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Revista A Taverna: Edição 1

Sabemos da dificuldade em produzir conteúdos literários no Brasil. Mais ainda caso a literatura seja de especulação (fantasia/ficção científica), pois alcança determinados leitores.

Nenhum empecilho impede os escritores apaixonados por este nicho. Desbravando em blogs, canais de mídias sociais ou na busca da publicação tradicional, os aspirantes a escritores traçam caminhos distintos na jornada de compartilhar histórias fantásticas. 

O post de hoje destaca a iniciativa do blog A Taverna, que realizou um concurso literário para a edição de sua primeira revista de contos. Publicada em 2019, selecionaram cinco contos dos inúmeros participantes e capricharam na edição de estreia.

Revista A Taverna: Edição 1 - capa

Os merecedores de ter histórias reconhecidas nesta estreia são: Anna Fagundes Martino, Rubem Cabral, Letícia Copatti, Renan Bernardo e Daniela Almeida.

Arrastou-se por um pântano de pensamentos suicidas  

Um conto de terror, outro de ficção científica e três de fantasia. A variedade também se situa nos cenários e características dos personagens. Os autores aproveitam da premissa elaborada pelos mesmos e constroem a trama com as consequências daquela realidade. Nenhuma capacidade sobre-humana traz apenas maravilhas. Os contos exploram muito bem quais seriam as consequências, seja pelo uso em si ou das circunstâncias levantadas na respectiva história.

Com leituras de dez minutos a meia hora por conto, os organizadores do concurso sabem escolher quem aproveita das poucas palavras e entregam a narrativa coesa, sem faltar detalhes ou impor aspectos desnecessários.

Sorrisos gastavam energias demais  

Adquiri a primeira edição da revista A Taverna como incentivo à iniciativa. Levantei muita expectativa neste trabalho e fiquei satisfeito com o resultado. Torço pelo sucesso e garantia de novas edições. Quem sabe até com versões impressas a venda nas livrarias? A qualidade para tal já está garantida.

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H.P. Lovecraft (Medo Clássico Vol. 1)

Somos sete bilhões de humanos no planeta Terra. Convivemos em divisões políticas com regras que tentam harmonizar nossas vidas enquanto fazemos a se orgulhar. Estudamos, trabalhamos, relacionamos com outros; desenvolvemos nossas vidas e contribuímos à sociedade nem sempre compreendida. Fazemos tanto por nós, pelo planeta, porém vivemos em um minúsculo ponto azul, sequer somos visíveis quando comparados à imensidão do universo. 

O horror cósmico é um gênero literário em que explora a mediocridade humana quando em face a criaturas de outros mundos com capacidades não apenas superiores, mas inconcebíveis a nós. De nomes impronunciáveis pelo aparelho fonético humano, entrar em contato com tais seres ou simplesmente estar ciente de sua existência é o suficiente para o ser humano enlouquecer de horror. 

Esta é a proposta dos contos da coletânea Medo Clássico Vol. 1 — H.P. Lovecraft. Publicada em 2017 pela Darkside Books na edição Miskatonic, reúne algumas das histórias enquanto oferece materiais complementares como artigos, cópias de cartas e rascunhos originais, e ilustrações dos seres abordados em cada história. 

Howard Philips Lovecraft não obteve sucesso em vida por publicar seus trabalhos em revistas pouco conhecidas com outros autores de qualidade regular ou questionável, entretanto seus amigos conseguiram levar seus contos a um público maior e transcendeu gerações a ponto de muitos trabalhos atuais fazerem referências e homenagens ao trabalho de H.P. Lovecraft. 

Em sua casa, em R’lyehCthulhu, morto, aguarda sonhando  

Os contos são narrados em primeira pessoa. O protagonista faz o registro de suas investigações ou do que testemunhou por experiência própria, cujo relato formal se mescla com a espontaneidade do personagem quanto ao desespero de relatar algo surreal. 

Por ser apenas relatos dos personagens, não sabemos por vezes qual foi o seu fim quando alcançamos a última linha do conto. A angústia toma conta do leitor, a falta de informações proposital pode influenciar a imaginar inúmeros desfechos do personagem que pôde vislumbrar o inimaginável. 

Esses registros também ficam disponíveis aos demais personagens de Lovecraft, que interliga os contos usando os próprios como referências a outros. Alguns ficam explícitos no conto, outros exigem uma maior percepção do leitor quanto aos detalhes. 

A curiosidade supera o horror 

É importante destacar: são histórias publicadas há quase um século, quando o estilo e a narrativa eram diferentes dos livros recentes. Prepare-se para desbravar extensos textos descritivos até formar a imagem de cada cena. Diálogos são raros nessas histórias de Lovecraft, algumas nem têm, o que mantém a estrutura firme de parágrafos longos. 

Além de entregar uma história, os relatos dos protagonistas expressam o sentimento deles enquanto descrevem o horror a ponto de atingir o leitor. A minha curiosidade com Cthulhu se transformou em desespero após conhece-lo em seu conto. Quando o terror não atinge, ainda há o vislumbre de imaginar as criaturas elaboradas de forma tão criativa pelo autor, cujas homenagens dos trabalhos atuais não são em vão. De filmes, desenhos, músicas a jogos; todas as mídias oferecem formas distintas de imersão à Mitologia Lovecraftiana que se originou por essas conexões de palavras impressas capazes de incitar a nossa imaginação. 

O Conto de Manoel

Manoel resolveu existir! Saiu do meu conto de três partes e quis escrever a sua tão desejada história, e eu permiti. Confira o texto dele a seguir, espero que gostem!

Conto de Manoel

Saio da mórbida lanchonete em que trabalho há dois meses, nada como o cheiro de óleo engordurando as narinas. Não posso negar, odeio esse emprego, mas foi o que pude conseguir no momento, não há muitos trabalhos que aceitem jovens inexperientes recém-formados do ensino médio. Também não posso esconder que a timidez atrapalha um pouco o contato com os clientes, sem falar que ainda tenho certo temor da bandeja encontrar o chão e eu esbarrar na demissão.

Porta range rabugenta a minhas costas, o estabelecimento fechou faz algum tempo, mas só podíamos sair depois de lavar a louça, depois do “Tchau” do chefe. Suspiro aliviado, almejando a comodidade do lar e enfim poder descansar.

Chuva castiga o guarda-chuva a cada passo, a lama da rua sem calçamento suja meus sapatos seminovos. As luzes dos postes oscilam, ando um pouco mais depressa.

O aspecto dessa parte do bairro em que preciso atravessar já é sinistro em uma noite comum, e nessa tempestade parecia mais apavorante. Casas antigas destruídas e outras permanecem inteiras, porém abandonadas. Algumas em particular possuem o boato de serem mal-assombradas. Os contos horripilantes que meus colegas narram sobre aquela região me afligem, mas não tinha outra escolha a não ser seguir em frente e rezar para que tais coisas não passem de simples boatos.

Piso numa poça, o sapato todo entra no buraco de lama fedida.

— Mas que droga!

Vou em direção a um dos postes acesos, agacho para ver o estrago, um aspecto estranho. Passo o indicador e levo ao nariz, não parecia só lama…

Engulo em seco, olho de um lado a outro. Ninguém. Continuo o percurso pela calçada. Seguro a alça do guarda-chuva com mais empenho, o céu cairá com tanta chuva.

A luz do poste mais próximo se apaga. Escuto com pavor uma risada fina, procuro de onde vem. Nada. Continuo andando com um soluço de desespero preso na garganta. Não sou corajoso.

Outra luz se apaga, estou a ponto de correr. Avanço quase tropeçando nos próprios pés, as luzes dos postes se apagam a medida que passo por eles. A risada estridente soa ao vento de novo, chega a meus ouvidos, e a pele arrepia.

Ergo a vista para o outro lado da rua. Meu corpo gela. A única coisa que vejo é um ser escuro. Coração acelera. Estou num pesadelo? Num filme de terror?

Corri. A ventania violenta empurra o guarda-chuva, não aguento, escapa de minhas mãos, o vejo rodopiar centenas de vezes, não interrompo a corrida. Chego a esquina, as gotículas me atingem com força.

Escorrego quando o ser se materializa na minha frente. Caio sentado no barro molhado, emporcalho mãos e toda a roupa tentando me arrastar para longe, mas aquilo agarra meus ombros e me levanta.

Era tudo escuro de uma forma borrada como se eu tivesse adquirido problemas de visão de repente. Somente se pode ver dois brilhos vindo do ser maligno, pareciam brasas acesas vindo de olhos completamente brancos.

Aquele ser se aproxima, sinto meus lábios sendo sugados. Mãos agarram minha cabeça, palavras incompreensíveis são sibiladas, lacrimejo e vejo círculos no ar, vários deles. De tamanhos diferentes, no começo flutuam sozinhos, depois se juntam um dentro do outro. Subitamente não vejo mais nada. E depois o processo se repete, muitas e muitas vezes enquanto me sinto arrastado. Ainda há chuva, gotas salpicam como agulhas na pele. E não consigo mexer nenhuma parte do meu corpo. Sinto novamente algo em meus lábios e volto a ser arrastado…

Manoel

Desperto, meus sapatos continuam com a mistura de lama e sangue da poça. Chove sangue. Estou no chão coberto de poeira, sento. A visão ainda turva, mas não vejo mais círculos. Repassei atordoado os momentos anteriores. Ergui os dez dedos para contar. Oito…

O lugar em que estou não possui móveis, somente poeira, teias de arranha, uma escadaria logo à frente e uma menina abraçando os joelhos num canto.

Olha para mim e de sua garganta sai um grito que ecoa em todo o ambiente.

— Vá embora, antes que ela volte — sussurra.

— Ela quem?

— Não a deixe chegar aos 13. Se ela conseguir estará completo… você não terá um final agradável e não poderei mais ver a luz… — disse rápido demais, quase não entendi.

Os olhos verdes dela exibiam inchaço, provavelmente de tanto chorar.

— Já tentou fugir?

— Estou sentenciada… — A garota treme.

Levantou-se abruptamente, o barulho dos tênis vermelhos estrondaram cada vez menos nos degraus à medida que iam desaparecendo ao subir.

Resolvo segui-la, e logo a perco. Não tenho a visão de seus cabelos negros, não há mais o ruído de passos. Determinado a encontra-la, entro num quarto. Frascos cilíndricos com líquidos espessos e um livro estão expostos sobre a única mobília, uma mesa larga de metal.

O livro possui somente uma gravura na capa, vários círculos concêntricos da mesma forma da minha alucinação. Folheio as páginas encardidas, todas escritas a mão com variados símbolos perfeitamente desenhados. Um deles eu conhecia: o pentagrama.

— Não deveria mexer nisso! — A voz dela é pavorosa.

Fecho automaticamente o livro, olhos arregalam, o medo me soca mais uma vez.

O chiado da porta escancarada incomoda os ouvidos, faz meu corpo tremer. Abre por completo e vejo de novo aquele ser. Pescoço e pernas retorcidos, sangue nos braços. Todo o ser parecendo estar mergulhados em água, ondas negras flutuam pela pele, o cabelo longo parece estar úmido e boia, mas não parece água.

Estende sua mão, meu corpo se move contra minha vontade até a mão estendida cravar unhas pretas em meu pescoço. Puxa-me para o que parece ser seu rosto, meus lábios recebem um beijo, e depois outro e outro e mais outro.

Ela me solta e desabo, me debato, aperto a garganta que arde nos cinco cortes e o líquido vital banha as mãos, volto a respirar.

Rastejo, forço os membros magros e sigo engatinhando, alcanço a lateral do portal de madeira, pego impulso e levanto.

Cambaleio na descida das escadas e percorro o piso até encontrar a porta de entrada. A visão foi mais rápida e percebeu antes, mas o movimento é atrasado. Agarro a maçaneta, solto, já é tarde. Percevejos impregnam a mão, se alimentam da carne dos dedos, entram pelos ferimentos. Calosidades se mexem subindo pelo braço, os insetos continuam comendo por baixo da pele. Berro de dor. Lágrimas formam uma cachoeira.

Jogo o braço na parede tentando amassar os bichos, em alguns obtenho êxito, já outros alcançam o ombro.

Desisto da porta, vou vacilante pela casa estapeando os insetos dentro de mim. Encontro a cozinha, não perco tempo em observar algo, pego uma cadeira e arremesso na porta de madeira podre, abre um vão, acabo de retirar o suficiente para passar. Piso no amontoado de grama enorme. Dobro os joelhos e começo a saltitar com dificuldade.

As primeiras luzes do amanhecer me enchem de esperança dessa noite horrível terminar. Vou de pulo em pulo sem olhar para trás, os membros cansados do maltrato e esforço, a mente em choque.

Não sinto mais chão sobre os pés. Caio em um buraco. Primeiro veio o som da queda, depois a dor nas costas.

Olhos vermelhos encaram. São monstrinhos: pequenos, feios, enrugados, com orelhas pontudas, lembram a versão má dos Gremlins.

Os Gremlins sorriem e começam a me açoitar. Batem, chutam, dizem xingamentos incompreensíveis. Meu corpo empapa exteriormente do que é vindo do interior, cuspo sangue com um grande chute na barriga.

Ela aparece…

Jogado ao desprezo, vejo pela primeira vez o que calça e entendo tudo enfim. Os monstros encolhem e se afastam, mas o pior está por vir.

Inclina-se contra mim, e o molhado do beijo chega aos meus lábios, o estranho é que eu gosto. O décimo terceiro beijo é quente, doce, reconfortante. E quando acaba…

Um grito. Um suspiro. Escuridão permanente.

Treze Dias (pt. 1)

Sobre o quê é este conto? Não vou dizer. Se haverá uma segunda parte, só o tempo pode responder. Acompanhe o texto a seguir, se for capaz…

Treze Dias

Escuridão

Amordaçado. Amarrado. Enclausurado

Quanto mais se mexe, mais preso fica

Ele é fraco; a prisão, opressora

Faltam exatos treze dias. Precisa correr, se dedicar e ter a mínima oportunidade de ser reconhecido pelo seu mérito. Infelizmente a meritocracia está além das exigências do edital, suas regras não abrangem os seres malignos dispostos a humilhá-lo todo dia, ignora a Menina do Caos sempre à espreita, ou a Dona Furacão em sua casa, ou a Legião que sussurra pelas feições discretas do quanto Manoel é um incompetente. 

Manoel, um nome de português. Manoel foi pro céu ninguém mais ouve. Manoel cara de pastel resume sua infância. Manoel bicho do hell é ridículo. Manoel puta de Abel é o episódio atual. 

Abel tem dois seguidores na escola e quatro mil no Instagram. O cheiro de seu chulé está impregnado nas narinas de Manoel após tantos chutes na cara. Nada acontece com o bully; Manoel sofre tudo. 

Recebe socos dele e de seus seguidores. As cusparadas escorrem pelas blusas amarradas até alcançar o rosto do garoto. Ele ouve o som do zíper se abrir, e em seguida um empurrão com a voz de Abel: 

— Esta blusa é nova, arrombado! 

— Arrombado é este verme, enrolado feito sushi. 

— Feito sushi. — Risadas ecoam. 

E os passos se distanciam. O garoto fica sozinho com as suas lágrimas e o ódio deste mundo. 

Queria participar do culto e invocar o deus cósmico de nome impronunciável. Poderia ser um estranho com o poder paranormal de explodir todos da escola, ou um lobisomem que se alimenta de humanos como se eles fossem gado. 

Manoel é nada disso. É somente humano de braços finos e pernas moles. Rebate todo o corpo, um peixe fora d’água. Rasteja feito minhoca, geme mais que um cão abandonado, rodeado apenas por urubus. 

Os movimentos desesperados tiraram a manga da blusa amarrada sobre seus olhos, mas as órbitas trêmulas voltam a chorar. O curto traço de sua visão revelou o par de tênis All Star vermelho, movido pelas pernas morenas de bermudas jeans com rasuras de desgaste. Vê ainda suas mãos e o esmalte negro incapaz de disfarçar as unhas roídas. 

Fios de cabelo negro serpenteiam sobre os olhos dele enquanto as mãos puxam as blusas. Pior do que a humilhação de Abel é ficar à mercê da Menina do Caos. Seu toque provoca doença, os lábios rachados já beijaram a morte, olhos verdes não piscam enquanto transmite o horror. 

As roupas afrouxam e Manoel pula, os braços chacoalham até as peças de roupa saírem de seu corpo. Vê a franja sempre molhada dela, desce a visão no rosto e vê um sorriso. Engole o grito, a dor invade sua cabeça enquanto o frio escorre na pele através do suor.

Pernas desvencilham e escorregam até recuperar a força e correr. Ela o encara, de joelhos sobre as três blusas. Ele olha apenas o resquício de luz na porta da saída, chora de alegria por estar livre, estar vivo, estar apavorado o suficiente para desenvolver seu manuscrito, e assustar a todos. 

A Voz da Escuridão – Livro de nível internacional

Todo escritor brasileiro tem em mente a desilusão sobre o mercado literário nacional. Há poucas oportunidades de publicação por parte das editoras, estas focadas em trazer obras internacionais ou de celebridades pela segurança do retorno financeiro.

Não que as editoras sejam as vilãs deste mundo cruel. Os próprios leitores conterrâneos possuem essas mesmas preferências.

As histórias nacionais têm pouco reconhecimento. Se ao menos soubessem o quão incrível é o trabalho de nossos brasileiros…

É com este objetivo que trago uma obra nacional neste post. Quero incentivar a leitura deste livro disponibilizado de graça na íntegra.

Uma história emocionante, capaz de se apaixonar e sentir medo com as aventuras da protagonista. Protagonista cuja companheira de longa data é A Voz da Escuridão.

A voz da escuridão - livro

A Voz da Escuridão é um romance paranormal com elementos de suspense policial e terror. Publicado gratuitamente na plataforma Wattpad.

Conta a história de Sophia Manning: uma moça de grandes capacidades sobrenaturais, porém descontrolada. Sofreu bastante nas mãos de uma Divisão Secreta dos Estados Unidos devido aos seus dons peculiares. Tenta fugir do seu passado, mas retorna devido às circunstâncias que comprometem ela e as pessoas quem mais ama.

Guilherme Ferreira é o escritor do livro. Um jovem redator em uma agência de publicidade que, na opinião deste autor de blog, tem capacidade para seguir uma carreira promissora na literatura.

Um começo desconfortável

A convite do próprio autor eu conferi os primeiros capítulos da obra. Nunca cheguei a comentar com ele, mas a primeira impressão de sua obra não me agradou tanto.

Não pela ausência de qualidade por parte na escrita, adianto que neste aspecto é incrível. Foram outros elementos do livro que eu particularmente desgostei, dentre eles: uso de drogas, revólver, capítulos bastante extensos, e as cenas de terror.

Ainda assim eu continuei a leitura, num ritmo bem devagar. Uma de minhas principais características é a dificuldade de desistir quando se começa algo. Eu insisti na leitura, e afirmo com orgulho o quanto valeu a pena.

Aos poucos a história me seduzia. Os elementos citados não incomodavam mais. As cenas de suspense e ação me deixava frenético. E o principal fator: eu me apaixonei pela protagonista.

Sophia - sempre bela S2

Olhos verdes de gata, baixinha, magricela, e boca suja

Quando comecei a apreciar a leitura, me via sentado numa cadeira de madeira rústica. Estava no meio do salão sem paredes. Havia luz apenas no palco na minha frente, do resto: escuridão sem fim.

Sophia Manning surgia no palco. Seguia sua aventura ao lado de seus companheiros de trabalho ou com pessoas consideradas como família.

Eu assistia ela à distância, cedendo às cenas incríveis apresentadas pelo criador da história. Aos poucos sua magreza deixou de me incomodar, entendi o motivo de ela abusar das drogas, vi a cor de suas emoções pintadas em aquarela… Percebi que estava me apaixonando.

Do nada meus braços e pernas ficavam presos à cadeira com tiras de couro bem apertadas. Eu não me incomodei, pois, meu grande amor estava ali. Nunca me deu atenção, mas eu acompanhei cada passo e emoção de sua vida.

De repente mãos esqueléticas e gigantes surgiram por trás do palco. As mãos do autor. A envolveu com seus dedos cheios de parágrafos cruéis, agarrou com força, e torceu seu corpo. Ouvia o estalo dos ossos dela se quebrando. Virava o rosto contra aquele som horrível quando o sangue escapava de sua garganta e cuspia tudo para fora.

Mãos negras

Isso também aconteceu com seus colegas. Só que o autor fez eu me apaixonar por Sophia de propósito, para depois vê-la sofrer e sentir a sua dor.

Por favor, pare!

Preso na cadeira, eu só podia olhar. Ela não ouvia meus gritos, e as mãos esqueléticas ignorou minha imploração. Afinal, sou o espectador da história. O leitor que apenas imagina tais cenas enquanto lê sua obra onde já está tudo predeterminado.

Eu agonizei só de assistir, mas Sophia é forte. Passou pelo pior contra seus inimigos e jamais fraquejou.

Quando a história acabou, eu quis me jogar aos seus pés, agarrá-los e clamar meu pedido egoísta: “Não vá embora! Fique e me aterrorize mais!”

Sentirei falta </3

Obs.: Antes de imaginar que estou acusando o autor de ser um sociopata, esta análise metafórica serviu como uma demonstração das emoções provocadas em mim a partir de seu texto. Ele conquistou o meu maior respeito e admiração pela capacidade de realizar tal artimanha. Ficou incrível.

Os piores monstros […] são aqueles que vivem bem ao seu lado

Não só de Sophia sobrevive o livro. Todo personagem teve uma apresentação profunda, de acordo com o seu papel. Você conhece um personagem cruel, sem graça, ou um maldito filho da puta; e de repente sente uma breve compaixão por ele ao entende-lo melhor. Até os figurantes tinham características descritas no livro que os tornavam únicos.

A narrativa não é linear. Há capítulos extensos de flashbacks que revelam muito da protagonista e são colocados de modo a complementar a situação atual ou revelar algo imprescindível do enredo. Talvez seja um obstáculo aos leitores que gostam de uma história direta. Já eu me senti recompensado pelas descobertas reveladas nesses capítulos.

O estilo de contar a história varia ao longo de todo o livro, ótimo para quebrar a monotonia com uma história tão extensa. O autor abusa de metáforas em suas comparações, um elemento perigoso de se usar, mas na minha opinião ficaram perfeitas.

Houve pouco erros ortográficos durante a leitura. A quantidade é ínfima frente a outras obras do Wattpad que são publicadas sem amparo de revisores profissionais.

Uma crítica que não é em relação ao livro, mas sim pensando na comercialização no Brasil, é a história se passar nos Estados Unidos. Uma história incrível como esta acontecendo em logradouros brasileiros elevaria nossa tão subestimada escrita de ficção de forma a ter a atenção merecida.

O mundo precisa conhecer sua história

Ainda assim eu seleciono este livro como uma obra nacional a ser valorizada. Um exemplo que escritores brasileiros têm capacidade de criar histórias extraordinárias, mesmo os que publicam de forma independente e gratuita no Wattpad.


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