Como a ideia surgiu…

Sabe aquelas conversas descontraídas de bar ou happy hour qualquer em que trocamos as ideias mais malucas com nossos amigos, quando dizemos um para o outro alguma proposta brilhante, um projeto com tudo para dar certo, e de repente o assunto morre?

Certa vez o assunto não morreu, e a conversa surgiu dentro de um elevador. Um funcionário da empresa de desenvolvimento e publicação de jogos Square Enix (na época ainda se chamava Square Soft) falou brevemente com um executivo da Disney. Ali deu início à ideia que gerou uma série de jogos chamada Kingdom Hearts.

Capa do jogo - Kingdom Hearts

Um jogo eletrônico do estilo RPG com jogabilidade voltada para ação. O primeiro título estreou na plataforma Playstation 2 com uma proposta inacreditável: reunir diversos mundos fantásticos da Disney com os personagens da série de jogos Final Fantasy.

Sobre o enredo de Kingdom Hearts

[Spoilers a frente. Caso queira ler apenas a análise, pule para a seção seguinte]

Entre os rostos conhecidos pelos admiradores dos dois universos, o protagonista Sora entra numa aventura que o levará a conhecer alguns ambientes fantásticos da Disney (Agrabah, Atlântica, País das Maravilhas, Terra do Nunca, e outros). Já Squall, Cloud, Aerith, Yuffie e Cid viviam no mesmo mundo neste jogo até precisarem fugir para outro lugar quando seu lar foi sucumbido por seres maléficos.

Os mundos existiam de forma isolada, sendo impossível emigrar de um para outro. Mas eles foram conectados com os distúrbios causados pelos poderes da escuridão.

Criaturas com coração corrompido (chamados de Heartless) começaram a invadir os diferentes mundos em busca do portal para o coração (fonte vital) de cada universo e destruí-lo, desaparecendo com tudo que existia nele.

O papel do protagonista é selar esses portais para evitar a destruição desses universos distintos. Só ele pode fazê-lo por ser o escolhido para empunhar uma arma específica. Assim ele é capaz de destruir os Heartless, fechar o acesso ao coração do lugar e abrir baús espalhados pelo cenário.

Esta poderosa arma se chama Keyblade. Sim, é uma espada em formato de chave. Sabe o portal do coração de cada mundo? É literalmente um Keyhole (fechadura de fechadura). Conveniente, não acha?

Keyhole sendo trancada pela Keblade - kingdom hearts

Enquanto Sora procura pela Keyhole, o jogo nos apresenta o ambiente de cada obra clássica da Disney e seus personagens principais (em que alguns até ajudam no combate, como Tarzan e Aladim).

O jogador passará a maior parte da jogatina interagindo com os elementos da Disney enquanto a verdadeira história é contada aos poucos.

Os Antagonistas

Malévola é a vilã principal da Disney. Une forças com outros antagonistas dos respectivos mundos para sequestrar as sete princesas de coração puro. Com todas em seu poder, é capaz de abrir o acesso ao Reino Sombrio e controlar o poder das trevas.

Após uma jornada percorrida por quase dez ambientes clássicos da Disney, Sora alcança Malévola e impede seus planos. Mas enfim o verdadeiro vilão do jogo aparece: Ansem.

Ansem (vilão principal) - kingdom hearts

Não vou abordar detalhes do vilão, já que esses são revelados nos jogos posteriores. No momento digo apenas que é um Heartless poderoso e quer obter o poder absoluto através da escuridão.

Tal poder é alcançado no Reino dos Corações. O nome dá a impressão de ser um lugar meigo, mas é uma fonte de grande poder e sabedoria. Corresponde ao coração de todos os mundos existentes, o coração de tudo que existe.

Análise

O enredo principal é deixado de lado para focar nas interações do jogador com o mundo Disney. Posso afirmar que este é um dos motivos principais por deixar o enredo do jogo tão confuso para tantos jogadores.

Mesmo causando confusão aos fãs do game, acredito que essa abordagem foi realizada de forma consciente. Queriam atrair a atenção dos jogadores para a interação com o universo Disney, o principal trunfo de Kingdom Hearts.

A abordagem infantil fiel às animações homenageadas foi crucial para atender ao público infantil e aos jogadores de Final Fantasy. O último caso provavelmente são pessoas mais velhas (de adolescentes a jovens adultos na maioria) que se interessariam rever seus heróis de RPG favoritos num mundo que mesclava personagens nostálgicos da sua infância.

Graças a esse conceito, a construção dos personagens foi feita de forma simples. Assim os elementos da Disney mantiveram a sua personalidade.

Os protagonistas de Final Fantasy foram tratados de forma superficial, porém esta abordagem ficou até interessante. Cloud e Squall são sujeitos bastante complexos. Ao fazer uma abordagem rasa durante o jogo, gerou alguns mistérios sobre os mesmos.

Squall (FFVIII) e Cloud (FFVII) - kingdom hearts

Desta forma evitaram de adaptar os dois para uma versão infantil e revoltar os fãs mais conservadores. É verdade que infantilizaram (literalmente) o Tidus, só que este já possui uma personalidade mais jovem, estreou num jogo pouco tempo antes do lançamento de Kingdom Hearts, e o mais importante: quem leva o protagonista de Final Fantasy X a sério?

Desenvolvimento do Personagem Principal

Já o protagonista Sora tem uma personalidade carismática e se esforça ao máximo para ajudar os seus amigos (mesmo os que ele acaba de conhecer). É um personagem com uma vida simples que desejava encontrar novos mundos junto com seus companheiros de infância Riku e Kairi.

Seu sonho foi realizado do modo jamais imaginado e o levou nesta aventura totalmente desconhecida por ele. Uma ideia ótima por deixar o jogador entender o enredo no mesmo ritmo que o protagonista descobre.

O desenvolvimento de Sora ao longo do jogo foi vagarosa e fraca. Ele não se aprimora ao enfrentar os perigos praticamente invencíveis. O que realmente acontece é uma descoberta nos momentos cruciais que abrem oportunidades aproveitadas pelo protagonista para vencer seus inimigos.

Antes ver o sorriso de Sora do que ouvir a gargalhada de Tidus

Continua no próximo artigo…

Muitos jogos vieram após a estreia do primeiro título, cada um desenvolvendo o enredo exclusivo de Kingdom Hearts enquanto atravessamos histórias conhecidas e nostálgicas.

Pretendo escrever mais um artigo que aborda todo o universo contado nos jogos posteriores. Só escrevi este em separado para contextualizar a ideia principal, resumir como o primeiro título nos apresentou ao mundo de Kingdom Hearts e abordar a evolução da mesma no próximo texto.

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