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O Hobbit (Clássico Nostálgico de J. R. R. Tolkien)

A hora de termos a resenha sobre este livro neste site chegou. O prelúdio da saga épica de anões e elfos, trols e dragões. Aventura repleta de perigos, é uma viagem inesquecível ao indivíduo cuja raça preferiria o conforto do lar. Mesmo assim o pequeno Bilbo Bolseiro enfrenta os desafios e se destaca em alguns deles. O Hobbit é uma das obras consagradas de J. R. R. Tolkien, escrita em 1937 e de nova edição brasileira elaborada pela editora Harper Collins em 2019, com tradução diferente das edições anteriores assinada por Reinaldo José Lopes.

“Numa toca num chão vivia um hobbit”

O narrador apresenta Bilbo Bolseiro, um hobbit dentre os vários a viver na mesma vila de rotina pacata. Ali Gandalf o encontra, os dois começam uma conversa confusa, afinal o mago convida Bilbo a participar da aventura, algo jamais desejado pelos hobbits, eles preferem o conforto do lar sem pensar duas vezes. Sem afirmar nada sobre aceitar tal aventura, muitos anãos chegam à casa de Bilbo e entram sem pedir, aliás pedem toda a hospitalidade, de preparar a ceia e até mais. Entre os anãos há ainda Thorin, o rei de sua raça em busca de recuperar o reino dele e o respectivo tesouro, os dois tomados pelo dragão Smaug. Entre promessas de conceder a parte do tesouro e provocações sobre ele de fato ser quem faltava na jornada, Bilbo por fim aceita e viaja nessa expedição sem garantia de retornar ― quiçá chegar ao destino ― vivo.

“[…] dava para saber o que um Bolseiro diria sobre qualquer questão sem o incômodo de perguntar a ele”

Seja a primeira leitura ou a enésima, todas serão nostálgicas quando trata de O Hobbit. Muitas características das outras histórias de fantasia foram inspiradas deste livro, mesmo quando o autor assume ter outra referência, esta ainda é provável de ter tirado algo em comum da aventura de Bilbo Bolseiro. Do chamado incerto à aventura e a viagem cheia de perigos em si, conhecemos o roteiro enquanto permitimos encontrar as surpresas elaboradas pelo autor a encantar o mundo construído por ele.

E tratando das características, Tolkien é conhecido por expor vários aspectos dos elementos da história através de longos parágrafos, desde a toca e vila onde o protagonista mora, até a linhagem herdeira das famílias Bolseiro e Tûk, isso logo nos primeiros parágrafos do romance. Há uma apresentação elaborada sobre o mago Gandalf, e assim acontece nos demais personagens e cenários. Sendo assim, é óbvio considerar o narrador de abordagem onisciente, até mesmo por prever o leitor de determinadas ações a ocorrer em capítulos posteriores. Também é o narrador consciente de sua existência e conversa com o leitor, aproxima-o da história feito um amigo mais velho.

“’Pensando em dragões e em toda aquela bobagem extravagante em sua idade!’”

O enredo não limita a jornada de um ponto a outro, pois há vários perigos além do principal, todos capazes de colocar tudo a perder. O autor desenvolve esses episódios elencando os problemas, eleva a tensão, chega a elaborar tão bem a ponto de os protagonistas nem terem a chance de vencer o desafio; e neste ponto o enredo peca, pois a solução vem de elemento alheio a todo perigo, um artifício conhecido por Deus Ex-machina. Isso acontece por várias vezes no romance, inclusive na última batalha. Além de tornar a saída previsível, impede de o aperfeiçoamentos dos personagens através da aventura; por mais que Bilbo sofra mudanças graças à jornada, algumas delas foi por causa de acontecimentos externos e pouco relacionado ao desempenho dele.

O Hobbit transpira a nostalgia de todos os leitores, desde os idosos às crianças, graças a língua acessível independente da faixa etária e por várias obras lidas por qualquer um deles também refletirem a aventura de Bilbo. Vale a pena conferir esta história rica em características fantásticas e de narrativa bem humorada.

“Nada consegue escapar de Smaug depois que ele vê algo”

Capa de O HobbitAutor: J. R. R. Tolkien
Tradutor: Reinaldo José Lopes
Publicado pela primeira vez em: 1937
Editora: Harper Collins
Edição: 2019
Gêneros: alta fantasia / aventura
Quantidade de Páginas: 336

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Dragon Age: Inquisition (RPG/Estratégia)

Imagine o mundo fantástico ambientado entre a espada e a feitiçaria, compartilhada com outras espécies humanoides. Crenças originais perdem espaços enquanto uma prevalece — sempre sujeita a ameaças. Paredes trazem indivíduos ao conforto e sensação de proteção por vezes artificial. Acampamentos garantem provisões a soldados nos campos abertos repleto de criaturas, bandidos, conspiradores e, claro, dragões. O caos se alastra com ameaças à crença principal do país, além do próprio reino poder desfalecer nas mãos de um novo deus. Medidas desesperadas são a única opção, e por isso restauram a Inquisição.

Dragon Age: Inquisition é o terceiro game da saga de RPG medieval. Lançado em 2014, o jogador seleciona a espécie, classe e aparência do protagonista — ou importa e prossegue a história de seu personagem do jogo anterior, caso tenha — e controla a equipe que restaura as forças da Inquisição.

Bioware já apareceu aqui com a resenha do lançamento mais novo da outra franquia famosa da empresa, mas com pouca receptividade da crítica e parte do público, o Mass Effect: Andromeda.

Essa história não é boa para heróis

A história do jogo acontece no continente de Thedas, focando em dois países: Ferelden e Orlais. Orlais é governado pela imperadora Celene, com riscos de perder o trono e a vida. O país também tem peculiaridades políticas. Os nobres da cidade aparecem ao público com máscaras, pois elas refletem o comportamento nada objetivo, mascarando atitudes e ideias em meio ao chamado jogo, onde planejam formas de tirar vantagens da realeza enquanto mantém as aparências.

Humanos predominam em quantidade e poder no continente. Seguem a Chantria, conclave de adoração à entidade chamada de Criador e a sua correspondente Andraste. O conclave elege a Divina, posição equivalente a papisa na Chantria.

O protagonista está na reunião onde existe a tentativa de apaziguar a guerra civil entre magos e cavaleiros — eventos do jogo anterior. Algo acontece durante esta reunião e condena quase todos os presentes, inclusive a Divina. O céu fica com a Brecha onde chegam criaturas do mundo espiritual. Somente uma pessoa escapa da tragédia, o protagonista, que carrega na mão a Âncora, com poder desconhecido e relacionado à Fenda para o mundo espiritual. Com a morte da Divina e o insucesso em restaurar a paz entre cavaleiros e magos, surge a ideia de restaurar o poder existente antes do conclave de Chantria: a Inquisição.

Uma amostra da Inquisição - Dragon Age Inquisition

Uma amostra da Inquisição

Coisas impossíveis não são surpresas

O jogo apresenta e progride  na trama através da discussão dos personagens envolvidos. Muita discussão. Diálogos longos mostram conhecimentos distintos e perspectivas de cada personagem, jogável ou não. A Inquisição possui cavaleiros, espiões, diplomatas e feiticeiros; visões entram em conflito na tentativa de decidirem qual ação tomar contra a ameaça, esta determinada pelo personagem do jogador. As escolhas de personalizar o protagonista também acarretam na origem e ponto de vista inicial. Selecionando uma humana maga, a protagonista vive nas Fronteiras Livres e é membro de uma família de magos; protagonista de outros aspectos darão origens diferentes que acarretarão na opinião dos outros personagens logo no primeiro contato.

Protagonista Orlova tomando sua decisão - Dragon Age Inquisition

Protagonista Orlova tomando sua decisão

Depois de muita discussão, a equipe liderada pelo protagonista vaga em um dos diversos mapas do jogo em cumprimento dos objetivos primários da Inquisição, além de outras que garantem pontos de poder ou influência. O primeiro garante a ação da Inquisição em novos mapas ou liberam tarefas importantes; já a influência concede benefícios no jogo, seja bônus de experiência para evoluir personagem, vantagens na compra e venda de itens, melhoria na coleta de recursos, e outros.

É muito fácil adquirir poder no jogo a ponto de garantir pontos o suficiente para avançar na campanha principal sem realizar feitos tão interessantes. O jogador poderá investir tempo desnecessário na tentativa de completar o jogo. Nem todo objetivo secundário garante muita experiência, e enfrentar inimigos de nível bem inferior adquire nenhum ponto ao nível do personagem. Precisa ter isso em mente e escolher quais missões cumprir na progressão do jogo, senão a jornada renderá dezenas de horas sem evolução de personagem.

Há o caos à nossa frente, independente das suas intenções

O Dragon no nome do jogo tem significado, e aproveitaram esta criatura muito bem neste terceiro episódio da saga. Há doze dragões no jogo principal, todos impressionantes à primeira vista, e garantem batalhas épicas no confronto. A criatura gigantesca ocupa grande parte do campo de batalha, avançando o outro lado do espaço ao saltar, isso quando não bate as asas e ataca pelos céus. Com certeza é o ponto alto do jogo. Porém o ponto fraco é de tudo ficar fácil demais na dificuldade normal. Sabendo como progredir através das missões e aproveitando certas habilidades do personagem, a batalha fica injusta com os personagens indestrutíveis do jogador. Sobra até aos dragões, dominando a batalha de um já garante a vitória de todos, pois seus ataques são semelhantes, mudando apenas o elemento da criatura e o comportamento — repete mais determinado golpe comparado a outro dragão.

Olha o bicho vindo! - Dragon Age Inquisition

Olha o bicho vindo!

Dragon Age: Inquisition é extenso. O jogador precisa focar apenas em algumas missões até alcançar ao fim da campanha principal. Os diálogos recorrentes na trama são interessantes e mostram a complexidade de ideias com a divergência dos personagens tentando chegar a algum lugar. A escolha definitiva fica nas mãos do jogador, e o poder gera a responsabilidade que causará consequências no ambiente existente no jogo e na própria Inquisição.

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O Dragão de Gelo (George R. R. Martin)

Histórias têm a capacidade de demonstrar detalhes peculiares, estranhos aos personagens e até aos leitores. Tal nuance sempre tem motivo, como o de convencer que o diferente é aceitável, até necessário na ocasião especial onde supera o conflito de resolução improvável. Ovaciona a magia do ser diferente enquanto há quem o julga apenas na aparência. A garotinha nasce sem mãe e com o inverno sobre ela, rejeitada por causa da pele e sentimentos gelados, características que a deixam próxima do dragão diferente dos demais, o de gelo.

O Dragão de Gelo é uma história curta e infanto-juvenil sobre Adara, a garota amiga do dragão especial. Publicado em 1980 e trazido à LeYa em 2014, oferece outro exemplo da capacidade de George R. R. Martin em escrever fantasia medieval.

“O inverno a tocara, deixara nela sua marca e tomara a garota para si”

Adara é a filha mais nova de três irmãos. A mãe falece durante o parto, desde então toda a responsabilidade da família pesa sobre os ombros do pai. O nascimento da garota também é marcado pela presença do dragão de gelo, criatura temível por ser o presságio de inverno mais rígido e longo.

A garota é uma criança do inverno. De pele alva e olhos azuis, seu toque transmite frio em vez do calor. Verão significa tristeza a ela, por ver os irmão e outras crianças felizes enquanto ela vive reclusa por ser diferente. Adara recebe atenção do pai somente no inverno, quando ele chora por ela. Pelo menos também reencontra alguém bastante especial. Enquanto todos temem o dragão de gelo, ela o abraça, troca empatia e monta nele como ninguém jamais foi capaz de fazer.

“Ela nunca teve muita certeza se era o frio que trazia o dragão de gelo ou o dragão de gelo que trazia o frio”

Com aspectos de fábula, O Dragão de Gelo conta uma história sucinta. Parágrafos simples são rápidos em entregar as cenas ilustradas pelo Luis Royo, mas os textos também são capazes de pincelar as cores ficcionais, desenham o gelo predominante e depois traz outra cor em destaque, seja para embelezar o quadro da imaginação ou gerar tensão no tom adverso ao branco.

A distância de Adara entre as demais crianças e personagens trazem uma narrativa secundária por parte delas, pelo medo de encarar o diferente e os obstáculos causados por ele — como a falta de colheita no inverno prolongado. O narrador sempre acompanha a protagonista e com isso mostra a real situação a enfrentar, além de demonstrar o papel crucial de Adara e do amigo gelado.

O Dragão de Gelo destaca os feitos da garota especial de amizade ímpar com a criatura singular enquanto as pessoas comuns daquele mundo seguem suas vidas ignorantes ao que é diferente. De leitura rápida, entrega o enredo em poucos parágrafos e proporciona a resolução do conflito a partir da premissa simples como o olhar de uma criança.

“Os sorrisos de Ara eram de uma reserva secreta, e ela os gastava apenas no inverno”

O Dragão de Gelo - capa

 

Editora: LeYa
Edição: 2014
Autor: George R. R. Martin
Ilustrador: Luis Royo
Tradutor: Gabriel Oliva Brum
Páginas: 128
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Crônicas de Espada e Feitiçaria

Histórias medievais estão famosas no momento. Séries, filmes e jogos aproveitam o destaque com adaptações de livros já consagrados da literatura fantástica, embora sempre tenha novos lançamentos impressos também. Desta imensa quantidade de obras há ainda enorme qualidade, muitas das minhas melhores leituras de 2018 são de histórias de cavaleiros.

O público brasileiro infelizmente recebe uma pequena parcela dos talentos fantásticos de nível internacional. A instabilidade no mercado editorial sofre dificuldades mesmo quando lançam obras de escritores já conhecidos. Porém houve esta oportunidade de trazer pequenas histórias de autores desconhecidos entre os famosos no Brasil e demonstrar mais talentos da literatura internacional aos fãs tão carentes deste nicho em nosso país.

Crônicas da Espada e Feitiçaria reúne contos de diversos autores, todos relacionados a aventuras de cavaleiros em ambientes fantásticos. Publicado em 2018, nomes como Scott Lynch, Robin Hobb e George R. R. Martin dividem as centenas de páginas com outras histórias de fantasia.

Crônicas de Espada e Feitiçaria - capa

Por ter muitos fãs da série As Crônicas de Gelo e Fogo, destaco o último conto do livro chamado Os Filhos do Dragão, história com os acontecimentos após a conquista de Westeros pela casa Targaryen.

Os cavaleiros nascem antes de serem feitos  

Histórias diversas trazem personagens das mais diversas origens e posições. De cavaleiros a reis e ferreiros a ladrões, eles possuem o desafio de encantar o leitor nas cerca de trinta páginas disponíveis da história — com algumas exceções. De mundos distintos, todos refletem em características conhecidas dos tempos passados, sejam histórias europeias clássicas, de cunho nórdico, oriental ou até lugares onde espadas dão lugar a revólver, embora ainda tenha feitiçaria.

Antes da história presente no livro, apresenta o autor correspondente. Resumo de seus trabalhos, publicações e prêmios vencidos demonstram o currículo nada humilde dos escritores selecionados. Além da temática compartilhada, a competência dos escritores selecionados são de mesmo nível.

Todos nós somos feito de luz e trevas, Gilchrist  

Os desfechos de cada história são as melhores partes deste livro. As últimas páginas prometem reviravoltas ou conclusões inesperadas que melhoram a história já boa, ou ao menos capricham os contos medianos e os tornam interessantes. A qualidade da história difere do nível social do respectivo protagonista, as pessoas cinzentas da ficção trazem questões complexas na trama e mostram suas capacidades mesmo quando são apenas seres marginais naquela realidade criada por determinado autor. 

Há textos medianos, sim. Mesmo no pouco espaço disponível para contar a história, alguns escritores exageram nos detalhes e na abordagem de alguns personagens secundários; desgasta a leitura até ver o desfecho daquela história, onde pelo menos recompensa a paciência do leitor.

Outro incômodo neste livro com vários contos de muito autores é a escrita padronizada por causa da tradução. Dois tradutores trabalharam ao longo do livro, além da terceira exclusiva ao conto de George R. R. Martin. As traduções de cada editor foram dispostas em sequência salvo uma exceção de cada, além de notar certa normalidade em todos os textos. Em outras palavras, os diversos autores internacionais foram convertidos como se escritos por apenas uma pessoa com a tradução.

Honra e fé não são virtudes, apenas desculpas para roubar mais 

O Filho dos Dragões é diferente não apenas pela tradutora exclusiva, mas na abordagem escolhida pelo próprio George R. R. Martin. Esta novela é narrada como registro histórico do passado de Westeros. Sem abordar ponto de vista de personagens específicos, são acontecimentos narrados por um meistre tal como historiadores acadêmicos fariam. Caso pense nesta história como outro capítulo das Crônicas de Gelo e Fogo se decepcionará, pois a história está completa nas quarenta páginas, só que contada por um meistre compilando os eventos. 

As Crônicas de Espada e Feitiçaria pode virar a porta de entrada a autores desconhecidos por brasileiros. Determinadas histórias já fazem parte de um universo maior do escritor e podem ser incentivados a trazer obras relacionadas ao Brasil. Faltou criatividade na edição brasileira para manter esses contos com escritas únicas, respectivas a cada autor traduzido; ainda assim o livro tem repertório interessante e vale a leitura.

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A Fúria dos Reis

Um reino está instável, repleto de conspirações entre pessoas que mesclam sua servidão aos interesses próprios, além de disputas externas para tomar o trono real. A população sofre, indiferente aos fidalgos com interesses nada altruístas. Cada ação, pensamento ou erro traz as suas consequências, mas mesmo quem joga as regras do jogo — sem regras, na prática — paga a derrota com a própria vida. 

Surge uma oportunidade de se tornar o novo rei, ou governar apenas a região pertencente à sua família. Além da competência, a conquista dependerá de muitos fatores históricos e políticos. Exigem mais do que uma pessoa consegue assimilar. 

A Fúria do Reis é o segundo volume d’As Crônicas de Gelo e Fogo, saga de livros famosa também pelo seriado Game of Thrones. Publicado pela primeira vez em 1998, este volume prossegue a saga iniciada na Guerra dos Tronos, quando os lordes de vários reinos se proclamam reis e disputam uma guerra a Westeros, cada um com suas ambições. 

A Fúria dos Reis - capa

George R. R. Martin é o escritor famoso reconhecido graças a esta mesma saga. Jornalista, fã de quadrinhos e responsável por criar um mundo imenso com muita história para contar. 

Nos dias que correm todo tipo de gente se intitula rei 

A história começa com o cometa vermelho atravessando o céu sobre os reinos de Westeros até as cidades livres. Cada reino faz sua interpretação do evento, assumindo como um presságio favorável às suas ambições. Esta presunção alimenta o desejo já incitado com o domínio de Westeros instável, graças aos acontecimentos do volume anterior e pelas conspirações constantes de quem deseja tomar o poder ou se beneficiar. 

Entre tentativas impossíveis e resultados improváveis, a situação foge da concepção, e os diversos personagens precisam se adaptar rápido, cientes da falta de garantia de sobrevivência frente às mortes súbitas. 

Aço das espadas não matam ninguém, e sim as pessoas que empunham, essas embriagadas pelas obsessões nem sempre correspondentes à sua realidade. Longe de ser um mundo justo, as ações de cada personagem ainda trazem consequências. 

Eis uma história boa para fazer os homens chorar 

Acompanhamos a história através dos pontos de vistas de alguns personagens, cada capítulo focando em um. Nem sempre tal personagem é o protagonista do episódio, ele apenas colabora com o andamento da história como testemunha dos acontecimentos dos demais. 

Mesmo se reagir aos problemas, a situação nunca estará sob seu controle.  Leva a medidas desesperadas, e pouco importam seus motivos, não há recompensa aos bons atos, mas reveses que prejudicam quem menos espera. 

Sem personagens bons ou maus, todos retratam a busca de suas ambições reforçadas pelo ego. Beira ao inacreditável a quantidade de personagens, e mesmo assim todos eles parecerem reais. Ninguém é coadjuvante, todos têm a própria história dentro da saga de Westeros e nas Cidades Livres, é evidente mesmo quando lemos apenas no ponto de vista de alguém em específico. 

As descrições mostram o mundo de Westeros conforme contam a história e dita seu ritmo, porém há parágrafos que poderiam ser polidos. Algumas breves explicações e definições poderiam ser descartadas e colaborar com uma leitura mais dinâmica, pois já estavam implícitas. Refiro só a essas frases breves, e ao considerar o calhamaço deste volume, já seria o suficiente para suavizar a longa leitura. 

Aprecie centenas de páginas com uma fantasia repleta de conflitos políticos e individuais, cujo protagonismo inexiste e favorece a ninguém. Descubra uma das batalhas mais memoráveis entre exércitos ou reveja em palavras as cenas mais marcantes da série de TV, sem falar das outras exclusivas do livro livre de limites de orçamento ou elenco. A Fúria dos Reis alinhou diversas histórias à trama complexa, esta que continua em A Tormenta de Espadas. 

MiTÓPOLIS (JP Arcanjo)

Alguém pediu por uma história de fantasia urbana com representatividade LGBT, personagens singulares, onze palavrões em cada dez palavras ditas e marés de azar consecutivas? Talvez não, até ler o livro que trago na resenha deste post e ver o quanto é sensacional!

A abordagem de uma mitologia/religião não é o suficiente para refletir o caos das ruas na cidade de São Paulo. Todos os seres fantásticos e deuses existem, ninguém está errado e sobrevivem conforme a crença de seus fiéis.

MiTÓPOLIS é narrado pelo protagonista P, um humano amaldiçoado que se transforma num híbrido de dragão durante a noite. Publicado pela editora Luna Editora em 2018, disponível também na Amazon.

MiTÓPOLIS - capa

Primeiro livro publicado comercialmente de JP Arcanjo. Devorador de livros, idealista e sonhador; conhecido no Wattpad pelos seus livros LGBTQ+.

Meu P não é de paciência

Conhecemos o mundo através do ponto de vista de P, e logo nas primeiras páginas sabemos como é o personagem. Amargurado por sua maldição, mas sempre disposto a soltar as piores piadas em momentos aleatórios.

Novos personagens entram na sua trajetória em meio a confusões e participam na aventura mortal. Mesmo nos últimos momentos há gente nova ajudando o P, mas esses não têm tanto espaço para o leitor conhecer como os demais. Não bastam ser apenas seres fantásticos distintos (cronista, estrela, filhos de deuses…), cada um possui personalidade forte que entram em conflito com a do protagonista. O leitor se diverte com as discussões fora de hora.

Conhecemos um pouco das mitologias indígena, nórdica, grega, egípcia, japonesa; das religiões cristã, budista, wicca e umbandista. Nenhuma crença se prevalece a outra e permanece presente durante a aventura de P. Como se não fosse o suficiente, há ainda um crossover na aventura com o livro de zumbis do escritor John Miller.

Nenhuma representatividade é forçada. Algumas descrições de P têm tendências homossexuais, nada que interrompa o andamento da trama, mas que contribui com a personalidade refletida na narração em primeira pessoa.

Não suporto ver quem eu gosto sofrer sem tomar as dores pra mim

Os plots são recheados de azar constante para P. É incrível observar tantas criaturas e acontecimentos em apenas 200 páginas. Entre discussões calorosas do grupo, a amizade ressoa e mostra o que realmente importa.

[spoiler]

Aconselho o autor a revisar a cena do sacrifício (suicídio). Apesar de no capítulo seguinte já mostrar que não foi nada definitivo, a prática soou como um ato heroico. Mesmo criando um contexto que justifique o ato, insisto em pensar que o suicídio não é uma opção.

A abordagem deste sacrifício pode desencadear atos reais com pessoas que podem tomar uma ideia equivocada com esta cena.

[fim do spoiler]

MiTÓPOLIS retrata as confusões existentes no cotidiano urbano e reflete as dificuldades da vida de uma pessoa através de uma maldição. É possível observar a realidade de muitas pessoas reais sob esta fantasia.

O livro de JP passa uma lição importante aos leitores: a boa convivência entre pessoas, independentes de como elas são.


Livro físico no site da Luna Editora

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