Tag: quadrinhos

Melhores XPs Literários de 2019

O momento chegou! Deixamos o ano atrás, agora um tempo apenas de lembranças e muitas leituras, as quais algumas destacam entre os melhores XPs Literários de 2019. Oitenta ― sim, oitenta ― livros finalizados recebem a oportunidade de entrar em destaque nesse ano recém acabado, na verdade parte desta quantia já foi considerada e entrou no pódio do blog Ficções Humanas, e aqui os livros competidores devem ter passado por resenha neste blog ao longo de 2019,  e isto ainda deixa a disputa acirrada, com mais de cinquenta competidores!

A lista funciona igual o ano passado, primeiro vem a lista das melhores leituras do segundo semestre de 2019 com breve comentário do motivo de ser o melhor, então ao fim da postagem tem a lista definitiva dos melhores do ano, levando em consideração os livros eleitos no primeiro semestre. Sem mais delongas, vamos aos finalistas do segundo semestre:

10 – Lovestar

LoveStar - resenha

Esta ficção científica tem argumentos tão inteligentes a ponto de virar insanos! A sanidade foge da descrição do autor ao elaborar conflitos absurdos a partir da tecnologia imaginada pelo autor. Deve aproveitar a leitura com a mente aberta, assim desfrutará dessa escrita maluca e ainda assim entendível ― quer dizer, certo ponto da história fica inviável compreender dado o nível da maluquice, mas faz parte da experiência.

Resenha no blog
Link de compra

9 – A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison

Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison

Só mesmo um autor brasileiro muito criativo poderia escrever esta história steampunk tomando personagens de obras clássicas da ficção nacional. A escrita reflete na época onde a história acontece, desde a ortografia até o modo de falar dos personagens, e o autor ainda ousa alternar a narrativa em primeira pessoa de um a outro, moldando as frases conforme a personalidade do narrador e do meio onde é gravado esta narrativa epistolar. É uma viagem literária por meio das obras homenageadas.

Resenha no blog
Link de compra

8 – A Balada de Black Tom

A Balada de Black Tom

“Se tanto critica, por que não faz melhor?”, um argumento tosco por ignorar a capacidade de crítico que desenvolve qualidades distintas as do autor cujo livro foi analisado. Pelo menos serve quando compara outro autor, e Victor Lavalle de fato entregou uma adaptação capaz de superar a inspiração original. A Balada de Black Tom reconta a história de O Horror em Red Hook, usando dos personagens originais além do protagonista elaborado pelo Lavalle ao apresentar a perspectiva da pessoa negra na história do universo de Lovecraft, tece críticas ao racismo do autor e reaproveita os elementos deste ao criar a sua versão da história.

Resenha no blog
Link de compra

7 – O Gato Preto

O Gato Preto - resenha

Igual o anterior, reaproveita a história clássica de terror, desta vez a adaptando aos quadrinhos. Imagens e textos se complementam ao pintar a história do narrador condenado à morte, atormentado pelos simbolismos trazidos pelo seu animal de estimação tão amado. A história oferece informações ao leitor e deixa outras em aberto de propósito a permitir cada um tirar suas conclusões enquanto vê as ilustrações criativas, nascidas da inspiração do conto original.

Resenha no blog
Link de compra

6 – Um Banquete Para Deuses Mortos

Um Banquete Para Deuses Mortos - resenha

E Gleyzer Wendrew aparece em outra lista entre os melhores do semestre com esta história sobre  o vampiro Drácula, um ser considerado deus nesta história. Uma história curta de enredo composto de forma criativa pelo autor, sem deixar de lado as qualidades descritivas quando trata de contar como o sangue flui sob o ataque das vítimas dilaceradas.

Resenha no blog
Link de compra

5 – Desafiadores do Destino

Desafiadores do Destino

Outra HQ conquista esta lista, e ao lê-la é fácil perceber os motivos. Esta aventura steam fantasy é rica em mitologia ao criar a trama onde o grupo de guerreiros deve cumprir sua missão enquanto divide os quadros para apresentar o contexto deles, e ainda assim consegue entregar do melhor e na medida certa.

Resenha no blog
Link de compra

4 – Sons da Fala

Sons da Fala - Resenha

Foi o conto de estreia do Projeto Cápsulas da editora Morro Branco, jamais poderia começar com escolha melhor. Responsável por trazer as histórias de Octavia E. Butler no Brasil, vemos em Sons de Fala as qualidades narrativas da autora nesta história sucinta, de descrição objetiva e ainda capaz de chocar. Ainda leu nenhuma história da Octavia? Aproveita este conto disponibilizado de graça pela Morro Branco e conheça as qualidades da autora.

Resenha no blog
Acesse o conto

3 – Memórias Póstumas de Brás Cubas

Memórias Póstumas de Brás Cubas - resenha

Um personagem contando a própria história depois de morto, é esta a premissa do livro de Machado de Assis que soube aproveitar da situação criada e elabora a narrativa distinta por conta da perspectiva excepcional do narrador. Mesmo sendo publicada gerações atrás, ainda é capaz de divertir ao acompanhar os relatos ditos pelo protagonista no ponto de vista enviesado dele, possibilitando interpretações conforme o assimilado pelo leitor, e o próprio Brás Cubas brinca com isso em certos capítulos, supondo reações dos leitores ao longo do livro.

Resenha no blog
Link de compra

2 – O Auto da Maga Josefa

O Auto da Maga Josefa - resenha

Aqui destaca duas qualidades dos autores brasileiros: a criatividade e o regionalismo nacional. A história acontece em alguns lugares do nordeste brasileiro, com situações cheias de fantasia, capaz de proporcionar ótimos momentos de humor sem deixar de denunciar as dificuldades vividas pelas pessoas locais.

Resenha no blog
Link de compra

1 – S. Bernardo

S. Bernardo

Falando do nordeste, um autor alagoano conquista o primeiro lugar das melhores leituras do semestre. A história de S. Bernardo acontece no interior de Alagoas, narrada pelo próprio protagonista em busca de refletir atitudes passadas. Graciliano Ramos nos entrega o protagonista não para concordar ou inspirar, a proposta é refletir as questões envolvidas ao homem de campo, este influenciado a agir feito tal, e capaz de agir além quando tem mais oportunidades, apesar de ainda possuir pouco discernimento.

Resenha no blog
Link de compra

Menções Honrosas:

Ninho de Cobras: entrega narrativa singular, desafiante e moldada com a intenção da prosa do autor
Favela Gótica: mistura os monstros mitológicos com as camadas sociais brasileiras de modo claro e excepcional
Adágio: pelo ótimo uso da ficção científica ao tratar de assuntos vigentes

Uma lista diversa, com certeza! De sci-fi a terror; quadrinhos, romances, e até conto. O mais impressionante: os três primeiros colocados do semestre são livros nacionais! Sem parcialidade, Machado de Assis, Graciliano Ramos e Paola Siviero demonstraram qualidade na escrita a ponto de serem bem elogiados nas resenhas e tiverem pontuação máxima no Skoob e Amazon por mim. É um orgulho ver livros de conterrâneos conquistando as primeiras posições, sendo um deles ainda de autora contemporânea. Quem sabe em 2020 o pódio seja de autores brasileiros atuais? Será difícil, pois ainda pegarei livros de brasileiros clássicos e valiosos, bem como excelentes romancistas estrangeiros; o melhor a fazer é torcer.

Os melhores de 2019

Antes de dar a lista definitiva, lembremos dos finalistas do primeiro semestre, os quais competem com os dez destacados acima:

10 – A Arte de Escrever
9 – Medo Clássico – Edgar Allan Poe Vol. 1
8 – Mago e Vidro
7 – Ordem Vermelha – Filhos da Degradação
6 – A Pirâmide Vermelha
5 – Para Ler Como um Escritor
4 – A Revolução dos Bichos
3 – Fahreinheit 451
2 – Araruama – O Livro das Sementes
1 – Duologia Semente da Terra

Sem quadrinhos e nenhum clássico brasileiro, e os concorrentes continuam sendo de peso. A hora é agora, as melhores experiências de leitura do ano 2019 são:

Melhores XPs Literários de 2019

5 – Fahreinheit 451
4 – O Auto da Maga Josefa
3 – S. Bernardo
2 – Araruama – O Livro das Sementes
1 – Duologia Semente da Terra

E os melhores do primeiro semestre conquistaram os dois primeiros lugares de todo ano. Parabéns ao Ian Fraser por ser o autor brasileiro que mais chegou longe na classificação. E uma congratulação excepcional à editora Morro Branco por enfim trazer essa duologia da Octavia E. Butler ao Brasil, vinte anos após a publicação original nos Estados Unidos ― antes tarde do que nunca ―, e só agora tivemos a oportunidade de conhecer sua escrita, destrinchando críticas sociais, ambientais e políticas por meio desta distopia em dois volumes.

Por hoje é só. No fim deste semestre veremos quais leituras se destacarão ao longo de 2020. As expectativas são altas, pois a literatura é igual o universo, infinito em obras com qualidade excepcional.

Adágio (HQ Brasileira de Ficção Científica)

A tecnologia traz consigo novos meios de entretenimento, inspira outras maneiras de as pessoas interagiram entre si. Isso acontece desde os avanços da internet, com avatares representando a pessoa nos perfis sociais. Começou por meio de textos, logo evoluiu a postagens mais elaboradas e com imagens, vídeos e transmissões ao vivo de palestras ou jogatinas, e na realidade proposta da vez transmite até o sonho da pessoa! Sem mais custos de produção ou efeitos especiais, os usuários apenas assistem as imagens criadas durante o sono de alguém. Curte, comenta e compartilha as melhores transmissões, e assim torna o sonho público, vira entretenimento, causa obsessão em ter mais seguidores, ser mais famoso, alcançar o topo do ranking; pouco importa as consequências, as amizades e saúde perdidas. Ainda bem que estou falando de ficção, não é verdade?

Adágio é uma HQ futurista onde existe essa rede social baseada no streaming de sonhos. Publicado em 2018 pela editora Avec sob o roteiro de Felipe Cagno, ilustrado por Sara Prado e Brão e colorido pela Natália Marques, a história extrapola os males já conhecidos pela interação cibernética na vida real nesta história onde transmitem os sonhos pela internet.

“Você sonha, a gente compartilha”

Kaya é amiga de Penelope, as duas estudam na mesma faculdade. Pen trabalha como estagiária na divulgação de patches — pacotes — de sonhos os quais os usuários podem baixar e vivenciar o ambiente produzido naquele sonho e então compartilhá-los na rede social Adágio. Kaya inveja a amiga por viver tais sonhos e com isso ter popularidade, enquanto ela nunca consegue ter sonhos lúcidos, apenas pesadelos.

Ao frequentar uma festa com os demais colegas, Kaya é apresentada ao pó-de-fada, droga que potencializa o sono ao manter o cérebro do usuário ativo. Ela experimenta e vivencia os pesadelos como nunca antes. Resultado: a transmissão deste sonho atrai grande público da internet e torna Kaya famosa da noite para o dia. Feliz com a conquista, tentará permanecer em destaque na rede Adágio, e com isso trará consequências.

“Contar o sonho não é a mesma coisa que mostrá-lo”

A HQ apresenta a situação dos relacionamentos de Kaya e as mudanças nesses conforme a popularidade de seus pesadelos. Vemos alguns aspectos futuristas à parte, como as roupas distintas dos jovens, bem como conceitos de carros e moradias próprias daquela realidade; tudo sendo pano de fundo ao contexto principal: a interação na rede social. Conflitos pessoais acontecem pela falta de privacidade, considera o contato bloqueado na rede social uma ofensa, enxerga o anonimato como fracasso e ficam cegos quanto as consequências de permanecer em destaque nas condições impostas, pois tudo é espontâneo.

A arte produzida em aquarela realça os traços futuristas e aproveita os sonhos e pesadelos dispostos na HQ para representar elementos próprios da fantasia e terror. As combinações diferentes de cores ilustram as diversas sensações da protagonista no decorrer da HQ. Falha um pouco no quesito terror, pois enquanto os quadros demonstram o medo no olhar da protagonista, provoca nenhum sentimento semelhante ao leitor, apenas passa a informação do transtorno de Kaya.

Adágio discute problemas atuais através da interação digital nesta realidade onde nem os sonhos escapam da privacidade. Esta novidade atrai os jovens obcecados por diversão e sensações inéditas, enquanto levam outros a fazer de tudo para proporcionar tal experiência aos seguidores e assim conquistar a fama quando há questões relevantes próximas a eles, no mundo real.

“Sonhos são tão íntimos, pessoais, reveladores. Você postaria o seu sonho online? Teria coragem?”

Adágio - capaRoteiro: Felipe Cagno
Desenho: Sara Prado e Bräo
Cores: Natália Marques
Editora: Avec
Ano de Publicação: 2018
Quantidade de Páginas: 112

Compre a HQ

Periferia Cyberpunk (Quadrinhos nacionais)

Cyberpunk critica a obsessão do aprimoramento tecnológico em contraste com a degradação da qualidade social. As histórias em geral são futuristas, só que longe de preverem o futuro. Trazem realidades a partir da constatação dos problemas atuais e os extrapola na simulação de anos futuros.

Vivemos num país diverso, com problemas discrepantes e inspiradores em explorar especulações distópicas em ambiente cyberpunk. Esta chance foi aproveitada por alguns escritores e desenhistas, e eles demonstram o quão rico podemos ser no universo de tecnologia avançada e qualidade de vida péssima.

Periferia Cyberpunk reúne pequenas histórias em quadrinhos, todas voltadas a este nicho da ficção científica no contexto brasileiro. Publicado em 2018 pela editora Draco.

Periferia Cyberpunk - capa

Sou eu quem não consegue ver a beleza da vida?

Cada história tem o espaço democrático de vinte páginas para criticar a democracia, desigualdade social, jeitinho brasileiro e tudo o mais. Sem compartilhar do mesmo universo, os autores das HQs criam realidades independentes e aproveitam da vasta região e versatilidade do Brasil.

Nem sempre há maniqueísmo, como demonstra o título da primeira história, Só os Vilão tentam sobreviver nas ruas sujas marcadas pela tecnologia e as pichações persistentes. Conflitos entre opressores e oprimidos são marcados com personagens cinzas, possíveis de reconhecer estereótipos de alguém que convive conosco ou esbraveja repúdios nas redes sociais. Há ainda os culpados passivos em jornadas de redenção após serem forçados a causarem males à sociedade.

A vida é um tédio repetitivo

Periferia Cyberpunk oferece tapas na cara e representatividade nas diferentes realidades sociais, étnicas e éticas. Tem seu viés político bem ressaltado, mas os argumentos ilustrados são além de mimimi.

O único privilégio deste livro consiste em reconhecer a nossa identidade urbana sob as camadas tecnológicas do cyberpunk. Enxergue a sujeira responsável pelas desigualdades, a corrupção coagulada no sangue de corpos desmembrados e rostos deformados. Essas ilustrações têm apelo visual útil em lembrar a ficarmos chocados com o que vemos nas notícias pelas mídias, hoje tão comuns por assistirmos a história se repetir.

© 2020 XP Literário

Theme by Anders NorenUp ↑