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Atômica (Graphic novel sobre a Guerra Fria)

Em tempos finais da Guerra Fria, Berlim estava prestes a derrubar o muro e unir de novo os dois lados da Alemanha. O episódio é o desfecho da crise nacional a repercutir em vários países, cujos agentes conspiravam ali. O mundo todo esteve na Berlim lotada de espiões, traições, deserções; tudo acontecendo em cenário gélido. Atômica: A Cidade Mais Fria é a graphic novel a ilustrar esse cenário de espionagem. Criado pelo escritor Antony Johnston e ilustrador Sam Hart em 2012, foi publicado no Brasil em 2017 pela editora DarkSide sob a tradução de Érico Assis com a ajuda de Augusto Paim quanto aos trechos em alemão.

“Mentiras, segredos, mais mentiras… nossa vida, afinal”

Lorraine Broughton esclarece os acontecimentos de sua missão em Berlim aos superiores da MI6 ― agência de inteligência britânica. A HQ alterna entre esse interrogatório e a história ocorrida enquanto ela esteve lá, investigando sobre a morte do colega espião após ele listar todos os espiões presentes em Berlim. Assim Lorraine atua como a advogada britânica Lloyd, tendo David Perceval seu principal contato na cidade Alemã, além de forjar contatos próprios, tudo a favor da missão.

“De modo algum. Estamos na Berlim moderna, não no velho oeste”

O mais importante a falar sobre o enredo desta HQ é de jamais subestimar a inteligência do leitor. Possui a única preocupação de narrar a história, sem explorar o contexto político, explica nada ao leitor durante a leitura. É ideal entender o contexto histórico tratado na HQ ao aproveitar melhor esta história, caso conheça pouco da Guerra Fria e da situação em Berlim antes da queda do muro. Tal conhecimento pode tornar um empecilho inicial, por outro lado recompensa o leitor já ciente do contexto pela narrativa objetiva, mostrando apenas o essencial na investigação de Lorraine. A edição da DarkSide explicou alguns termos usados na história na seção de traduções das falas em alemão no final do livro, atitude capaz de facilitar um pouco a compreensão.

Tratando de espionagem e conspiração, espere acompanhar o enredo cheio de mistérios e reviravoltas ― também há cenas de ação. A protagonista visita Berlim pela primeira vez, mal sabendo falar alemão, e as tentativas de ela habituar ao lugar favorece a apresentação dos demais personagens, mostra as primeiras pistas enquanto ela traça o plano em busca de novas, essas discutidas na cena de interrogatório. Em outras palavras, há diversos elementos apreciados nas ficções policiais. É preciso ficar atento às reviravoltas até o final, pois cada virada molda o enredo, só no fim revela sobre o que trata de fato, e assim motiva o leitor a relembrar as cenas com tudo esclarecido para vislumbrar a história sem as camadas de mistério.

Atômica: A Cidade Mais Fria tem enredo maduro no sentido de satisfazer leitores acostumados a ficções policiais, portanto é HQ de nicho, sendo difícil agradar alguém fora deste perfil ou leitores indiferentes ao contexto histórico apresentado. Aproveite as reviravoltas desta espionagem onde o mundo todo está em Berlim, cada representante com as respectivas intenções nem sempre correspondentes ao país.

“É humilde, mas a ambição é maior do que as aparências”

Atômica - capaEscritor: Antony Johnston
Ilustrador: Sam Hart
Tradutores: Érico Assis e Augusto Paim (dos trechos em alemão)
Publicado pela primeira vez em: 2012
Edição: 2017
Editora: DarkSide
Gênero: suspense / ficção histórica / ficção policial
Quantidade de Páginas: 176

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Edgar Allan Poe — Medo Clássico (Vol. 1)

Histórias fantásticas existem de monte, e temos o privilégio de conhecer as atuais e antigas também. De lendas sobre criaturas originárias do medo em tempos mais simples a seres inconcebíveis deste planeta no horror cósmico, temos ainda um intermediário a sustentar o suspense e terror no meio urbano, entre pessoas. Já são 210 anos desde o seu nascimento, 170 da morte; tais números falham em representar o legado, da inumerosa inspiração proporcionada pelos contos e poemas nas gerações posteriores, remetente a atual e ainda das próximas.

Refiro a ninguém menos que Edgar Allan Poe. Os quinze contos selecionados na coletânea Medo Clássico da editora DarkSide deste primeiro volume oferecem a oportunidade de conhecer o trabalho do escritor clássico da literatura gótica, ainda presenteia o poema “O Corvo” no idioma original mais as traduções de Machado de Assis e Fernando Pessoa.

Ler Poe é, antes de tudo, reconhecê-lo

O livro divide cinco categorias com três contos cada e finaliza os trabalhos do Poe com o poema “O Corvo” na versão original e duas traduções portuguesas, a primeira de Machado de Assis e a outra por Fernando Pessoa. A edição ainda traz prefácios da tradutora e um dos biógrafos — e fã — do autor, encerrando o livro com as fotos da única casa de Poe ainda de pé e uma breve biografia.

Sobre as cinco categorias:

ESPECTRO DA MORTE: os personagens vislumbram — pelos olhos e tato — as ameaças à vida. “Desceu sobre meu espírito a calma contida do desespero.
NARRADORES HOMICIDAS: são histórias cujo personagem/narrador é autor das atrocidades. “Mas amanhã estarei morto, e hoje preciso remover este fardo de minha alma.
DETETIVE DUPIN: com as três histórias do detetive mais antigo dentre os conhecidos da literatura policial. “Não é um completo idiota — disse G. — mas é um poeta, o que é quase a mesma coisa.
MULHERES ETÉREAS: as personagens principais são femininas e as histórias contadas pelo personagem/narrador que tanto as admira; a morte também é aspecto comum das três histórias. “Estes são os olhos grandes, negros e estranhos de meu perdido amor.
ÍMPETO AVENTUREIRO: os personagens encaram experiências adversas, seja a tragédia durante a viagem, o auxílio do amigo de sanidade dúbia ou a consequência do ato incentivado por alguém estranho. “Qualquer obra de ficção deve ter uma moral.

Foi autêntico em vida para ser caricatura em morte

Com exceção de O Baile da Morte Vermelha, todos os contos são narrados pelo personagem, alguns contam a história do protagonista em seu ponto de vista e outros a protagonizam. Tecendo as imagens góticas por meio das palavras, é preciso calma para vislumbrar o quadro de suspense pincelado em extensos parágrafos que pintam cada detalhe. O detalhamento é comum nos escritos desta época e podem desmotivar leitores habituados com obras recentes, porém é recompensador vencer este obstáculo e descobrir como desenvolvia a aura de suspense nas obras passadas. Também tem cenas de mutilação e evidências da agressão tão corriqueiras nas literaturas violentas de hoje. Além da definição feita pelo personagem ao testemunhar o horror, a visão limitada do narrador colabora com o mistério dos atos sem oferecer todas as respostas do resultado tenebroso — exceto nos contos de Dupin, pois toda a investigação é explicada.

O Corvo é o poema mais conhecido de Poe. Este volume antecede o poema com declarações do autor em como desenvolveu os versos. É sobre o jovem em luto pela amada Lenore, surpreendido pela visita de um corvo capaz de pronunciar apenas a palavra nevermore, expressão que responde a todas as indagações feitas pelo jovem. Os versos desenham a melancolia do amor rescindido pela morte.

Edgar Allan Poe: Medo Clássico Vol. 1 é um dos vários livros capazes de proporcionar o conhecimento do autor clássico por novos leitores. Os colecionadores já cientes dessas histórias também podem adquirir este exemplar pelos desenhos artísticos e informações biográficas de Poe.

Até mesmo no túmulo, nem tudo está perdido

Edgar Allan Poe - Medo Clássico Vol. 1 - Capa

 

 

Editora: DarkSide
Edição: 2017
Tradutora: Marcia Heloisa
Ilustração: Ramon Rodrigues
Páginas: 384

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O Talentoso Ripley (Patricia Highsmith)

As aparências enganam, formam constatações com base na ficção, esta apresentada como a realidade. Nossa sobrevivência não é feita de forma natural, e sim de adaptação ao sistema construído sobre leis e interações sociais, as regras de ambos os conceitos contém brechas, uma ou outra pessoa é capaz de quebrá-las e sobreviver deste modo. 

Viver em função das ficções criadas por si lhe dá a vantagem de ser imprevisível sem os outros notarem, e tem como consequência a formulação constante da estória reproduzida como história, adequando contra as falhas e põem em risco o jogo feito consigo e a vida. 

O Talentoso Ripley é o articulador de histórias da realidade. Publicado em 1955, conta a aventura do protagonista que se passa por alguém conhecido de Richard Greenleaf, porém faz o próprio jogo enquanto disfarça suas intenções. 

O Talentoso Ripley - capa

Patricia Highsmith é escritora renomada de suspense policial. Ganhou prêmios importantes como o Edgar Allan Poe e teve algumas obras adaptadas ao cinema, sendo O Talentoso Ripley duas vezes. 

Nada do que ele levava a sério acabava dando certo  

Tom Ripley mantinha a rotina de visitar bares noturnos de Nova York enquanto é seguido por um senhor. Temendo ser policial, evita contato direto, até ele o alcançar e se apresentar como Herbert Greenleaf, o pai do amigo dele. Ripley diz se lembrar do filho Richard Greenleaf, o Dickie, embora oculte de não serem amigos tão próximos. Então o pai pede ao Tom para tentar persuadi-lo a voltar da Itália, desabafa sobre o descaso do filho com as oportunidades da vida morando de forma reclusa. O Sr Greenleaf propõe pagar pela passagem e pelo serviço de convencer Dickie. 

Ripley aceita a proposta, contente por deixar a rotina de falsificar cobranças do imposto de renda de pessoas desconhecidas, vai até a Itália e encontra Dickie no vilarejo remoto chamado Mongibello. Aprende os costumes e idioma do lugar enquanto tenta conversar com o Richard, cada vez mais incomodado pela presença do Tom. Incapaz de convencê-lo a voltar aos Estados Unidos, Ripley recebe uma carta do pai de Dickie o dispensando dessa tarefa, mas ele insiste em viver na Itália com uma nova situação que comprometerá toda a narrativa em diante. 

É como numa peça de Shakespeare ou algo assim!  

Impressionei-me com o modo de pensar de Ripley e as suas atitudes ao manter seus planos. Ele se atenta a detalhes e faz movimentos sem os demais personagens perceberem, engana até os experientes contra fraudes — ou nem tanto. O Ripley é o primeiro a supor as próprias falhas, premedita as possibilidades capazes de comprometê-lo, muitas de um pessimismo provocante; convence o leitor a virar as páginas seguintes e ver o que acontecerá quando ou se as previsões do protagonista acontecerem. O protagonista nos antecipa com a ficção dele e então o decorrer dos capítulos traz a verdadeira narrativa. 

Há falhas de tradução na edição lida por mim. Colocaram a palavra alto na tradução de high quando se referia a bebidas, ou seja, nas passagens em que os personagens estavam bêbados, a descrição confundia dizendo o quanto estavam “altos”. Também vi problemas na conjugação do verbo querer, onde colocaram no pretérito do indicativo (queria) em vez do subjuntivo (queira). Esses dois exemplos repetem em todo o livro. 

Fora os erros de texto, reafirmo a capacidade de construir esta ótima narrativa sob a perspectiva de Ripley, sempre em confronto com os acontecimentos presentes. Além de talentoso, eu citaria títulos desagradáveis ao protagonista, apesar de ainda parabenizá-lo pelas estratégias audaciosas e as precauções quanto as consequências causadas por ele mesmo. 

Vigília Proibida

Uma noite de suspiros e abraços quentes exigem responsabilidades por conta dos envolvidos. Cada relacionamento tem seus obstáculos, esses causam a difícil escolha de se renunciar a favor do outro, ou seguir sua vida deixando o compromisso de lado. 

Certos fatores aumentam a dificuldade desses empecilhos, e o risco de por tudo a perder deve ser considerado pelo bem de ambos. 

Vigília Proibida* trata do romance proibido entre o detetive Hale com a sua colega de patrulha. É um conto da série de livros Hale & Hastings cujo evento acontece antes do primeiro volume . 

Débora de Mello é designer e escritora desta saga. 

Talvez aquilo fosse o que chamavam de amor

Corinne Douma e John Hale são parceiros de trabalho com excelente histórico de casos resolvidos. A parceria noturna não se limita ao emprego e os dois têm um relacionamento indefinido. Ela espera que John se comprometa a ela com namoro, mas o jovem detetive carrega receios com a experiência quase nula nesse quesito, e Corinne reflete nos problemas externos a este relacionamento por ela ser transexual. 

A história curta dividida em três partes aborda as dificuldades desse relacionamento e traz o desfecho já conhecido por quem já leu O Riso da Morte, explicando os motivos da consequência deste relacionamento. 

O conto pode ser lido com o objetivo de conhecer o trabalho da autora antes de ler seu romance policial completo. Apresenta um dos protagonistas da história em seu ambiente de trabalho e revela um pouco do seu backstory. Há uma diferença de gênero literário que talvez não demonstre toda a capacidade da autora de suspense, por ser um conto voltado ao romance. 

Com erotismo e discussões sobre relacionamento no trabalho e com parceira transexual, indico a Vigília Proibida aos leitores de O Riso da Morte para conhecer melhor o detetive John Hale. Quem deseja iniciar a leitura da saga com este romance, saiba que o foco da história é thriller policial, tendo como a parte de relacionamentos LGBT em secundário. 

 * Exemplar cedido pela autora para análise


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Resenha do primeiro volume da saga Hale & Hastings

Deuses Caídos

A religião deve ser respeitada. Transmite ensinamentos ancestrais dos quais muitos valem até os dias de hoje. Independente das questões sobre a veracidade de suas histórias, essas são extraordinárias por trazerem os aspectos da cultura daquele povo que prevalece com o passar das gerações.

Mas a religião infelizmente possui sua prática adversa, essa executada por quem se diz fiel, mas suas ações não condizem com o dito. O que se deve fazer contra esse tipo de pessoa?

É um dos tópicos principais de Deuses Caídos, fantasia urbana com elementos de horror ocorrida no Rio de Janeiro.

Deuses Caídos - capa

Publicado em 2018, é o livro de estreia do Gabriel Tennyson, que escreve quando deixa de assistir séries ou jogar RPG. Acredita na popularização na literatura fantástica a ponto de alcançar a de Zeca Pagodinho.

Terror é o combustível da fé que alimenta os deuses

Judas Cipriano é um padre exorcista, membro da Sociedade de São Tomé responsável por realizar expurgação, mantendo o segredo sobre seus dons e da existência de criaturas feéricas da humanidade. É aprendiz de Tomás de Torquemada, o mesmo inquisidor espanhol do século XV.

Torquemada atribui uma nova missão a Cipriano: o de investigar a morte sobrenatural de um pastor corrupto transmitido no YouTube. Também ordena trabalhar junto com a policial Júlia e avaliar o seu dom com tecnologia.

A aventura mescla investigação policial com horror, a fantasia de criaturas ancestrais com o conhecimento e tecnologias atuais, a religião católica com a sua distorção por parte dos personagens.

Havia coisa que um homem só podia fazer quando não se encarava no espelho

Um dos melhores aspectos de se ler uma ficção fantástica ambientada no Brasil é testemunhar a verossimilhança do país onde vivo misturada ao universo criado pelo escritor. Tennyson empregou muito bem o regionalismo carioca nessa história e trouxe ideias originais ao adaptar conceitos de algumas criaturas existentes em outros países a uma residente no Rio de Janeiro.

A profanação dos personagens é exposta de forma explícita e grotesca. Descrições breves e simples contam os comportamentos mais bizarros das criaturas repugnantes cuja disputa de feiura é acirrada.

Mistérios são distribuídos ao longo da trama. Além das próprias questões do caso investigado por Judas e Júlia, os parágrafos levantam perguntas sobre esses dois personagens ao leitor, mas  já conhecidas por Cipriano. A resposta dessas perguntas chega no decorrer da história, bem mastigado ao leitor. Um capítulo específico sobre o antagonista traz as respostas descarregadas de uma vez e no ritmo fora do comum com o resto da história, pois apenas transmite informações quando as outras são mostradas na medida certa.

Repleto de cenas perturbadoras sem pecar na redundância, Deuses Caídos choca com o horror exposto em cada capítulo. As trezentas páginas prenderão o seu fôlego numa leitura bastante fluída e darão orgulho de oferecer a oportunidade de conferir um exemplo de literatura nacional de qualidade.

O Riso da Morte (Hale & Hastings vol. 1)

O que é a literatura além de um exercício de empatia? Viramos páginas conhecendo da vida de cada personagem. As frases compostas de letras se juntam até se formar pessoas reais em meio ao trabalho de ficção. Tal exercício foi realizado durante a leitura deste suspense nacional. 

Enquanto conhecemos os protagonistas e os envolvidos no caso, procuramos entender o responsável pelo crime capaz de chocar os investigadores presentes no romance e os leitores desta história. 

O Riso da Morte foi publicado na Amazon em 2018. Acompanha em terceira pessoa a história dos detetives John Hale e Payne Hastings, e é o primeiro volume da série de livros protagonizados por essa dupla. Este livro aborda a investigação de assassinatos cujas vítimas perdem a vida com um sorriso estampado no rosto… Através dos cortes de seus lábios. 

O Riso da Morte - capa

Débora de Mello é autora e designer. Divide suas atividades entre a escrita desta série que está apenas começando e o design de capas para livros. 

Ninguém conhece ninguém, afinal

John Hale recebe uma nova parceira de trabalho. A detetive Payne Hasting demonstra desde o começo seu posicionamento firme e ousadia. Ambos têm o mesmo tempo de experiência, só que uma sempre troca de trabalho por problemas pessoais com colegas, e o outro mantém o mesmo posto, com parcerias pouco duradouras desde o início da carreira. 

O primeiro caso desta parceria é do assassinato de um filho adotivo do juiz da cidade. Conforme o caso prossegue, mais pessoas são envolvidas, a ponto de chegar até em pessoas próximas de um dos detetives. 

Destaca-se a personalidade bastante desenvolvida em cada personagem. Os conflitos de ideias combinam com o estilo de cada personagem e causam discussões interessantes não apenas na investigação, mas na interação dos envolvidos. 

As diferenças a serem toleradas (com dificuldade) entre os dois protagonistas são uma dinâmica interessante de testemunhar. Sendo o primeiro volume de muitos por vir, serviu para apresentar muito bem os detetives enquanto a investigação prosseguia. De qualidades, vícios e intimidades distintas; reconhece-se dois humanos com suas vidas normais em meio ao caso misterioso e bizarro. 

Um sorriso. Um Tiro. Mais um corpo caiu. 

Senti-me num labirinto durante a investigação. A história me conduzia a um dos caminhos possíveis na minha frente, depois permaneci por um momento diante dos novos caminhos com as afirmações apresentadas no enredo, então o livro me direcionava a um caminho onde aparecia mais alternativas a frente. 

É raro eu tentar adivinhar o culpado nos livros de suspense, costumo me deixar levar até a conclusão da investigação. Neste caso foi diferente porque eu reconheci os personagens a partir de suas falas e comportamentos, e assim fiquei motivado a arriscar quem não era tão verdadeiro.

Eu deduzi o principal responsável a partir desta minha motivação, e acertei. Mas como disse no parágrafo anterior, a história me moveu para que eu tivesse dúvidas sobre o culpado até a sua revelação, sempre mostrava novos caminhos por onde o labirinto deste livro poderia enganar. 

Descubra de tudo um pouco sobre a dupla de detetives H. (confesso que seus sobrenomes me confundem por ambos começarem com a mesma letra), vislumbre o andamento dos assassinatos com sorrisos antes da morte, e espere pelas próximas aventuras de Hale e Hastings, cujos personagens são mais realistas do que as pessoas do seu bairro! 


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As Aventuras de Sherlock Holmes

Sherlock Holmes é o personagem literário humano com o maior número de adaptações em cinemas e TV. 

Difícil encontrar alguém que desconheça este detetive. Famoso por resolver problemas praticamente impossíveis através da dedução dos pequenos detalhes subestimados pelos demais. 

Odiado pelo próprio autor, o detetive conseguiu conquistar o público com seus romances policiais, cujo gênero era depreciado até então.

Suas adaptações trouxeram aspectos modernos aos personagens, às vezes até trazido ao contexto atual, como a série da BBC. Mas como são as histórias originais, escritas há mais de cem anos? Este post apresenta uma dessas obras. 

As Aventuras de Sherlock Holmes foi publicado em 1892. É uma coletânea de doze contos narrados pelo amigo Dr. Watson, este após ter se mudado e morar junto de sua esposa. 

Arthur Conan Doyle foi um médico britânico, além de escritor. Embora odiasse desenvolver romances policiais, as histórias de Sherlock Holmes são seu maior destaque literário. 

Autor de Sherlock Holmes

Nada é tão importante quanto as coisas insignificantes

Os mistérios mais incomuns são solucionados pelas deduções de detalhes despercebidos por todos os personagens exceto Holmes, com alguns aspectos em certas histórias capaz de surpreender o leitor em meio a narração estruturada. 

Os contos não estão dispostos em ordem cronológica, alguns desses passavam ainda quando o médico vivia no mesmo teto de Sherlock. Mas isso não prejudica o acompanhamento das aventuras do detetive, nem mesmo se o leitor decidir ler os livros desta série em ordem diferente da publicação, podendo começar a conhecer o universo da obra a partir deste livro. 

Com exceção de poucos acontecimentos dos livros anteriores citados brevemente, ainda é possível apreciar esses contos sem se perder. Ao contrário de outras séries de livros em que é preciso acompanhar o desenvolvimento do personagem principal desde a primeira obra para entender melhor sua história.

Sendo o detetive um personagem já aprimorado em seu papel, a ideia de colocar a narrativa nas mãos de Dr. Watson neste e nos outros livros foi brilhante. O mistério fica melhor acentuado quando acompanhamos o caso no ponto de vista de alguém tão perdido na solução do problema quanto o leitor. Perderia o brilho se acompanhássemos o conto com alguém capaz de descobrir o grande mistério antes de todos. 

Senta que lá vem a história 

Praticamente todo conto começa com Dr. Watson se encontrando com o detetive prestes a receber a visita de um cliente. Este cliente cumprimenta os dois senhores e começa a falar de sua história. Páginas são preenchidas com os relatos minuciosos do cliente com algumas interrupções de Holmes. Só então a história se desenvolve para a solução do caso. 

O começo de muitos dos contos neste livro

Esta narração repetitiva pode cansar a leitura a quem ler todos os contos de forma contínua. Os diálogos são longos e realçam muitos detalhes na conversa entre os envolvidos, quando alguns são destacados nas deduções do protagonista. Até a conclusão é prolixa, pois apresenta as evidências determinantes do acusado e a discussão dos personagens sobre elas. Mesmo o antagonista do conto por vezes acrescenta suas justificativas ao caso. 

Por fim esses empecilhos são apenas um custo para os leitores atuais vislumbrarem o raciocínio elementar de Sherlock Holmes. Outro motivo que compensa a leitura é acompanhar a dinâmica entre o detetive e o amigo médico, além de saber dos hábitos e manias deste protagonista singular. 

Caso identifique esses problemas quando pegar esta ou outras coletâneas do personagem de Conan Doyle, recomendo a leitura intercalada com outro livro. Diminui o cansaço de testemunhar a estrutura repetida doze vezes, e assim aproveita melhor da história.

A Voz da Escuridão – Livro de nível internacional

Todo escritor brasileiro tem em mente a desilusão sobre o mercado literário nacional. Há poucas oportunidades de publicação por parte das editoras, estas focadas em trazer obras internacionais ou de celebridades pela segurança do retorno financeiro.

Não que as editoras sejam as vilãs deste mundo cruel. Os próprios leitores conterrâneos possuem essas mesmas preferências.

As histórias nacionais têm pouco reconhecimento. Se ao menos soubessem o quão incrível é o trabalho de nossos brasileiros…

É com este objetivo que trago uma obra nacional neste post. Quero incentivar a leitura deste livro disponibilizado de graça na íntegra.

Uma história emocionante, capaz de se apaixonar e sentir medo com as aventuras da protagonista. Protagonista cuja companheira de longa data é A Voz da Escuridão.

A voz da escuridão - livro

A Voz da Escuridão é um romance paranormal com elementos de suspense policial e terror. Publicado gratuitamente na plataforma Wattpad.

Conta a história de Sophia Manning: uma moça de grandes capacidades sobrenaturais, porém descontrolada. Sofreu bastante nas mãos de uma Divisão Secreta dos Estados Unidos devido aos seus dons peculiares. Tenta fugir do seu passado, mas retorna devido às circunstâncias que comprometem ela e as pessoas quem mais ama.

Guilherme Ferreira é o escritor do livro. Um jovem redator em uma agência de publicidade que, na opinião deste autor de blog, tem capacidade para seguir uma carreira promissora na literatura.

Um começo desconfortável

A convite do próprio autor eu conferi os primeiros capítulos da obra. Nunca cheguei a comentar com ele, mas a primeira impressão de sua obra não me agradou tanto.

Não pela ausência de qualidade por parte na escrita, adianto que neste aspecto é incrível. Foram outros elementos do livro que eu particularmente desgostei, dentre eles: uso de drogas, revólver, capítulos bastante extensos, e as cenas de terror.

Ainda assim eu continuei a leitura, num ritmo bem devagar. Uma de minhas principais características é a dificuldade de desistir quando se começa algo. Eu insisti na leitura, e afirmo com orgulho o quanto valeu a pena.

Aos poucos a história me seduzia. Os elementos citados não incomodavam mais. As cenas de suspense e ação me deixava frenético. E o principal fator: eu me apaixonei pela protagonista.

Sophia - sempre bela S2

Olhos verdes de gata, baixinha, magricela, e boca suja

Quando comecei a apreciar a leitura, me via sentado numa cadeira de madeira rústica. Estava no meio do salão sem paredes. Havia luz apenas no palco na minha frente, do resto: escuridão sem fim.

Sophia Manning surgia no palco. Seguia sua aventura ao lado de seus companheiros de trabalho ou com pessoas consideradas como família.

Eu assistia ela à distância, cedendo às cenas incríveis apresentadas pelo criador da história. Aos poucos sua magreza deixou de me incomodar, entendi o motivo de ela abusar das drogas, vi a cor de suas emoções pintadas em aquarela… Percebi que estava me apaixonando.

Do nada meus braços e pernas ficavam presos à cadeira com tiras de couro bem apertadas. Eu não me incomodei, pois, meu grande amor estava ali. Nunca me deu atenção, mas eu acompanhei cada passo e emoção de sua vida.

De repente mãos esqueléticas e gigantes surgiram por trás do palco. As mãos do autor. A envolveu com seus dedos cheios de parágrafos cruéis, agarrou com força, e torceu seu corpo. Ouvia o estalo dos ossos dela se quebrando. Virava o rosto contra aquele som horrível quando o sangue escapava de sua garganta e cuspia tudo para fora.

Mãos negras

Isso também aconteceu com seus colegas. Só que o autor fez eu me apaixonar por Sophia de propósito, para depois vê-la sofrer e sentir a sua dor.

Por favor, pare!

Preso na cadeira, eu só podia olhar. Ela não ouvia meus gritos, e as mãos esqueléticas ignorou minha imploração. Afinal, sou o espectador da história. O leitor que apenas imagina tais cenas enquanto lê sua obra onde já está tudo predeterminado.

Eu agonizei só de assistir, mas Sophia é forte. Passou pelo pior contra seus inimigos e jamais fraquejou.

Quando a história acabou, eu quis me jogar aos seus pés, agarrá-los e clamar meu pedido egoísta: “Não vá embora! Fique e me aterrorize mais!”

Sentirei falta </3

Obs.: Antes de imaginar que estou acusando o autor de ser um sociopata, esta análise metafórica serviu como uma demonstração das emoções provocadas em mim a partir de seu texto. Ele conquistou o meu maior respeito e admiração pela capacidade de realizar tal artimanha. Ficou incrível.

Os piores monstros […] são aqueles que vivem bem ao seu lado

Não só de Sophia sobrevive o livro. Todo personagem teve uma apresentação profunda, de acordo com o seu papel. Você conhece um personagem cruel, sem graça, ou um maldito filho da puta; e de repente sente uma breve compaixão por ele ao entende-lo melhor. Até os figurantes tinham características descritas no livro que os tornavam únicos.

A narrativa não é linear. Há capítulos extensos de flashbacks que revelam muito da protagonista e são colocados de modo a complementar a situação atual ou revelar algo imprescindível do enredo. Talvez seja um obstáculo aos leitores que gostam de uma história direta. Já eu me senti recompensado pelas descobertas reveladas nesses capítulos.

O estilo de contar a história varia ao longo de todo o livro, ótimo para quebrar a monotonia com uma história tão extensa. O autor abusa de metáforas em suas comparações, um elemento perigoso de se usar, mas na minha opinião ficaram perfeitas.

Houve pouco erros ortográficos durante a leitura. A quantidade é ínfima frente a outras obras do Wattpad que são publicadas sem amparo de revisores profissionais.

Uma crítica que não é em relação ao livro, mas sim pensando na comercialização no Brasil, é a história se passar nos Estados Unidos. Uma história incrível como esta acontecendo em logradouros brasileiros elevaria nossa tão subestimada escrita de ficção de forma a ter a atenção merecida.

O mundo precisa conhecer sua história

Ainda assim eu seleciono este livro como uma obra nacional a ser valorizada. Um exemplo que escritores brasileiros têm capacidade de criar histórias extraordinárias, mesmo os que publicam de forma independente e gratuita no Wattpad.


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Perfil de Guilherme Ferreira no Wattpad

Livro disponível no Wattpad

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