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O Alienista (Machado de Assis pela Antofágica)

Tenha as melhores intenções, mas caso extravase, as consequências serão as piores. Obcecar-se no objetivo a ponto de abrir mão do resto ― relacionamento, reputação, humildade ― leva a confrontos de pessoas altruístas, inclusive também aos prejudicados pela obsessão, buscando justificativas a interromper suas atividades. Caso essas pessoas falhem em impedir, e portanto garantem mais liberdade na ambição desenfreada, testemunharão o ápice da busca desta pessoa já sem perspectiva há tempos.

Assim acontece a decadência d’O Alienista. Publicado em 1882 na coletânea Papéis Avulsos e com nova edição pela editora Antofágica em 2019, esta novela é outra história clássica de Machado de Assis, também homenageada com ilustrações de Cândido Portinari, presentes nesta edição.

“― A ciência é o meu emprego único; Itaguaí é o meu universo”

Simão Bacamarte é um homem da ciência. Vive na companhia da esposa D. Evarista enquanto põe o objetivo da vida em prática: estudar a psicologia. Assim ele inaugura a Casa Verde, instituição onde ele abrigará os cidadãos da vila de Itaguaí com sintomas de problemas mentais. Com o apoio dos vereadores e sob o respeito do padre local, Simão recolhe esses enfermos e procura curá-los enquanto estuda sobre as particularidades da loucura e formula teorias.

Ele vai além e recolhe mais pessoas, essas de comportamentos nada condenáveis à sociedade, quem contesta a decisão do alienista também é trazido à Casa Verde e submetido a tratamento. Assim inicia o confronto entre a sociedade e o estudo de Simão, também poderia dizer discussão entre as duas partes sobre o conceito de loucura e quais limites devem considerar ao tratá-la.

“Era uma via láctea de algarismos”

A narrativa começa focalizando no Simão Bacamarte e demonstra o interesse dele em contribuir com a ciência, desde a escolha da área a atuar até a implantação da Casa Verde. Os capítulos seguintes focam nos demais personagens, concentrando sempre na pessoa afetada pela insistência do alienista de seguir além com o propósito. Assim culmina em discussões de pessoas de conhecimento popular contra o sujeito imbuído de capacidade científica, e por apenas este ter tal visão, todas as outras pessoas carecem de argumentos contrários, tendo assim recorrer a manifestações reativas quando contrariadas pelos objetivos do cientista.

Machado de Assis manipula a questão sobre a loucura e impõe dúvidas sobre a sociedade desde o conceito às consequências. Como identificar alguém louco? Seria a pessoa com comportamento diferente da sociedade? Deveríamos aceitar a palavra de alguém só pelo nível de formação? Ao discordarmos deste suposto profissional, seríamos loucos? O autor aproveita das indagações e alfineta a sociedade com sarcasmos. Sem demarcar os antagonistas entre honestos e loucos, elabora uma confusão proposital nos personagens para desmascarar a ignorância dos personagens que permitem certa pessoa atuar sem escrúpulos. Toda decisão equivocada ou isenção de atitude é devolvida com consequências, ainda mais ao insistir ficar na mercê do poder concentrado, este cujo dono também enfrenta dilemas ao obtê-lo.

O Alienista é uma novela e portanto traz a narrativa concisa quanto ao objetivo. A histórias traz ótimos questionamentos sobre a sociedade e a classificação da loucura, demonstra as consequências quando o controle fica concentrado em uma só pessoa, e também adverte dos problemas quando a sabedoria científica fica limitada a esta pessoa e os demais carecem de conhecimento ao debater com esta, tendo de recorrer a medidas reacionárias ou apelo popular, prejudicando assim a sociedade e a evolução do conhecimento.

“A ciência não podia ser emendada por votação administrativa, menos ainda por movimento de rua”

O Alienista - capaAutor: Machado de Assis
Ilustrador: Cândido Portinari
Primeira publicação: 1882
Edição resenhada: 2019
Editora: Antofágica
Gênero: clássico brasileiro / novela / ficção
Quantidade de Páginas: 304

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O João Valério em Escritores Atuais

Ao ler livros fora da minha área de conforto (ficção fantástica), por vezes encontro descobertas ricas em reflexão. Assim o desafio de encarar algo diferente a mim recompensa com ideias as quais seria difícil de eu ter seguindo nos mesmos gêneros de história de sempre. O livro Caetés trouxe uma surpresa digna de reflexão a nível de compartilhar por aqui, pois o protagonista é alguém aspirante a escritor, submetido a dificuldades frustrantes e dilemas autoimpostos. Reconheceu-se? Pois essa é a proposta desta postagem, falar das semelhanças deste protagonista da obra publicada na década de 1930 e nós, aspirantes a autores do século seguinte.

Escrita X Rotina X “Trabalho de Verdade”

A atividade da escrita é solitária, seja nas teclas do computador ou na pena de João Valério. É preciso organizar a rotina, alocar determinada parte do dia a dedicar na elaboração da história, abrir mão da companhia de amigos e demais compromissos enquanto dedica a esta tarefa. O problema, tanto ao João quanto a nós, é conseguir empregar este tempo exclusivo.

Sobrecarregado - Escritores Atuais

Depois de um dia longo de trabalho: trabalhando na escrita

Ao sonhar em exercer a literatura, também é preciso exercer outra profissão capaz de sustentar nossa vida e pagar as dívidas. Havia menos variedade de despesas na época de João Valério, mas ele próprio guardava as cobranças pendentes de clientes do armazém onde trabalha, assim como ele possuía as próprias. Tem compromisso com a revista gerenciada pelo pároco de Palmeira dos Índios. Troca prosa com amigos próximos, assim descobria dos acontecimentos importantes da cidade no meio das fofocas, sem falar de estar presente em alguns deles; não bastasse o contato próximo na rua ou durante o trabalho, ainda nos relacionamos pela internet, o que facilita muito a interação de pessoas distantes, pena ocupar muito do nosso tempo quando falhamos em controlá-lo.

Falando em internet, temos dificuldades inatingíveis a João Valério. Na época dele só podia publicar histórias por meio de instituição, seja editora ou algum tipo de periódico. Caso alguém da época dele conseguisse os recursos escassos de imprimir a própria obra, ainda atingiria pouco público, repercutindo apenas onde pudesse alcançar fisicamente com os seus livros. O século XXI nos brindou com as publicações independentes, podemos alcançar leitores em lugares onde jamais pisamos ou pisaremos, sequer precisamos conhecer! Basta o lugar ter acesso a internet, e o leitor de lá consegue acessar nosso livro digital ou mesmo a versão impressa à venda em sites.

Comprando livros - escritores atuais

Uma leitora comprando meu livro – uhul!!!

A publicação de livros está mais democrática comparada ao tempo de João Valério, quando poucos poderiam publicar. Hoje somos muitos, de milhares a milhões! Com níveis de qualidades variados, todos nós temos o direito de arriscar, e nesta quantidade vem a dificuldade dos leitores encontrarem nossos livros entre tantos outros. Alguns de nós optamos atrair público por meio de outras atividades, seja com perfil de rede social engajado, produção de conteúdo via podcast, canal de vídeo, ou mesmo blog… E acumulamos tarefas ao manter esses canais, mais tempo reservado além da escrita, ou até dividi-lo entre escrever e produzir conteúdo.

São problemas exclusivos nossos, e isso pouco significam serem piores que na época de João Valério. Afinal no tempo dele tudo ocorria mais devagar, ou em outras palavras, a nossa rotina é acelerada. Mesmo dispondo de veículos mais rápidos que carros de boi, interação pessoal sem precisar deslocar até o sujeito, e jamais pisar na biblioteca ao estudar. Cada vantagem tem consequência: local de trabalho costuma ser mais distante, acabamos extrapolando o tempo online e demoramos mais em filtrar boas fontes bibliográficas antes de estudá-las ou deixamos de conferir e assumimos o risco de prejudicar o estudo. Nossas rotinas são diferentes a de João, ainda assim fazem parte do nosso tempo, o qual é preciso administrar.

Pouco adianta culpar os compromissos quando fracassamos em escrever, por falharmos em reservar o tempo de escrita. A literatura não vai nos livrar dos compromissos com o emprego e devemos persistir nessas dificuldades, algumas maiores para uns quanto a outros. As oportunidades estão mais democráticas, só falha ainda em ser democraticamente ideal.

O desânimo

Eu preciso citar #spoilers de Caetés neste tópico, então leia o seguinte caso queira evitá-los ― só lembre de voltar aqui depois de ler o livro. No início de Caetés, João Valério possui apenas dois capítulos do livro feito, e no fim ficou igual o começo com uma diferença: ele desistiu da literatura. Já estava há cinco anos com este trabalho engavetado quando tenta prosseguir ao longo do romance, e é interessante observar de ele só continuar a escrita quando algo o desanima na vida pessoal. Ele usa a produção da literatura no intuito de obter prestígio, possuir qualidade distinta das pessoas próximas a ele, esconde a inveja do sucesso alheio por se reafirmar de estar no caminho certo ao escrever o romance. Já no final do livro, quando ele consegue subir na posição de sócio do armazém, perde o interesse pela literatura.

Burguês safado - escritores atuais

Parou de escrever porque virou burguês, safado!?

Podemos criticar a postura de João quanto a literatura, mas estaríamos fadados a sofrer a mesma consequência? Como já dito, literatura ainda rende pouco dinheiro aos brasileiros, mesmo assim alguns de nós buscam prestígio a partir da escrita, de ser reconhecido entre os leitores, apesar das outras profissões terem melhor remuneração. Há quem nem considere profissão pelo fraco retorno financeiro, igual as outras atividades artísticas.

Prosseguir no desejo de produzir literatura requer resiliência, esta recompensada por valores os quais devemos estar dispostos a receber, digo valor no sentido de reconhecimento. Então é comum haver desistências, já testemunhei amigos que perderam as esperanças de produzir histórias. Uma situação triste, real e obrigatória a conformar.

Pesquisa

Por último tem a situação mais hilária mostrada por João Valério, e mesmo assim importante e recorrente entre escritores atuais. Antes de comentar, segue a transcrição do trecho disponível na contracapa:

“[…] Também aventurar-me a fabricar um romance histórico sem conhecer história! Os meus caetés realmente não tem verossimilhança, porque deles apenas sei que existiram, andavam nus e comiam gente.”

Sim, João Valério é desleixado. Já bastou escrever apenas quando queria alimentar o ego, ainda faz pouco esforço em tornar a prosa verossímil! Às vezes tenta compreender mais da civilização tratada no romance, elabora perguntas absurdas aos conhecidos, pois evita de contar a eles sobre a tentativa de escrever romance; ao falhar em obter resposta, fica por isso mesmo.

Hoje podemos entrar em contato com conhecedores do assunto pendente em nossas histórias, sem falar do Dr. Google e inúmeros artigos online acessíveis. E mesmo assim há escritores desleixados quanto a pesquisa, ou mesmo de boa intenção acaba falhando na contextualização. Pode acontecer do escritor receber tal informação de algum site de credibilidade duvidosa e acreditá-la sem a devida averiguação, ou também por tomar inspiração em outra obra que tenha adaptado algo no mundo criado pelo autor com a devida licença poética, e acaba repetindo esta adaptação como verossímil. Tal problema surge em maior frequência quando retratam períodos ou regiões diferentes a do autor, embora ainda aconteça ao representar determinado tipo de trabalho. Por exemplo: personificar alguém da minha área ― informática ― sendo um hacker capaz de invadir o sistema de segurança militar… composto do algoritmo real que calcula fórmulas de astronomia. A série Arrow cometeu essa gafe, mesmo sendo produção de grande orçamento:

"Criptografia avançada" em Arrow

Flagra feito pelo blog Vida de Programador (link do post original na imagem)

Enfim, erros acontecem. Mesmo com os recursos atuais é difícil acertar na verossimilhança através de pesquisa, sob o risco de provocar a ira do leitor ambientado no contexto mal adaptado em seu romance. O melhor a fazer é esforçar a cometer menos erros. Procure ler obras de autores sob o contexto disposto a representar, igual optei a ler livros de Graciliano Ramos para aprender mais sobre os alagoanos numa época próxima a qual retrato na minha nova tentativa de romance ― e ainda tive a coincidência de ler este livro dele que inspirou toda esta postagem! ― E até isso pode ser difícil dependendo de qual região queira abordar, tendo o azar de encontrar pouca ou nenhuma obra de autor local; ou mesmo existindo, é inviável adquirir ou falha em repercutir no resto do país, mesmo através da internet. Ainda pode ir além da literatura e consumir o que tiver disponível sobre aquele povo. Seja música, notícia, vlog. Ou encontre alguém disposto a conversar sobre a cultura local. Caso tenha condições financeiras, lembre de contratar a análise crítica do profissional mais próximo de conviver ou entender do contexto de sua história.

Neste tópico eu posso afirmar sim a facilidade de trabalhar em relação à realidade de João Valério. No entanto aumenta também a exigência dos leitores quanto a representatividade, pois incluir diversidade apenas para “cumprir cota” deixou de ser suficiente. O autor tem o direito de ignorar tamanha exigência, pois considera uma “problematização desnecessária” ― vulgo mimimi ― e assim ele deixa de atrair grande parcela do seu público, o qual tem a possibilidade de crescer nos próximos anos e passará a te ignorar por isso.


Gostou das reflexões? Caetés traz questões contemporâneas mesmo em tempos posteriores da primeira publicação ao possibilitar esta discussão sobre os costumes de autor fictício semelhantes aos escritores atuais e reais. Também demonstra como ler obras diferentes da área de conforto exercita novas ideias.

Post do blog Vida de Programador que reconheceu a gafe em Arrow

Código-fonte de onde o seriado retirou o “sistema de segurança militar”

Sons da Fala (Estreia do Projeto Cápsula da Morro Branco)

Nunca tivemos tantos recursos de comunicação iguais os de hoje, e isso acarreta numa ideia ingênua de tirarmos grandes benefícios desta situação. Na verdade até podemos elencar elogios a esses avanços, só é preciso destacar também os problemas. Todos podem ter voz, e isso nada garante de a voz mais ouvida for transmitida por ter conhecimento ou propostas de melhoria. É aquela provinda do desgaste, da injustiça ou ingratidão reconhecida por muita gente, e por isso é mais difundida. E se perdermos essa capacidade de ampliarmos nossa voz, ou pior, perder a própria comunicação verbal ou escrita? O desgaste, injustiça e ingratidão ainda prevalecerão, e ganharão força na violência.

Sons de Fala aborda este mundo onde a comunicação foi perdida. Publicado pela primeira vez em 1983 por Octavia E. Butler, a editora Morro Branco disponibiliza este conto de graça através do Projeto Cápsulas. Com tradução de Heci Regina Candiani, o conto narra a história de Rye e sua tentativa de sobrevivência neste mundo sem comunicação verbal.

“Observou-o gritar com uma raiva sem palavras”

Rye está no ônibus, a caminho onde ainda poderia encontrar algum parente vivo, quando a confusão acontece. Dois passageiros começam a brigar, deixam os demais apavorados, apesar de terem consciência de algo do tipo acontecer. O motorista força manobras, balança o ônibus e tenta desequilibrar os lutadores a ponto de os derrubarem e impedir a agressão, e ao conseguir, dois outros passageiros também brigam.

O motorista pausa a viagem depois dessas confusões, Rye mantém distância até tranquilizar a situação e poder continuar a viagem, quando observa outro carro se aproximar — os veículos são raros tanto quanto os combustíveis —, é de um sujeito com o uniforme do Departamento de Polícia de Los Angeles, instituição que deixou de existir. Ele tenta comunicar com Rye através dos gestos, custa compreender a situação entre os passageiros do ônibus, tudo por causa da doença capaz de inibir a capacidade de comunicação entre eles, alguns desaprenderam a ler e escrever e/ou perderam a capacidade de formar palavras ao falar.

“A despeito do uniforme, lei e ordem não eram nada — já não eram sequer palavras”

O tema deste conto vem aos poucos, dilui pelos primeiros parágrafos e permite o leitor digerir a situação extraordinária. Só depois confirma: as pessoas perderam a capacidade de comunicar. Oferece um tempo confortável a interpretar o problema apresentado e as consequências dele, como o motivo de deixar as pessoas mais violentas — com maior incidência em homens — e denunciar muitos comportamentos presentes mesmo trinta e cinco anos depois do conto ter sido escrito.

Octavia usa da prosa descritiva, incisiva quanto ao que acontece aos personagens ou sobre sentimentos e ideias deles. O narrador diz sobre as pessoas desta ficção e das situações desconhecidas pelos personagens, cita o nome dos lugares mesmo quando Rye é incapaz de ler, servindo de intermediário entre o leitor e a protagonista com esta dificuldade. A autora prova outra vez de como contar a história em vez de mostrá-la pode funcionar, quando bem executado; o leitor pode deixar de sentir empatia através dos gestos e intertextualidade comum à narrativa exibicionista, por outro lado o percebe quando as questões do enredo surgem na hora certa e conseguem gerar impacto ao personagem afetado.

Também é nítida a exploração de temas sociais. A diferença entre os gêneros das pessoas e os possíveis conflitos dessa, a violência eminente no encontro de pessoas desconhecidas, pois apesar de compartilharem da mesma miséria, reagem de formas diferentes, e ainda por cima a esperança com a devida precaução de poder seguir mesmo nessas dificuldades. Octavia usa o gênero da ficção científica ao apontar e denunciar os aspectos de nossa humanidade.

O Projeto Cápsula da Morro Branco fez bem em estrear pelo conto Sons de Fala. O motivo vai além de Octavia trazer ótimos retornos à editora através dos outros romances já publicados pela primeira vez no Brasil — como a duologia Semente da Terra. Este conto persiste as qualidades da autora mesmo nessa história breve, trazendo aquele desconforto impactante capaz de nos provocar e refletir os problemas resilientes que parecem nunca desaparecer.

“E nesse mundo em que a única linguagem comum provável era a corporal, estar armada quase sempre bastava”

Sons da Fala - capaAutora: Octavia E. Bulter
Tradutora: Heci Regina Candiani
Ano de Publicação Original: 1983
Edição: 2019
Editora: Morro Branco (Projeto Cápsulas)
Quantidade de Páginas: 35

Acesse o conto

A Utilidade das Críticas Negativas

O objetivo das resenhas é de me motivar a compreender mais sobre os livros lidos. Entender porque eu gosto de determinadas passagens, as razões de eu achar determinada leitura maçante, aprender lições com os acertos e erros dos demais escritores e assim usar o conhecimento adquirido na minha escrita.

Ao longo das resenhas eu também fiquei mais exigente, relatando problemas encontrados até nos livros que gostei — a ponto de eu dar três estrelas na avaliação do Skoob e Amazon —, apesar de ter o cuidado de evitar esta crítica comprometer quando as qualidades do livro compensam o deslize. Então por que eu insisto em apontar essas pequenas falhas? Ou também: qual o sentido de dedicar tempo com leitura desagradável e ainda fazer questão de escrever as críticas negativas a ela? Respondo essas duas perguntas neste post, porém já adianto o motivo: incentivar a melhora da escrita.

Apenas elogios só atrapalham

Conheço canais de resenhas literárias dedicados a esbanjar elogios nos livros lidos. De qualidades diferentes, todos recebem a nota máxima e são idolatrados pela capacidade extraordinária do ficcionista. Respeito o espaço deles, possuem o direito de elogiar quem eles quiserem, e até ajuda a atrair leitores preconceituosos com livros brasileiros a conferirem esses trabalhos tão bem avaliados, por certo tempo. O problema desta abordagem acontece quando o leitor percebe que determinado canal só sabe falar bem e se decepciona com algum dos livros indicados, a reputação daquele trabalho entra em cheque junto com o de todo livro resenhado por ele depois da desilusão, prejudicando mesmo os bons autores.

Só tenho duas ressalvas: já encontrei resenhas positivas sobre livros que detestei, e nesses casos só houveram divergências entre a minha impressão e a do outro resenhista, algo comum de acontecer na análise de trabalho artístico; também há canais que deixam de postar quando a leitura for ruim, pois preferem apontar as falhas ao escritor em privado e poupá-lo de denegrir sua imagem evitando de publicar a crítica. Também discordo deste último caso, sou defensor de manter a transparência em muitos sentidos, entre eles o de demonstrar a verdadeira qualidade dos livros escritos pelos brasileiros. Ter a ciência de estar sujeito a apontamentos públicos quanto a qualidade da escrita exerce aquela “pressão saudável”, aumenta a disposição de melhorar o texto com intenção de garantir a melhor impressão dos leitores.

Ao discordar das atitudes desses colegas resenhistas, estou longe de afirmar ser contra eles. A opinião divergente faz eu agir de modo distinto, e como ainda vivemos num ambiente democrático, é possível coexistir essas diferenças de trabalho, atraindo perfis de público correspondentes à proposta do canal.

Críticas negativas feitas só por criticar também atrapalham

No outro extremo temos gente disposta a apenas falar mal. Não trabalham com resenhas, apenas são espontâneos quando detestam determinado livro e ignoram qualquer qualidade ainda disponível, insistem tanto a ponto de acusar quem gosta ter péssimo gosto. E a pessoa consegue se favorecer com este tipo de atitude? Infelizmente sim! Tal comportamento atrai a atenção de várias pessoas, podendo gerar discussão desnecessária, o que ainda assim corresponde ao bom engajamento nas redes sociais, por isso promove quem fala mal. Quando ganha atenção, esta pessoa transborda postagens e memes apenas com intuito de tirar sarro, gerar mais engajamento; é uma estratégia desonesta e fácil de executar, basta focar na quantidade e ignorar a qualidade da critica elaborada, depois é só promover o seu próprio material, pois conseguiu formar público.

Mesmo quando detesto alguma leitura, faço questão de procurar pelas qualidades do livro e mostrar os pontos fortes e fracos. Quando o livro é de brasileiro independente ou editora pequena, tem maior probabilidade do próprio autor conferir minha resenha, por isso aponto as falhas sem comprometê-lo, ou seja, as críticas negativas estão lá, só que dispostas como conselhos a melhorar, bem ao contrário de desprezar determinado trabalho só por eu encontrar falhas.

Avaliar os pontos fracos faz parte do resenhista. Reforço o dito no começo deste artigo, faço resenhas para aprender mais da escrita a partir do esforço alheio, e aprendo muito quando identifico erro nos grandes escritores, conforme até James Wood disse. A perfeição é um estado inalcançável, então todo livro está sujeito a ter pontos a melhorar. Caso o resenhista não encontre tais pontos, é porque este falha na análise, por outro lado o autor foi bom o bastante em superar a visão crítica do leitor, e levando em consideração ser mais fácil criticar do que escrever livros, esse autor possui um mérito e tanto. Confesso já cometer essa falha, nem é tão difícil encontrar resenhas minhas onde só existem elogios, basta ver os livros eleitos na lista dos melhores XPs Literários — minha meta é isso acontecer cada vez menos.

Quando a resenha é honesta, o leitor compreende as críticas negativas apontadas e as pondera com as qualidades citadas nesta e nas outras análises. Quando conhece o crítico, os livros elogiados por ele terão maior credibilidade ao leitor, pois foi mérito do autor dedicar tanto a ponto de superar os demais trabalhos analisados por aquele canal. Defendo esta abordagem sendo a mais justa aos leitores e escritores, além do cuidado de respeitar o esforço mesmo daqueles carentes de aprimorar a escrita, com intenção que de fato melhore!

LoveStar (Sci-Fi de Andri Snar Magnason)

Já discuti sobre o livro com foco em analisar a tecnologia vigente e discutir as prováveis consequências da humanidade com a evolução tecnológica. A história a seguir faz o mesmo a partir das próprias especulações, elabora discussões a partir de acontecimentos chocantes advindos do novo meio de produzir tecnologia, a possibilidade de criar novas funcionalidades alteram o modo de viver da população, atiça os obsessivos a ignorar os problemas decorrentes das novidades e proporciona o absurdo na realidade. Inacreditável mesmo é ler toda esta alucinação do autor transcrita em palavras, e mesmo assim traçar paralelos com a nossa realidade.

LoveStar extrapola a ficção científica a fim de fazer críticas ácidas sobre o desenvolvimento tecnológico e o comportamento da humanidade causado pela existência dessas funcionalidades imaginadas. Publicado em 2002 por Andri Snar Magnason com edição da Morro Branco em 2018 e traduzido por Fábio Fernandes, o livro traz duas histórias paralelas e apresenta nelas as nuances do ponto principal da obra.

“Em seus olhos brilhava a própria felicidade, reluzentes como a palavra LOVESTAR”

Tudo começa a partir de comportamentos estranhos de certos animais, como os pássaros que sempre iriam ao sul na véspera do inverno no hemisfério norte, e de repente elas seguem ainda mais ao norte. As pesquisas apontam a alguma interferência nas frequências emitidas e recebidas pelos animais como a causa, e isso leva a pessoas comuns atribuírem qualquer problema posterior como decorrente desta anomalia. Tais suposições absurdas levam a crer apenas a elementos sobrenaturais, aspectos ignorados pela ciência pelo simples motivos de serem inconcebíveis… Até o momento de determinados cientistas averiguarem essas especulações e comprovarem do sobrenatural na verdade ser real, é possível utilizar a frequência dos pássaros e revolucionar os meios de comunicação. A nova descoberta substitui todos os fios e cabos e possibilita a invenção de novas tecnologias com incríveis funcionalidades e absurdas transformações na vida de todas as pessoas.

O homem por trás de toda essa evolução assume o nome de LoveStar, cuja empresa é homônima e a mais potente do mundo graças às invenções bem como das estratégias de marketing da filial iStar. As invenções possibilitaram novas formas de trabalho, transformou a forma de lidar com a morte e possibilitou o cálculo certeiro do amor. Depois de tanto fazer pelo mundo, LoveStar faz a última viagem com uma semente em mãos, ciente de possuir menos de quatro horas de vida, tempo usado a refletir os acontecimentos importantes de sua vida.

Capítulos de LoveStar alternam com os da história de Indridi, um homem com a vida transtornada por conta das tecnologias produzidas pela empresa LoveStar. Vive a rotina apaixonada e louca com a namorada Sigrid até o momento de descobrirem que o cálculo do amor definiu Sigrid como a cara metade de outra pessoa. O cálculo infalível contradiz cada momento feliz do casal ainda crente de eles serem feitos um para o outro, porém a empresa encarregada pelo cálculo do amor — a LoveIN — insiste na Sigrid conhecer o verdadeiro amor da vida dela em prol do objetivo maior, o de estabelecer a paz na Terra através do amor.

“Pelo amor de Deus, comporte-se cientificamente!”

Os personagens e o enredo do livro são elementos secundários, responsáveis por sustentar o objetivo da história: o de mostrar as consequências na rotina e vida da humanidade a partir das invenções tecnológicas. O meio de desenvolvimento criado dessas tecnologias pouco tem a ver com a realidade, funcionam dentro das regras lógicas elaboradas pelo autor, essas quebradas na intenção de demonstrar um novo argumento da crítica ao progresso tecnológico. Toda especulação remete a reflexões propostas ao leitor, pois nos meios dos absurdos há a crítica quanto como grupos de pessoas desinformadas podem ser manipuladas, da obsessão de progredir na carreira comprometer a vida de gente próxima como a família, em como a apresentação de algo revolucionário pode mascarar o quanto este algo é na verdade perigoso.

Mesmo a intenção do enredo ter o foco menor, este perde a linha no meio do livro. Capítulos levam os personagens a nenhum ponto relevante, apenas oferece mais oportunidades de mostrar novas tecnologias criadas na mente criativa do autor, mas repete as críticas já ditas e assimiladas capítulos atrás. Pelo menos o enredo alinha à proposta original do livro ao final, oferece climas tensos acompanhadas ao ápice da criatividade maluca do autor nas extrapolações tecnológicas. O desfecho é bizarro de tão espetacular.

LoveStar consegue prender a atenção ao leitor às críticas sinceras por meio dos argumentos extraordinários a partir do mundo maluco criado ao longo dos capítulos. Exagera nas extrapolações e deixa o enredo de lado em prol da escrita  agradavelmente perturbadora.

“Não pensamos pelas pessoas. Só fazemos o que elas querem.”

LoveStar - capaAutor: Andri Snar Magnason
Ano de Publicação Original: 2002
Edição: 2018
Editora: Morro Branco
Tradutor: Fábio Fernandes
Quantidade de Páginas: 336

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Ciência: Interesse, Desinformação e Importância

Mesmo com o foco do blog na literatura, assuntos relacionados à ciência são muito bem-vindos nos posts bem como por este que vos escreve. Já abri discussão quanto a importância de todo indivíduo precisar ler artigos acadêmicos além dos problemas decorrentes na ignorância ao conhecimento. Trago assuntos tanto com conclusões animadoras como a reflexões críticas, todas com a devida importância. Vi uma matéria na semana passada com título chamativo e proposta questionável, esta a qual discutirei neste artigo quanto ao interesse, desinformação e importância relacionados à ciência.

A matéria é da TAB Uol, sobre os brasileiros serem mais interessados na ciência em comparação ao resto do mundo, baseado no estudo mais recente feito pela empresa 3M chamado State of Science Index.  A notícia seria animadora, pena os detalhes ignorados pela matéria forem trágicos. Segundo os dados da pesquisa, o interesse do brasileiro em destaque é a importância na ciência no dia a dia, onde o índice é maior no Brasil comparado aos outros 13 países avaliados. Só que este é apenas um dos índices levantados pela pesquisa, há outras questões analisadas as quais outros países se destacam, como a maior curiosidade na ciência por parte dos mexicanos, a importância de todo cidadão entender como a ciência funciona independente da profissão como os habitantes de Singapura, e o maior interesse em motivar as crianças a seguirem carreira científicas entre os sul-africanos.

Outro problema na matéria é falar dos brasileiros terem a maior percepção sobre vários aspectos da ciência do que o resto no mundo. Isto é meia verdade. O Brasil supera certos índices da média global, o erro ao dizer em superar o resto do mundo é por ter países com determinados índices superior ao Brasil, como por exemplo: 79% dos brasileiros são curiosos quanto à ciência, proporção maior a da média global de 72%, mas perde em relação à Alemanha com 82%.

Estatística - Ciência

A estatística desmente o argumento

Os interesseiros da ciência

Tanto o estudo como o destaque da matéria desperta questões quanto a importância do interesse pela ciência frente a outros fatores. A maioria dos entrevistados na pesquisa — sejam brasileiros ou da média global — assumem conhecer nada ou apenas pouco sobre a ciência. O conhecimento falha em acompanhar o interesse, e é possível testemunhar as consequências deste gargalo, dentre elas a pessoa confiar em determinado apontamento só pela menção de algum estudo sem dizer onde este foi feito ou sequer conferir a fonte original. O estudo da 3M afirma dos entrevistados terem mais confiança quando a fonte de informação vir de cientista comparado a pessoas próximas ou publicações de sites e redes sociais, entretanto não deixa claro se a credibilidade da pessoa ou publicação permanece igual ou aumenta ao dizer que tirou a informação de pesquisa científica.

O jargão “a ciência só está certa quando concorda comigo” reflete no viés do indivíduo superar a confiança no trabalho dedicado dos acadêmicos responsáveis por analisas e discutir determinado assunto. Todo o trabalho perde o valor pelo indivíduo apenas por entregar o resultado diferente do esperado por ela; tal comportamento corresponde a 50% dos brasileiros, superior a média global de 45%.

Discordar - Ciência

Os suricates discordam quanto ao formato da Terra

Em suma: o brasileiro — no geral — tem interesse pela ciência, apesar de possuir pouco conhecimento e da metade concordar com a ciência apenas quando os estudos dela for de acordo com a sua crença. Tal situação gera cenários favoráveis a matérias que atribuam descobertas a partir de “estudos científicos” e no fim nem cita quais estudos são esses. A pessoa lê apenas a matéria e aceita aquela informação sem procurar saber mais do estudo — por falta de conhecimento — ou apenas o ignora quando for contra a ideia preconcebida da pessoa.

O perigo do ceticismo

O estudo traz o alerta sobre as pessoas céticas quanto a ciência. Elas representam um terço dos entrevistados e seu número cresceu em 3% comparado à pesquisa feita no ano anterior. O ceticismo seria importante para desenvolver o pensamento crítico e incentivar o indivíduo a buscar as respostas por si, pena os motivos de os tornarem céticos quanto a ciência segundo a pesquisa da 3M demonstrar o caminho reverso.

A maioria critica a alta incidência de conflitos de opinião entre os cientistas, sinal de ignorância da parte dos céticos em como a ciência funciona, pois os estudos progridem justamente a partir da discussão de ideias, analisa as falhas de cada estudo e propõe melhorias a partir dos novos. O segundo maior motivo é por fazer parte da natureza deles questionarem sobre a maioria dos assuntos, e esta é uma ótima postura, desde que tome esse questionamento e procure as informações por si mesmo.

Também há forte incidência de argumentos sobre a ciência sofrer influência de empresas, governos ou até dos vieses dos próprios cientistas. Tal conspiração existe, impossível negar a parcela de pessoas com interesses egoístas a ponto de forjar estudos condizentes com a crença do autor — ou de quem financia o projeto. Por isso é importante haver discussão dos estudos na maior diversidade de fontes possível, assim terá a oportunidade de desmascarar estudos enviesados e intenções nada acadêmicas.

Conspiração - Ciência

Tudo feito por computação gráfica!

O ceticismo seria capaz de estimular melhores discussões quanto a ciência, pena os argumentos apresentados por eles no estudo da 3M terem o efeito contrário. Boa parte dos céticos analisados perde a confiança na ciência, e talvez isso justifique tal índice diminuir na maioria dos países analisados.


A desinformação está presente desde antes da recorrência de Fake News nas eleições do ano passado. O conhecimento científico por parte da população é prejudicado graças a ela, e ver esta alta incidência de interesse me leva ao pensamento de piorar a situação, pois o interesse sem conhecimento leva as pessoas a crerem na ciência ao invés de estudarem-na. Por isso muitos são fisgados por teorias da conspiração que soam com argumentos científicos, porém o conhecimento pertinente é ignorado pelos conspiradores e desconhecidos por quem acredita nessas mentiras. Enquanto o interesse não estiver na própria pessoa em ir atrás do conhecimento, a ciência continuará menos acessível.

Referências

Brasileiros são mais interessado em ciência que o resto do mundo (matéria do TAB Uol)

Página onde destaca o que cada país acha mais importante na ciência segundo o estudo da 3M (Em inglês)

Apresentação dos índices levantados pela 3M com opções de filtragem (Em inglês)

Arquivo do estudo realizado pela 3M (Em inglês)

Já Leu Um Artigo Acadêmico Hoje?

Já leu um artigo acadêmico hoje? Caso ache esta pergunta estranha por ser escritor e não cientista, é preciso me acompanhar neste post, pois falta compreensão da importância de tais textos, e estendo essa importância a qualquer cidadão ao conferir um artigo ou outro de vez em quando, de preferência sempre. O motivo é simples, e eu já expliquei ano passado como sendo o grande problema de 2018. Com tanta informação disponível, a sociedade falham em obter mais conhecimento e ficam sujeitas a notícias falsas, a mercê de narrativas medíocres no sentido literário e na comunicação em geral. Este Aprendizado faz abordagem genérica, útil tanto a escritores como pessoas interessadas em aprender, ou pelo menos deveriam.

Meu relacionamento com os artigos

Começarei a falar da importância dos textos acadêmicos a partir da minha experiência, demonstrando como eu também dava pouca importava a princípio. Deixo a modéstia de lado e digo que já fiz quatro monografias — concluí a última aos vinte e três anos —, quantidade pequena numa carreira acadêmica, mas maior de muitos que estudaram até o ensino superior como eu. Na minha bolha de estudantes, monografia significava apenas o passo final a concluir o curso. Procurar referências bibliográficas e catalogá-las no fim do Trabalho de Conclusão de Curso traumatiza o aluno ansioso por concluir aquele trabalho, defendê-lo e comemorar a vinda do certificado. Em outras palavras, os artigos eram apenas obstáculos quando já estávamos exaustos de estudar.

Obstáculo - artigo

Eu levando meu TCC para a banca avaliadora

Também foi assim comigo. Pesquisava pelos artigos, selecionava trechos relacionados ao tópico que eu precisava, o resumia, colocava na monografia e registrava a devida referência; e nesse meio tempo também checava as normas da ABNT, cheia de detalhes. Minha metodologia foi sistemática, voltada ao objetivo sem aproveitar as oportunidades proporcionadas por aqueles tantos textos lidos.

Só comecei a ver importância nos artigos científicos fora da acadêmia, numa plataforma incomum a buscar este tipo de conteúdo: o YouTube. Larguei canais de games e os vlogs ao descobrir influenciadores com argumentos embasados em pesquisa prévia. Comecei pelo Nerdologia e Pirula, depois conheci Ponto em Comum, Peixe Babel, Primata Falante, Canal do Slow, Blablalogia, Ciência Todo Dia… A maioria faz vídeos em formatos de vlogs, ligam a câmera e falam do assunto indicado no título do vídeo, elenca argumentos e faz a discussão do que é verídico ou pelo menos atestados pelos artigos, esses disponíveis na descrição do vídeo, bem como notícias e outras mídias embasadas.

A importância do artigo

O ideal seria ver cada artigo desses vídeos e entender mais do assunto, confesso minha culpa por fazê-lo apenas ao assistir o vídeo na segunda vez, com intenção de destrinchar o assunto e colher as referências para fazer minhas pesquisas, essas disponíveis neste blog na categoria Aprendizado. E por que é importante conferir as fontes desses vídeos? Porque a maioria são de artigos acadêmicos, cuja autoria vêm de pessoas formadas ou em formação na área de conhecimento relacionada. A dedicação deste trabalho deve ser comprovada pela bancada avaliadora com profissionais de nível acadêmicos superior, e só então torna público; toda a burocracia desta publicação garante o texto vir com a menor probabilidade de equívocos, e se eles existirem, terão outros artigos que contestarão aquele trabalho, como aconteceu na influência de jogos violentos nos atos reais, onde argumentam contra esta relação. Depois de saber a importância das referências, ainda confiará naquelas matérias sensacionalistas em que dizem “os estudos apontam” e no fim nunca explicam quais estudos são esses?

Outra crítica nada fundamentada aos ignorantes da importância das referência é sobre a Wikipédia. Tiram sarro só de ouvir alguma informação tirada de lá como tivesse nenhuma credibilidade, logo esta plataforma que disponibiliza toda referência usada! O site é excelente ponto de partida a pesquisa de fontes, e quando há falta delas, a própria página comunica ao visitante quando determinado artigo pode conter informações erradas.

Wikipedia - artigo

Wikipédia: leia as fontes!

Como aproveitar os artigos

Evitarei me estender em como buscar os artigos acadêmicos. Eu já dei a dica de começar na Wikipédia ou pelo vídeo dos canais citados. Outro ponto de partida é conferir portais de instituições renomadas pela comunidade científica, como a NASA e a revista Science. E eu preciso dizer sobre o Google? Existe a ferramenta Google Acadêmico, onde todos os resultados da pesquisa são artigos acadêmicos.

Então você acessa um daqueles textos lindos feitos por profissionais, e se espanta pelas 60, 80, 240 páginas de puro estudo! Precisa ler tudo isso? Não! Começa lendo o resumo e a introdução, caso trate do assunto desejado, pode pular direto ao tópico que responde as indagações, como a discussão e a própria conclusão. Conforme a necessidade, leia os outros tópicos e aproveite apenas as informações úteis. Caso o estudo for diferente da sua área de conhecimento, pouco adianta acompanhar cada passo da pesquisa, deixe esta parte a outros acadêmicos capazes de contestar e até provar algum engano naquele trabalho; caso provem, você não terá culpa, só recomendo acompanhar as novidades na acadêmia e encontrar o equívoco o quanto antes.

Estudar - artigo

Hum, já entendi que a terra não é plana na página 30

Além da injustiça quanto a relevância desses artigos, existem outros obstáculos ao acessar os artigos acadêmicos. Um deles é o custo, só pode consultar certos artigos ao pagar por ele, chega a desanimar a pesquisa só de olhar o preço. Alguns desses artigos ainda são acessíveis em sites piratas, feito por ativistas que discordam da distribuição desse material somente a quem tem condições de pagar. Todo profissional relacionado à publicação merece ter a remuneração garantida pelo trabalho feito, e concordo com os ativistas sobre a fonte pagadora deixar de ser os leitores, existe a possibilidade de tornar os trabalhos viáveis através de financiamento público ou privado nas pesquisas, então torne o acesso aos estudantes e curiosos o mais fácil possível! É um investimento à sociedade que ficará cada vez mais crítica e menos manipulável por narrativas fajutas.

Outro problema é o idioma. O inglês é a língua universal dos trabalhos científicos, é bom por tornar a discussão entre as pesquisas internacionais mais acessível por focar em um idioma, mas restringe a leitura de quem o desconhece. Quanto a isso eu recomendo o esforço de entender o inglês, pelo menos o necessário a interpretar as informações; eu não sou fluente, minha escrita é regular, tenho dificuldade em ouvir em inglês e sou pior ainda na hora de falar, e ainda assim leio os textos e consigo apreender as informações disponíveis. Mesmo enquanto souber apenas o português, ainda poderá consultar a partir de quem leu, como os artigos de Aprendizado deste blog, os canais do YouTube e outros sites comprometido em acompanhar pesquisas.

Conferir as novidades científicas deveriam ser exercício de cidadania. Valorizando a informação acima do locutor oferece a oportunidade de conhecer mais, reavaliar os próprios equívocos e criticar quando o outro tenta menosprezar a informação verídica. Escritores podem usá-lo como ferramenta até nos elementos fantásticos, uma fonte para especular sobre o conhecimento de hoje e refletir na construção original da ficção. Agora encerro o post com a pergunta: você lerá um artigo acadêmico hoje?

Referências

Vídeo do Canal do Slow sobre como fazer uma boa pesquisa

Vídeo do Nerdologia sobre a Wikipédia

Nostalgia — dos Equívocos ao Benefícios

Nostalgia: eu demorei a entender o significado desta palavra, achava-a esquisita mesmo depois de compreendê-la e meu subconsciente ansiava por conhecer mais. Termo singular como este deve ser visto de forma distinta, procurar e descobrir o motivo de suas qualidades, de abusarem deste sentimento no marketing ou de produções remetentes ao passado, como a adaptação dos heróis de gibi no cinema, o reboot dos filmes infantis clássicos do século que terminou há menos de vinte anos ou qualquer narrativa sobre lembranças dos tempos mais simples. Nostalgia é um sentimento, bem como uma ferramenta ardilosa. Teve a origem conturbada por equívocos, então vê apenas benefícios com ela — além de convencer pessoas a ver novas adaptações do velho. Enfim eu atendi meu desejo inconsciente e estudei esse fenômeno, cujo aprendizado resumo a seguir.

No princípio, Nostalgia era o Caos

O termo nostalgia foi criado para definir algo ruim, um sintoma patológico de inadequação ao presente, pois o indivíduo suspirava pelos bons tempos do passado. A origem corresponde aos mercenários suíços do século XVII, eles enfrentavam conflitos cada vez mais distantes dos lares e por isso ansiavam pelo retorno, sentiam saudade de casa e com isso rememorava os bons tempos de lá; consideravam esse comportamento ruim por acharem a ostentação do passado o sinal de estar descontente com o presente, e portanto desmotivados a cumprir suas tarefas.

Lar - nostalgia

Nada melhor — e humilde — do que o lar

Nostalgia vem das palavras gregas nostos (retorno) e algos (dor), ou seja, o sofrimento pelo desejo de retorno. A inspiração original também veio de uma história grega, sobre as aventuras de Odysseus. Por mais longe ele alcançasse as conquistas, ele sempre ansiava por voltar ao lar e aos braços da amada Penélope; algo romântico traduzido como trágico na situação dos mercenários suíços.

A perspectiva só começa a mudar ao longo do século XX, com propostas da nostalgia trazer consigo outros sentimentos prazerosos. Houve muita discussão quanto a isso, estudiosos elencaram sentimentos ruins e positivos atrelados ao sentir nostalgia, e notaram a maior incidência dos positivos. Desde então observa benefícios através da nostalgia, assim como eu percebi nos materiais consultados — lembre de ver as referência no final!

Nostalgia como elixir

O sentimento traz uma cadeia de benefícios: elevar a autoestima como se a recuperasse do passado, melhorar o otimismo quanto ao futuro e viver bem em sociedade; todo benefício é interligado a outro! Pessoas do mesmo grupo podem corresponder à boa lembrança, seja a mesma ou semelhante, como a brincadeira de tazos de quem teve infância nos anos 1990, reouvir a música de sucesso de determinada época ou lembrar de alguma situação em comum; até mesmo os feriados festivos alimentam a nostalgia ao reunir pessoas distantes depois de tanto tempo sem ver. Em outras palavras, nostalgia serve de gatilho a boas relações sociais, sejam de pessoas próximas ou aquelas com gostos parecidos. E esta boa convivência estimula os outros benefícios citados, pessoas sentirão melhor com a autoestima dos bons tempos e ficarão mais empolgados com os planos do futuro.

Infância - nostalgia

A nostalgia une quem teve infância semelhante

Quem vive rotinas mais solitárias também consegue esse benefício, pois a nostalgia é capaz de ampliar a intensidade do pouco convívio social desta pessoa. Apenas fica mais complicado quando há pessoas com dificuldade em reaver o passado, nesse caso elas têm problemas ao imaginar novas experiências, pois perdem a visão otimista atribuída com a nostalgia. Por outro lado,  mesmo ao ter o passado conturbado consegue bom proveito, pois pode projetar planos futuros de modo a evitar situações semelhantes do passado ruim.

E por que as narrativas nostálgicas causam impacto ímpar contra as boas histórias sem esse apelo? Simples, os elementos do primeiro entregam algo abstrato, e ainda assim correspondente a autenticidade de quem reconhece o aspecto memorável. É útil inclusive quando há transtornos pessoais quanto ao significado da vida ao recordar das crenças fundamentais e particulares da pessoa, reavidas por meio dos bons sentimentos do passado.

Alegações sob a ótica do copo meio vazio atestam apenas de a reapresentação de obras nostálgicas ser campanha com garantia de ganhar dinheiro fácil pela geração que viu o original. Já os argumentos trazidos neste artigo trazem, na maioria, visões otimistas — até fico impressionado pelo tanto de benefícios! — que merecem mais visibilidade. Eu, como muitos, pensa na rotina vivida por nós hoje como complicada, para não dizer sofrível ou adjetivos piores. Descobrir mais sobre a nostalgia estimula minha esperança e incentiva a aprender mais, pela possibilidade de conhecer outras coisas legais através dessas pesquisas.

Referências

Back to the Future: Nostalgia Increases Optimism

Nostalgia: Past, Present and Future

Why Nostalgia Makes Us Happy… And Healthy

Ficção Violenta Gera Violência?

Tragédias são inevitáveis, independentes da boa vontade em prevê-las. Fatores complexos incitam desastres ambientais, outros de questão social e individual fazem certas pessoas levantar armas e atirar. O resultado é transmitido pela internet segundos depois ou ao vivo. Terminada a tragédia, vem a discussão dos fatos. Figuras públicas ensaiam gestos eloquentes e apontam o dedo sobre as causas, essas em fatores mal compreendidos por elas.

A violência na ficção sempre foi culpada na influência de alguém a ponto de torná-lo infrator antes mesmo de verificar o quanto impacta. O tempo avança e as críticas insistem em mídias contemporâneas, foi assim com livros, quadrinhos, filmes… Hoje os jogos eletrônicos levam a culpa dos atentados recentes. Este artigo traz a discussão sobre a violência da ficção de fato influenciar no público que a consome. Sem dar o ponto final na questão como em qualquer outro artigo da categoria Aprendizado deste blog, o intuito aqui é oferecer diálogo a partir das pesquisas feitas sobre o assunto.

Literatura Violenta

Começo a abordagem pela violência na literatura. O periódico de Tânia Pellegrini traz pontos de a agressividade na literatura brasileira estar atrelada a cultura e histórico de nosso país, submisso a momentos conturbados na colonização, escravidão, lutas de independência, ditaduras e a urbanização.

Violência

Pallegrini ainda analisa e compara dois livros com violência marcante: a ficção de A Cidade de Deus e a obra Estação Carandiru de Dráuzio Varella. Chama atenção do primeiro na forma de apresentar a violência na história, todo o ambiente é marcado por agressão, representada por diversas formas a ponto de levantar uma espetacularização da violência, cujo excesso é o atrativo do público. Ao contrário do livro de Dráuzio narrado pelo próprio, uma pessoa alheia à realidade dos prisioneiros de Carandiru que mostra os acontecimentos vistos, dá voz aos personagens reais daquela situação ao invés de expô-las ao leitor através da violência.

A crítica de histórias como A Cidade de Deus é feita pela ambiguidade na interpretação de quem lê, pois pode assimilar a crueza de todos os delitos representados na ficção; ou imaginar que, naquele meio, a violência é viável à humanidade. Eu enxergo esta divergência de interpretação como oportunidade de debate entre os consumidores da história, mas como já critiquei na abertura deste artigo, pessoas de grande representatividade apelam apenas na segunda versão sem sequer conferir os fatores.

Violência Real X Fictícia

Sobre os fãs de histórias violentas, boa parte é atraída pelo ambiente fechado da ficção onde tal recurso se justifica, longe de eles acreditarem como algo viável na realidade. Foi o que a States United to Prevent Gun Violence (SUPGV) mostrou na campanha em vídeo, onde convidou fãs dos filmes de ação para assistir a estreia no cinema de algo como eles queriam: cenas cheias de ação e armas.

Cinema violento - violência

O cinema entregou o prometido, mas apenas com gravações reais de homicídios, acidentes com arma e suicídio. As câmeras escondidas filmavam a reação dos espectadores, e ninguém se empolgou com as cenas, muito pelo contrário. Saíram apavorados, chocados com as tragédias causadas pelas armas de fogo, conscientes da violência jamais ser o melhor recurso na resolução de conflitos.

Lá vem os jogos

Games são as mídias mais recentes onde conteúdos violentos se multiplicam mais rápidos do que coelhos. O blog tem resenhas de alguns desses jogos, onde analiso o enredo e mundo de determinado jogo, demonstrando a situação daquele mundo com a violência como reflexo — ou desculpa para o jogador bater em quem estiver no caminho. O quanto isso influencia as pessoas? Felizmente já existem vários estudos para esta discussão.

Gamer Zone - violência

O mais recente feito pela Oxford neste ano traz críticas a outros estudos que alegaram relação de jogos violentos com os delinquentes reais. Segundo o periódico, algumas metodologias coordenavam as pessoas analisadas a responderem de acordo com o viés do pesquisador, pois nem todos os parâmetros levantados eram imparciais. Quando os pesquisadores de Oxford fizeram o próprio levantamento, contestaram a influência dos jogos violentos a quem comete atentado.

Longe de os games serem isentos de culpa. A American Psychological Association’s (APA) fez uma análise bibliográfica com trinta e um artigos sobre jogos e violência. O resultado das análises reforça a baixa probabilidade de jogos violentos incentivarem pessoas a cometer delitos, entretanto podem influenciar no comportamento, como demonstrar sentimentos mais agressivos e/ou perder a sensibilidade ao ver algo brutal; o último ponto conflita com a campanha em vídeo do cinema citado acima, que apesar de não ser matéria acadêmica, levo a questão pela representação extrema capaz de chocar até quem possua pouca sensibilidade.

Menos julgamento, mais discussão

Atos violentos têm origens em diversos fatores, difícil de apontar causas específicas num comportamento tão complexo. Vimos como os ambientes violentos na ficção possuem a sua parcela de culpa, apenas com impactos emocionais. Apontar o dedo onde tem menos influência demonstra pouco conhecimento da causa, além da falta de interesse ou ocultação do que de fato provoca consequências maiores. Toda conclusão deveria vir após estudar o caso, sem apelo a sentimentos e comportamento honesto frente a prevenção de novas tragédias.

Referências

No fio da navalha: literatura e violência no Brasil de hoje

Gun Crazy: Moviegoers See Gun Violence Like They’ve Never Seen Before (YouTube)

Violent video game engagement is not associated with adolescents’ aggressive behaviour: evidence from a registered report

Influenciadores X Informação

Já estamos em 2019. Eu sei, já é tarde anunciar o ano novo após quase cinquenta dias de estreia. Só o faço porque o grande problema de 2018 continua mesmo após o réveillon. Publiquei o artigo há mais de um ano falando como a ignorância dos brasileiros frente ao conhecimento pode prejudicar muitos aspectos de nosso país. Ninguém é obrigado a saber de tudo, e eu demonstrei as minhas falhas no outro texto e propus a todos nós procurar melhores informações. A copa do mundo passou, o novo presidente já assumiu os trabalhos e já retirou a bolsa de colostomia, e a ignorância permanece.

Fácil de notar a insistência deste problema quando os brasileiros engoliam rajadas de fake news durante a eleição, e ainda assim vemos algumas até hoje. Enquanto estivermos a mercê da ignorância, esta permanecerá como o Grande Problema de 2019. Eu também persistirei nesta discussão, e este post agregará argumentos para outra situação: a disputa onde a informação perde de 7 a 1 contra a influência.

Há grandes chances de nossos filhos, sobrinhos, pais e mães sofrerem influência da ideologia dos comunicadores da mídia. Não mais a tradicional, mas a descentralizada da internet. Longe de partir dos professores ou de cientistas, e sim de YouTubers.

Os criadores de conteúdo da maior plataforma de vídeos vigente são os responsáveis por tirar cidadãos de bem e crianças das questões importantes da sociedade, além de problematizar pontos inúteis de discussão onde leva a lugar nenhum, na verdade tira o foco do essencial.

Plataforma de vídeos — e influências

A Google disponibilizou o relatório pomposo, cheia de orgulho do alcance propagado pelos produtores de conteúdo no YouTube. O número de visualizações só aumenta, pessoas dedicadas a disponibilizar vídeos no site conseguem rendimentos capazes de manter a vida financeira, são a fonte favorita de mídia para saber de assuntos específicos ou conteúdos agradáveis a quem assiste. Perdem em influência apenas contra amigos e familiares, os espectadores confiam mais neles do que no jornalismo tradicional e na TV aberta. Sabe os temíveis professores e cientistas influenciadores? Eles existem, com certeza! Apenas não em proporção suficiente a ponto de nem se destacar entre os demais setores da estatística.

O relatório exalta o alcance do YouTube com objetivo de divulgar o mecanismo de patrocínio entre os produtores de vídeo e as marcas interessadas em anunciar produtos. E de fato os YouTubers são excelentes em engajar os espectadores a conferirem as novidades anunciadas nos vídeos — fator destacado no relatório — e mal precisa observar muito quanto a eficácia da influência. E o problema existe bem aqui. Os produtores são excelentes em convencer o público fiel deles a seguirem dicas, garantem a visibilidade da marca através de patrocínio, e vão além de propagar produtos e serviços de empresas.

Ideologias são conjuntos de ideias vendidas a quem acredita nelas, e os YouTubers sabem vendê-las. Além disso, estão cientes de como seu público aceita o que assiste sem checar a realidade proposta no vídeo. Eles também não sugerem aos fãs como se informarem, ou melhor, citam apenas as “fontes confiáveis” cujas pessoas compartilham do mesmo interesse defendido pelo produtor, além de demonstrar os pontos contrários de modo que eles soem fúteis a sua audiência. Pouco importa, o público já está cativo de seu conteúdo e tomará o discurso como verdadeiro, quando na verdade é apenas verossímil. Apresentar meios de obter informações além dos influenciadores é ineficaz, esmurrar a ponta da faca machucaria menos.

Existe solução?

Refutação honesta

Segundo um estudo feito através de estudantes sobre pseudociência, a melhor forma de desmistificá-la é apontando as suas características e as falhas. Sem editar fragmentos do argumento no intuito de torná-lo bobo, nem diminuir o locutor da mentira por nível social ou campo ideológico. Apenas a apresentação honesta da ideia equivocada lançada pelo influenciador, e a exposição sincera das informações necessárias para provar o erro.

O estudo trata de pseudociências, e vejo como alternativa a qualquer informação defasada por YouTubers, afinal eles mesmo já operam desta forma, exceto que eles manipulam os argumentos contrários de modo a aparecer fracos contra os deles.

Há as suas limitações. Pelo estudo analisar um caso de estudantes, o resultado vem de evidências anedóticas, mas pelo menos essas são possíveis de replicar. Como o  artigo publicado ano passado neste blog que analisa as características da astrologia e o motivo de elas serem falsas, apresenta os pontos defendidos por ela e em seguida traz argumentos contrários, ou ao menos provocam reflexões de como a astrologia depende mais da influência do que a veridicidade das informações.

A crença na astrologia ainda persiste mesmo depois de eu publicar meu artigo, nem meu post sobre fake news destruiu a propagação de notícias falsas, muito menos o texto do Grande Problema de 2018 nos salvou da ignorância. Eu sempre dedico esses textos com intuito de colaborar com a discussão demonstrando a minha interpretação das fontes consultadas (lembre de conferir as referências deste artigo também). Quero influenciar ninguém, no máximo incentivar o pensamento crítico. Sigo neste trajeto de debate, pois a trilha é longa e oferece oportunidades de aprendizado quando a percorremos.

Referências

O poder dos YouTubers

Texto do André Azevedo sobre a (má) influência dos YouTubers

Confrontar pseudociências faz sentido?

Effect of Critical Thinking Education on Epistemically Unwarranted Beliefs in College Students

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