Egito tem uma história espetacular. O culto aos deuses era diversificado, cada local com costumes distintos conforme o deus em destaque. Habitantes vivem na terra áspera cheia de riquezas, em contraste com o povo humilde perante suas entidades. 

Gregos dominaram as terras e conviveram com os egípcios em Alexandria. Depois os romanos também se interessaram pelos encantos do país. A divergência não foi apenas nas suas crenças, e a crise política entre os irmãos Ptolomeu e Cleópatra fez o elo mais fraco da população egipciana sofrer: a população. 

Assassins Creed Origins toma o contexto desta época do Egito como pano de fundo, enquanto mostra a história de origem do Credo dos Assassinos. Lançado em 2017 pela Ubisoft, o jogo quebra alguns paradigmas dos títulos anteriores da saga, não só pelas mudanças no gameplay, mas por regressar o período histórico. 

 

Apep devorará seu coração fétido 

Bayek é um Medjai, classe de guerreiros servidores ao faraó, protetores de toda a população do Egito. Tal classe está em extinção devido às mudanças promovidas pelo faraó Ptolomeu. Sua vida se transforma quando conspiradores cruzam seu caminho em busca de um artefato lendário e matam seu filho nesse evento. Ele jura vingança contra essa irmandade secreta com a ajuda de sua esposa Aya, que recorre ajuda à Cleópatra, com interesses em comum contra a irmandade. 

A aventura o levará a diversos lugares do Egito, cujo mapa do jogo é enorme e livre para o jogador explorar. Bayek também exerce suas funções como Medjai pelas cidades e vilarejos quando vê alguém em dificuldade. Muitas dessas quests secundárias ocorrem por consequência da crise política, pela opressão dos guardas e os guerreiros phylakitai, e também por causa dos rituais religiosos que Bayek realiza ou protege. 

Eu nunca durmo. Eu aguardo, nas sombras 

O protagonista é o mais agressivo da série Assassin’s, e prova isso logo nos primeiros minutos de jogo. Caso o ataque surpresa falhe, Bayek não hesita em empunhar sua arma e escudo frente a um ou vários adversários, e as finalizações não demonstram misericórdia. Mesmo assim, a mudança de jogabilidade nas lutas feita neste jogo se adapta ao contexto dos guerreiros na época. 

NPCs tomam pouco tempo do Medjai (e do jogador) ao expor suas necessidades na quest. A demonstração de expressões são sutis se comparadas ao The Witcher, mas os personagens não jogáveis ainda têm identidades próprias. Não tiverem tanto cuidado com os comerciantes, praticamente sem distinções de acordo com o lugar e uma economia capaz de comprar todo o arsenal de Bayek. 

Assassin’s Creed penaliza o jogador desde os primeiros jogos caso agrida pessoas inocentes (exceto no Rogue, cujo protagonista é templário). Infelizmente a penalidade está muito branda, só prejudica o jogador se matar três pessoas num curto espaço de tempo. O “guerreiro protetor” do Egito pode esfaquear as pessoas na rua e causar o terror pior do que os guardas sem ter prejuízo, pois ainda não matou os três civis. Pior ainda foi numa determinada quest em que fui recompensado por violar pessoas comuns, já que o objetivo era amedrontar um NPC. 

As mecânicas furtivas nem sempre estão eficientes. Guardas tiram sarro do protagonista “babuíno” subindo nas paredes do lado de fora enquanto eles estão no lado de dentro da fortaleza, e ainda os assassina em modo furtivo. Se um guarda te ver, basta rodear um pilar, ele baixa sua defesa e fica suscetível ao “ataque surpresa”. As falhas também favorecem os adversários, caso chame a atenção de uma fortaleza e foge para a outra, os guardas desta também já estão na postura de combate; sem aviso dos guardas da primeira fortaleza nem sinal do braseiro de alerta.  

Eu conheço os meus Deuses, agora encare os Seus 

[spoiler] 

Na conclusão da campanha principal do jogo, Bayek e Aya formam a irmandade dos Ocultos, os precursores dos Assassinos. Segundo eles, o problema está além de uma saga pessoal, os membros devem lutar pela perseverança do Credo ao mesmo tempo que permanecem escondidos pela história. Só que não. 

A fama de Bayek o persegue e expõe o líder Oculto. É controverso com o próprio Credo nas suas abordagens nada discretas, fala alto a ponto dos NPCs o lembrarem de não chamar a atenção. Ninguém lembrou os desenvolvedores do jogo quanto a discrição do Bayek nos eventos posteriores da criação do Credo. 

[fim do spoiler] 

Expus falhas sutis nas mecânicas de Assassin’s Creed que deixam a ambientação do jogo controversa. Pelo menos a construção desse mundo imenso foi muito bem representada na sua arquitetura e natureza, com oportunidade de explorar as diversas mecânicas novas na série. Já eu senti falta de aprimoramento desses detalhes. Espero vislumbrar algo na altura de minhas expectativas em Assassin’s Creed Odyssey. 

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