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O Suicídio e Sua Prevenção (Setembro Amarelo)

Desinformação traz o perigo de piorar a situação da qual deseja prevenir, mesmo sob boa intenção. Desvirtuar logo do assunto relacionado a manter vidas pode, infelizmente, acontecer o contrário. Sem atribuir culpa total ao desinformado, pois parte do problema corresponde ao assunto ser tabu, portanto menos acessível, ainda assim há quem estude, segue rigores científicos e assim impede dos sentimentos incitarem julgamentos equivocados. Assim funciona o estudo sobre O Suicídio e Sua Prevenção, escrito por José Manoel Bertolote e publicado pela editora Unesp em 2012, o texto aborda desde a definição do suicídio até as maneiras eficazes de o evitar, comprovadas no momento da publicação.

“Deveríamos começar pela criação de condições para vidas mais significativas e sociedades melhoradas”

Partindo das definições, o autor desenvolve os argumentos ricos em explicação didática. Todo leitor terá facilidade de compreender o conteúdo sem precisar de conhecimento prévio, pois tudo está explicado no próprio texto. Tabelas e gráficos ajudam a mostrar informações condensadas sobre o tópico correspondente, acompanhados de parágrafos elucidativos sobre os dados organizados ali, ou seja, nada dificulta o entendimento do leitor. Talvez seja aconselhável apenas conhecer a importância da metodologia científica para assimilar o porquê das iniciativas de objetivos mais rigorosos serem as mais confiantes quanto a prevenir o suicídio ― breve explicação: tendo metas definidas, é possível avaliar a eficácia da iniciativa, bem como replicá-la caso outro grupo julgue algum erro na metodologia, este têm a possibilidade de testar e assim discutir a melhor abordagem. Por outro lado, explicar a metodologia científica implicaria em desviar do assunto, cuja extensão é sucinta, mas ideal de abordar a quem deseja aprender sobre a prevenção do suicídio, podendo aprofundar depois em materiais complementares.

“Deuses e religiões não eliminam o absurdo, apenas o ocultam”

Embora a abordagem na escrita impede de surgir dúvidas ao leitor, tem uma afirmação contraditória por deixar de informar por completo. O autor reconhece a possibilidade dos registros das tentativas de suicídio serem subestimados, e quando trata sobre as tentativas, afirma das mulheres realizarem com mais frequência por causa do método empregado entre as pessoas deste sexo ocasionar em menos mortes. Apesar da observação resultar dos dados disponíveis, o autor poderia levantar a questão da subnotificação como contraponto capaz de tornar esta afirmação falseável, ou talvez ter explorado melhor esta situação que comprove de as mulheres tentarem mais vezes por esse motivo.

O Suicídio e Sua Prevenção tem conteúdo fiel ao título, começa a abordar da definição e fatos sobre o suicídio, em seguida discute sobre os meios de prevenção. O livro é excelente a qualquer pessoa ler sem dificuldade de assimilar, incentiva a consciência ao abordar este assunto, podendo assim impedir das pessoas limitadas a terem apenas boas intenções acabarem prejudicando a prevenção.

“E o futuro não existe, vivemos aqui e agora”

Capa de O Suicídio e Sua PrevençãoAutor: José Manoel Bertolote
Editora: Unesp
Ano de Publicação: 2012
Gênero: acadêmico / técnico / não ficção / suicídio
Quantidade de Páginas: 138
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A Fantástica Jornada do Escritor no Brasil

Autores brasileiros desbravam desde as poucas horas vagas reservadas a exercer o sonho de criar histórias, a conquistar horas de atenção dos possíveis leitores. Este segmento e até mesmo depois de atrair leituras faz parte da jornada do escritor, de etapas mistas de sucesso, perseverança e tragédia; em certos momentos a tragédia tomará os holofotes e perdurará sobre o mercado minúsculo de autores nacionais, onde um grão de poeira deste corresponde aos autores de literatura fantástica. Exagero ou realidade, é bom os iniciantes encararem tal carreira feito uma jornada cheia de provações, baixas e às vezes até vitórias. Também recomenda conferir livros técnicos e sobre o mercado de literatura, e deste último existe A Fantástica Jornada do Escritor no Brasil, um compilado de entrevistas a autores nacionais elaborado pela Kátia Regina Souza e publicado através da editora Metamorfose em 2017.

“Todo escritor sabe que a boa história, e também a boa vida, é sobre a jornada”

As entrevistas foram feitas ao longo de 2016 e tem quantidade surreal de autores de ficção fantástica brasileiros, entre eles alguns editores também, todos listados no apêndice em breves biografias válidas de consultar. Por mais de os nomes serem conhecidos, seria impossível os leitores deste livro ter conferido as obras de todos eles, assim isso pode servir de guia de novas leituras ou dar a chance a eles após conferir as dicas ou ao comentarem o assunto de seus livros durante a entrevista. Conhecê-los também faz parte de uma das dicas do livro quanto a importância de saber do mercado a atuar e ter referências de leitura ao escrever obras originais.

Os dez capítulos do livro fazem alusão às etapas da jornada do herói, usadas como tópico a abordar as diferentes questões profissionais. Kátia elenca as perguntas iniciais na apresentação do tópico, em seguida deixa a transcrição do entrevistado trazer as respostas pessoais, então Kátia intercala as entrevistas com reflexões pessoais dela em relação às opiniões dos autores convidados. Detalhar a estrutura do livro assim passa a impressão de o ritmo ficar engessado, mas Kátia provoca pequenas variações entre as entrevistas a ponto de conduzir uma leitura rápida, cheia de informações úteis. Tratando de informações, por vezes elas serão contraditórias entre as respostas de diferentes autores, e isso faz parte por vários motivos: as experiências são pessoais, portanto variam sob autores de trajetórias diferentes; quase nada no trabalho da escrita criativa tem padronização; ou mesmo da diversidade em si sustentar o mercado, pois possibilita novas maneiras de desbravar esta jornada.

“Você pode pensar em desistir todos os dias da sua vida, desde que não o faça”

Por ser publicado em 2017, é natural de certas informações estarem desatualizadas. O saldo positivo é que a Odisseia de Literatura Fantástica voltou e até premiou obras em 2019, apesar do livro afirmar da última edição ter sido em 2015. Muitos autores comentaram usar a rede social Facebook no meio de divulgação, e muitos desses já deixaram a plataforma, afinal as publicações em Páginas Oficiais aparecem cada vez menos no feed dos usuários. Clara Madrigano deixou de ser editora da Dame Blanche este ano de 2020. E o mais importante: o mercado estava em crise já quando este livro foi lançado, agora na pandemia está aos cacos. Editoras paralisaram as publicações previstas deste ano, muitas oportunidades se fecharam e permanecerão assim, apesar da DarkSide ir na contramão e premiar cinco autores com publicação e adiantamento de vinte mil reais na seleção de inscrições abertas no momento (julho de 2020). Livrarias prestes a falir, editoras podem fechar, os poucos leitores dispostos a comprar os livros nacionais nem terão dinheiro, e seja quais forem as outras consequências ainda a descobrirmos. Mesmo assim vale a leitura pelas dicas que podem ser flexíveis, cabendo o leitor as adaptar na realidade pela frente, sem falar das válidas em qualquer circunstância: leia, persista, apareça e aprenda.

A Fantástica Jornada do Escritor no Brasil mostra os detalhes do mercado brasileiro na ficção fantástica através da praticidade, das experiências de quem persiste nele há dois ou quarenta anos. Trajetórias se entrelaçam neste mercado pequeno, trazendo a diversidade das divergências, caminhos possíveis ao escritor iniciante seguir onde for o melhor a ele. Algumas dicas podem servir de registro histórico de como era a profissão do ficcionista brasileiro fantástico antes do surto de coronavírus, e por outro lado sempre mostrará a trilha da escrita criativa marcada pela persistência e de conquistas a valerem a pena.

“Quantos mais brasileiros estiverem fazendo literatura de qualidade, a gente vai deixar de ter aquela síndrome de vira-lata”

A Fantástica Jornada do Escritor no Brasil - capaAutora: Kátia Regina Souza
Editora: Metamorfose
Publicado em: 2017
Gênero: escrita criativa / entrevista
Quantidade de Páginas: 173

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Romancista Como Vocação (Haruki Murakami)

Quando o autor idoso possui mais da metade do tempo de vida de carreira na escrita, ele deve possuir algum conhecimento literário. Sarcasmo à parte, toda a trajetória de vida vira fonte de aprendizado quando o escritor decide contar a própria vida, das maneiras e dificuldades encontradas ao insistir em contar histórias. Conhecer as variadas técnicas de escrita criativa é importante, apesar da literatura também ser produzida a partir da experiência, e vale a pena ao menos conferir o trabalho do autor disposto a compartilhá-la.

Romancista Como Vocação é a autobiografia de Haruki Murakami, o autor disposto a compartilhar o pouco que aprendeu na vida. Publicado em 2015 e trazido em 2017 no Brasil através da editora Alfaguara ― Grupo Companhia das Letras ― sob a tradução de Eunice Suenaga, a escrita fluida de Murakami persiste nas breves passagens de aprendizado.

“Mas por que um escritor tem que ser um artista? Quando isso foi decidido, e por quem? Ninguém decidiu isso”

Cada capítulo consiste em perguntas feitas a ele ao longo da vida, algumas o autor revela sentir intimidado pela incapacidade de respondê-las em poucas palavras. Por mais simples seja a pergunta, ele considera toda a experiência ao responder, precisando de palavras o suficiente a escrever este livro. Combina as respostas práticas com aspectos de sua vida, fala desde o trabalho como dono de clube de jazz à premiação a garantir o primeiro livro publicado, até a carreira internacional a partir das publicações feitas nos Estados Unidos. No meio de toda essa jornada, tem lições a novos escritores sobre as possibilidades de criar histórias e desenvolver a carreira literária.

“Essa é minha opinião, mas isso não muda muita coisa”

Toda declaração presente em Romancista Como Vocação é de cunho pessoal, e Murakami faz questão de afirmar e relembrar disso. O leitor tem a oportunidade de conhecer detalhes pessoais do autor, um resumo da trajetória após garantir várias publicações de sucessos comerciais. Garantiu poucos prêmios, e ele comenta sobre o assunto em determinado capítulo, dá opiniões sinceras sobre as premiações, tudo condizente com as declarações dos demais capítulos, ou seja, passam longe de serem desculpas por deixar de vencer os concursos ― inclusive o prêmio Nobel de Literatura.

Apesar dos fãs de Murakami ainda poderem aproveitar este livro, o conteúdo é dedicado a autores e aspirantes, afinal o foco é óbvio. Só deixa de ser tão claro a utilidade das dicas passadas pelo autor japonês. Os escritores precisam estar dispostos a acompanhar as maneiras encontradas pelo autor de seguir na carreira e avaliar quais delas seriam viáveis na própria rotina. Murakami é restrito quanto as dicas, compartilhando as bem sucedidas para ele, e é honesto ao confessar a inviabilidade de servir a quem ler, inclusive faz comparações a comportamentos dos demais autores japoneses e revela a diferença dele com a maioria. Lembrando da nacionalidade dele, Murakami fez carreira nos aspectos do mercado editorial no Japão ou até em fatores sociais — entre eles o sistema educacional da época —, inclusive lembra o leitor da situação política do país durante sua vida, do Japão em crise após a Segunda Guerra Mundial. Mesmo quando começou a publicar nos Estados Unidos teve de adaptar a forma de trabalhar por ser japonês, então cabe ao leitor fazer o mesmo, conferir as dicas e verificar a possibilidade de ajustar a própria realidade, isso caso a dica funcione.

Romancista Como Vocação é um resumo da vida do autor. O conteúdo também convida aos escritores encontrarem os meios de produzir literatura a partir da reflexão das dicas oferecidas por Murakami. São ensinamentos prático e rasos, há livros sobre escrita de melhor conteúdo, escrito por profissionais com experiência em formar escritores, entre eles o trabalho da Francine Prose, enquanto este é limitado a dicas pontuais e ainda incertos da utilidade; ao menos o autor é honesto em afirmar isso.

“Eu já havia me tornado romancista; e a vida é uma só”

Romancista Como Vocação - capaAutor: Haruki Murakami
Tradutora: Eunice Suenaga
Ano da Publicação Original: 2015
Editora: Alfaguara ― Grupo Companhia das Letras
Edição: 2017
Gênero: Não ficção / autobiografia / escrita
Quantidade de Páginas: 168

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Como Estudar a Escrita Criativa

Quando comecei o XP Literário, tinha apenas publicações no Wattpad cujo resultado já comentei em outro artigo, fora isso tentei um concurso e ganhei somente experiência — longe de ver fracasso, já valeu por participar e ter esta iniciativa —, além de submeter um romance a análise crítica a qual descreveu os pontos necessários onde eu precisava melhorar. Em suma tive respostas negativas enquanto persistia e continuava a estudar escrita criativa.

Já neste ano a resiliência passou a valer a pena. Consegui minha primeira publicação comercial na segunda edição da Revista A Taverna e logo terei outro conto publicado também na antologia Creepypastas 2, esta em versão física pela editora Lendari! Submeti outro conto a mais um concurso e ainda aguardo o resultado.

Essas conquistas recentes não foram exclusivas de sorte, e sim fruto da minha dedicação em melhorar a escrita e construção de histórias. Nenhum romance escrito por mim foi publicado, e tenho o otimismo de colocar um “ainda” no final dessa frase. Aprendi e continuo aprendendo de diversas formas, aplicando esse conhecimento em cada tentativa de escrita. E agora compartilho quais são essas maneiras de saber mais sobre a escrita.

Pelas críticas

Como já disse, submeti meu primeiro romance a análise crítica e tive vários apontamentos e sugestões de melhorias. O foco desta análise é de fato identificar as falhas no texto apresentado, feito com a intenção de aprimorar a escrita. Este tipo de serviço serve apenas a autores com condições de abrir mão do ego, e sendo bem honesto, quem tem ego sofrerá muito pela dificuldade de lidar com as críticas. Quando o livro for publicado, estará disponível a todo tipo de leitor, com direito a dar todo tipo de crítica, é preciso respeitar todas elas — e também ignorar as feitas sob nenhum argumento senão o de menosprezar o trabalho alheio.

Voltando ao meu caso, eu tive dificuldade ao aproveitar melhor essa crítica. Aceitei e agradeci por todos os apontamentos, tirei algumas dúvidas com a avaliadora e ela respondeu de boa vontade. O problema foi a minha falta de preparo conceitual ao recebê-la. Pensei ter entendido na hora, mas se fosse hoje eu passaria vergonha de receber um feedback feito aquele. Cometi muitos erros de quem sabia pouco da escrita criativa, e só tive a verdadeira noção desses deslizes depois de estudar mais. Agradeço muito pela paciência e carinho da avaliadora ao analisar meu texto, e apesar de ser pouco eficiente devido a minha limitação, fez parte dessa trajetória de erro e aprendizado.

Aconselho a procurar este tipo de serviço caso tenha condições de pagá-lo, por outro lado também sugiro saber muito bem os conceitos da estruturação do romance e da escrita criativa, assim poderá aproveitar melhor os apontamentos. Também é ótimo exercício de lidar com as críticas, pois a análise fica restrita ao autor e avaliador, podendo se preparar quando receber algo negativo em público. Não importa o quão bom seja o autor, alguém com certeza achará algum ponto ruim e terá razão nele, pois nenhum escritor é perfeito. Caso falte dinheiro e queira estudar escrita criativa sem gastar dinheiro, aproveite o próximo tópico!

Sites gratuitos

Alguns autores exercem certos tipos de trabalho com intenção de conquistar reconhecimento ao público a ponto de convencê-lo a adquirir seu livro ou serviços, dentre esses trabalhos existe o de disponibilizar conteúdo gratuito em sites! Seja uma amostra da matéria presente no curso dele, discussão de ideias defendidas entre autores diferentes ou listas sobre lições compartilhadas pelo autor ou de quem ele admira; há muitas formas de compartilhar informação. Podemos estudar escrita criativa nessas breves postagens com o custo apenas de nosso acesso a internet, também teremos noção do que cada responsável pelo conteúdo pode nos ensinar quando tivermos condições de pagar pelo curso ou livro vendido por ele.

O problema deste recurso é o conteúdo estar muito fragmentado em diversas postagens. Os criadores de conteúdo o fazem desta forma para manter o site deles atrativo nas redes sociais e no ranking dos buscadores de sites — tipo o Google —, inclusive eu mantenho este blog com novas postagens em cada semana pelo mesmo motivo. Mesmo ao tentar reunir esses fragmentos com intuito de “montar” o conteúdo completo, perceberá furos entre os artigos, pois cada um é escrito voltado ao tópico ou sub-tema específico, nenhum deles têm obrigação de interligar tudo, fazer assim gera muito trabalho e planejamento, algo que os produtores desempenham na criação do curso ou livro a vender através dos artigos gratuitos e das outras estratégias de marketing. Evite culpar o produtor do conteúdo por isso, pois eles apenas seguem as condições do mercado atual, e ainda assim pode aproveitar esses textos concisos, então os consuma!

Eu também tenho alguns artigos do tipo, no qual este mesmo faz parte! É só acessar a categoria XP de Escrita — tenho nenhum curso ou livro de escrita à venda no momento, então pode me seguir apenas pelo conteúdo gratuito 🙂

Livros técnicos

Aqui teremos a abordagem completa do que o autor pretende ensinar, mesmo quando dividida em temas pelos capítulos. Possuem o preço mínimo de livro comum ou muitas vezes até mais caro por valorizarem o conteúdo disposto nele, e ao ter condições de pagá-lo e conferir por si mesmo, é bem provável valer a pena.

Esses livros podem ser baseados em pesquisa, sobre discussão técnica ou ainda do autor compartilhando da própria experiência. Apresentam os pontos defendidos por eles e alguns até discutem os possíveis argumentos contrários. Ao ler diferentes livros do tipo, é fácil perceber as divergências de ideias entre os autores, cabendo ao leitor refletir e seguir qual ideia lhe convence mais, ou ainda formular sua própria concepção a partir da leitura e aplicar na prática.

O ponto negativo? Sempre tem… Você consumirá o conteúdo compartilhado pelo autor sem interagir com ele. Terá nenhum acompanhamento enquanto lê o conteúdo por si, caso arranje um colega ou grupo e discuta as lições interpretadas no livro, ainda faltará a figura do profissional capaz de conduzir esse aprendizado da melhor maneira possível, isto sendo exclusivo apenas a certas opções do tópico a seguir.

Cursos onlines de escrita

Aqui o investimento é pesado, mesmo os mais baratos superam o preço dos livros técnicos. Alguns cursos disponibilizam apenas o conteúdo em vídeo, recortado em várias aulas com intenção de abordar os detalhes necessários conforme a proposta do instrutor. Muitos outros vão além dos vídeos, oferecendo material escrito complementar, pequenos testes — questões — sobre o conteúdo, acompanhamento do próprio instrutor caso tenha dúvidas, por vezes tem até um retorno sincero do professor quanto ao material escrito enquanto aprende no curso! Este último não chega a ser análise crítica completa, pelo menos dentre os vistos por mim, apenas garantem a análise de um fragmento da escrita, seja capítulo ou determinada quantidade de palavras.

A vantagem está na diversidade em atender o aluno e pelo próprio acompanhamento do instrutor. Lembra da análise crítica que eu submeti? Apesar de avaliar apenas parte do romance, o instrutor apontará a falha através do conteúdo apresentado em aula, então já terá a base a refletir nessa crítica profissional. Também possuirá o conhecimento necessário ao encomendar esta crítica completa depois de realizar o curso.

É preciso avaliar bem em qual curso investir. Considerando o valor bem acima das demais opções de aprendizado, ninguém deseja correr o risco de desperdiçar dinheiro. Busque conhecer bem o instrutor a ponto de identificar se os pontos fortes vão te atender. Pouco importa quando o professor for a melhor referência em romance de época caso pretenda escrever ficção científica futurista. Às vezes a forma abordada também não é a mais confortável a você, criando empecilho ao ponto principal: o aprendizado.

Qual das opções é a melhor para estudar escrita criativa?

A resposta é muito simples: confira todas! Aproveite tudo o que tiver condições de pagar e esforce rumo a obter o melhor do conteúdo disponível. Enquanto estudar, jamais deixe de manter a rotina de escrita. A melhor maneira de fixar o aprendizado é pela prática, além de o estudo já servir para aplicar o conhecimento em seu trabalho, conforme deveria acontecer em qualquer outra profissão. Aprenda em cada oportunidade ao alcance, espero que lhe ajude.

Nostalgia — dos Equívocos ao Benefícios

Nostalgia: eu demorei a entender o significado desta palavra, achava-a esquisita mesmo depois de compreendê-la e meu subconsciente ansiava por conhecer mais. Termo singular como este deve ser visto de forma distinta, procurar e descobrir o motivo de suas qualidades, de abusarem deste sentimento no marketing ou de produções remetentes ao passado, como a adaptação dos heróis de gibi no cinema, o reboot dos filmes infantis clássicos do século que terminou há menos de vinte anos ou qualquer narrativa sobre lembranças dos tempos mais simples. Nostalgia é um sentimento, bem como uma ferramenta ardilosa. Teve a origem conturbada por equívocos, então vê apenas benefícios com ela — além de convencer pessoas a ver novas adaptações do velho. Enfim eu atendi meu desejo inconsciente e estudei esse fenômeno, cujo aprendizado resumo a seguir.

No princípio, Nostalgia era o Caos

O termo nostalgia foi criado para definir algo ruim, um sintoma patológico de inadequação ao presente, pois o indivíduo suspirava pelos bons tempos do passado. A origem corresponde aos mercenários suíços do século XVII, eles enfrentavam conflitos cada vez mais distantes dos lares e por isso ansiavam pelo retorno, sentiam saudade de casa e com isso rememorava os bons tempos de lá; consideravam esse comportamento ruim por acharem a ostentação do passado o sinal de estar descontente com o presente, e portanto desmotivados a cumprir suas tarefas.

Lar - nostalgia

Nada melhor — e humilde — do que o lar

Nostalgia vem das palavras gregas nostos (retorno) e algos (dor), ou seja, o sofrimento pelo desejo de retorno. A inspiração original também veio de uma história grega, sobre as aventuras de Odysseus. Por mais longe ele alcançasse as conquistas, ele sempre ansiava por voltar ao lar e aos braços da amada Penélope; algo romântico traduzido como trágico na situação dos mercenários suíços.

A perspectiva só começa a mudar ao longo do século XX, com propostas da nostalgia trazer consigo outros sentimentos prazerosos. Houve muita discussão quanto a isso, estudiosos elencaram sentimentos ruins e positivos atrelados ao sentir nostalgia, e notaram a maior incidência dos positivos. Desde então observa benefícios através da nostalgia, assim como eu percebi nos materiais consultados — lembre de ver as referência no final!

Nostalgia como elixir

O sentimento traz uma cadeia de benefícios: elevar a autoestima como se a recuperasse do passado, melhorar o otimismo quanto ao futuro e viver bem em sociedade; todo benefício é interligado a outro! Pessoas do mesmo grupo podem corresponder à boa lembrança, seja a mesma ou semelhante, como a brincadeira de tazos de quem teve infância nos anos 1990, reouvir a música de sucesso de determinada época ou lembrar de alguma situação em comum; até mesmo os feriados festivos alimentam a nostalgia ao reunir pessoas distantes depois de tanto tempo sem ver. Em outras palavras, nostalgia serve de gatilho a boas relações sociais, sejam de pessoas próximas ou aquelas com gostos parecidos. E esta boa convivência estimula os outros benefícios citados, pessoas sentirão melhor com a autoestima dos bons tempos e ficarão mais empolgados com os planos do futuro.

Infância - nostalgia

A nostalgia une quem teve infância semelhante

Quem vive rotinas mais solitárias também consegue esse benefício, pois a nostalgia é capaz de ampliar a intensidade do pouco convívio social desta pessoa. Apenas fica mais complicado quando há pessoas com dificuldade em reaver o passado, nesse caso elas têm problemas ao imaginar novas experiências, pois perdem a visão otimista atribuída com a nostalgia. Por outro lado,  mesmo ao ter o passado conturbado consegue bom proveito, pois pode projetar planos futuros de modo a evitar situações semelhantes do passado ruim.

E por que as narrativas nostálgicas causam impacto ímpar contra as boas histórias sem esse apelo? Simples, os elementos do primeiro entregam algo abstrato, e ainda assim correspondente a autenticidade de quem reconhece o aspecto memorável. É útil inclusive quando há transtornos pessoais quanto ao significado da vida ao recordar das crenças fundamentais e particulares da pessoa, reavidas por meio dos bons sentimentos do passado.

Alegações sob a ótica do copo meio vazio atestam apenas de a reapresentação de obras nostálgicas ser campanha com garantia de ganhar dinheiro fácil pela geração que viu o original. Já os argumentos trazidos neste artigo trazem, na maioria, visões otimistas — até fico impressionado pelo tanto de benefícios! — que merecem mais visibilidade. Eu, como muitos, pensa na rotina vivida por nós hoje como complicada, para não dizer sofrível ou adjetivos piores. Descobrir mais sobre a nostalgia estimula minha esperança e incentiva a aprender mais, pela possibilidade de conhecer outras coisas legais através dessas pesquisas.

Referências

Back to the Future: Nostalgia Increases Optimism

Nostalgia: Past, Present and Future

Why Nostalgia Makes Us Happy… And Healthy

Eu Fracassei no Wattpad

O Wattpad é uma plataforma com publicação de livros digitais e gratuitos. Qualquer usuário pode publicar sua história e ter a oportunidade de ganhar reconhecimento pela escrita. Com funções semelhantes a de redes sociais, as pessoas interagem entre si votando nas publicações do colega e comentando no livro dele.

Alguns autores começaram a compartilhar suas histórias através do site. Trocaram experiências de escrita, aprenderam e melhoraram a ponto de realizar a publicação profissional, seja independente ou até com editora. Wattpad é o ponto de partida a muitos nesta trilha com inúmeros desdobramentos, alguns autores ainda aproveitam a plataforma, outros a abandonam. Eu larguei o site antes de publicar qualquer livro como escritor profissional, e reconheço meu fracasso na plataforma, cujos motivos apresento agora.

A benção e a maldição da interação

Com as funções semelhantes a redes sociais, a interação entre escritores e leitores é a maior vantagem do Wattpad. Opinar sobre parágrafos específicos com opção de responder ao comentário possibilita boas conversas a partir de determinado ponto da história. Quem souber aproveitar a ferramenta consegue também proporcionar uma experiência diferente de quando publicado impresso ou em eBook. Fica ainda melhor com a quantidade massiva de leitores e escritores na plataforma, pois conhece todo tipo de pessoa e troca novas ideias com ela.

Um aspirante a escritor pode encontrar outro colega com objetivos e gostos em comum e acompanharem o trabalho um do outro. A troca de leituras favorece conversas sobre como melhorar determinado trecho do capítulo ou apontar determinados furos no enredo, tudo para ajudar o amigo. Possibilidade interessante, pena o problema começar daqui. Dependendo da companhia arranjada na plataforma, você obterá apenas elogios e críticas vazias, longe de a outra pessoa ser falsa, apenas tem pouca experiência, e o mesmo acontece contigo; ambos terão a falsa impressão de crescerem juntos.

Aconteceu isso comigo, entrei numa bolha onde parecia me levar ao ótimo caminho junto a meus amigos, e aos poucos nós quebramos a cara, um a um desistia da plataforma, até mesmo da escrita. Testei publicar alguns de meus textos tão elogiados no Wattpad em editais de outros sites, e eles foram recusados — com razão. Hoje eu sinto repulsa pelos textos escritos no passado, reconheci meus problemas de escrita depois de ficar fora da bolha, e isso é ótimo por saber o quanto preciso melhorar. É bom aos leitores também, pois pouparei de darem o azar de ler Crônicas de Cafeína, foi meu primeiro livro do Wattpad e tenho orgulho de começar por alguma história, daquele tempo quando confundia a conjugação dos verbos entre passado e presente, do meu pedantismo, sem apresentar conflitos na maior parte do enredo… Pelo menos as piadas eram legais.

Dedicação

Como a interação é o ponto principal da plataforma, o próximo motivo ainda será em torno dela. É muito difícil alguém postar no Wattpad e do nada conseguir inúmeros leitores, na maioria dos casos é preciso interagir no site. Quanto mais participa, mais é visto pelos outros usuários. Há quem tome atalhos e combina troca de seguidores e leituras apenas para conquistar números maiores, mas o sucesso no Wattpad exige além disso, é preciso demonstrar a dedicação com a sua história, atender os seus leitores e ajudar os colegas escritores — com aquelas ressalvas já citadas —, senão você ainda terá boa quantidade de leitura, só não atrairá as pessoas capazes de te ajudar a crescer tanto na escrita como na publicação profissional.

Tal dedicação necessita de muito tempo numa frequência constante, o que optei por aproveitá-lo em outra situação. Percebi a necessidade de melhorar a minha escrita antes de atrair novos leitores, usar o tempo que gastaria na plataforma para aprender, praticar e conhecer trabalhos de autores já publicados. Por esses motivos optei me dedicar a este blog no lugar do Wattpad. Aproveito o espaço livre no meu site a compartilhar o pouco do que aprendo como este e outros textos do XP de Escrita.

Fazer resenhas também me ajuda muito. Ao me dedicar com leitura mais crítica, esforcei a encontrar problemas nas escritas de escritores já experientes. Posso identificar tais erros e evitar de cometê-los nos meus próximos textos; mesmo em casos corretos, posso discordar da abordagem em certo livro e aproveitá-la de outra forma nos meus textos. Outra vantagem de usar o blog é de acompanhar o mercado editorial mais de perto através dos lançamentos resenhados e de conhecer os autores nacionais mais acessíveis, podendo trocar ideias com eles, de maior bagagem literária e olhar mais crítico.

O meu fracasso no Wattpad não é de fato um fracasso na vida de escritor. Encarei minha realidade e optei trilhar outro caminho, este muito útil a mim por enquanto. O site tem sua importância, possibilidades de favorecer boas carreiras e seduzir novos autores a compartilharem os primeiros rascunhos. Agora que soube da minha experiência, reflita se no seu caso ainda valerá a pena, talvez também precise tentar outras alternativas até reconhecer a melhor. Caso tenha o sonho de seguir na carreira de escritor, siga adiante e jamais desista nesta trilha árdua!

Mitologia Indígena (que não é brasileira)

Pouco se fala das mitologias existentes no nosso país. Leitores e consumidores de modo geral estão acostumados a ver histórias sobre os deuses gregos, os egípcios, e ultimamente os nórdicos por causa do Kratos. Os artistas brasileiros também aproveitam de fontes internacionais para criar o seu trabalho, mas quando desenvolve obras com mitologias existentes onde moramos, ou eles são valorizados por trazer algo incomum, ou sofrem deboche por trazer algo inferior em vez das mitologias bastante conhecidas. 

Se o preconceito não é o bastante como limite ao acesso a cultura de povos presentes antes da intervenção europeia, a própria disseminação dessa cultura pode prejudicar o entendimento da mitologia indígena. Textos sem fontes definidas ou adaptações dos jesuítas que aproximavam as crenças indígenas com a cristã. 

Há também a dificuldade natural de haver uma visão distinta em cada tribo. Certos povoados tinham deuses distintos, ou sendo os mesmo com outros nomes e características distintas. Posso citar como exemplo os deuses Guaraci e Jaci, dependendo da tribo podem ser irmãos homens, um casal de gêmeos (sendo Jaci mulher) ou até terem relação incestuosa. 

Muitas dúvidas! - mitologia indígena

O objetivo deste breve artigo é apresentar os equívocos de alguns textos e apresentar o básico da mitologia que não é brasileira, mas de um povo indígena em específico: dos guaranis. Se abordasse as diversas mitologias indígenas no mesmo artigo iria complicar ao invés de elucidar sobre essa cultura. Considere este texto um ponto de partida capaz de ajudar um pouco na compreensão e desmistificar algumas afirmações. 

Tupã Cristão 

Tem-se a impressão do Tupã ser o deus principal da mitologia brasileira, assim como é Zeus e Odin com poder sobre o trovão. Isso se dá justamente pelos jesuítas quando tentavam aproximar a religião dos indígenas da cristã monoteísta. 

Mas como é história dos deuses contada pelos guaranis? A seguir um resumo: 

Guaraci* e Jaci são filhos gêmeos de Ñandecý com Ñanderuvuçú. Este último foi o criador do universo, criou um ser que virou seu auxiliar e a própria Ñandecý, o primeiro ser feminino. 

Ñanderuvuçú e seu auxiliar alternava seus trabalhos de criação do mundo com o acasalamento de Ñandecý, quando enfim engravidou dos meninos gêmeos. A mãe não reconheceu Ñanderuvuçú como o pai de seus filhos, e por isso ele se irritou a ponto de abandonar toda a sua criação e foi ao reino das trevas onde permanece até hoje. Ñanderuvuçú  impede o avanço das trevas, mas ele pode deixar essas irem ao mundo caso tenha vontade. 

Ñandecý precisou seguir em frente. Ainda grávida dos gêmeos ela se encontrou com os jaguares que querem devorar a ela e os bebês. A mãe morreu, mas os jaguares não conseguiram fazer mal aos dois bebês. 

Deuses criados por jaguar! - mitologia indígena

Guaraci e Jaci foram criados pelos jaguares até saberem por um papagaio sobre a morte de sua mãe, e assim os gêmeos se vingaram. Somente um jaguar fêmea sobreviveu, ela estava prenha e deu continuidade aos jaguares existentes até hoje (com ameaças de serem extintas). 

Os irmãos tentaram ressuscitar a mãe várias vezes, mas a falha persistiu. O processo corria bem, e Jaci se exaltava com a possibilidade de ter sua mãe, mas essa mesma alegria o desconcentrava a ponto de falhar na ressurreição, deixando a mãe morta. 

E onde entra Tupã nessa história?

Bem depois quando Ñandecý enfim é ressuscitada pelo Ñanderuvuçú e deu a luz ao deus. A presença de Tupã na mitologia guarani justifica a manifestação dos trovões e tempestades, mas passa longe da concepção do principal deus indígena. Eu não sou capaz de afirmar se ele é superestimado em relação a todas as culturas indígenas com a pesquisa feita. Só confirmo que na guarani não é o principal, e a versão mais difundida está sob influência cristã. 

O “Satanás” indígena 

Obviamente os jesuítas precisaram conturbar o conceito de algum ser indígena e torná-lo satanás. Atribuíram a Anhangá o papel de adversário do Tupã e relacioná-lo como alguém malvado. 

Todavia Anhangá é apenas um espírito protetor da floresta responsável pelo equilíbrio da vida. Ele até mesmo ajuda os caçadores que o presenteiam com oferenda e se a caça for para a subsistência dos humanos. 

Anhangá pode assumir formas de animais, como cervo (só que branco)

Anhangá pode assumir formas de animais, como cervo (só que branco e de olhos vermelhos)

Se os caçadores matam em demasia, assassinam filhotes ou animais que amamentam suas crias, o espírito se vinga de forma bastante perversa: Anhangá manipula a mente dos caçadores, cria ilusões e os confunde a caça com os próprios colegas, acabam se matando. 

A punição é severa e causa temor aos índios, por isso Anhangá foi eleito como o satanás pelos jesuítas. Porém esse espírito representa apenas o equilíbrio na vida, e ensina a respeitar os limites da caçada. 

Ficção não é mitologia 

Outra história difundida como parte da mitologia guarani é sobre Kerana e seus sete filhos. Algumas obras criativas usam a narrativa de Kerana como referência à mitologia, só que essa também não passa de uma ficção. 

Faz parte do livro Nossos Antepassados, do escritor paraguaio Narciso Ramón Colman. Escrita em espanhol e tupi, conta uma história com referências à mitologia guarani, mas não narra a mitologia em si. 

Não é necessariamente um motivo para diminuir a obra de alguém. Tal observação serve de esclarecimento que quando se refere a Kerana e seus filhos, está relacionando com outra obra literária ao invés de um mito do povo indígena, nada mais. 

Livro ≠ Mitologia

 


Não poderia afirmar e contestar os argumentos citados nesse texto sem citar de onde eu tirei as informações. A fonte principal foi o programa de podcast do canal Papo na Encruza em que Andriolli Costa esclarece sobre os equívocos transmitidos pelas redes (algumas até famosas). Não deixe de conferir esta e outras referências abaixo e saber mais das mitologias, pois ainda é pouco perto do conteúdo riquíssimo desses povos.

*Embora tratando sobre os povos guaranis, resolvi usar os nomes dos gêmeos em tupi, por serem mais conhecidos e fáceis de pronunciar

Referências

Papo na Encruza 17 (podcast)

Texto sobre Anhangá

As Lendas da Criação e Destruição do Mundo com Fundamentos da Religião dos Apopócuva-Guarani (pág. 47 a 67)

Classificação do risco de extinção aos jaguares (em inglês)

 

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