Há jogos criados para perseverar, compensar não apenas pelo preço investido no produto, mas por toda a experiência vivida pelas horas de jogatina. Três anos depois de seu lançamento e ainda assim os novos games não ousaram nos detalhes de se criar um mundo vivo como esse fez. Não só nas interações da campanha principal no jogo, até as pequenas conversas com personagens que mal sabemos o nome (ou não fazemos questão de lembrar).

Ainda se fala do jogo em pleno 2018. A saga de livros que inspirou a aventura de Geralt no meio eletrônico terminou de ser publicada no Brasil no fim do ano passado, e teremos uma prequel a ser publicada ainda este ano no Brasil.

Claro, estou falando de The Witcher 3: Wild Hunt. Publicado em 2015 após vários adiamentos, é um RPG de mundo aberto repleto de aventuras, contratos e diversas atividades enquanto conclui o arco de Cirilla apresentado ainda nos livros.

CD Projekt Red foi a empresa responsável em montar este mundo maravilhoso no formato de um jogo. O carinho por este trabalho rendeu lucros e, acima de tudo, gratidão.

Contos de fadas deixam de ser contos quando se começa a acreditar neles

O jogo começa quando Geralt e seu antigo tutor Vesemir vão atrás de Yennefer. A feiticeira conhecida desde O Último Desejo faz a sua estreia nos games neste último título, e traz Geralt ao objetivo principal da trama: reencontrar Cirilla.

Ciri - Witcher Wild Hunt

Ciri é seguida pela caçada selvagem, um grupo de cavaleiros temíveis que quando vistos vagando pelos céus precedem o Tempo do Desprezo.

Esta jornada leva Geralt a reencontrar velhos amigos e conhecer novas pessoas de títulos nada amigáveis: Barão autoproclamado, Filho da Puta Júnior e Maluco são alguns exemplos.

O jogo oferece opções de respostas aos diálogos de Geralt, um sistema de escolha tão simples que trazem consequências gravíssimas aos personagens envolvidos. Os resultados dessas escolhas são catastróficos, mas poucos interferem no gameplay. Sem dar detalhes do spoiler, a morte de um personagem importante não mudou em nada os habitantes e cavaleiros de sua área de influência, como se não estivesse morrido. A mudança só foi considerada numa das narrativas ao final do jogo.

Portais. Eu odeio Portais

Acompanhamos toda a trajetória de Geralt, ao contrário do que ocorre nos livros. Mas também tem tramas paralelas do Bruxo as quais descobrimos durante a interação com os lugares. Presenciamos as consequências da guerra entre os Reinos do Norte e Nilfgaard. As imposições religiosas de Novigrad e sua administração feita por bandidos do submundo que interferem na aventura de Geralt e alguns de seus companheiros. Disputas políticas para eleger o novo governante de Skellige e os costumes tradicionais de aldeões nessas ilhas são intervindas pelo Bruxo na sua extensa busca pela Criança Prometida.

E não podemos esquecer dos contratos de Bruxo. Mesmo vendo um NPC na hora de firmar o contrato e depois somente no pagamento, todos são muito bem desenvolvidos. Eles se comunicam com gestos, possuem seus sotaques, o temperamento interfere no modo de falar, e têm personalidades diferentes. Essas personalidades podem pregar peças ao jogador enquanto Geralt tenta negociar o contrato, também feito através de escolha de respostas. Nesta parte o jogo abre mão da personalidade impessoal de Geralt e oferece respostas mais empáticas ao jogador. Quem desconhece o protagonista pelos livros pode se simpatizar por um Geralt tão benevolente, mas que não apresenta a verossimilhança do mutante carrancudo.

Trabalho de Bruxo - witcher wild hunt

Novamente as consequências de diálogo se tornam um tanto limitadas. Apesar de gerar resultados na quest relacionada ao contrato, depois do mesmo o personagem parece sequer ter conversado com Geralt. Algumas vezes se justifica pela aversão das pessoas quanto aos Bruxos e os chamam contra a vontade. O problema ocorre quando encontramos pessoas que desde o começo apresentam respeito ao bruxo, agradecem quando o serviço é feito, aplaudam como se fosse um herói, mas se tentar conversar no segundo seguinte da missão concluída, a mesma pessoa pigarreia, xinga e cospe. Ou seja, o personagem deixa de ser uma pessoa verossímil da quest para se tornar mais um entre tantos NPCs daquele cenário, às vezes até a voz dublada é diferente.

Não me importaria em dar uma olhada no seu estoque

Nem mesmo os comerciantes estão livres do detalhamento nas conversas. Alguns são genéricos e falam frases comuns antes de o jogo abrir o menu de venda e trocas de itens, já outros apresentam personalidade e histórico semelhantes aos NPCs de missões (sem se transformar em outra pessoa após a interação, desta vez).

Destaco também o sistema de venda no jogo. Enquanto os demais jogos se limitam a vender itens aprimorados conforme o local em que vivem e os repetidos com o mesmo preço, em The Witcher cada comerciante dá o seu preço de vendas da sua mercadoria e o quanto pagaria pelos itens do jogador. Só podemos vender itens que o comerciante aceita conforme o seu ramo (herbalista não quer comprar armas ou armaduras), e a limitação de vender apenas dentro do orçamento daquele comerciante. Nenhum ambulante plebeu está disposto a gastar 30 mil coroas no seu arsenal de espadas, pois a realidade dele não traz condições nem de pagar por uma.

Aposte corridas de cavalos e participe de brigas de rua. Dispute jogos de cartas com sistema exclusivo que até se tornou um jogo próprio. Conheça as diversas personalidades existentes no vasto mundo de The Witcher que homenageia a gloriosa história dos livros com o desfecho criado nesta obra de arte em forma de jogo.

Witcher Wild Hunt

*Imagens retiradas do site oficial

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