Já imaginou uma saga completa de livros em que cada volume é publicado numa plataforma distinta? O primeiro e o terceiro título são publicados em formato de livro, o segundo em e-book, faz um quadrinho do quarto, mangá do quinto… E após anos resolvem lançar coletâneas nas plataformas atuais. 

Felizmente acredito não ter acontecido tal confusão numa série de livros. Por outro lado, um produto teve a compreensão de seu enredo comprometida por lançar suas sequências em dispositivos diferentes. Este produto é Kingdom Hearts.

Kingdom Hearts - logotipo

O jogo terá seu primeiro arco finalizado com o vindouro Kingdom Hearts 3. Como redenção aos muitos jogos lançados em plataformas diferentes exclusiva (playstation 2, nintendo DS, PSP e Nintendo 3DS), foi lançado duas coletâneas para a última geração do console da Sony, um com os seis primeiros jogos (sendo apenas quatro jogáveis e os outros dois com as cenas refeitas para esta coletânea), e o segundo com o jogo Dream Drop Distance, as cinemáticas de Union Cross, e um game inédito que serve de prelúdio ao último episódio deste longo arco. 

Já postei neste blog a análise do primeiro Kingdom Hearts, explicando brevemente sobre o debut da saga. Neste artigo farei um resumo dos outros cinco jogos da primeira coletânea citada no parágrafo anterior. 

O conteúdo a seguir conterá spoilers dos seguintes títulos: Chain of Memories, Kindgom Hearts 2, 358/2 Days, Birth By Sleep e Re:Coded. 

Os Guerreiros da Keyblade e Kingdom Hearts

No princípio existia o caos todos os lugares se encontravam em um mesmo mundo. Este mundo era abençoado pelo poder da luz, onde a principal fonte emanava no Reino dos Corações. Esta fonte de luz podia ser acessada por uma ferramenta poderosa chamada χ-blade.

Chi-blade

Indivíduos gananciosos queriam o poder absoluto da luz para si. Eles criaram versões enfraquecidas da ferramenta chamada Keyblade, algumas com o poder da luz, outras com o poder da escuridão. 

É possível formar a própria χblade se essas armas da luz colidissem com as da escuridão. Por este objetivo a Guerra de Keyblade aconteceu. O resultado foi um mundo tomado pela escuridão.

A vida de todos foi salva graças ao poder da luz ainda residente nas crianças. Entretanto o mundo ficou fragmentado, dividido por todo o espaço sideral, e com uma barreira que dificultava o acesso direto entre esses, impedindo uma nova guerra. 

Sem o conflito entre essas ferramentas da luz e escuridão, o Reino dos Corações não seria alcançado. Só que havia outras maneiras de conseguir...

Nascimento ao dormir

Os guerreiros das Keyblades continuaram a existir, embora isolados. Entre eles existiam três aprendizes do mestre Eraqus: Ventus, Aqua e Terra. 

Terra, Aqua e Ventus - Kingdom Hearts

Os três aprendizes são amigos íntimos, só que infelizmente seguiram por caminhos separados. 

Aqua e Terra eram os mais velhos e capazes de adquirir o título de mestre caso passassem na prova executada por Eraqus e testemunhada pelo mestre convidado Xehanort. 

O objetivo era formá-los em guerreiros da luz, mas Terra revelou uma pequena demonstração das trevas durante o exame. Somente Aqua obteve o título de mestre. 

Eraqus recebeu um recado urgente do ex-mestre e agora feiticeiro Yen Sid. Criaturas nocivas chamadas de Unversed invadiram diversos mundos. O mestre comandou Aqua e Terra para viajar nesses mundos (agora com acesso liberado pelo mesmo), livrá-los do perigo e entender a origem do problema. Aqua teve uma missão extra de supervisionar Terra, evitar que ele se perdesse no poder da escuridão. 

Um jovem sob a tutela de Xehanort provocou Ventus em paralelo, alegando que Terra partiria e nunca mais voltaria. O garoto viu a partida de seu amigo e o perseguiu. Eraqus acrescentou na lista de afazeres de Aqua a trazer Ven de volta. 

Cada um viajou pelos mesmos mundos, embora em ordens diferentes, mas com uma ordem cronológica um tanto controversa.

Durante a viagem Aqua conheceu a criança Kairi, e deu o poder da luz a ela para proteger quem ela valorizava. Terra encontrou os meninos Sora e Rikku, reconheceu muito de si no segundo, e concedeu a ele seu próprio poder. Sora mais tarde conseguiu conversar com o espírito de Ventus, e este repousa no coração do principal protagonista deste arco. 

Aqua e Kairi - Kingdom Hearts

O grande conflito

Ao fim do jogo o mistério foi revelado: Xehanort queria obter a χblade, obter acesso ao Reino dos Corações e testemunhar como seria o mundo após a escuridão.

chave para obter a ferramenta necessária estava em Ventus. A princípio ele era aprendiz de Xehanort, com potencial equivalente de luz e escuridão, perfeito para forjar a χblade. Mas Ventus não cedia ao poder sombrio, então Xehanort retirou toda a escuridão do rapaz e formou um novo ser chamado Vanitas, o mesmo que persuadiu Ventus a ir atrás de Terra no começo desta história. 

Em vez de travar uma guerra com inúmeros guerreiros com forças antagônicas, bastava que Ventus enfrentasse seu alter ego da escuridão para criar a ferramenta e acessar o Reino dos Corações. 

Em paralelo, Xehanort precisaria de um corpo jovem, já que está com pouco tempo de vida para vislumbrar o mundo transformado pela escuridão. Seu segundo objetivo então era possuir o corpo de Terra. 

Por fim Ventus venceu Vanitas com a ajuda de Aqua e Mickey. Mas derrotar seu alter ego causou instabilidade a si mesmo, ele ficou em coma que persiste nos próximos episódios/games.

Xehanort conseguiu assumir o corpo de Terra de certa forma. Só que encontrou dificuldades em tomar o controle por completo. Aqua tentou impedir seu plano, e por fim causou amnésia ao Terra, num conflito eterno entre o seu coração e o de Xehanort.

 Sobre o inimigo

Xehanort - Kingdom Hearts

Xehanort prevaleceu sobre o corpo de Terra. Se tornou aprendiz do cientista e governante do mundo Jardim Radiante chamado Ansem.

O cientista estudava as profundezas do coração. Descobriu que a corrupção de um ser pelas trevas o transformaria numa criatura maléfica e irracional chamada Heartless. Temeu por resultados desastrosos e interrompeu esta pesquisa. Mas o aprendiz Xehanort ignorou seu mentor. 

Ele e os outros cinco seguidores de Ansem tornaram-se Heartless. Algo singular aconteceu com Xehanort. Por já controlar o poder das trevas, ele não ficou irracional como os demais corrompidos. Ele assumiu a identidade de Ansem para prejudicar a imagem do cientista e seguiu no objetivo de obter o poder do Reino dos Corações. O resto da história já se sabe no primeiro jogo. 

 Os Ninguéns

Quando uma pessoa vira Heartless, seu corpo original ainda permanece vivo, sob a consciência de um ser que não tem coração, portanto não possui sentimentos. Este novo ser é chamado de Nobody. 

Alguns Nobodies se transformam em monstros. Os mais poderosos mantêm a aparência humana e as memórias do ser original.

Xehanort também possui o respectivo Nobody, chamado Xemnas, além do já citado Heartless Ansem.

Xemnas coordena um grupo com os Nobodies correspondentes aos cinco seguidores de Ansem (o cientista), mais sete membros posteriores. O nome desta equipe então era Organização 13. 

Organization XIII - Kingdom Hearts

O último membro da Organização chamava-se Roxas, ninguém menos que o Nobody de Sora. E outro detalhe: enquanto os outros tinham a aparência do ser original, este era igual a Ventus, já que a essência dele repousava no coração de Sora. 

Falando no protagonista, este foi manipulado pela Organização. A sua Keyblade conseguia liberar o coração de cada Heartless derrotado. Esses corações libertos se reúnem até formar o próprio Reino dos Corações. 

Mesmo ciente disso, Sora prossegue nos conflitos por ser incapaz de deixar os mundos sofrerem sob os ataques dos Heartless e Nobodies.

Os membros da Organização são derrotados, restando apenas Xemnas diante do Reino dos Corações. 

Numa luta que parecia nunca acabar, o líder da organização é finalmente derrotado. Sora voltou ao seu mundo de origem (Ilha do Destino) junto com o amigo Riku e Kairi. E todos viveram felizes para sempre, mas o sempre tem prazo de validade.

 que está por vir 

Mesmo mortos, alguns nobodies como Roxas tem uma conexão com o coração do herói, e esta ainda permanece dentro dele. Não só dos seres inexistentes, mas também dos três aprendizes de Eraqus. Sora irá sentir a ferida de cada um, e poderá salvá-los da perdição. 

Com Ansem e Xemnas derrotado, o Xehanort voltará a surgir. E como ele mesmo dia, é paciente e sempre tem um plano diferente para alcançar o Reino dos Corações. 

 Verdadeiro Xehanort - Kingdom Hearts

Uma breve análise 

A fórmula que vimos no primeiro jogo está aprimorada. Os personagens viajam por cada mundo e presencia a história dos personagens de lá, só que desta vez os acontecimentos também ficam interligados com a história principal. 

Muitos aspectos do jogo são interligados com a narrativa e causam uma bela imersão, só que existem alguns deslizes. A personagem Aqua é uma mestra da Keyblade da luz, repudia a escuridão tal como seu mestre, e ainda assim pode usar magia da escuridão como a blackout. 

Sora evolui sob o mesmo aspecto desde o princípio. Sempre consegue a força necessária através da amizade, e fará de tudo pelos amigos. O modo com que a Organização 13 aproveitou da personalidade de Sora para manipulá-lo nos jogos Chain of Memories e 2 ficou sensacional.

A Organização 13 não é tão organizada. Membros têm objetivos divergentes que causam instabilidade nos planos originais. Teve cenas dedicadas aos pontos de vistas desses personagens que o tornaram mais realistas, possível de se ter empatia.

Bato palmas para a evolução da narrativa voltada ao protagonista com os jogos posteriores. Enquanto houve uma progressão gradual na personalidade de Sora nas vinte e poucas horas de gameplay no primeiro título, em Birth By Sleep desenvolveu um aprofundamento incrível os três personagens com motivações distintas em apenas 8 a 10 horas de jogatina com cada. 

E o que falar de Riku? Os plots twists que envolvem este personagem são muitos, e bem explorados. Seu conflito interno com o poder da escuridão adquire forças a partir da amizade fiel ao protagonista e com o próprio Mickey Mouse. Percorre uma trilha nada segura, isolado da luz, e ainda consegue dar a volta por cima.

Riku - Kingdom Hearts

Considerações finais

Deixei de citar muitos aspectos de lado, buscando uma síntese com que acredito ser mais importante de conhecer do enredo desta saga para não ficar de fora do novo título que concluirá este arco. 

Ainda há três jogos não analisados por mim, presente na coletânea 2.8. Infelizmente a Square Enix não patrocina os meus artigos (fica a dica, SE), então teria de desembolsar a cópia desta coletânea, investir o tempo escasso para vislumbrar os jogos, e só então avaliar se valeria a pena elaborar mais um texto no blog. 

Se tiverem alguma dúvida ou queira acrescentar algo, fiquem à vontade nos comentários. O foco das matérias sobre jogos neste site será sempre sobre o enredo, porém se pedirem eu posso dar a minha opinião (de gamer, não profissional) a quem tiver interesse. 

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