Imagine o mundo fantástico ambientado entre a espada e a feitiçaria, compartilhada com outras espécies humanoides. Crenças originais perdem espaços enquanto uma prevalece — sempre sujeita a ameaças. Paredes trazem indivíduos ao conforto e sensação de proteção por vezes artificial. Acampamentos garantem provisões a soldados nos campos abertos repleto de criaturas, bandidos, conspiradores e, claro, dragões. O caos se alastra com ameaças à crença principal do país, além do próprio reino poder desfalecer nas mãos de um novo deus. Medidas desesperadas são a única opção, e por isso restauram a Inquisição.

Dragon Age: Inquisition é o terceiro game da saga de RPG medieval. Lançado em 2014, o jogador seleciona a espécie, classe e aparência do protagonista — ou importa e prossegue a história de seu personagem do jogo anterior, caso tenha — e controla a equipe que restaura as forças da Inquisição.

Bioware já apareceu aqui com a resenha do lançamento mais novo da outra franquia famosa da empresa, mas com pouca receptividade da crítica e parte do público, o Mass Effect: Andromeda.

Essa história não é boa para heróis

A história do jogo acontece no continente de Thedas, focando em dois países: Ferelden e Orlais. Orlais é governado pela imperadora Celene, com riscos de perder o trono e a vida. O país também tem peculiaridades políticas. Os nobres da cidade aparecem ao público com máscaras, pois elas refletem o comportamento nada objetivo, mascarando atitudes e ideias em meio ao chamado jogo, onde planejam formas de tirar vantagens da realeza enquanto mantém as aparências.

Humanos predominam em quantidade e poder no continente. Seguem a Chantria, conclave de adoração à entidade chamada de Criador e a sua correspondente Andraste. O conclave elege a Divina, posição equivalente a papisa na Chantria.

O protagonista está na reunião onde existe a tentativa de apaziguar a guerra civil entre magos e cavaleiros — eventos do jogo anterior. Algo acontece durante esta reunião e condena quase todos os presentes, inclusive a Divina. O céu fica com a Brecha onde chegam criaturas do mundo espiritual. Somente uma pessoa escapa da tragédia, o protagonista, que carrega na mão a Âncora, com poder desconhecido e relacionado à Fenda para o mundo espiritual. Com a morte da Divina e o insucesso em restaurar a paz entre cavaleiros e magos, surge a ideia de restaurar o poder existente antes do conclave de Chantria: a Inquisição.

Uma amostra da Inquisição - Dragon Age Inquisition

Uma amostra da Inquisição

Coisas impossíveis não são surpresas

O jogo apresenta e progride  na trama através da discussão dos personagens envolvidos. Muita discussão. Diálogos longos mostram conhecimentos distintos e perspectivas de cada personagem, jogável ou não. A Inquisição possui cavaleiros, espiões, diplomatas e feiticeiros; visões entram em conflito na tentativa de decidirem qual ação tomar contra a ameaça, esta determinada pelo personagem do jogador. As escolhas de personalizar o protagonista também acarretam na origem e ponto de vista inicial. Selecionando uma humana maga, a protagonista vive nas Fronteiras Livres e é membro de uma família de magos; protagonista de outros aspectos darão origens diferentes que acarretarão na opinião dos outros personagens logo no primeiro contato.

Protagonista Orlova tomando sua decisão - Dragon Age Inquisition

Protagonista Orlova tomando sua decisão

Depois de muita discussão, a equipe liderada pelo protagonista vaga em um dos diversos mapas do jogo em cumprimento dos objetivos primários da Inquisição, além de outras que garantem pontos de poder ou influência. O primeiro garante a ação da Inquisição em novos mapas ou liberam tarefas importantes; já a influência concede benefícios no jogo, seja bônus de experiência para evoluir personagem, vantagens na compra e venda de itens, melhoria na coleta de recursos, e outros.

É muito fácil adquirir poder no jogo a ponto de garantir pontos o suficiente para avançar na campanha principal sem realizar feitos tão interessantes. O jogador poderá investir tempo desnecessário na tentativa de completar o jogo. Nem todo objetivo secundário garante muita experiência, e enfrentar inimigos de nível bem inferior adquire nenhum ponto ao nível do personagem. Precisa ter isso em mente e escolher quais missões cumprir na progressão do jogo, senão a jornada renderá dezenas de horas sem evolução de personagem.

Há o caos à nossa frente, independente das suas intenções

O Dragon no nome do jogo tem significado, e aproveitaram esta criatura muito bem neste terceiro episódio da saga. Há doze dragões no jogo principal, todos impressionantes à primeira vista, e garantem batalhas épicas no confronto. A criatura gigantesca ocupa grande parte do campo de batalha, avançando o outro lado do espaço ao saltar, isso quando não bate as asas e ataca pelos céus. Com certeza é o ponto alto do jogo. Porém o ponto fraco é de tudo ficar fácil demais na dificuldade normal. Sabendo como progredir através das missões e aproveitando certas habilidades do personagem, a batalha fica injusta com os personagens indestrutíveis do jogador. Sobra até aos dragões, dominando a batalha de um já garante a vitória de todos, pois seus ataques são semelhantes, mudando apenas o elemento da criatura e o comportamento — repete mais determinado golpe comparado a outro dragão.

Olha o bicho vindo! - Dragon Age Inquisition

Olha o bicho vindo!

Dragon Age: Inquisition é extenso. O jogador precisa focar apenas em algumas missões até alcançar ao fim da campanha principal. Os diálogos recorrentes na trama são interessantes e mostram a complexidade de ideias com a divergência dos personagens tentando chegar a algum lugar. A escolha definitiva fica nas mãos do jogador, e o poder gera a responsabilidade que causará consequências no ambiente existente no jogo e na própria Inquisição.

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