Herói é um ser idolatrado pelas suas conquistas, superam problemas impossíveis. Os heróis gregos têm origem divina e capacidades super-humanas, embora ainda tenha alguma característica reconhecível a pessoas comuns.

Em aventuras posteriores, os protagonistas das histórias possuem diversas origens, até pessoas normais, independente de classe social ou profissão. Esses seres de fortes princípios encaram jornadas no mundo desconhecido, se adapta e conhece novos aliados e inimigos, enfrentam uma provação com risco de perder suas vidas, mas no fim vencem e trazem ao mundo comum o prêmio e a mudança de vida.

Herói na jornada ao Santo Graal

Nem sempre enfrenta essas fases literalmente. O mundo desconhecido pode ser um bairro da cidade onde o herói nunca pôs os pés, ou nem é um lugar, como fazer parte de um novo grupo do trabalho. O prêmio não precisa de forma física, e sim algum aprendizado do herói ou sentimento capaz de refletir sobre a transformação do mundo depois da jornada.

Vale o mesmo ao inimigo. A imagem do adversário traz um conceito divergente do protagonista, bem como explora as fraquezas que o herói precisa superar. Às vezes o inimigo é o próprio temor do herói ou obstáculo, personificado em uma pessoa no papel de vilão.

Neste ponto entra o perigo de criar um herói no mundo real. O protagonista idealizado por pessoas de interesses em comum define um problema e atribui alguém como o culpado por toda a miséria. Tudo relacionado a este “ser maléfico” deve desaparecer, inclusive quem o apoia, pois também são malvados. Já o protagonista é o único capaz de derrotar esse mal, só que em vez da definição comum dos heróis desde a Grécia Antiga, este é livre de defeitos.

Muitas pessoas não gostam dos filmes da Marvel. E uma parcela desta mesma gente reproduz a plateia dos heróis da telona nas telinhas das redes sociais, interagindo com exaltações ao seu ídolo e condenação do suposto inimigo, tudo por uma falsa impressão de retornar ao seu mundo comum com a conquista de uma vida diferente.

Herói - WarMachine2018

#warmachine2018

É muito mais fácil, portanto verossímil, definir alguém ou uma ideologia como o responsável quando esta também quer resolver o mesmo problema, só defende uma alternativa diferente.

A mania de implantar o maniqueísmo jamais resolverá. Passa o sentimento de lutarmos pelo bem, por selecionarmos o herói correto para nos salvar e livrar a consciência de imaginar que nós não precisaríamos repensar nossas atitudes.

Este comportamento é capaz de desconsiderar a própria Jornada do Herói. Ignora a passagem pelo mundo desconhecido ao dizer que tudo não presta por lá, o ídolo deles já possui o elixir capaz de salvar a pátria desde o começo, sem passar por provações que definiriam a sua proeza.

Tudo é inimigo para eles, as pobres vítimas. Fazem tudo correto; exceto furar fila, sonegar imposto, comprar produto pirata, matar pessoas por não conseguir identificar seu gênero sexual, tomar benefícios do governo por meios contraditórios… Quem poderá defendê-los?

Criança e pai bêbado - Herói

Professores deixaram meu filho beber. São monstros!

Quando não há mais aquele inimigo, o problema permanece. O Brainiac perde, então os roteiristas dos quadrinhos trazem Darkseid para o Superman salvar o mundo de novo, ao invés de fazer o herói acabar com a fome com distribuição imediata de alimentos, ou abastecer um gerador de eletricidade sem abusar de recursos naturais graças a sua força e velocidade.

Existe a necessidade insaciável de ser um herói. Alguns bombeiros já provocaram os incêndios que combateram. Já foi analisado que não é um caso comum de um indivíduo com doença comportamental, inclusive é feito muitas vezes em grupos de profissionais. O objetivo passa longe de conquistar a identidade de herói, mas o causam para justificar sua utilidade, como gerar uma falsa demanda e justificar a aquisição de recursos ao seu batalhão.

Percebe o perigo de empenhar uma solução imediata, mas no fim salvar ninguém? O combate é muito mais difícil, bem chato inclusive, e não deve ser feito por uma pessoa. Todos precisamos ser os heróis das nossas histórias. Se até as jornadas fictícias, onde os outros personagens são apenas degraus para elevar o protagonista, não fazem sucesso comercial, a realidade é ainda mais cruel.

Então empunham suas espadas, protejam-se com armaduras, e aprendem a andar com as próprias pernas.


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