do artesão Itaro e a inimizade com o oleiro Saburo, vizinhos e moradores da vila próxima a floresta reconhecida pela frequência de suicidas no Japão.

Homens Imprudentemente Poéticos - capa

Valter Hugo Mãe é um dos escritores portugueses mais reconhecidos ainda vivos. Usa da prosa poética nos trabalhos literários e tem obras destacadas como O Remorso de Baltazar Serapião no Prêmio Literário José Saramago.

Os meninos, por impulso, erravam muito

Itaro confecciona leques artesanais e os comercializa para garantir a economia escassa da pequena família. Sustenta a irmã Matsu, deficiente visual que lhe gera despesas; e a criada Kame, mantida por tradição familiar. O artesão possui rixa com o vizinho Saburo, oleiro obcecado em cultivar seu jardim e com consciência perturbada por causa da esposa Fuyu.

Vivem próximos da floresta onde os suicidas vêm de todo o Japão e decidem encerrar ou não as suas vidas. Os moradores da vila acolhem quem pretende cometer suicídio e oferecem a oportunidade de refletir nesse desejo, a floresta em si também permite o espaço e tempo necessário antes de decidir sobre a vida. A cultura japonesa possui pensamentos distintos do ocidental quanto ao suicídio, nada justificativo à prática do mesmo, mas conhecer essas diferenças ajudam na forma de prevenir as mortes voluntárias.

Sofrimento nunca impediria alguém de ser feliz

É injusto me aprofundar no enredo deste romance, a experiência de leitura contará além das citações referentes a trama. As sucessões dos fatos são recheadas com o uso próprio da linguagem pelo autor que tece a impressão das características de outro povo. Diálogos livres de pontuações e outras transgressões gramaticais funcionam como composição sonora na história de sujeitos comuns de uma vila japonesa, e ainda cheios de nuances a conhecer.

Bato palmas pela abordagem do tema tão complicado como a floresta dos suicidas. Valter Hugo Mãe não cita o nome do local referenciado no romance, e repetirei esta atitude, pois a propagação sobre o local pode servir de motivação a quem pretende cometer suicídio. Eu ficava triste ao ver qualquer notícia relacionada à floresta, e este romance me surpreendeu por me fazer sentir esperança, o autor demonstra que mesmo naquele lugar há a oportunidade de a pessoa voltar atrás, de marcar o ponto e vírgula ao invés do final em sua história.

Homens Imprudentemente Poéticos conseguiu me tocar na história de personagens imperfeitos com escrita de qualidade oposta. Além de elogiar este livro, eu agradeço ao Valter Hugo Mãe por compartilhar esta história. Só lembre-se de me agradecer depois, leitor, quando ler este livro graças a minha indicação.

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