Tag: 2018

Melhores Experiências Literárias de 2018

Por bem ou por mal, 2018 acabou. O primeiro ano de experiências literárias com o blog, e apenas isso já fez esse ano valer a pena. O compromisso com as resenhas me fez ler mais livros e aproveitar melhor cada leitura, analisar pontos fortes e fracos de cada obra e compartilha-los por aqui.

Fechei 2018 com 62 livros concluídos, a maioria com resenha disponível no blog. Agora é a hora de ver quais dessas obras merecem destaque, na minha opinião.

Já fiz a lista com as melhores leituras do primeiro semestre. Os cincos livros premiados dessa lista estão classificados para concorrer entre os melhores do ano, são esses: Desonra (J.M. Coetzee), Deuses Caídos (Gabriel Tennyson), A Ascensão do Alfa (Clecius Alexandre Duran), 1984 (George Orwell) e A Escolha dos Três (Stephen King).

Apresento a seguir as cinco melhores experiências de leitura do segundo semestre de 2018, e no fim deixo a classificação definitiva do ano.

Os Cinco Melhores do Segundo Semestre

A Dança dos Mortos

A Dança dos Mortos - Resenha

Com resenha publicada já em 2019 apesar de lido entre os dias de natal e ano novo. Gleyzer Wendrew aproveitou do que foi apresentado no primeiro volume d’As Crônicas da Aurora e caprichou na escrita de sua continuação! A violência explícita exige leitores de estômago forte, o continente de Dünya é recheado de sangue e mortes imprevisíveis numa leitura fluida e criativa.

A Fúria dos Reis

A Fúria dos Reis

George R. R. Martin é trapaceiro em conquistar as listas das melhores leituras, não? O gigantesco e complexo mundo de Westeros justifica esta conquista. Os reis explodem com as ambições particulares e desencadeiam a disputa pelo trono de ferro governado por Joffrey, um garoto cujo poder de herança é indigno, segundo alguns.

O Cavaleiro da Morte

O Cavaleiro da Morte - título

Outro romance de cavalaria, este de ficção histórica baseado no rei saxão Alfredo e a guerra contra os guerreiros nórdicos. Bernard Cornwell sabe mostrar batalhas e provocar cheiros de carnificina através da escrita. Neste segundo volume de As Crônicas Saxônicas, Uhtred deve escolher em qual lado lutar na guerra, as opções são entre uma vitória improvável ou morte certa.

Clube da Luta

Clube da Luta

Já adaptado aos cinemas, Clube da Luta rendeu sucesso ao escritor Chuck Palahniuk, conquista muitíssima justa! Usando a narrativa em fluxo de consciência combinada ao enredo e a situação do protagonista, este livro surpreendeu como há muito não acontecia comigo.

Homens Imprudentemente Poéticos

Homens Imprudentemente Poéticos - título

E nesta lista com maioria de histórias violentas e ambiente medieval europeu, eis aqui o livro sobre cultura japonesa feito em prosa poética escrita por Valter Hugo Mãe. Duzentas páginas de composição literal impressionam com o olhar distinto sobre a cultura japonesa, e a abordagem quanto a floresta dos suicidas no Japão deve servir de exemplo por quem pretende falar de locais semelhantes.

Menções Honrosas do Segundo Semestre

Mais alguns livros merecem destaques entre minhas leituras do segundo semestre, mesmo ficando fora da lista definitiva. São esses:

Sapiens – Uma Breve História da Humanidade
Resenha
Compre o livro

O Pequeno Príncipe
Resenha
Compre o livro

Dom Quixote
Resenha

Os Melhores de 2018

Os candidatos foram apresentados junto com os cinco do primeiro semestre. Chega a hora de revelar a lista definitiva dos melhores de 2018 (rufem os tambores!). Confira:

#10 Desonra
Resenha
Compre o livro

#9 Deuses Caídos
Resenha
Compre o livro

#8 A Dança dos Mortos
Resenha
Compre o livro

#7 A Ascensão do Alfa
Resenha
Compre o livro

#6 A Fúria dos Reis
Resenha
Compre o livro

#5 1984
Resenha
Compre o livro

#4 A Escolha dos Três
Resenha
Compre o livro

Classificação dos melhores de 2018
A Classificação até agora

#3 O Cavaleiro da Morte
Resenha
Compre o livro

#2 Clube da Luta
Resenha
Compre o livro

#1 Homens Imprudentemente Poéticos
Resenha
Compre o livro

Os Três Melhores de 2018

Parabéns ao Valter Hugo Mãe por publicar o livro vencedor do Melhor XP Literário de 2018! Clube da Luta me surpreendeu, mas Homens Imprudentemente Poéticos provocou uma leitura ímpar na minha vida. Fora da minha área de conforto, teve o desafio de me agradar dentre tantos exemplos de literatura fantástica lidos por mim este ano. Este livro foi além e superou todos eles.

Fiquei impressionado quando li cada livro desta lista, não chegaram aqui à toa! Agora fiquem à vontade em citar os seus livros favoritos de 2018 nos comentários. Podem ser os mesmos livros em ordem diferente, sem problema algum, afinal cada leitor tem gosto próprio e a diferença estimula a troca de experiência.

Que todos tenham um ótimo ano cheio de alegria, conquistas e leituras!

Aniversário do Blog (Um Ano de Experiências)

Dia quatro de dezembro de 2017 estreava o XP Literário. Postei cinco textos no mesmo dia, cada um de categoria distinta mostrando os tipos de conteúdo compartilhados no blog. Na data de publicação desta postagem mais que especial, o site completa um ano de existência. 

Assumi o compromisso pessoal de entregar conteúdo novo toda segunda-feira, no mês seguinte percebi a possibilidade de compartilhar opinião das experiências de leituras toda semana a cada quinta-feira (talvez tenha mais resenhas por semana no futuro, quem sabe…). Ganhei nada em dinheiro com essas postagens, e posso arrecadar dinheiro com este blog no futuro, mas eu persisto neste trabalho só por gostar de fazê-lo. 

Amor ao Trabalho - Aniversário

Amei as oportunidades abertas a mim ao manter este espaço pessoal compartilhado com o público. Dediquei muito espaço do meu tempo em que eu poderia estar lendo, ganhando dinheiro com outra tarefa ou ficar em dia com as minhas séries; e com certeza valeu a pena e valerá no próximo ano. 

Muito mais leituras 

Uma das maiores conquistas com o blog é conseguir ler como jamais fiz nos últimos anos. Leio devagar a ponto de demorar quase quatro semanas para ler o primeiro livro das Crônicas de Gelo e Fogo antes de começar o blog. Continuo com ritmo lento, só consumo mais páginas hoje por aumentar o tempo dedicado à leitura. 

Leio muito mais ao me comprometer em publicar resenha a cada semana. Longe de tornar uma obrigação, senti-me motivado a ler mais. Cheguei a ler vários livros em poucos dias e deixava as resenhas acumuladas enquanto encarava calhamaços por dez a quinze dias. Então me empolguei demais, e mesmo lendo livros grandes como A Fúria dos Reis, Detetives Selvagens e Terras Devastadas, tenho resenha pronta há dois meses ainda na reserva. Preciso equilibrar isso no próximo ano, o que será melhor a vocês, leitores! Terão semanas com mais de uma resenha em 2019. 

Livros - Aniversário

Também melhorei minha escrita. Os posts de segunda incentivam a manter minha produtividade em tecer palavras. Abro mão do tempo em que eu poderia dedicar aos meus projetos de romance, e de certa forma isso tem me ajudado. Os contos e crônicas me tiram o cansaço de escrever um livro completo, distraio com novas ideias e testo estilos diferentes. Algumas das histórias curtas deram ideias para livros no futuro, e já terei novos romances a escrever quando eu conseguir fazer as publicações dos projetos atuais.

 Novos amigos 

Outra meta de manter este blog literário é conquistar um pequeno espaço no mercado, obter o público que possa se interessar nos meus lançamentos futuros. Ainda não obtive a quantidade de seguidores como esperava, por outro lado consegui algo muito bom e valeu a pena do mesmo jeito: amigos! 

Ler livros nacionais fez eu conhecer mais sobre a escrita e linguagem dos autores brasileiros. Melhor ainda é criar conexões com esses escritores a partir da leitura de seus livros. Acompanho o nosso mercado a partir deles, vejo suas inspirações e memes, e compartilhamos opiniões das nossas experiências em comum. 

Amigos - Aniversário

Talvez eu tenha sorte por quase todos os autores nacionais aceitarem minhas críticas de braços abertos. A abordagem de minhas resenhas é diferente de contar se vale ou não a pena comprar tal livro, já que faço análise em tópicos: falo sobre o tema do livro, apresento o enredo e cito os pontos positivos e negativos. Posso adorar a leitura, considerar o livro entre os meus favoritos, e ainda assim critico quando encontro pontos a melhorar.  

Não sou o dono da verdade e sei meu lugar. Minha opinião pode entrar em conflito com as preferências de outros leitores e do próprio autor, e encontrei conversas agradáveis quando esses tipos de divergência aconteceram. Os escritores podem levar minhas críticas em consideração ou não, da mesma forma como eu faço ao receber as dos meus próprios textos. No fim todos ganham com as trocas de opiniões. 

Decepções 

Nem tudo são flores na vida de blogueiro. Lancei meu site quando os usuários de internet já preferem as redes sociais e vídeos. As restrições de Facebook dificultam a visualização das publicações aos seguidores da fanpage . Talvez eu crie conta no Instagram e vejo se melhora a interação. O Twitter já me desagrada. Teria mais público se desse sorte no YouTube, onde eu precisaria investir muito no audiovisual (além de tomar vergonha na cara e vencer minha timidez). A maioria das visitas que recebo hoje é de amigos dos autores nacionais quando compartilham a minha resenha ou através de pesquisas aleatórias no Google. Pelo menos posso me orgulhar do meu rank SEO por atrair visitas desta forma. 

Redes Sociais - Aniversário

Minha maior frustração é saber da pouca relevância dada a certos conteúdos feitos este ano. Só atingi a marca de cem curtidas no Facebook quando compartilhei alguns memes feitos por mim mesmo. Não vi uma interação posterior dos seguidores obtidos desta forma.  

Fiquei muito triste com o resultado do meu artigo sobre Fake News, um dos textos mais importantes escritos neste blog. Até compartilhei no meu perfil pessoal por acreditar que mesmo meus amigos distantes da literatura teriam interesse em conferir. E no fim o post caiu no limbo da minha rede. Conteúdo importante de discutir, sem memes ou coisas engraçadas, sem apelo emocional do usuário para atrair clique, apenas compilei em texto as minhas pesquisas sobre o assunto de destaque na eleição de 2018; e se somente um artigo esquecível… 

Saldo de aniversário 

Termino o primeiro ano do blog com quatro mil visitas ao site, cento e sete publicações contando com esta, quarenta e seis resenhas de livros e oito sobre enredo de jogos, trinta e cinco posts de contos e crônicas. Números interessantes, porém essas cifras são incapazes de expressar uma coisa: minha gratidão ao trabalhar neste blog. 

Gratidão - Aniversário

Muito obrigado a todos os leitores que me acompanharam neste começo. Seja lendo um post, tenha gostado ou achado ruim. Agradeço de coração, e espero te reencontrar no segundo ano do XP Literário! 

Cansei de Fake News

Odeio começar este artigo respondendo a possíveis declarações de alguém que não leia ou compreenda o texto a seguir, ainda assim adianto: esta publicação não tem o objetivo de acusar determinado político. O cronograma deste blog é de conteúdo próprio toda segunda-feira e resenha toda quinta, ambos agendados às seis da manhã, mas escrito, revisado e editado dias antes da publicação. Portanto desconheço o resultado das eleições enquanto escrevo este artigo. Longe de protestar contra qualquer candidato, o texto critica apenas as fake news. 


Acertei em partes nas minhas previsões para 2018 no artigo feito em janeiro. O desconhecimento da população sobre o próprio país e a baixa compreensão científica foi aproveitada na difusão de informações duvidosas, mentirosas e satisfatórias ao viés do indivíduo. O uso da Inteligência Artificial nas edições de vídeo e manipulação da voz felizmente não se concretizou, digo, houve uma suspeita da qual eu me recuso a conferir. Caso alguém se dispor a fazê-la, vejo a análise depois.

Houve uma falha grave no meu artigo. Na hora de montar o roteiro, eu deixei de abordar um assunto, evitei estender aquele texto retirando justo o tema principal desta campanha eleitoral: as fake news. 

Fake News dot com

O título é verdadeiro, eu cansei de ouvir/ler o termo em inglês. Portais de notícias e canais de comunicação de diversos gêneros atraíram o público usando esta palavra-chave, além da oposição usar como recurso para declarar quando há acusação de atitudes impróprias. Fake news receberam os quinze minutos de fama, e alguns veículos de informação estão fazendo análises profundas sobre elas, e eu gostaria de contribuir neste lado da discussão com este artigo. 

Jornalismo sem credibilidade  

O mercado tradicional de jornalismo é uma das várias vítimas da crise econômica e das transformações de interação no mundo digital. Tomam atitudes duvidosas na tentativa de se manterem no mercado, como restringir o acesso ao material online e cobrar do usuário pelas notícias, incentivar os leitores a acessarem seu conteúdo regular com títulos sensacionalistas, até fazer atualizações automáticas nos sites para aumentar o número de visualização na página e garantir mais renda vinda pelos anúncios. 

Escolhas infelizes deixam o público descontente e perdem credibilidade mesmo quando publicam informações corretas. Somado a deficiência da formação e senso crítico da população quanto a realidade e conhecimento científico, muitos são incapazes de distinguir notícia de opinião e acusam membros da mídia tradicional como se todos fossem ativistas ou que distorcem fatos. Infelizmente eles só acusam ao invés de debater e verificar se de fato há algo de errado na publicação do jornal. 

Jornalismo desaprovado - fake news

Quando cometem erros, a empresa e os profissionais de imprensa possuem responsabilidade e devem ser punidos. Entretanto a população não possui a mesma responsabilidade, e qualquer pessoa é capaz de propagar informações em larga escala graças as redes sociais. Técnicos de informática, enfermeiros e jardineiros possuem liberdade em transmitir conteúdos — nem sempre verdadeiros — sobre economia, e ainda conseguem mais credibilidade que os meios oficiais de comunicação, pois são parentes, colegas de trabalho ou amigos, pessoas próximas e portanto mais confiáveis, ao contrário dos profissionais de imprensa sem contato familiar. 

Recursos das Redes Sociais 

A difusão de informação feita por indivíduos encontrou a terra prometida nas conversas de WhatsApp, o aplicativo de conversa mais usado no Brasil. O aplicativo possui transmissão criptografada de mensagens, ninguém tem acesso fora o transmissor e o receptor. As mensagens encaminhadas não indicam sua origem, ao contrário do Facebook que indica de quem a publicação foi compartilhada, então a fonte da informação no aplicativo acaba sendo a pessoa próxima do sujeito.  

E admiro a perspicácia de aproveitar o limite da conexão de dados para deixar o WhatsApp tão eficiente em propagar fake news. Como o acesso ao aplicativo e às redes sociais mais conhecidas é irrestrito nos planos de internet móvel, poucos vão buscar informação em outra fonte e serem cobrados pela franquia. Também alegam da rotina turbulenta impossibilitar alguém a gastar tempo na verificação da notícia, porém eu não entendo como conseguem a disponibilidade de consultar o WhatsApp e encaminhar mensagens, inclusive durante o expediente! 

WhatsApp no expediente - Fake News

Parabenizo também o uso dos recursos do Facebook na divulgação de fake news. A Cambridge Analytica conseguiu direcionar conteúdo ao público correto e influenciá-lo a favorecer seus interesses.  Foi preciso coletar uma quantidade massiva de dados pessoais na rede social, e eles conseguiram de maneira inteligente e sutil. Desenvolveram quizzes inocentes com temáticas relacionadas a músicas, séries, celebridades, horóscopo e personalidade. Porém na hora de compartilhar o resultado do quiz, a aplicação solicita permissão a conceder informações privadas da conta e as de seus contatos. Graças a popularidade do quiz e a mania de muitos aceitarem sem ler os termos de uso, a empresa de publicidade conseguiu reunir o maior banco de dados sobre os usuários a partir do Facebook, e usou os próprios mecanismos de anúncio da plataforma para direcionar conteúdos com precisão. 

A informação só é válida quando concorda com ela 

As fake news podem partir da notícia verdadeira, basta apenas manipular o enquadramento do fato. Montagens atribuindo fontes a canais onde jamais publicaram o conteúdo, recortes de textos originais ou até edições de vídeos foram usados como estratégia nas campanhas. Todos esses meios são, na maior parte, fáceis de serem flagrados como tendenciosos, então por que tanta gente acredita? Porque elas querem. 

Seres humanos não são incitados por fatos, e sim por emoções. A eleição foi decidida através do repúdio e do medo, e essas montagens são feitas aproveitando dessas emoções a convencer o eleitor sobre o mal propagado do outro lado caso vença. A pessoa reconhece seus receios naquela imagem ou vídeo e age naturalmente ao encaminhar aos amigos, pois ela acredita em fazer a diferença. 

Eleitores de 2018 - Fake News

Existe solução contra as Fake News? 

Um professor do município de Ourinhos, interior de São Paulo, criou o curso semanal para alunos do ensino médio sobre as fake news. A proposta da aula é pedir aos estudantes selecionarem notícias com características duvidosas, trazerem na sala e debater quanto a veracidade dessa. A iniciativa foi até reconhecida pelo projeto Inovadores, da Google. 

A internet é uma ferramenta universal e democrática, com espaço a todos os tipos de iniciativa, inclusive as úteis. Canais de divulgação científica trazem assuntos complexos com explicações simplificadas, mas embasadas em referências e trabalhos acadêmicos. Muitos desses divulgadores já sofreram repúdio semelhante a imprensa tradicional, questionando sua parcialidade ou competência. Eles devem ser avaliados e corrigidos como toda pessoa que expõe conteúdo ao público, e para as críticas serem honestas devem também conter embasamento e estímulo a discussão. É melhor oferecer condições a todos verem ambos os lados e ter compreensão mais ampla do assunto, do que apenas refutar uma pessoa. 

Discussões Embasadas - Fake News

Existem portais especializados em averiguar se determinada notícia é verdadeira. E-Farsas é o portal mais antigo e ainda bastante ativo, e vieram muitos outros depois deste, ainda mais agora com o exagero de ocorrências das fake news, como a iniciativa do Projeto Comprova. 

Eu poderia encerrar o artigo listando dicas de como identificar conteúdos falsos ou tendenciosos, alguns textos disponíveis na seção de referências fazem isso, inclusive. Entretanto sou pessimista o quão efetivo isto seria. A rotina continua turbulenta na maioria de nós, além de muitos serem indispostos a conferir as informações. É preciso demonstrar a importância de difundir conteúdo honesto e estimular a discussão sobre este, sem menosprezar o autor da informação. Publico este artigo depois da campanha eleitoral já ciente que convenceria a ninguém se estivesse feito antes. Tenho esperança deste texto servir de estímulo nas discussões do futuro serem honestas, com campanhas eleitorais baseadas em argumentos, que aborde as diversas pautas da sociedade com base em fatos e estatísticas no lugar de sentimentos, e maior disposição da população para estudar em vez de ver memes. Este é o Brasil que eu quero.


Referências

Eleições mexicanas são tomadas por notícias falsas no WhatsApp e ilustram o que pode ocorrer no Brasil

Como reconhecer uma notícia falsa para não compartilhar mentiras

A arte de manipular multidões

Para especialistas, difusão de fake news está ligada à crise do jornalismo

Professor usa fake news para ensinar ciência na escola

Facebook CEO Mark Zuckerberg testifies before US Congress: Highlights

Robert Mercer: the big data billionaire waging war on mainstream media

Projeto Comprova entra em operação para combater desinformação na campanha eleitoral

Melhores XP Literário do Primeiro Semestre de 2018

Julho já está quase no fim, o primeiro mês do segundo semestre. Consegui ler 27 livros de janeiro à junho, meu recorde de leituras anuais foi no ano passado, quando consegui finalizar 35 livros, porém este ano facilmente superará essa quantidade.

O blog incentivou a me comprometer com a leitura através da dedicação de publicar resenha toda semana (embora algumas sejam sobre enredo de jogos). Foi uma experiência muito legal e nada desgastante, pois tal compromisso me fez usufruir mais do que eu já gostava.

Com o tanto de leitura realizada, seria um desperdício eu não olhar o passado e avaliar quais foram as melhores experiência literárias neste primeiro semestre de 2018.

Listo a seguir os cinco melhores livros lidos neste semestre na minha opinião, com menções honrosas no final:

#5 Desonra

Desonra - 5 dos melhores

Em quinto lugar indico o livro cujo gênero eu procuro me aventurar às vezes. Desonra tem uma linguagem fácil de ler, embora recheada de referências literárias pela formação do protagonista. Longe de ser uma história bonita, traz diversos problemas na vida de David Lurie por conta de seu próprio caráter e pelo aspecto político muito bem aproveitado quanto ao pós-apartheid da África do Sul.

Resenha no blog

Link para comprar

#4 Deuses Caídos

Deuses Caídos - 4 dos melhores do primeiro semestre de 2018

Deuses Caídos entrou numa situação perigosa: minha expectativa só aumentava  a cada dia próximo de seu lançamento. Hype excessivo poderia resultar em decepção se não fosse atendido, mas Gabriel Tennyson entregou uma história enlouquecedora e muito bem feita. Caso deseje um livro nacional de qualidade, Deuses Caídos é uma das melhores opções.

Resenha no blog

Link para comprar

#3 A Ascensão do Alfa

Ascensão do Alfa - 3 dos melhores livros do primeiro semestre de 2018

Outro livro nacional de qualidade. Clecius criou uma trama complexa ao usar o regionalismo e contexto histórico para compor a sua história sobre lobisomens, complexidade muito bem dominada pelo autor. Como se a Revolução Farroupilha não fosse violenta o bastante, os lobisomens escondidos na terra gaúcha cruzam caminho com os tropeiros e garantem o massacre.

Resenha no blog

Link para comprar

#2 1984

1984 - 2 dos melhores do primeiro semestre de 2018

Uma das distopias mais recomendadas, e eu reforço a recomendação neste ranking. 1984 traz duras críticas a regimes autoritários, censura e eliminação de todo registro contrário à política vigente. A desinformação causa o maior problema e temor que refletiu inclusive em mim quando terminei de ler.

Resenha no blog

Link para comprar

#1 A Escolha dos Três

A escolha dos três - o melhor do primeiro semestre de 2018

A Escolha dos Três responde algumas das várias perguntas levantadas no primeiro volume d’A Torre Negra e traz personagens incríveis que devem impressionar ainda mais nos próximos volumes. Com descrições sinistras e violentas, humor negro e superações improváveis dos personagens ao limite, A Escolha dos Três tornou a melhor leitura até então deste ano.

Resenha no blog

Link para comprar

Menções Honrosas

Clique no título das obras para conhecê-las melhor:


Gostou das indicações? Provavelmente pode discordar da posição dos livros ou incluir outro mesmo eu tendo lido nesses primeiros seis meses do ano. Então aproveite e fale sobre suas melhores leituras nos comentários!

Guerra Infinita (reflexão)

Escrevo este texto um dia depois da estreia do novo filme dos Vingadores. Assisti o quanto antes com medo de receber spoilers. Encarei a gigante fila para comprar o ingresso na hora porque o caixa de autoatendimento estava inacessível, a fila não andava e o caixa foi liberado. Tropecei no caminho, mas pude retirar meu ingresso sem outros problemas.

Eu adorei o filme. Não vou fazer uma resenha, pois meu nível de entendimento de cinema se resume a eu ter gostado de Esquadrão Suicida. Sem brincadeiras: eu me permito usar o cinema apenas como entretenimento, e acredito ser melhor em compartilhar opinião de livros.

Então por que estou escrevendo sobre Guerra Infinita?

Porque este nome é muito interessante, e deu a ideia de comentar sobre outras guerras sem fim: as guerras orais.

Essas discussões entre os fanáticos regressam a argumentos fúteis, mas repetidos para defender o seu lado. Os demais se cansam rápido, tentam ignorar a conversa, mas a discussão sempre vai até eles de alguma forma.

E na internet fica pior ainda, essas postagens geram engajamento, e por isso ficam mais presentes com as reações e comentários. Como por exemplo este meme feito por mim na sexta-feira, cujo objetivo é tirar sarro desses debates inúteis, mas se alcançar as pessoas certas, aconteceria igual a minha crítica.


Está tudo bem, não é? São apenas brigas inocentes entre fãs, há coisas mais importantes a se preocupar… Creio o contrário.

Estamos em 2018, ano de eleição. Muitas pautas surgem entre noticiários e programas de TV relacionados a vida de pessoas reais, e a discussão acontece da mesma maneira: um sujeito fala mais alto para demonstrar sua razão; nas redes sociais o engajamento faz o algoritmo trazer a discussão a mais usuários, e acrescentam reações e discursos infundados.

É um campo minado repleto de frases de efeitos, gurus como única fonte de informação, e abstrações que simplificam o ponto de vista, mas não abrange todo o problema.

Por um lado vejo brigas entre fãs como se fosse assuntos fundamentais em suas vidas. Por outro vejo brigas com assuntos sérios com níveis de argumentos tão medíocres como o primeiro exemplo.

Discussões precisam ser feitas

Através de conversas podemos avaliar o ponto de vista de quem discorda e avaliar qual a melhor alternativa. É triste eu não presenciar tal resultado nessas brigas orais, apenas consequências medíocres ou graves.

O pior é a alternativa que muitos como eu assumem perante os debates: o de ficar quieto. São raras as oportunidades para expor minha opinião. Eu quero ser refutado em algumas conversas porque eu não tenho conhecimento, e assim poderia aprender com alguém entendido do assunto, alguém com referências e deixe eu tirar as minhas próprias conclusões. Mas quando eu não recebo um meme ou frase de efeito como resposta ao meu argumento, já estou no lucro.

Estamos numa guerra cujos opositores usam das mesmas estratégias (com nomes diferentes) sem trazer resultado algum. Temo pela sua continuidade, e também pelos modos possíveis de se acabar. Não buscarei ajuda de um profeta ou um guru, apenas me manterei firme na minha posição: de aproveitar as oportunidades, aprender um pouco e compartilhar no blog o que eu achar válido.

O Grande Problema de 2018

Comentei no post anterior sobre a perspectiva de um ano melhor no que diz respeito ao aspecto pessoal. Um ponto de vista em que deve prevalecer com o intuito de não se desmotivar e ajudar o próximo em troca de uma simples gratidão. 

Já este artigo tem um objetivo diferente.

Noooooooo! - O Grande Problema de 2018

Chegamos na metade do primeiro mês no ano e já ouvi comentários do tipo: “Se 2017 foi ruim, se prepara pelo pior em 2018.” Infelizmente pode ser verdade.

É o ano de eleição dos nossos representantes federais e estaduais. Escândalos políticos são transmitidos por grandes veículos de imprensa, também em páginas e grupos menores nas redes sociais. A imagem geral da população é que nada se resolve neste país.

Infelizmente muito disso é um reflexo das nossas ações e omissões. Uma população desinformada não conseguirá impor demandas possíveis ou denunciar o que de fato está errado. Um povo pouco crítico não avalia o conteúdo divulgado na sua tela, compartilha inverdades, e debate com xingamentos no lugar de argumentos. 

Nunca se teve tanta informação como hoje. É realmente difícil de assimilar tanto conteúdo. Só que infelizmente muitos fazem um péssimo uso desta variedade. Selecionam os que são verossímeis, o que seu guru diz, ou o que os números apontam. 

Elenco a seguir os piores problemas que já existem e podem se agravar neste ano de copa. Não é uma imposição, pois não sou dono da verdade. Apenas aconselho a caso se identificar com um dos tópicos, reveja seus conceitos. Não mudaremos a situação do nosso país sem começar a transformação em cada um de nós. 

Expectativa X Realidade

O Brasil foi o segundo país com a maior população que possui falta de conhecimento sobre a realidade de onde mora.  

Negativo - O Grande Problema

O instituto Ipsos fez um levantamento em 2017 com 38 países. Questionou cerca de 29 mil pessoas sobre a porcentagem de ocorrências em determinado assunto em relação ao país onde vive, além de algumas questões de abrangência internacional. Foram perguntas como taxas de homicídios, nível de pessoas com diabetes, gravidez na adolescência, e atentados terroristas. 

As respostas tiveram valores superestimados. Os brasileiros imaginam a situação do país muito pior do que é na realidade. Provavelmente um resultado das muitas notícias negativas, estas que possuem bem mais impacto que as positivas.

Com a população desentendida da própria realidade, a prioridade não ficará direcionada aos problemas que de fato acontecem. Um exemplo: priorizar a educação quanto a prevenção de gravidez na adolescência — cuja taxa real é 6,7% contra a presunção de 48% — em vez da prevenção contra acidentes provocados pelos motociclistas, estes correspondentes aos 74% dos acidentes de trânsito de janeiro a novembro de 2017.

A instituição disponibilizou um quiz com algumas perguntas levantadas nas entrevistas (infelizmente as perguntas estão em inglês, mesmo no quiz do Brasil). Eu fiz o questionário tanto na realidade do nosso país como nos Estados Unidos, e preciso rever minha perspectiva: acertei três de oito no quiz do Brasil, mas cinco nos EUA.

Oito perguntas não são o suficiente para apontar todos os aspectos da sociedade em nosso país (seis se considerar que duas são de abrangência internacional). Ainda assim já aponta que eu também preciso rever meu ponto de vista e buscar mais informações do que acontece no Brasil. 

Conhecimento científico da população 

O Instituto Abramundo avaliou o nível de conhecimento científico de cidadãos moradores das regiões metropolitanas do Brasil. 

Na pesquisa foi definido quatro níveis de proficiência: 

  • Nível 1 – Letramento não-científico: assimila informações explícitas de contexto cotidiano, sem domínio de termo ou aplicação científica; 
  • Nível 2 – Letramento científico rudimentar: resolve problemas de interpretação e comparação com informações científicas básicas; 
  • Nível 3 – Letramento científico básico: capaz de resolver problemas a partir de evidências científicas apresentadas de forma técnica em diferentes contextos; e 
  • Nível 4 – Letramento científico proficiente: são capazes de argumentar sobre hipóteses, conhece unidades de medidas e tem consciência de assuntos do meio ambiente, saúde, astronomia ou genética.

Yeah, Science!

No resultado da pesquisa, 64% dos cidadãos possuem no máximo nível 2. Somente cinco de cada 100 tem um letramento científico proficiente. 

O instituto distribuiu essas variáveis em outras classificações, como renda, escolaridade, profissões, idade e outros. Senti uma dor no peito ao ver que dos profissionais de educação, apenas 10% são do nível 4; além dos profissionais de saúde com apenas 8% no maior nível, e a metade correspondente desta profissão está no letramento rudimentar. 

Como disse antes, a quantidade de informação exposta é absurda, seja elas verídicas ou verossímeis. Considerando o conhecimento científico da maioria ser de nível regular, infelizmente é de se esperar que muitos são levados a teorias conspiratórias e curas milagrosas.

Realidade Transformada pela Inteligência Artificial

O avanço nos sistemas de inteligência artificial expande cada vez mais as possibilidades de criar conteúdo. Infelizmente também pode gerar materiais perturbadores. 

Algoritmos de aprendizado de máquina e um computador moderado já é o suficiente para trocar o rosto de uma pessoa em um vídeo. Já circulam pela internet vídeos pornográficos com rostos de atrizes famosas de cinema, quando na verdade é apenas uma atriz pornô que teve sua face substituída no vídeo. 

Mulher Artificial

A inteligência artificial é alimentada com inúmeras fotos da celebridade, todas disponíveis na internet. Tais fotos são colocadas, quadro a quadro, no lugar do rosto da profissional do vídeo com uma expressão semelhante. 

Existem falhas no material, e nem precisa de um olhar tão atento. Há momentos em que o rosto não aparece ou fica desalinhado, e os lábios não estão de acordo com a fala. Porém isso pode ser entendido como um problema do arquivo de vídeo, ou simplesmente não ser levado em consideração na hora de compartilhar no “zap”.

E se combinar a troca de rosto com simulação da voz de uma pessoa, mesmo ela nunca ter dito algo do tipo? Isto já é possível com os recursos disponíveis.

Fora os vídeos eróticos com celebridades…

Não percebeu o perigo? Considere este cenário: um vídeo editado com uma pessoa qualquer, onde o rosto é substituído pelo presidente dos Estados Unidos e a fala é programada com a voz do mesmo. Ainda está tudo bem por ser um político que despreza? E se trocar pelo seu político favorito? Ou pelo seu cantor? 

É um recurso viável e pode destruir a imagem de uma pessoa defensora do ponto de vista diferente. Além do debate político aconteceria uma disputa de vídeos artificiais constrangedores. #IstoÉMuitoBlackMirror

Bots na Política

A eleição presidencial de 2014 teve o maior número de interações de usuários online neste período com relação as campanhas anteriores. É possível que a população realmente estivesse mais engajada do que nunca. Mas as redes sociais também foram transbordadas por bots.

Inúmeros perfis falsos foram criados a partir de programas, cujo algoritmo instruía interações nas redes sociais com curtidas, compartilhamentos, e até comentários.

Pessoas falsas

Empresas oferecem este tipo de “serviço”, e são fáceis de serem encontradas. Poderiam garantir 3.000 curtidas na fanpage por duzentos reais, ou 10.000 likes em único post com R$90,00.

Os dois antagonistas da eleição (Dilma e Aécio) utilizaram bots em suas campanhas, tendo o Aécio usado mais deste recurso. Os perfis de algoritmos continuaram após a eleição, e participaram das campanhas relacionadas ao processo de impeachment da presidente. 

Este cenário político de 2014 foi o início, 2018 com certeza será pior. Os perfis falsos bagunçam as estatísticas das próprias redes sociais. Geram falsos engajamentos que irão levar esses conteúdos a pessoas reais, estas que irão acreditar nas notícias falsas, vão priorizar campanhas que são fora da realidade, e não serão capazes de distinguir a veridicidade da verossimilhança. 

Quem poderá nos defender? 

Estes foram os tópicos destacados, capazes de causar o grande problema deste ano: a ignorância. Muitos aspectos contribuem para que os indivíduos permaneçam alienados enquanto são bombardeados com notícias e matérias falsas, mas que entregam o conteúdo já esperado. O conteúdo que “mostra a verdade do meu inimigo” e “enaltece o meu guru salvador.” 

É como aquela casa de espelhos do parque de diversões. Só que em vez de surgir imagens distorcidas de você mesmo, são telas com informações nada realistas que serão impostas ao seu redor. Pelo menos a solução pode ser a mesma de uma casa de espelho normal: olhe os próprios pés. 

Avalie a si mesmo. Compreenda qual o seu nível de conhecimento e procure ampliá-lo. Não compartilhe opiniões sem analisar se o autor é de fato um humano, questione a vericidade do conteúdo. Veja além dos números nas redes sociais, enxerga as pessoas que estão por trás daquelas telas.

2018 needs you!

2018 needs you!

Serei sincero o bastante e afirmarei que 2018 não terá jeito. O período de eleições será transbordado de calúnias e ataques de ódios entre opositores. Vai atingir pessoas sem relação com partidos só para alavancar a imagem do seu próprio.  

Mas se começar a mudar a perspectiva hoje, seremos uma população mais crítica amanhã. Não iremos engolir o que é propagado por máquinas só com a intenção de danificar a imagem alheia. Vamos focar no conteúdo, saber interpretá-lo e traçar uma opinião com base no conhecimento. Respeitar o próximo acima de tudo.

E isto não será fruto de uma utopia, um sonho. Será o resultado de muito trabalho e reavaliação.


Referências

Perigos da Percepção 2017

Boletim Estatístico de Janeiro a Novembro de 2017 (DPVAT)

Indicador de Letramento Científico (2014) 

AI-Assisted Fake Porn Is Here and We’re All Fucked 

Computational Propaganda in Brazil: Social Bots during Elections 

As Primeiras Horas de 2018

Primeiro de janeiro de 2018. 

Levantei às 6h50.

Precisava tomar remédio às sete por causa da alergia da gatinha (de quatro patas, infelizmente) da casa de minha irmã dias atrás. 

Pelo menos eu estava melhor, meus cachorros também. Fiquei até uma da madrugada acordado só para acalmar os meus dois bichinhos. Fogos não têm graça, perdi o prazer da virada do ano há tempos. 

Tenho o hábito de fazer compras no mercado todo domingo. Com espirros constantes e olhos avermelhados igual vampiro, resolvi adiar até o ano seguinte. Meu pai disse que estaria quase tudo fechado, e ele estava certo. 

Saí de casa com o horizonte plenamente cinza. As nuvens escondiam a luz do sol, ventos frios massageavam meu rosto. Adoraria receber o calor de um abraço da minha companheira de toda a vida, mas ela ainda não se revelou para mim. No momento aceito a companhia deste clima gelado; odeio o verão. 

Segui com o meu carro. Mal tinham passado oito horas do primeiro dia do ano. Com certeza a rua estaria deserta, encontraria somente os bêbados. Todo feriado eles brotam no chão, principalmente no ano novo. 

Porém o primeiro sujeito visto na rua estava com uniforme de trabalho. Sua bolsa grande e cheia puxava seus ombros, quase o derrubava. O zíper nem fechava com o pacote de arroz com a metade para fora da mala. 

Ele viu o meu carro e acenou. Primeiro eu desviei o olhar, concentrei na curva fechada que teria de fazer com o veículo. Acenou mais uma vez e eu pus o pé no freio. Olhei na janela do meu lado, ele já tinha ido ao outro e abriu a porta do passageiro. Quando perguntei se precisava de carona ele já estava dentro. 

Como não cheguei a pedir autorização dele em expô-lo neste texto, vou nomear aqui como Alexandor Romasnoffv.

Talvez Josué, o Hulk, seja melhor.

Hulk é o apelido dele de verdade. Ele me disse quando observou a minha camiseta. De primeira perguntou se eu era roqueiro pela cor da roupa, e acertou. Só enxergou o monstro verde quando observou outra vez. 

Conheci muito sobre Josué no curto caminho de sua carona. Digo, curto com o carro. A pé ele iria gastar meia hora e arrebentar a coluna com aquela mala pesada (não estava sob os efeitos dos raios gama). 

A nossa conversa durou mais do que muitas a vir em janeiro. Sou introvertido, ainda assim não sou difícil de se conversar. Difícil é alguém falar comigo de coisas simples, sem segundas intenções ou julgamentos. 

Mal saí do percurso durante a carona, e deixei Josué há poucos passos de seu apartamento. Ele me recompensou com algo de valor inestimável: gratidão. Não poderia receber prêmio melhor nas primeiras horas de 2018. 

Duvido encontrar Josué outra vez em breve. Desejo toda a felicidade possível a sua família com aquele saco de arroz pesado da bolsa. Até mesmo a sogra — que ele detesta — seja feliz e o incomode menos. 

Comecei este ano com o pé direito, cheio de satisfação e esperança de seguir em frente (e olhar para o lado). 

Claro, as primeiras horas do ano não foram perfeitas. Apenas um mercado estava aberto. Comprei menos da metade do que costumo levar, e o preço ainda ficou a 50%. 

Mas tudo bem. Houve um breve momento de felicidade, e isso tem de ser lembrado. Não é muito, mas a perspectiva positiva é o mais importante.

O ano novo não trará mudanças se eu deixar de mudar minha atitude, do contrário chegará dezembro e serei mais um a dizer que 2018 foi o pior ano da minha vida, assim como muitos falaram nos anos anteriores.

i am possible - 2018

Rasguei o impossível e disse: “Eu sou possível!”

© 2020 XP Literário

Theme by Anders NorenUp ↑