Esse ano de 2019 foi um período dividido em doze meses igual a todos os outros. A diferença a mim foi a divisão também em vários acontecimentos, altos e baixos oscilados com tamanha agressividade, feito montanha-russa. Toda surpresa agradável sucumbiu à tragédia vinda em seguida. Apesar de soar negativo, nenhuma tragédia impediu de eu sorrir no dia seguinte, e por isso atravessei a virada do ano feliz, lembrando dos acontecimentos positivos e com a certeza de que esses fizeram toda dificuldade valer a pena. E esta postagem tem o objetivo de listar esses altos e baixos em relação aos assuntos focados neste blog, o da escrita e literatura.

Começo pelas resenhas. Bati o recorde de leituras pelo terceiro ano consecutivo graças ao incentivo autoimposto ao manter o compromisso com este blog e persistir na ideia da leitura ser o combustível da escrita. Ainda tive a surpresa de fazer parte do blog Ficções Humanas, assim fui cobrado com ainda mais leituras, e aceitei todas de bom grado, descobri ótimas histórias e aprendi com os defeitos dos livros analisado por lá ― inclusive de títulos vencedores de prêmios, pois nenhuma obra é perfeita. Continuarei mantendo o trabalho nos dois sites, então ainda terá muitas resenhas a conferir!

Bati o recorde de leituras esse ano, porém tenho dúvida de superá-lo em 2020. Li oitenta histórias, sejam quadrinhos, novelas, romances curtos ou calhamaços de seiscentas a novecentas páginas . Infelizmente atingi o limite, teve vezes que eu lia por obrigação, quando antes só via prazer neste esforço todo. Comecei o ano lendo como nunca, acomodei novos horários de leitura e aproveitei brechas de tempo livre a abrir o livro ou ligar o Kindle. No começo fiquei contente, com a certeza de alcançar cem leituras ao fim de dezembro, depois desleixei com livros de qualidades desanimadoras e também porque me sobrecarreguei. Leio devagar, e jamais esforçarei a ler mais rápido no intuito de atingir metas, pois prejudica meu entendimento e por consequência afeta a qualidade da resenha ― já cometi erros (qualquer humano está sujeito) só de ler no ritmo normal, imagina se acelerasse… ―; e deixarei de impor mais horas de leituras quando estiver indisposto. Alguém pode contestar de, por eu fazer da leitura um trabalho ― embora nada remunerado ―, é meu dever esforçar mais. Creio ter a obrigação de entregar o melhor conteúdo que eu puder, e forçar à exaustão prejudica esta qualidade.

Na mesma questão de sobrecarregar, eu quebrei o compromisso de entregar textos no blog toda segunda-feira. Seja crônica, miniconto, as matérias do XP de Escrita ou as de pesquisa sobre assuntos diversos; ao menos uma dessas categorias era lançada toda semana, então tinha boa quantidade de posts ao longo do ano. Porém a quantidade não acompanhou a qualidade, publiquei alguns textos mesmo consciente de poderem ser melhores, só cumpria a meta de postagem. Libertei-me disso, ainda posto conteúdo na segunda-feira, quando este for bom, assim consigo dedicar até por mais de uma semana no mesmo texto e entregá-lo na melhor forma vigente.

Foquei em melhorar a qualidade, e isso ajudou em nada no outro fator: a visibilidade. Pouco importa o esforço dedicado nos textos, muitos passam despercebidos. Até os assuntos capazes de atrair atenção por serem de fato polêmicos, atraem sequer um bot no site. Tenho culpa nisso, só falta entender qual parte erro: a qualidade dos textos talvez ainda precisa melhorar, falho em alcançar o público-alvo, o formato do conteúdo é incompatível ou desagradável… Também tem as redes sociais, o meio por onde atrairia o público neste meio de publicação online, onde entrei há pouco tempo e perco o interesse cada vez mais. Só quem provoca mais tumulto é lido, os donos das redes prometem mudar os algoritmos para filtrar este tipo de comportamento, mas na prática limita os canais menores de materiais interessantes. E os produtores irrelevantes têm a proeza de driblar esses algoritmos e continuar transmitindo besteiras, ou os novos algoritmos dão destaque a novos baderneiros virtuais. Pelo menos alguns bons canais sobrevivem nessas regras das plataformas, o que pode alertar a minha falta de eficiência em trabalhar nas mídias sociais.

Deixei por último o motivo de maior alegria em 2019: o de ser selecionado em publicação de antologia! Venci dois concursos de contos, um da segunda edição da revista A Taverna e outro na segunda edição da antologia Creepypastas da editora Lendari, a lançar no começo de 2020. São duas conquistas obtidas a partir do reconhecimento da qualidade dos meus contos, pois nenhum dos dois concursos foram feitos com pagamento dos autores selecionados, e assim só entrou na antologia quem de fato demonstrou qualidade aos olhos dos respectivos editores, de gente capacitada no meio. Ainda vou publicar um romance pela primeira vez, talvez em 2020, embora acontecerá no momento certo. Prefiro ser na forma de publicação tradicional, obtida a partir do romance reconhecido por profissional experiente e confiável. Pena este tipo de profissionalismo seja escasso no Brasil e incapaz de atender muitos escritores competentes, então na falta desta oportunidade, arrisco a publicação independente. O importante é: consegui reconhecimento por meio de dois contos, então estou no caminho certo!

Espero que a minha retrospectiva pessoal da escrita tenha ajudado a refletir sobre as possibilidades de erros e acertos os quais qualquer escritor e/ou blogueiro está sujeito a experimentar. Evito fazer promessas de ano novo, nem acredito dos acontecimentos serem melhores apenas por este novo período de doze meses o qual todos vamos passar, por isso desejo um bom dia a você, leitor que chegou até aqui, e que tenha muitos dias bons neste futuro a vir!