O amor é democrático. Manifesta de várias maneiras, essas podem discordar da outra e permanece tudo bem desde que o casal consinta na respectiva forma ideal. Seja entre pessoas ou animais, beijos a tirar ar ou abraço a jamais soltar. Toda pessoa ama o pai e a mãe, ama a cara metade desconhecida, distraída até o momento de se encontrarem e apoiar no ombro do outro.

O Paraíso São os Outros é o livro de Valter Hugo Mãe sobre o amor. Lançado pela primeira vez em 2014 com edição em 2018 pela Biblioteca Azul da editora Globo, o pequeno livro compartilha o conteúdo com ilustrações traçadas à mão pelo autor enquanto breves parágrafos falam sobre o amor.

“Os casais formam-se para serem o paraíso”

A narradora deste livro é uma menina. Observadora e atenciosa, ela discute sobre o amor, na verdade diz mais sobre que vislumbra no relacionamento dos demais, busca compreender a relação até entre animais, embora admite faltar muito a aprender sobre eles, declarando a maior parte através da intuição. Os olhos juvenis viram muitos detalhes românticos, conforme a narradora conta em cada parágrafo. Diz como deve acontecer sem impor obrigação, apenas discerne entre o ideal e de quando é preciso tentar outra vez, igual sua tia fez. Também confessa os receios de quando for a vez dela de apaixonar, tudo no devido tempo, só tem problema em relação a impaciência da narradora, e mesmo assim ela aguarda o momento certo.

“Ser tudo igual é característica de azulejo na parede e, mesmo assim, há quem misture”

Há muitos livros românticos nas prateleiras, tema pouco explorado por este resenhista, e mesmo assim escolhi este livro. Confesso de na realidade escolher outro livro de Valter Hugo Mãe, autor capaz de me entregar a melhor leitura no ano passado, e ao conferir, achei nada ruim o livro ser sobre o amor. Quem me acompanha nas resenhas sabe da minha preferência de escrevê-las na terceira pessoa, destacar as qualidades do texto em vez de dizer qual a sensação ao ler o livro analisado. Tomei a liberdade de mudar este parágrafo na primeira pessoa porque o livro desperta sentimentos ao leitor, e por isso me manifesto como um. Sem enredo, conflito ou aventura, aqui é a manifestação espontânea da garota sobre o amor, um convite ao ver a perspectiva dela e refletir sobre a própria. Sorri ao longo da leitura, concordei em muitas partes com a narradora e compartilhei um trecho com a minha namorada por dizer muito sobre nós.

Vale destacar também a perspectiva infantil sobre o amor. Quem ler e achar os comentários da narradora ingênuos, eu terei de discordar. Ela não falou dos detalhes feitos pelos casais além dos beijos, abraços e carinhos; ela fala sobre o amor e acerta em quais situações falar, essas que farão muitos leitores reconhecer em si mesmos, apesar de comportarem de maneiras diferentes caso compararem os relacionamentos alheios. Este livro é sobre exercitar compaixão e adquirir força através da companhia, pois O Paraíso São os Outros.

“Ser feio é complexo e pode ser apenas um problema de quem observa”

O Paraíso São os Outros - capaAutor: Valter Hugo Mãe
Editora: Globo (Biblioteca Azul)
Ano de Publicação Original: 2014
Edição: 2018
Quantidade de Páginas: 64

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