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Raposas: Contos Fantásticos Orientais

Histórias persistem ao longo dos séculos, e mesmo as autóctones chegam também a outras regiões, por vezes demonstram significados diferentes de um mesmo fenômeno, ou gera uma reflexão ímpar daquela cultura capaz de a admirar da forma apresentada. Este livro traz o exemplo da contemplação de certo animal nos países asiáticos. Raposas: Contos Fantásticos Orientais reúne algumas dessas histórias tradicionais aos leitores brasileiros. Organizado por Lua Bueno Cyríaco e traduzido por ela além de Felipe Medeiros e Yu Pin Fang, foi publicado em 2020 graças ao sucesso da campanha de financiamento coletivo.

“’E, lembre-se, também não sou uma raposa ingrata’”

São contos oriundos da China, Vietnã, Coreia e Japão, distribuídos em período de dez séculos de escrita. Alguns já são adaptações de narrativas orais para a escrita, persistentes graças as gerações a recontarem essas histórias até alguém as registrar no papel. Das mais diversas nuances, as narrativas compartilham a raposa como elemento central ao explorar os diversos significados dados a esses animais na cultura da respectiva autoria. Desta diversidade, a edição do livro engloba os contos em três categorias de raposas, as ardilosas, amorosas e malignas, e mesmo dentro desse enquadramento cada conto é único em significado.

Esta resenha não aborda cada conto em respeito ao leitor conferir por si, senão acabaria comentando detalhes prejudiciais a experiência de leitura. Por outro lado há um ponto importante em avisar a quem pretende ler esta coletânea, a publicação dedica a traduções dos contos orientais conforme eles são, sem adaptar em prosa moderna, respeitou até as narrativas de origem oral, o que tornam a escrita plana, de frases objetivas a transparecerem as intenções dos personagens e as simbologias explicadas. A coletânea é interessante quando a depara sob a curiosidade de vislumbrar o significado cultural empreendido às raposas pelos países de onde a história é contada, um material de referência útil a escritores interessados em elaborar as próprias histórias de raposas.

Raposas: Contos Fantásticos Orientais traz os olhares tradicionais de quatro países asiáticos sobre as raposas, respeita as culturas de todos eles ao traduzirem os contos da forma como são, e assim oferece uma referência de qualidade por meio do design editorial de encadernação oriental e lindas imagens feitas também por artistas vigentes aos dos períodos dos contos.

“Sua beleza fez uma raposa má se apaixonar por você”

Capa de RaposasOrganizadora: Lua Bueno Cyríaco
Tradutores: Felipe Medeiros, Yu Pin Fang e Lua Bueno Cyríaco
Editora: Laboralivros
Origens dos contos: entre os séculos VIII e XIX
Edição: 2020
Gêneros: fantasia / ficção regional
Quantidade de Páginas: 120

Confira o livro

Persona 5 (JRPG ao estilo do Jazz)

Uma trama adolescente contra adultos malvados sob o ritmo de Jazz na capital do Japão. Essa frase está longe de definir tudo sobre quinto título de Persona, embora carregue consigo a identidade do jogo. 

Trago mais uma resenha fora do escopo principal do blog, mas ainda assim interessante de abordar por conta de seu enredo. 

Persona 5 é um RPG japonês lançado em 2016 para Playstation 3 e Playstation 4. O objetivo do jogo consiste em eliminar desejos corrompidos das pessoas a partir de um mundo cognitivo chamado Metaverse, enquanto mantém a vida social de adolescente do protagonista.

am ThouThou Art I 

O protagonista foi acusado injustamente ao defender uma moça assediada por um bêbado. Como punição é submetido a uma provação longe de casa, na capital do Japão, onde deve conviver sob a responsabilidade de Sojiro Sakura, que pode denunciá-lo por qualquer comportamento anormal, além de se matricular numa escola diferente. 

Ele começa a enxergar algumas anomalias desde que foi processado, e aos poucos ele enxerga um mundo paralelo ao real. A dimensão conhecida como Metaverse é uma realidade cognitiva onde os sentimentos e desejos humanos moldam lugares conforme a cognição das pessoas. Certos indivíduos possuem desejos corrompidos que são fortalecidos neste mundo a ponto de refletir a sua visão de forma literal.  

Por exemplo: o jogo apresenta o treinador da equipe de vôlei da nova escola do protagonista. Ele garantiu muitos prêmios para a escola como resultado de seu trabalho, mas o treinamento é severo e bastante punitivo, como se os alunos fossem meros vassalos de um reinado que o idolatra. E no mundo cognitivo este professor é de fato o Rei do “castelo” correspondente a escola onde está localizada no Metaverse. 

Castelo no Metaverse - Persona

O local criado com esta cognição distorcida é chamado de Palácio, e atrai seres mitológicos de diversas culturas que protegerão o dono do lugar. Tais seres também existem no inconsciente de um ser humano, e podem se manifestar no Metaverse quando o mesmo decidir romper as restrições de seus conflitos pessoais. Estes seres são conhecidos como Personas. 

O protagonista não só manifesta o poder de sua Persona, como pode persuadir os seres protetores dos palácios a compreender que também são Personas, e assim concedem seu poder ao garoto. A capacidade de persuasão também acontece em humanos, e quanto mais o protagonista interagir e fortalecer a amizade com alguém, maior será a sua capacidade dentro do Metaverse e nos combates. 

Quando o dono do palácio é derrotado, afeta o humano correspondente no mundo real. Este arrepende de todos os seus erros e confessa seus crimes. 

Thou hast Adquired a New Vow 

Esta explicação sobre o jogo é apresentada nas primeiras dez horas de jogatina, junto com a demonstração dos mecanismos do jogo. A progressão ocorre de forma bastante lenta ao longo das mais de cem horas até o final do jogo. Com um sistema bastante restritivo de horários, o jogador alterna entre o combate no mundo cognitivo e o fortalecimento de suas habilidades com atividades na vida real. 

Inúmeros temas são abordados e refletidos no ponto de vista dos personagens principais. Mesmo sendo adolescentes, eles irão testemunhar atos de assédio, suicídio, suborno, corrupção, tráfico de drogas e violência, cujos tópicos os motivam em melhorar a sociedade com suas ações no Metaverse. Entretanto os jovens também serão julgados por toda a sociedade ignorante de seus métodos, mas temem até onde eles agirão dentro da lei.

Assédio - Persona

Ryuji: É assim que ele imagina as garotas do time de vôlei?!

Os vilões foram muito bem desenvolvidos. Enquanto vemos sua versão humana se vangloriando de suas conquistas, enxergamos como realmente são na versão cognitiva, esta que não esconde as verdadeiras intenções. É fácil tomar antipatia por esses personagens e querer vencê-los o quanto antes. 

Não posso dizer o mesmo aos personagens do grupo do protagonista. Com personalidades estereotipadas, a maioria não se desenvolve para além disso. A trama envolvida em suas quests secundárias trazem mais profundidade à história desses personagens, mas não refletem na trama principal. Por outro lado há um ponto positivo na comunicação desses personagens, cada um com um vocabulário correspondente à sua personalidade.

Alguns clichês de anime e dos RPG japoneses trazem pontos que podem dividir o público. A “Lady fAnnService” chama atenção nas situações desconfortáveis em que é exposta. 

O protagonista se manifesta apenas quando o jogador precisa escolher uma resposta, sendo um sujeito calado no resto da trama repleta de diálogos. A personalidade do mesmo se reflete de como o jogador seleciona suas respostas, mas causa apenas uma reação a quem ele respondeu, sem desenvolver a personalidade de ambos. 

Thou hast awakened to the ultimate secret 

Ultimate secret - Persona

Nunca tenha pressa com este jogo. Mesmo na reta final haverá muita discussão e explicação do enredo antes da última batalha, e depois desta também terá muitos acontecimentos até finalmente acabar. O término do jogo traz um tom de despedida que eu senti como jogador após acompanhar a história de Ara E. Ghost* por tanto tempo, mas contente pelo desfecho de sua aventura. 

 

*Nome que dei ao protagonista, cuja escolha é livre no jogo

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